sexta-feira, 3 de outubro de 2014

OS CRIMES DO MONOGRAMA


Autor: Sophie Hannah

Título original: Monogram murders



Sinopse: Sentado no seu café preferido, Hercule Poirot prepara-se para mais um jantar de quinta-feira quando é surpreendido por uma jovem mulher. Ela chama-se Jennie e diz estar prestes a ser assassinada. Mais insólita do que esta afirmação é a sua súplica para que Poirot não investigue o crime. A sua morte é merecida, afirma Jennie, antes de desaparecer noite dentro, deixando o detective perplexo e ansioso por mais informação. Perto dali, o elegante Hotel Bloxham é palco de três assassinatos. Os crimes têm várias semelhanças entre si: os três corpos estão dispostos em linha reta com os braços junto ao corpo e as palmas das mãos viradas para baixo. E dentro das bocas das vítimas, encontra-se o mais macabro dos pormenores: um botão de punho com o monograma PIJ. Poirot junta-se ao seu amigo Catchpool, detetive da Scotland Yard, na investigação deste estranho caso. Serão os crimes do monograma obra do mesmo assassino? E poderão de alguma forma estar relacionados com a fugidia Jennie que, por uma razão indecifrável, não abandona os pensamentos do detetive belga?



Criar o regresso de Poirot aos livros é, ao mesmo tempo, um motivo de grande excitação mas também de apreensão, pois nunca será fácil, para nenhum autor, conseguir captar a essência e a genialidade de Agatha Christie, falecida em 1976. Mas, quase 40 anos após a morte da sua criadora, Poirot regressa para desvendar mais um caso.

Este é, inevitavelmente, um caso de sucesso imediato mas também que poderá estar condenado ao fracasso, pois os leitores de Poirot, agora mais velhos e maduros, terão graus de exigência muito elevados, ou não estivéssemos a falar de Poirot. Posto isto, será este um livro morto à partida pelas expectativas?

O que mais me agradou no livro foi o seu ritmo, mais elevado do que esperava, e que começa bastante cedo a agarrar o leitor. O caso que nos é apresentado é de tal forma estranho (podem ver pela sinopse) que se torna impossível parar de ler. O resultado é uma leitura que se torna compulsiva até chegarmos ao final com todas as suas revelações. Com uma escrita elegante e objetiva, muito da essência de Christie está aqui presente, principalmente na forma como Poirot está desenvolvido neste livro. Este é, provavelmente, o elemento de maior discórdia, pois uns dirão que o trabalho de Sophie Hannah está fantástico ao "agarrar" o famoso detective, outros dirão que falta o toque de Agatha. Do meu ponto de vista, e tendo em conta que não sou um perito em Poirot mas apenas um leitor que leu alguns livros, parece que o trabalho está muito bem feito. É claro que nunca será igual, nem poderia ser, mas existe a clara noção que este livro foi alvo de um trabalho exaustivo e muito bem pensado.

Poirot está fantástico neste livro e é o que nos agarra, com as suas ideias e interações com outros personagens, principalmente com o narrador, que estão muito bem conseguidas. Pelo meio, a autora explora alguns temas mais sensíveis, mas de forma muito ténue, pois o essencial é o jogo de lógica que nós, a par de Poirot, iremos fazer para chegar às conclusões sobre o caso. Não existindo um momento que nos tente enganar de forma explícita, somos levados num enredo com várias pontas soltas mas que nos dá matéria para avançarmos na nossa própria investigação. 

No final da leitura a única coisa que nos pode levar a não aplaudir o livro é o facto de não apreciarmos a ideia de Poirot voltar sem Christie, ou devido as expectativas demasiado altas. Este é um regresso muito interessante, e apesar de não ser genial como alguns livros do famoso detetive, é bastante bom e um dos melhores policiais que já li este ano. Não é Agatha Christie, não, não é, tal como o filho de Tolkien nunca será Tolkien. Mas é uma leitura muito boa e apenas as expectativas o poderão atingir. Da minha parte, vou ficar atento aos próximos livros!

Luís Pinto

1 comentário:

  1. Parabéns pela grande análise. Estou muito ansioso por ler este livro e devo compra-lo no próximo mês no máximo.

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