Autor: Douglas Adams
Título original: The Restaurant at The End of the Universe
“A primeira tentação para o leitor mais desprevenido que se cruze com “O Restaurante no Fim do Universo”, julgando tratar-se de um apetitoso livro de culinária pejado de receitas do outro mundo, será entrar em pânico. Eu compreendo: é provável que nunca antes ou depois deste livro, o caro leitor se tenha cruzado com tal torrente de ideias, conceitos, lições de vida e piadas, concentrada em tão poucas páginas.” – Excerto da Introdução por Nuno Markl
NÃO ENTRE EM PÂNICO!
O primeiro livro desta saga é uma obra-prima. À Boleia pela Galáxia convenceu-me em todos os sentidos e quando cheguei ao fim queria mais. Agora ao ler este segundo livro vem a confirmação da qualidade do anterior, e o porquê de se tratar de uma das sagas mais famosas da literatura fantástica.
Nesta continuação a intriga adensa-se e a história continua genial. Adams manteve a sua escrita, que encaixa perfeitamente no enredo do livro, e a sua criatividade espantou-me ainda mais. Foram muitas as vezes em que pensei “mas como é que o homem teve esta ideia?” de tão ousada/parva que era. Páginas e páginas recheadas com momentos que me fizeram rir e rir, tanto nos acontecimentos como nos diálogos, mas no fim a sensação é outra: Esta saga tem o seu espaço no mundo literário porque não é apenas uma saga de ficção-científica com o objectivo de nos fazer rir (e reparem que o consegue muito bem), mas sim porque se trata de algo mais inteligente do que parece, pois mostra-nos de forma “parva” como são ridículas algumas das “coisas” que movem o mundo.
A realidade é que por vezes somos levados por essas coisas, outras vezes agarramo-nos a elas, e consequentemente desperdiçamos a vida. Existe um momento no livro em que um povo se questiona se deve ou não inventar o fogo e acabam por fazer um estudo de marcado sobre como as pessoas usariam o fogo e para quê (claro que a crítica neste caso não está no que fizeram, mas sim no porquê, e terão de ler o livro para perceber).
O que ao início parece apenas um aglomerado de ideias sem sentido, formam um livro de grande crítica social, à qual a política, religião e a estupidez humana, não conseguem fugir. No entanto esta crítica está de tal forma disfarçada que poderá fugir a alguns leitores que não a procurem, porque passamos tanto tempo com um sorriso nos lábios que outras interpretações mais sérias podem ficar pelo caminho.
Há uma teoria, segundo a qual, se todos descobrissem ao certo o que é o universo e porque existe, este desapareceria imediatamente e seria substituído por algo ainda mais bizarro e inexplicável.
Há outra teoria que diz que isto já aconteceu.
Apesar de ter gostado mais do primeiro, principalmente pela sensação de surpresa, de algo novo, este continua genial. Adams conseguiu outra vez! Um livro que nos consegue tirar da nossa vida, deixar-nos sem preocupações, simplesmente a rir com as aventuras destas personagens. Quando acaba, queremos mais! Eu quero mais, porque nunca este livro foi menos do que “extremamente divertido”.
Marvin continua a grande personagem deste livro para mim, sendo cada vez mais algo memorável, com diálogos/monólogos que me fizeram rir e conseguir imaginar cada momento com enorme prazer. Uma criação fabulosa. Aliás, devo dizer que o momento em que Marvin é deixado para trás para enfrentar um robot super poderoso, é um dos melhores momentos que alguma vez li! Um momento de pura genialidade e que todas as pessoas deviam ler!
Resumindo: excelente! Indicado para todos os que apreciem este género ou todos aqueles que queiram ler algo diferente, leve, que nos faça sorrir. Como já disse antes, não vejam o filme, nem a série desta saga. Leiam os livros. Deixem-se levar, apaguem os preconceitos e deixem-se rir. Vale a pena ler e sorrir!
Ainda espaço para dar os meus humildes parabéns à tradução. Num livro onde o mínimo detalhe pode no futuro originar um momento de enorme riso, a tradução tem não só de se manter fiel mas também conseguir transportar o momento cómico para a nossa língua, e esta tradução parece-me muito boa.

