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terça-feira, 31 de março de 2015

UM ERRO FATAL


Autor: Sophie Hannah

Título original: The telling error




Sinopse: A manhã que mudou a vida de Nicki Clements seria como tantas outras se o seu filho não tivesse esquecido a mochila em casa.Foi com o objetivo de lha entregar que ela saiu. Não planeara passar vezes sem conta pela casa do controverso jornalista Damon Blundy, recentemente assassinado. Mas a verdade é que passou...É a estranheza do seu comportamento que leva a polícia a interrogá-la. Nicki diz a verdade: não conhecia Damon. E não, não sabe explicar a enigmática arma do crime. Nem tão-pouco entende a mensagem que o assassino escreveu a tinta vermelha na parede da vítima: “Ele não está menos morto”. O problema é que não poderá nunca revelar porque estava tão perto do local do crime. Se o fizer, terá de confessar um segredo que a destruirá. É que Nicki pode não ser culpada, mas está longe de ser inocente... 



Apesar de fazer parte de uma série, este é um livro que pode ser lido de forma independente sem qualquer perda de detalhe por parte do leitor. Sendo assim, e após ter lido um livro muito interessante da autora (ver opinião aqui), decidi regressar para mais um policial mesmo tendo em conta que a capa do livro não me cativou de imediato.

Este não é um livro fácil, apesar da sua inegável qualidade. O seu ritmo é baixo, o detalhe é importante e o segredo está na sua montagem narrativa, com a nossa visão a saltar entre personagens, levando a que as revelações cheguem no momento certo, quando menos esperamos. O resultado é uma leitura com constantes dúvidas em que é difícil criarmos a nossa própria investigação, pois a autora sabe como nos enganar.

Em grande parte, este é um livro psicológico. A autora explora o enredo de uma forma muito inteligente, levando-nos a ter dúvidas a cada página, mas, principalmente, a não conseguir criar uma noção definitiva em relação à principal suspeita, Nicki. E é nesse impasse que vamos lendo e tentamos perceber o que a autora nos diz entre linhas, levando a que o jogo psicológico seja constante até chegarmos ao momento final em que é relevada toda a verdade e será, quase de certeza, uma surpresa para quem o ler.

Com personagens interessantes, é a ligação entre elas que me agradou. É difícil ver todas as ligações numa fase inicial, e serão essas ligações que se tornam no catalisador da própria investigação. Mas, o que, na minha opinião, faz a diferença é o facto de a autora conseguir levar um leitor a nunca saber se Nicki está ou não inocente em algumas questões. Pelo meio, a autora explora, mesmo que suavemente, algumas questões morais da nossa era tecnológica, sobre os seus benefícios mas também para os seus perigos, que por mais que sejam divulgados, nunca serão irradicados.

Apesar de não ser o melhor livro que já li da autora e apesar de deixar algumas (poucas) perguntas sem respostas, a verdade é que gostei bastante deste policial. A sua carga psicológica é o seu trunfo e a forma como a autora revela pormenores faz a diferença. São várias as reviravoltas que nos deixam surpresos e a grande maioria faz sentido assim que acontecem, nunca existindo a sensação de algum forçar de acontecimentos.

Sophie Hannah é uma aclamada escritora no seu género e este livro é mais uma prova do porquê. Não é uma obra prima mas agradará aos fãs do género e fez-me querer mais livros da autora. Uma leitura muito agradável e cheia de mistério.

Luís Pinto

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

OS CRIMES DO MONOGRAMA


Autor: Sophie Hannah

Título original: Monogram murders



Sinopse: Sentado no seu café preferido, Hercule Poirot prepara-se para mais um jantar de quinta-feira quando é surpreendido por uma jovem mulher. Ela chama-se Jennie e diz estar prestes a ser assassinada. Mais insólita do que esta afirmação é a sua súplica para que Poirot não investigue o crime. A sua morte é merecida, afirma Jennie, antes de desaparecer noite dentro, deixando o detective perplexo e ansioso por mais informação. Perto dali, o elegante Hotel Bloxham é palco de três assassinatos. Os crimes têm várias semelhanças entre si: os três corpos estão dispostos em linha reta com os braços junto ao corpo e as palmas das mãos viradas para baixo. E dentro das bocas das vítimas, encontra-se o mais macabro dos pormenores: um botão de punho com o monograma PIJ. Poirot junta-se ao seu amigo Catchpool, detetive da Scotland Yard, na investigação deste estranho caso. Serão os crimes do monograma obra do mesmo assassino? E poderão de alguma forma estar relacionados com a fugidia Jennie que, por uma razão indecifrável, não abandona os pensamentos do detetive belga?



Criar o regresso de Poirot aos livros é, ao mesmo tempo, um motivo de grande excitação mas também de apreensão, pois nunca será fácil, para nenhum autor, conseguir captar a essência e a genialidade de Agatha Christie, falecida em 1976. Mas, quase 40 anos após a morte da sua criadora, Poirot regressa para desvendar mais um caso.

Este é, inevitavelmente, um caso de sucesso imediato mas também que poderá estar condenado ao fracasso, pois os leitores de Poirot, agora mais velhos e maduros, terão graus de exigência muito elevados, ou não estivéssemos a falar de Poirot. Posto isto, será este um livro morto à partida pelas expectativas?

O que mais me agradou no livro foi o seu ritmo, mais elevado do que esperava, e que começa bastante cedo a agarrar o leitor. O caso que nos é apresentado é de tal forma estranho (podem ver pela sinopse) que se torna impossível parar de ler. O resultado é uma leitura que se torna compulsiva até chegarmos ao final com todas as suas revelações. Com uma escrita elegante e objetiva, muito da essência de Christie está aqui presente, principalmente na forma como Poirot está desenvolvido neste livro. Este é, provavelmente, o elemento de maior discórdia, pois uns dirão que o trabalho de Sophie Hannah está fantástico ao "agarrar" o famoso detective, outros dirão que falta o toque de Agatha. Do meu ponto de vista, e tendo em conta que não sou um perito em Poirot mas apenas um leitor que leu alguns livros, parece que o trabalho está muito bem feito. É claro que nunca será igual, nem poderia ser, mas existe a clara noção que este livro foi alvo de um trabalho exaustivo e muito bem pensado.

Poirot está fantástico neste livro e é o que nos agarra, com as suas ideias e interações com outros personagens, principalmente com o narrador, que estão muito bem conseguidas. Pelo meio, a autora explora alguns temas mais sensíveis, mas de forma muito ténue, pois o essencial é o jogo de lógica que nós, a par de Poirot, iremos fazer para chegar às conclusões sobre o caso. Não existindo um momento que nos tente enganar de forma explícita, somos levados num enredo com várias pontas soltas mas que nos dá matéria para avançarmos na nossa própria investigação. 

No final da leitura a única coisa que nos pode levar a não aplaudir o livro é o facto de não apreciarmos a ideia de Poirot voltar sem Christie, ou devido as expectativas demasiado altas. Este é um regresso muito interessante, e apesar de não ser genial como alguns livros do famoso detetive, é bastante bom e um dos melhores policiais que já li este ano. Não é Agatha Christie, não, não é, tal como o filho de Tolkien nunca será Tolkien. Mas é uma leitura muito boa e apenas as expectativas o poderão atingir. Da minha parte, vou ficar atento aos próximos livros!

Luís Pinto