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quinta-feira, 29 de maio de 2014

O ANJO NEGRO


Autor: Paul Hoffman

Título original: The beating of his wings


Este é o 3º  e último livro da trilogia e, apesar de não ser tão viciante quanto o 1º, a verdade é que em termos qualitativos, parece-me o melhor dos três. Todavia, o caminho e o final da saga poderão não agradar a todos os fãs.

Hoffman tem nesta saga uma escrita muito peculiar. Violenta e negra em alguns momentos, suave e cómica noutros. Esta mistura confere a esta trilogia uma identidade que não iremos esquecer, e a montanha russa no ambiente do livro faz a diferença, quer se goste ou não.

Pessoalmente, gostei desta mistura, porque ajuda a balançar um enredo que é bastante forte e negro. Hoffman em nenhum momento demonstra qualquer receio em chocar-nos, mesmo que esse choque não venha de uma descrição gráfica, mas de qualquer ação no enredo. Para tal, muito contribui o personagem principal, que na minha opinião é o melhor trunfo desta trilogia. O que mais gostei foi mesmo este homem, com uma personalidade difícil de aceitar em alguns momentos, principalmente pelas questões morais que as suas ações levantam, mas que consegue cativar o leitor desde que consigamos perceber o quão bem esta personagem encaixa na história.

O enredo, sempre importante quando chegamos ao fim de uma saga, consegue ser melhor do que o 2º livro, que era notoriamente mais arrastado, e oferece um ritmo mais interessante sem nunca deixar de descrever o que é importante. Hoffman criou uma interessante mistura entre política e religião que se enquadra muito bem no mundo criado e as personagens ganham bastante con isso, principalmente neste ultimo livro em que as mais importantes decisões são tomadas.

Após ter falado aqui sobre os três livros, e sem querer reveler nada do enredo, não há muito mais para dizer. No global, esta é uma trilogia que tem dois bons livros, o 1º e o 3º, e um livro que se arrasta um pouco e que necessita do livro seguinte para ganhar significado. Gostei desta saga e um dia voltarei a lê-la, para, provavelmente, encontrar novos significados neste estranho mundo de Hoffman. No entanto é uma saga com características fortes e que nem todos os leitores gostarão. É, portanto, uma saga para um público restrito, mas esses irão adorar, sem dúvida. O final explica bastante e torna os livros anteriores bem melhores, mas, novamente, este é um final que não agradará a todos. Eu apreciei bastante as últimas páginas e aplaudo este autor que arriscou neste fim e me surpreendeu.

Luís Pinto

sábado, 24 de maio de 2014

AS QUATRO ÚLTIMAS COISAS


Autor: Paul Hoffman

Título original: The last four things




Após o 1º livro da saga, sobre o qual escrevi há poucos dias, passei de imediato para este, e como disse na análise anterior, acabei por ler toda a trilogia de seguida. Posto isto, posso dizer que este livro é o mais fraco dos três, principalmente por apresentar um ritmo que em alguns momentos é demasiado lento e tornando estas páginas em algo que podia ser mais curto desenvolvendo o mesmo.

Esse será, provavelmente, o problema deste livro, o de demorar a desenvolver e muito do que é aqui desenvolvido apenas terá resultados no próximo livro, deixando este como algo que parece apenas arrastado no meio da trilogia. Todavia, as coisas boas continuam ao seu nível, começando pela personagem principal, Cale, que continua a surpreender e a ser coeso na personalidade criada no livro anterior. O autor aproveita para explorar personagens que foram menos aprofundadas no livro anterior mas que sempre mostraram que seriam importantes. E assim o autor alarga a nossa visão e deixamos de estar tão concentrados em Cale.

A isto juntam-se diálogos interessantes, mas são vários os que não demonstram a sua finalidade e o leitor pode ficar sem perceber o porquê daquela conversa e, novamente, pode ficar a sensação de "arrastamento" do enredo. Felizmente no último livro alguns destes diálogos são "explicados" mas também é verdade que algumas perguntas ficam no ar, tanto neste livro como no próximo.

Um dos aspetos que mais gostei foi o mundo criado pelo autor. Existe aqui uma mistura entre vários conceitos que existem na realidade e outros que o autor começou a explorar no primeiro livro, e que me agradou bastante, principalmente pela forma como o autor as descreve. A parte religiosa continua muito forte, tal como a crueldade com que o autor explora o poder religioso, mas também o poder e a influência que esse poder tem neste mundo. A atmosfera do enredo continua sombria, muito graças a estes factores e ao personagem principal, e novamente volto a concordar com a tentativa do autor em acrescentar momentos cómicos que "desanuviam" a leitura. É verdade que alguns leitores podem sentir que o livro se torna algo infantil com os momentos mais alegres, mas acredito que sem estes momentos o enredo seria demasiado pesado, o que não seria bom neste livro onde o ritmo é mais lento.

Globalmente, como disse antes, este é o livro mais fraco da trilogia, mas sendo o segundo percebe-se que há aqui construção, só que demasiado arrastada. O problema é que neste livro não se vê o resultado dessa mesma construção e o livro, apesar de ter mais um final bom, não consegue ter o impacto do livro anterior e fica a sensação que o autor pode estar a passar ao lado da oportunidade de fazer algo mesmo relevante. Felizmente o 3º livro é melhor e completa estas páginas que, acredito, agradarão à maioria mas sem conseguir viciar como o anterior, pois em alguns momentos o autor parece perdido.

Luís Pinto

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O BRAÇO ESQUERDO DE DEUS


Autor: Paul Hoffman

Título original: The left hand of God



Sinopse: A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça...
"Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontra santuário e muito menos redenção."
O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado - um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança para servir a Única e Verdadeira Fé. Um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. É um rapaz estranho e reservado, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução possível é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço... não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.




Agora que o 3º livro desta trilogia foi editado, decidi ler os três de seguida. Já há bastante tempo que estava para começar a ler esta obra de Hoffman que se tornou numa grande êxito há uns anos.

Este é um livro muito interessante, principalmente agora que já li toda a trilogia. O autor demonstra algum planeamento no enredo, mas é também neste livro que existe uma maior confusão, pois fica a ideia que o autor ainda não tinha bem definido a forma como ia contar a história. Torna-se notório que o autor tenta misturar várias formas de escrita, e na grande maioria das situações até funciona bem, apesar de existirem outros momentos em que a mudança de ritmo é demasiado abrupta e estranha-se. Todavia, o autor consegue dar três características muito interessantes à narrativa: comédia, frieza e descrições detalhadas. 

Com esta mistura na narrativa, o autor consegue proporcionar momentos cómicos e que retiram ao livro o ambiente pesado em que o enredo se passa. No entanto, estes momentos de comédia, onde a própria escrita se torna mais simples, não consegue fazer sombra à escrita crua e fria com que o autor faz algumas descrições, não só de locais e ações, mas também na própria personagem principal, Cale, um protagonista com o qual não é fácil simpatizarmos mas sobre o qual rapidamente recai algum fascínio. 

No ritmo da narrativa o autor faz uma verdadeira montanha-russa entre momentos bastante lentos, onde são feitas algumas descrições, e outros bastante rápidos, de cortar a respiração, principalmente no final, verdadeiramente frenético. Ainda sobre as descrições, Hoffman parece exagerar em alguns momentos, pois dá muita importância ao detalhe, mas quando lemos toda a trilogia fica a sensação de que globalmente a saga ganha com esses pormenores que no início parecem exagerados.

Mas o grande trunfo é a personagem principal, Cale, um homem frio e com uma personalidade única, bem demonstrada, não só nas suas ações, mas principalmente nas forma como pensa e encara o mundo. Coerente e capaz de captar a atenção do leitor rapidamente, torna-se óbvio que o autor aposta bastante nesta personagem e quer que exista uma ligação forte entre nós e Cale. Olhando globalmente para este livro e depois para toda a trilogia, o autor descreve muito mais as restantes personagens nos livros seguintes, mas neste a nossa atenção está em Cale. Esta estratégia resulta num livro ao qual parece faltar algo, mas a ligação com Cale está criada, e resulta plenamente para os próximos livros onde o autor torna tudo mais coeso.

Outro aspeto interessante é o mundo criado pelo autor. No início estranha-se e choca-nos com a sua violência, mas rapidamente tudo começa a fazer sentido apesar de neste livro ainda ficar muito por explicar. O enredo é bom, é original em alguns momentos, tal como é um pouco óbvio noutros, mas o final consegue criar o impacto que nos obriga a ler o próximo livro o mais rápido possível.

Tendo já lido a trilogia posso dizer que esta acaba muito bem. Olhando apenas para este primeiro livro, está abaixo do 3º que acaba a saga, mas é uma obra que cria ligações e bases importantes. Focado num público que goste do género e não tenha problemas com algumas descrições mais violentas, este é um livro interessante, mas que não é fantástico por si só. No entanto, torna-se muito melhor quando lemos toda a trilogia.

Luís Pinto