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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A CARREIRA DO MAL


Autor: Robert Galbraith

Título original: A career of evil




Sinopse: Quando recebe um misterioso embrulho, Robin Ellacott fica horrorizada ao descobrir que lá dentro se encontra a perna de uma mulher. 
O seu chefe, o detetive privado Cormoran Strike, mostra-se menos surpreendido mas está igualmente alarmado. Strike calcula que quatro pessoas do seu passado possam ser os responsáveis ? e sabe que qualquer uma delas é capaz de semelhante brutalidade.
Com a polícia concentrada num suspeito que Strike considera não ser o culpado, este e Robin decidem investigar os mundos sombrios e retorcidos dos restantes três suspeitos. No entanto, à medida que se desenrolam mais acontecimentos macabros, o tempo esgota-se…
A Carreira do Mal é o terceiro livro da aclamada série policial protagonizada por Cormoran Strike. Com um enredo intrincado e complexo, repleto de desenvolvimentos inesperados, esta é também uma história comovente de um homem e de uma mulher que se deparam com uma encruzilhada pessoal e profissional. Não será capaz de largar este livro.



Estava com bastante vontade de ler este terceiro livro da saga Cormoran Strike. Nos primeiros dois livros a leitura foi sempre viciante e cheia de surpresas, com um evoluir de algumas personagens de um livro para o outro e com a autora a arriscar em certos momentos com inteligência. Agora, com este terceiro livro, as expectativas eram altas, mas o livro cumpre.

A primeira grande diferença que se nota é no ambiente do livro. Este terceiro livro é muito mais negro e macabro, lembrando-me um pouco a forma como J.K.Rowling foi amadurecendo as suas personagens e tornando os enredos mais negros a cada novo Harry Potter. Os acontecimento são mais macabros, agarrando de imediato o leitor que começa a questionar-se sobre o perfil do assassino. 

Com um enredo bem delineado, a narrativa dá uns saltos interessantes que aqui não irei explicar, mas o facto de termos uma melhor noção do ponto de vista do vilão é o grande trunfo deste livro, pois torna-o mais completo e coerente, mas também o torna melhor, pois é mais difícil à autora levar as nossas atenções para o lado errado. O leitor é convidado a ligar o conhecimento que ganha dos dois lados da moeda. Aliás, a narrativa consegue, uma vez mais, dar todas as pistas necessárias, mas com a capacidade de nos levar a olhar para outro lado. 

Apesar de ter, infelizmente, dois momentos forçados que me levaram a ficar mais atento e a conseguir descobrir quem era afinal o assassino, também é verdade que a revelação do motivo me escapou em grande parte. Aliás, quando todas as revelações são feitas, tive de parar de ler e mentalmente recuperar certos momentos da leitura para que tudo encaixasse de forma coerente, ao ponto de achar que um leitor que não faça uma leitura tão atenta ou demasiado rápida, não consiga perceber todos os detalhes que foram aparecendo desde a primeira página.

O final é uma clara tentativa da autora em nos surpreender. Gostei da forma como arriscou mas acredito que nem todos os leitores apreciem a forma como tudo é desvendado. No entanto, nem apenas destas surpresas vive este livro, que aproveita as suas páginas para aprofundar mais as personagens e criar novas ligações entre elas. O ambiente está muito bem conseguido e existe uma constante sensação de urgência e que ajuda a tornar um pouco mais coerentes os momentos forçados que antes falei. 

Destaque ainda para a excelente evolução da personagem Robin e para o melhor vilão da saga.
Globalmente, este é um policial muito bom. A grande diferença para os livros anteriores está na dimensão pessoal do enredo. Nos livros anteriores não existia uma ameaça aos personagens principais, apenas o enigma. Agora o os personagens que gostamos são o alvo, e o livro ganha intensidade com isso. Enquanto crítico diria que está ao nível dos outros dois anteriores, mas enquanto fã este é o meu favorito. Galbraith empurrou os personagens e a narrativa para um novo nível de suspense e de intensidade, tornando-o numa leitura compulsiva. Se são fãs da saga ou se gostam de bons policiais, então está recomendado, sem dúvida! 

Luís Pinto 


 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O BICHO-DA-SEDA


Autor: Robert Galbraith

Título original: The Silkworm




Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa. No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais.
Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo. E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...


J.K. Rowling regressa com mais um livro da saga de Cormoran Strike. O já famoso detective tem, quase uma dezena de meses após o anterior livro, um novo caso que vale a pena ler. Em primeiro lugar devemos salientar que Rowling continua, tal como fez com a saga Harry Potter, a desenvolver as suas personagens com mestria e num ritmo quase perfeito. A cada capítulo há algo mais que aprendemos sobre Strike, ou até sobre Robin, que cada vez mais se torna numa personagem importante. Este aprofundar aparece de forma suave, muito graças ao alargar do expetro da narrativa, com a autora a mostrar-nos um pouco mais da vida pessoal de cada um, tal como dos seus passados. O resultado é uma sensação de que cada vez percebemos melhor a personagens, culminando numa melhor compreensão das suas atitudes, quer neste livro, quer no anterior.

Sendo um policial, a grande atenção do leitor está na investigação, e, se por sorte, rapidamente adivinhei o assassino do livro anterior (volto a referir que foi apenas sorte), aqui a autora surpreendeu-me completamente, pois nunca adivinharia quem matou Quine. Todavia, o mérito de Rowling (ou se preferirem, de Galbraith) está no facto, não da autora surpreender, mas de nos ter dado todas as pistas necessárias para que nós fizéssemos a investigação e tivéssemos chegado à mesma conclusão que Strike, o que no meu caso resultou no facto de ter percebido qual a manobra principal do assassino sem descobrir a identidade do mesmo.

Tal como no primeiro livro, e dentro do género britânico, a autora apresenta um conjunto de suspeitos que nos irá "baralhar as contas" e que, acredito, resultará numa agradável surpresa para muitos leitores. A isto junta-se uma narrativa muito mais negra na qual Rowling parece amadurecer dentro deste género e envolve-nos num cenário muito mais sombrio e macabro. É notório, sensivelmente a meio do livro, que a autora dá um passo em frente na maturidade da saga, quer seja nos problemas pessoais de cada personagem, quer no próprio caso. De salientar ainda que Rowling não se limita a colocar Strike num caso, mas sim em vários, sendo que os outros, apesar de serem totalmente secundários dão a noção ao leitor de que Strike tem mais trabalho e mais obrigações para lá do caso principal, o que torna a história mais convincente.

Acima de tudo, este é um livro coerente e sólido. Rowling cria algo com sentido, e, uma vez mais, cria personagens com grande qualidade. No entanto o grande destaque vai para os diálogos, inteligentes e com significado, e para os detalhes que a autora vai colocando durante o livro e que são fundamentais no final. Globalmente, apesar de um ou outro momentos mais óbvios, o que Rowling nos oferece aqui é um livro superior ao anterior, mais focado no que gira à volta de Strike e não apenas na personagem em si. A investigação é apelativa, apesar de mais lenta no início e os personagens cativam-nos, deixando portas abertas para o próximo livro.

Rowling melhorou dentro do género, deixando-me uma grande expectativa em relação ao próximo. Se gostaram do anterior livro da saga, ou se gostam de policiais, este livro é uma grande leitura que mistura vinganças, remorsos, ressentimentos, invejas, amor... é o melhor livro que Rowling já escreveu fora da saga Harry Potter.

Luís Pinto


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

QUANDO O CUCO CHAMA

Autor: Robert Galbraith

Título original: The Cockoo's Calling


Sinopse: Quando uma jovem modelo, cheia de problemas na sua vida pessoal, cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso.

Strike é um veterano de guerra - com sequelas físicas e psicológicas - e a sua vida está num caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna - e mais se aproxima de um perigo terrível...


Depois de muita tinta ter corrido sobre a publicação deste livro, assim que foi possível, comecei a lê-lo, ou não fosse este, um livro escrito por J. K. Rowling.

Após ter lido este livro e também o seu outro livro "Morte Súbita", torna-se óbvio que a escrita de Rowling é singular quando tem como público alvo leitores mais adultos. Aliás, agora que sabemos quem escreveu este livro, é fácil encontrar pequenos detalhes onde se nota o toque único da autora. Rowling tem uma capacidade inata de criar diálogos realistas e de, com descrições físicas, mostrar-nos algo mais sobre personagens. No entanto este livro é, em todos os aspetos uma obra superior ao livro anterior.

Em primeiro lugar, trata-se de um livro que me conseguiu "agarrar" desde o início, pois rapidamente o leque de suspeitos se torna grande o suficiente para nos deixar com várias dúvidas. No entanto, na minha opinião, o grande trunfo são as personagens. Rowling cria um pequeno grupo de personagens, com o qual o enredo se desenvolve e que facilmente me cativou. Neste aspeto, Cormoran é de longe a personagem mais marcante e também a com mais qualidade. Aliás, é a partir desta personagem que Rowling avança com a história mas também nos cria dúvidas. Cormoran deixa claro, desde meio da história, que tem uma ideia muito clara do que se passou, e nós, leitores (pelo menos foi o meu caso), tentamos acompanhar o seu raciocínio, perceber quem é o culpado, se é que existe um, e ao mesmo tempo pergunta-mo-nos até que ponto Cormoran estará certo.

O que gostei mais neste livro foram os diálogos. Criando um enredo onde o detetive tenta analisar um crime ocorrido há alguns meses, a forma usada por Cormoran é questionando pessoas, e a forma como ele conduz esses interrogatórios está muito bem conseguida, principalmente porque às falas juntam-se descrições detalhadas sobre as reações das personagens, quer seja um movimento do pé, um desviar do olhar, uma hesitação na fala, tudo serve para nos tentar baralhar as ideias.    

Quando estava perto da página 100 pensei algo deste género "se isto for assim, esta história será fantástica". A minha suposição não tinha qualquer fundamento nem base com que argumentar, simplesmente gostaria de ver algo assim, mas rapidamente desviei o meu olhar para outros suspeitos, acreditando que o meu pensamento inicial não seria possível. Rowling fez-me a vontade (era mesmo assim!) e por isso, dentro do que para mim é um bom policial, este livro consegue atingir o que para mim é essencial. Mas o que me espantou ainda mais foi a forma como a descoberta foi feita. Pelo menos duas vezes senti-me ultrapassado pelo pensamento de Cormoran e quando as suas suposições foram explicadas, percebi que Rowling sempre me deu as respostas, mas eu não liguei os pontos.

Neste aspeto Rowling é fantástica. Tal como em alguns livros de Harry Potter, também aqui as respostas estão ao nosso alcance, pois não há nada que Cormoran saiba que não seja do nosso conhecimento, só que eu não liguei os pontos, e garanto que mesmo adivinhando, por pura sorte, quem era afinal o culpado, não teria capacidade para o provar, e é nesse aspeto que o enredo me surpreendeu.

Para tornar tudo mais intenso, Rowling faz uma crítica indireta a toda a sociedade, desde os ricos e famosos, passando por aqueles que os idolatram e também pelos que vivem às custas dos famosos, como por exemplos as revistas. Apesar de nunca ser uma crítica direta, é interessante ver como a autora explora certos problemas, preconceitos ou até mentiras que existem nestes "seletivos mundos" onde muitos se perdem.

Rowling voltou a brindar-nos com um excelente livro, não me alongo nesta opinião para não revelar nada, e espero que continue com esta saga, talvez, explorando outros temas. Agora que as personagens estão apresentadas e a base está criada, com Cormoran e Robin a serem o centro, esta saga tem tudo para ter sucesso (sucesso esse que este livro alcançou antes de sabermos que era Rowling quem estava do outro lado).

Este não é o melhor policial que já li, mas é muito bom e bastante viciante. O realismo que Rowling dá aos diálogos é palpável e ajudou-me a criar todas as imagens na minha cabeça, tornado as personagens realistas. Um livro totalmente recomendado a quem gostar do género e que várias vezes me surpreendeu.

Luís Pinto

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui
Para mais informações sobre o livro Quando o cuco chama, clique aqui

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