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terça-feira, 11 de julho de 2017

A MULHER DESAPARECIDA


Autor: Sara Blaedel

Título original: The lost women





Sinopse: Num bairro familiar e acolhedor nos arredores de Londres, uma mulher foi alvo de um violento assassínio. Um tiro certeiro de uma caçadeira atravessou a janela da cozinha, onde ela se encontrava com o marido e a filha. A morte foi imediata.
Ao iniciar a investigação, a polícia local descobre que a mulher, de nome Sophie Parker, se tratava na verdade de uma cidadã dinamarquesa que se encontrava desaparecida há 18 anos. Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, fica responsável pelo caso. É então que novas e surpreendentes revelações desvendam que fora Eik, seu colega e amante, quem declarara o desaparecimento de Sophie.
Assim que é informado da morte de Sophie, Eik desaparece misteriosamente e, passadas 24 horas, é preso em Inglaterra e acusado de ser o responsável pelo crime.



Este é o segundo livro que leio de Sara Blaedel e em vários aspetos consegue ser superior ao anterior. Sinceramente, o que mais gostei neste livro foi a sua base inicial. Apreciei bastante o mistério inicial, com uma história original e que me prendeu, principalmente porque se percebe que a autora nos está a tentar enganar.

É verdade que o livro nunca consegue ser fantástico, mas já lá vamos. O livro começa com um bom ritmo, tal como é pedido neste género que empurra o leitor de imediato para a ação, a autora vai explorando as personagens aos poucos enquanto acelera na narrativa para que o leitor não consiga parar de ler e comece a fazer a sua própria investigação.

Um dos trunfos deste livro está no facto de se perceber que algo está errado. A autora desde cedo oferece os detalhes necessários para que seja possível perceber que o enredo nos está a enganar no caminho que está a percorrer. No entanto, devido ao seu ritmo elevado, por vezes a autora deixa escapar um ou outro detalhe que fazem a diferença e que acredito que a autora não queria dar importância de imediato para aumentar o suspense e tornar a história mais coerente.

Tentando sempre sustentar a sensação de suspense, a autora por vezes força alguns acontecimentos, apesar de bem sustentados pelo que conhecemos das personagens, mas que podem não encaixar totalmente nos acontecimentos em si. Todavia, devido ao ritmo, nunca senti que o livro me desse tempo para questionar algumas coisas, até porque a partir de meio o livro foca a nossa atenção em algo que não irei revelar, mas que é feito de forma bastante indireta e inteligente.

Com um conjunto interessante de personagens e uma história original, a autora tem aqui o seu livro que gostei mais, muito graças ao final, bem pensado, bem executado, e que nos faz pensar sobre o livro durante algum tempo. Não é uma obra prima nem revoluciona, mas irá agradar aos fãs do género com um final inteligente e que me deixa com vontade de ler mais livros da autora.

Luís Pinto

quarta-feira, 27 de julho de 2016

AS RAPARIGAS ESQUECIDAS


Autor: Sara Blaedel

Título original: The forgotten girls




Sinopse: Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher. 
Passaram-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das «raparigas esquecidas» de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes. 
Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. 



Com este livro regresso aos policiais nórdicos. Sara Baedel é considerada uma das melhores e nesta saga tem um dos seus maiores triunfos. Para dar algum contexto ao leitor, devemos dizer que este livro é o sétimo livro das histórias com a personagem principal Louise Rick, mas é o primeiro de uma trilogia dentro da saga principal, sendo que o leitor não necessita de ler os anteriores para conseguir ler este, apesar de se notar que falta algum conhecimento sobre as personagens e que certamente foi dado nos outros livros.

Apesar dessa sensação inicial de estarmos parcialmente perdido por não conhecermos a personagem, também é verdade que aos poucos a autora nos consegue integrar no mundo desta polícia. Neste aspeto é óbvio como a autora explora uma fórmula já bastante usada mas que dá frutos quando bem usada: um personagem principal, polícia, mas com um passado traumático que o levará a tomar decisões mais imprevisíveis ou arriscadas. E é com o seu passado que o impulso aumenta, tanto por parte do leitor como da própria personagem, por vezes movida por vingança ou sensação de dever ou justiça. A verdade é que a fórmula está bem usada e rapidamente lemos um livro com um ritmo elevado e que está sempre a surpreender e a oferecer novas pistas. O leitor é empurrado a continuar e o livro é lido à velocidade da luz.

Mesmo com alguns momentos mais forçados ou óbvios, o enredo está bem conseguido, muito graças a algumas personagens que oferecem qualidade nos diálogos e nas suas ações. Todavia, o livro perde algum fulgor na altura em que devia arrebatar o leitor, a parte final. O desfecho é bom, mas sofre com o facto de ser o início de uma trilogia. As perguntas que ficam no ar deixam-me com muita vontade de ler o próximo mas também deixam a sensação de que o livro não dá aquele momento final que nos deixa de boca aberta.

Globalmente este é um bom policial que prende o leitor até ao fim. Gostei bastante do ambiente e da escrita simples e objetiva da autora e certamente irei ler os próximos. Quer seja um leitor já com muitos ou poucos policiais lidos, este será um enredo viciante e difícil de largar. Se querem um bom policial para leitura de verão, este não é uma obra prima, mas é uma boa escolha.

Luís Pinto