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quinta-feira, 2 de março de 2017

MONSTROS FANTÁSTICOS E ONDE ENCONTRÁ-LOS


Autor: J. K. Rowling






Sinopse: Inspirado no compêndio original da escola de feitiçaria de Hogwarts, da autoria de Newt Scamander, Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los: O Argumento Original é uma história inédita que assinala a estreia de J.K. Rowling - autora dos muito aclamados bestsellers internacionais da série Harry Potter -, como argumentista de filmes.
Este argumento inclui o guião completo do filme, uma aventura emocionante que apresenta uma extensa galeria de criaturas e personagens mágicas. A edição portuguesa do argumento é publicada em 2 de fevereiro de 2017, após a estreia mundial do filme produzido pela Warner Bros. Pictures, a 18 de novembro de 2016.
A versão digital da edição portuguesa do argumento do filme será publicada por Pottermore, a plataforma digital global do Mundo da Feitiçaria de J.K. Rowling.
A Editorial Presença congratula-se por ter a oportunidade de apresentar aos leitores portugueses o novo projeto de J.K. Rowling, que marca o início de um novo capítulo do extraordinário Mundo da Feitiçaria e que promete continuar a encantar leitores em todo o mundo. 



Nas últimas duas décadas este foi o maior fenómeno literário em todo o mundo, tendo feito o impensável: colocar a ler a geração que parecia totalmente focada no boom que era a internet, os telemóveis, os computadores, redes sociais, etc... J. K. Rowling criou o fenómeno responsável por muitos de nós hoje lermos com tanta paixão. 

Apesar de ser um grande fã da saga, tive alguma apreensão ao ver que a autora iria escrever o argumento de um filme, não por duvidar da sua capacidade para tal (Rowling já provou demasiadas vezes o seu talento, principalmente neste universo), mas por ser algo tão diferente. O filme está bem conseguido e o universo está muito bem explorado. Posto isto, decidi ler este livro que é o guião do filme.

Obviamente, Rowling não consegue colocar aqui o detalhe e a magia que colocou nos livros de Harry Potter, mas consegue usar uma escrita simples e direta que nos ajuda a visualizar cenários e monstros com grande facilidade. Para tal também ajudam alguns desenhos presentes nos livros. A isto alia-se um bom ritmo, focado na cadência mais rápida que um filme exige neste género, e que se mistura muito bem nos momentos de ação e nos de maior humor. Este é, provavelmente, o livro com maior carga humorística da autora e a verdade é que não parece forçado em nenhum momento, pois encaixa muito bem nas personagens criadas.

Falando em personagens, é bastante fácil gostar de algumas, principalmente das duas principais que, devido às suas enormes diferenças, conseguem criar uma relação fantástica onde acabam por descobrir pontos comuns que acabam por ser a base do livro e da amizade que nos garra.

Em termos de enredo, Rowling volta a estar muito bem. Não consegue, devido a limitações de tempo (estamos perante o guião de um filme), construir toda a trama como fez nos livros de Harry Potter, mas a inteligência da narrativa está lá e dá um grande toque de qualidade. É fácil ficarmos fascinados em alguns momentos, de gostarmos das personagens e de tentarmos perceber o que se passa. Existem algumas revelações finais mais óbvias, mas também existem muitas surpresas. Pelo meio, alguns momentos mais emotivos e claro, muitas perguntas para os próximos livros/filmes. 

Para além do que já disse, o maior trunfo deste livro é a forma como  autora consegue expandir o seu universo e ao mesmo tempo criar leves ligações com os anteriores livros da saga Harry Potter. São detalhes que fazem a diferença e que nos levam a sentir que nunca deixámos este universo. Claro que preferia que fosse um romance como todos os outros, e não um guião de um filme, mas a verdade é que soube muito bem voltar, e é uma obra claramente recomendada a todos os fãs. E ainda fica a sensação de que o melhor está para vir.

Luís Pinto 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O BICHO-DA-SEDA


Autor: Robert Galbraith

Título original: The Silkworm




Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, a sua mulher contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike. De início pensa que o marido se ausentou por uns dias - como já acontecera anteriormente - e recorre a Strike para o encontrar e trazer de volta a casa. No decorrer da investigação, torna-se claro que o desaparecimento do escritor esconde algo mais.
Quine tinha acabado de escrever um romance onde caracterizava de forma perversa quase todas as pessoas que conhecia. Se o livro fosse publicado iria certamente arruinar algumas vidas - pelo que haveria várias pessoas interessadas em silenciá-lo. E quando Quine é encontrado, brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, começa uma corrida contra o tempo para tentar perceber a motivação do cruel assassino, um assassino diferente de todos aqueles com quem Strike se tinha cruzado...


J.K. Rowling regressa com mais um livro da saga de Cormoran Strike. O já famoso detective tem, quase uma dezena de meses após o anterior livro, um novo caso que vale a pena ler. Em primeiro lugar devemos salientar que Rowling continua, tal como fez com a saga Harry Potter, a desenvolver as suas personagens com mestria e num ritmo quase perfeito. A cada capítulo há algo mais que aprendemos sobre Strike, ou até sobre Robin, que cada vez mais se torna numa personagem importante. Este aprofundar aparece de forma suave, muito graças ao alargar do expetro da narrativa, com a autora a mostrar-nos um pouco mais da vida pessoal de cada um, tal como dos seus passados. O resultado é uma sensação de que cada vez percebemos melhor a personagens, culminando numa melhor compreensão das suas atitudes, quer neste livro, quer no anterior.

Sendo um policial, a grande atenção do leitor está na investigação, e, se por sorte, rapidamente adivinhei o assassino do livro anterior (volto a referir que foi apenas sorte), aqui a autora surpreendeu-me completamente, pois nunca adivinharia quem matou Quine. Todavia, o mérito de Rowling (ou se preferirem, de Galbraith) está no facto, não da autora surpreender, mas de nos ter dado todas as pistas necessárias para que nós fizéssemos a investigação e tivéssemos chegado à mesma conclusão que Strike, o que no meu caso resultou no facto de ter percebido qual a manobra principal do assassino sem descobrir a identidade do mesmo.

Tal como no primeiro livro, e dentro do género britânico, a autora apresenta um conjunto de suspeitos que nos irá "baralhar as contas" e que, acredito, resultará numa agradável surpresa para muitos leitores. A isto junta-se uma narrativa muito mais negra na qual Rowling parece amadurecer dentro deste género e envolve-nos num cenário muito mais sombrio e macabro. É notório, sensivelmente a meio do livro, que a autora dá um passo em frente na maturidade da saga, quer seja nos problemas pessoais de cada personagem, quer no próprio caso. De salientar ainda que Rowling não se limita a colocar Strike num caso, mas sim em vários, sendo que os outros, apesar de serem totalmente secundários dão a noção ao leitor de que Strike tem mais trabalho e mais obrigações para lá do caso principal, o que torna a história mais convincente.

Acima de tudo, este é um livro coerente e sólido. Rowling cria algo com sentido, e, uma vez mais, cria personagens com grande qualidade. No entanto o grande destaque vai para os diálogos, inteligentes e com significado, e para os detalhes que a autora vai colocando durante o livro e que são fundamentais no final. Globalmente, apesar de um ou outro momentos mais óbvios, o que Rowling nos oferece aqui é um livro superior ao anterior, mais focado no que gira à volta de Strike e não apenas na personagem em si. A investigação é apelativa, apesar de mais lenta no início e os personagens cativam-nos, deixando portas abertas para o próximo livro.

Rowling melhorou dentro do género, deixando-me uma grande expectativa em relação ao próximo. Se gostaram do anterior livro da saga, ou se gostam de policiais, este livro é uma grande leitura que mistura vinganças, remorsos, ressentimentos, invejas, amor... é o melhor livro que Rowling já escreveu fora da saga Harry Potter.

Luís Pinto


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

QUANDO O CUCO CHAMA

Autor: Robert Galbraith

Título original: The Cockoo's Calling


Sinopse: Quando uma jovem modelo, cheia de problemas na sua vida pessoal, cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detetive privado Cormoran Strike para investigar o caso.

Strike é um veterano de guerra - com sequelas físicas e psicológicas - e a sua vida está num caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna - e mais se aproxima de um perigo terrível...


Depois de muita tinta ter corrido sobre a publicação deste livro, assim que foi possível, comecei a lê-lo, ou não fosse este, um livro escrito por J. K. Rowling.

Após ter lido este livro e também o seu outro livro "Morte Súbita", torna-se óbvio que a escrita de Rowling é singular quando tem como público alvo leitores mais adultos. Aliás, agora que sabemos quem escreveu este livro, é fácil encontrar pequenos detalhes onde se nota o toque único da autora. Rowling tem uma capacidade inata de criar diálogos realistas e de, com descrições físicas, mostrar-nos algo mais sobre personagens. No entanto este livro é, em todos os aspetos uma obra superior ao livro anterior.

Em primeiro lugar, trata-se de um livro que me conseguiu "agarrar" desde o início, pois rapidamente o leque de suspeitos se torna grande o suficiente para nos deixar com várias dúvidas. No entanto, na minha opinião, o grande trunfo são as personagens. Rowling cria um pequeno grupo de personagens, com o qual o enredo se desenvolve e que facilmente me cativou. Neste aspeto, Cormoran é de longe a personagem mais marcante e também a com mais qualidade. Aliás, é a partir desta personagem que Rowling avança com a história mas também nos cria dúvidas. Cormoran deixa claro, desde meio da história, que tem uma ideia muito clara do que se passou, e nós, leitores (pelo menos foi o meu caso), tentamos acompanhar o seu raciocínio, perceber quem é o culpado, se é que existe um, e ao mesmo tempo pergunta-mo-nos até que ponto Cormoran estará certo.

O que gostei mais neste livro foram os diálogos. Criando um enredo onde o detetive tenta analisar um crime ocorrido há alguns meses, a forma usada por Cormoran é questionando pessoas, e a forma como ele conduz esses interrogatórios está muito bem conseguida, principalmente porque às falas juntam-se descrições detalhadas sobre as reações das personagens, quer seja um movimento do pé, um desviar do olhar, uma hesitação na fala, tudo serve para nos tentar baralhar as ideias.    

Quando estava perto da página 100 pensei algo deste género "se isto for assim, esta história será fantástica". A minha suposição não tinha qualquer fundamento nem base com que argumentar, simplesmente gostaria de ver algo assim, mas rapidamente desviei o meu olhar para outros suspeitos, acreditando que o meu pensamento inicial não seria possível. Rowling fez-me a vontade (era mesmo assim!) e por isso, dentro do que para mim é um bom policial, este livro consegue atingir o que para mim é essencial. Mas o que me espantou ainda mais foi a forma como a descoberta foi feita. Pelo menos duas vezes senti-me ultrapassado pelo pensamento de Cormoran e quando as suas suposições foram explicadas, percebi que Rowling sempre me deu as respostas, mas eu não liguei os pontos.

Neste aspeto Rowling é fantástica. Tal como em alguns livros de Harry Potter, também aqui as respostas estão ao nosso alcance, pois não há nada que Cormoran saiba que não seja do nosso conhecimento, só que eu não liguei os pontos, e garanto que mesmo adivinhando, por pura sorte, quem era afinal o culpado, não teria capacidade para o provar, e é nesse aspeto que o enredo me surpreendeu.

Para tornar tudo mais intenso, Rowling faz uma crítica indireta a toda a sociedade, desde os ricos e famosos, passando por aqueles que os idolatram e também pelos que vivem às custas dos famosos, como por exemplos as revistas. Apesar de nunca ser uma crítica direta, é interessante ver como a autora explora certos problemas, preconceitos ou até mentiras que existem nestes "seletivos mundos" onde muitos se perdem.

Rowling voltou a brindar-nos com um excelente livro, não me alongo nesta opinião para não revelar nada, e espero que continue com esta saga, talvez, explorando outros temas. Agora que as personagens estão apresentadas e a base está criada, com Cormoran e Robin a serem o centro, esta saga tem tudo para ter sucesso (sucesso esse que este livro alcançou antes de sabermos que era Rowling quem estava do outro lado).

Este não é o melhor policial que já li, mas é muito bom e bastante viciante. O realismo que Rowling dá aos diálogos é palpável e ajudou-me a criar todas as imagens na minha cabeça, tornado as personagens realistas. Um livro totalmente recomendado a quem gostar do género e que várias vezes me surpreendeu.

Luís Pinto

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

UMA MORTE SÚBITA


Autor: J. K. Rowling

Título original: The Casual Vacancy



Este livro é, indiscutivelmente, o mais esperado do ano. Rowling, a autora que colocou uma geração de televisão e Playstation a ler, moldando a adolescência de milhões de crianças, regressa com um livro para adultos.

No entanto, muitos não conseguirão gostar deste livro. Porquê? Não por culpa da autora (em muitos casos), mas sim por culpa do leitor... leitor esse que estará sempre a comparar este livro com os anteriores.
O segredo é esquecer completamente toda a fantástica série do feiticeiro e olhar para estas páginas como se fossem escritas por qualquer outro autor.

É verdade que Rowling apresenta o seu estilo de escrita sem grandes mudanças. Quem tenha lido Harry Potter tantas vezes quanto eu, irá encontrar uma forma de escrever muito semelhante: a pontuação, a forma como expõe a história, o detalhe em certos momentos, a capacidade de criar diálogos que prendem o leitor... Rowling não mudou. O que mudou foi o tema sobre o qual está a escrever.

Este é um livro incrivelmente realista, no qual Rowling não tem problemas em mostrar uma sociedade destroçada, onde os interesses políticos valem mais do que ajudar o próximo. A cada página sentimos a crueldade inerente ao ser humano, a vontade de dominar o que o rodeia, mas também o amor pelo próximo. Sendo assim, as personagens são o grande trunfo deste livro, e digo-vos que raramente vi uma obra que conseguisse explorar tão bem, tantas personalidades distintas (umas melhores do que outras). Rowling mostra um detalhe impressionante do quadro psicológico de cada uma, não existindo distinções entre boas e más. Todos os humanos têm a capacidade de odiar e amar algo... e aqui nós iremos ver os motivos, traumas e experiências de vida, narradas com uma linguagem forte e realista.

Rowling toca nos mais variados temas, principalmente nos que aniquilam uma sociedade. Infidelidade, racismo, inveja, ganância, drogas... muitos destes problemas começam porque as pessoas são egoístas. E Rowling relata-nos as fraquezas humanas com enorme qualidade. Algumas pessoas aprendem antevendo os erros, ou vendo os erros dos outros. Outras aprendem cometendo o erro, e outras nunca aprendem, limitando-se a dizer que vão mudar, mudar... e nunca mudam por mais vergonha que tenham delas próprias. A realidade é que é mais fácil criticar os problemas dos outros, do que enfrentar os nossos. 

Não querendo revelar nada da história nem a opinião sobre alguma personagem em particular (há algumas muito bem construídas), este livro demorou a conquistar-me e apenas na segunda metade do livro entrei definitivamente na história. A trama central não é marcante, pois este livro é sobre pessoas, as suas formas de encararem a vida... as pequenas coisas a que se agarram. Esta é uma história sobre aquele instante em que morremos e todos os nosso planos, desejos e ideias, desaparecem. Este é um livro sobre o efeito borboleta que o mais insignificante dos gestos pode criar.

Rowling é uma excelente escritora. Se Harry Potter foi único no seu género e marcou-o para sempre, este livro não o consegue, mas isso seria quase impossível. Esqueçam o feiticeiro durante esta leitura, não esperem um livro de suspense com incríveis revelações no fim, mas sim um relato fiel sobre a condição humana, do mundo em que vivemos e no qual nenhum de nós é perfeito.

Acredito que muitos não gostarão do livro, mas eu gostei. O final é marcante e o sentimento que criei em relação a algumas personagens faz-me ver a intensidade que este livro transmite e o facto de ter gostado bastante de algumas, que de perfeitas nada tinham. No entanto, volto a dizer: não é um livro para todos, e muitos não irão gostar.

Podem ver a sinopse e mais sobre o livro no site da editora.

quarta-feira, 14 de março de 2012

HARRY POTTER e os Talismãs da Morte


Autor: J. K. Rowling

Título original: Harry Potter and the Deathly Hallows

 
Este livro foi certamente um dos maiores desafios que um autor alguma vez teve. O mundo esperou ansiosamente pelo desfecho desta saga que colocou o mundo adolescente a ler. J. K. Rowling teria milhões de fãs prontos para adorar ou odiar estas páginas. E como Rowling se safou? Na minha opinião, bem. Muito bem!

Sendo esta a saga com o qual cresci e desenvolvi o meu apetite pela leitura, as expectativas eram altas, e os níveis de exigência ainda maiores. Li e reli, tentando perceber tudo, mesmo o que um olhar menos atento (ou numa leitura demasiado rápida) não encontrasse. No total, entre versão inglesa e portuguesa, li-o 4 vezes e em todas ficou a sensação de vazio. E porque fica essa sensação? Porque o final é excelente. Se fosse uma desilusão não existiria esta sensação de vazio.
  
Com uma escrita mais madura e muitas decisões (algumas difíceis) pela frente, Rowling tinha o desafio de criar um livro fora da escola de Hogwarts e mesmo assim conseguir captar a essência e a magia que toda a saga demonstrou. E nesse aspecto apesar de não existir uma quantidade tão grande de “coisas novas”, Rowling consegue maravilhar-nos pela visão de passado deste mundo, falando de Voldemort, Dumbledore, Sirius, Snape, etc… e claro, estas revelações são o ponto alto do livro e o que o faz avançar.

Outro aspecto muito positivo e raramente alcançado numa séria extensa e de enorme sucesso, é que Rowling consegue explicar tudo o que é importante. Claro que ficam sempre dúvidas sobre o futuro, como perguntar que tipo de atitude terão os Malfoys no futuro, ou o que aconteceu aos tios do Harry, mas isto é o além da história, porque na história em si, Rowling revela tudo, não deixando dúvidas.

Para quem, como eu, leu esta saga mais do que uma vez, começam lentamente a saltar à nossa frente as ligações entre este livro e os anteriores, quer seja em insignificantes acontecimentos como em diálogos. É mais do que óbvio que Rowling tem um conhecimento profundo do que escreveu e que muito trabalho de revisão foi feito, pois estas ligações que falo são muitas e por vezes escapam a um olhar menos atento. O que também é óbvio é que a autora sempre teve a história definida, pelo menos a parte nuclear, como podemos comprovar pela história de Snape e ainda o misterioso brilho no olhar de Dumbledore no 4º livro da saga, quando Harry lhe conta como Voldemort recuperou o seu corpo.

Como não podia deixar de acontecer, este Harry Potter também tem momentos hilariantes, novamente muito graças aos irmãos Wesley, mas neste livro é o desespero que impera, ou não fosse essa sensação essencial para desenvolver/acelerar outras ligações amorosas. No entanto este livro poderia ter sido muito mais negro se a autora o quisesse, e reparem que não falo em matar mais personagens, falo em dar importância a essas mortes, mostrar dor. Há pelo menos duas mortes, que não irei revelar, que acontecem num momento e passado poucas linhas a aventura contínua. Parece-me óbvio que aqui não se trata de falta de competência, mas sim de opção por parte da escritora que não quis tornar este livro em algo demasiado “carregado”. No entanto eu gostava que as mortes fossem mais sentidas pelo leitor comum, e não só pelos grandes fãs.

A batalha final está excelente, as revelações fantásticas, tornando uma personagem da saga (que já era a minha preferida) em algo que ficará na minha memória para sempre. Todos aqueles que já leram sabem de quem falo, e arriscaria mesmo a dizer que serão poucos os que não a olharão como a grande personagem da saga, e talvez uma das favoritas da literatura mundial. Rowling esteve simplesmente excelente com revelações que misturaram várias sensações nos leitores e que me deixaram de boca aberta.

Sinceramente o único ponto negativo deste livro é mesmo o último capítulo. A história salta no tempo, avança para nos dar uma visão do futuro, mas infelizmente, sempre que um autor faz isso, a imagem estraga a história, na minha opinião. E porquê? Porque mostra um mundo e uma vida onde tudo parece perfeito. Leiam o último capítulo do livro e digam-me se não ficaram com a sensação que todos os maus feiticeiros e toda a maldade da humanidade foi erradicada com os acontecimentos do capítulo anterior. Claro que esta é apenas a minha opinião, e muitos dos leitores me dirão que esse foi exactamente a melhor parte do livro. Eu percebo que este capítulo exista, principalmente pela homenagem que tenta transmitir de certas personagens, mas acho que pareceu demasiado perfeito dentro dos acontecimentos anteriores.

No geral, a saga Harry Potter terá sempre um lugar especial na minha estante e na minha memória. Cresci com estas personagens, com este mundo. Sonhei viver nele. Rowling ficará certamente na história da literatura pelo que alcançou, por mostrar que ainda podemos meter uma criança a ler um livro quando tem uma PlayStation ao lado (e reparem que eu adoro jogar PlayStation).
O final é excelente, as perguntas respondidas. Claro que há sempre momentos em que pensamos “se isto tivesse corrido mal, todo o plano ia por água abaixo”, e sim, há pelo menos dois momentos em que isso acontece, mas não é isto que retira o mérito à autora nem a qualidade ao livro.

Só posso dizer isto: quem ainda não leu, leia! Não importa a idade, o que importa é ter prazer de ler algo, e é por isso que um dia voltarei a este mundo, talvez para encontrar novos significados. Simplesmente obrigatório!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

HARRY POTTER e o Príncipe Misterioso


Autor: J. K. Rowling

Título original: Harry Potter and the Half-Blood Prince


Após ler o quinto livro da saga, que já disse ser o que gostei menos, as minhas expectativas estavam mais baixas, e porquê? Porque Rowling criara, nos primeiros 4 livros, uma personagem fantástica (para além de muitas outras coisas), chamada Dumbledore. A genialidade desta personagem é no entanto posta em causa no quinto livro, pois deixa de ser coerente com os livros anteriores. Este é um problema usual principalmente na literatura fantástica: um autor cria uma personagem, que com a sua genialidade, que se funde com o próprio autor na capacidade de alterar a historia. Mas o que faria agora Rowling? A verdade é que surpreendeu e se me perguntassem quando comecei a ler esta saga, se Rowling poderia chegar a este nível, eu não acreditaria.

Qualquer pessoa coerente, quer goste ou não deste género de leitura, conseguirá ver pequenos toques de génio, principalmente quando lemos o livro novamente ou quando lemos o livro seguinte da saga e percebemos como simples falas se encaixam no que está para vir.
Este livro é mais do que o fantástico mundo onde se desenrola, é mais do que os momentos de alegria e de tristeza, e sim, é difícil não rir com os comentários de Luna, com as parvoíces de Ron e com a indignação de Hermione. Este livro é ainda muito mais do que a personagem Harry Potter, com a história a ser muito menos centrada no feiticeiro e muito mais no que torna este livro fantástico: na compreensão dos motivos, no que empolga cada personagem. Se esta saga é movida pela luta do bem contra o mal, é neste livro que percebemos o porquê das mais importantes personagens. É neste livro que vemos Voldemort não como o temido vilão, mas como pessoa. Rowling mostra-nos a evolução do temido feiticeiro e este é o grande feito deste livro.

Rowling consegue, nos poucos capítulos em que Harry vê o passado de Voldemort, mostrar tudo o que é importante para percebermos o que está a ser feito há anos nesta luta de bem contra mal. Os diálogos entre Dumbledore e Voldemort são quase perfeitos, ajudando a perceber algo mais do que apenas a própria conversa, os acontecimentos descritos têm todos um significado que o leitor deve captar para conhecer Voldemort, e estes momentos fazem com que este livro, quer se goste ou não deste tipo de leitura, seja um livro memorável. São muito poucas as sagas, que após 5 livros escritos, conseguem mostrar, desenvolver e revelar questões tão significativas de personagens principais, e nestas páginas Rowling catapulta o leitor para o último livro com um entusiasmo que poucas sagas conseguem.

Em termos gerais este é o meu livro preferido da série. O explorar do passado de Voldemort está escrito de forma perfeita e cada linha está onde deve estar. Os momentos de descontracção continuam presentes, há momentos de verdadeira alegria mas o livro continua (tal como toda a saga) a tornar-se cada vez mais negro, com questões a levantarem-se, principalmente graças à identidade do Príncipe Misterioso. Os outros factores, sempre importantes nesta saga permanecem com qualidade, pois tanto as personagens continuam ao nível que Rowling nos habituou, como as suas invenções se enquadram perfeitamente na história, sendo que o Pensatório, os Horcruxes  e a Poção Felix Felicis são de enorme importância.
As novas personagens também conseguem ganhar o seu espaço, tornam-se todas mais maduras, mas uma vez mais é preciso perceber que este livro é sobre Harry, Dumbledore e Voldemort.

Tempo ainda para dizer que este é o livro onde inevitavelmente a autora nos obriga a comprar Harry Potter e Voldemort, desde crianças até agora. Tal comparação ajudará no próximo livro. Também outro factor importante é o de percebermos que tudo conheçou com uma escolha. Voldemort escolheu, graças a uma profecia, um rapaz chamado Harry Potter. Tudo começa com uma escolha e toda esta saga se move pelas escolhas de três ou quatro personagens. A escolha é tudo.
Mas ainda mais importante é a forma como Dumbledore nos fala de Voldemort, como comenta as suas acções, ensinando-nos o importante para percebermos o desfecho da saga e para conseguirmos perceber as diferenças entre Harry Potter e Voldemort.

- Oh, não pode ser. É tão tosco.
- O que foi, professor?
- Creio – declarou Dumbledore (…) – que, para passar, nos é exigido um pagamento.
- Um pagamento? – admirou-se Harry. – Temos de dar algo à porta?
- Sim – confirmou Dumbledore. – Sangue, se não me engano.
- Sangue?
- Bem te disse que era tosco – insistiu Dumbledore num tom desdenhoso, mesmo desapontado, como se Voldemort tivesse ficado muito aquém do nível que esperara. – Como tenho a certeza de que já compreendeste, a ideia é que o inimigo tem de se enfraquecer para poder entrar. Mais uma vez, Lord Voldemort não conseguiu compreender que há coisas muito mais terríveis que o sofrimento físico.  

O final é o momento mais alto desta saga. É agora que Rowling coloca o seu mundo de pernas para o ar, não nos deixando ter qualquer vislumbre sobre como será o próximo livro, e sim, todos ficámos completamente de boca aberta com aquelas poucas linhas em que Rowling deixa sem respiração o mundo adolescente que ela “pôs a ler”.

Uma vez mais digo: mesmo que tenham visto os filmes, leiam esta saga!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

HARRY POTTER e a Ordem da Fénix

Autor: J. K. Rowling

Título original: Harry Potter and the Order of the Phoenix



Quando comecei a ler este livro já há muito tempo o Harry Potter era a minha saga de eleição. Devorara os livros anteriores, esperara impacientemente por este e no fim o sabor foi uma mistura entre ter gostado porque é um Harry Potter, e não ter gostado porque era um Harry Potter.
Passo a explicar: Rowling deixara-me maravilhado com o livro anterior. Voldemort estava de volta, a história estava mais negra, mais madura e agora a saga aproximava-se do fim. As expectativas eram altas para este livro e a verdade é que o devorei como qualquer outro. No entanto, apesar de ter adorado ler mais páginas desta saga, o livro em si foi uma pequena desilusão (como já referi as expectativas eram muito altas).

Este livro não é mau, longe disso, mas tem pequenos problemas que o tornam o pior da saga na minha humilde opinião. Primeiro é um livro lento, algo que nunca acontecera na série. Depois há ali muita coisa que talvez não necessitasse de estar lá, e por fim há a questão de como a história é empurrada para um específico acontecimento final. É de tal forma notório como a autora nos empurra para esse acontecimento que fiquei deveras desiludido. Outro factor que me chateou foi o facto de Harry passar grande parte do livro chateado, de forma algo incongruente com a sua personalidade dos livros anteriores, pelo menos está exagerado. Depois percebemos que essa raiva é necessária para nos empurrar (desculpem por usar esta palavra tantas vezes) para os tais acontecimentos do fim do livro, o que deixa uma sensação ainda pior para quem lê.
No entanto também devemos perceber o que Rowling tenta passar com essa raiva: um rapaz com demasiada responsabilidade e que não a aguenta sozinho. Ninguém a aguenta sozinho, muito menos quando começa a notar que à sua volta ainda há quem não o aceite como alguém que deva ser ouvido, respeitado. Percebe-se, mas achei forçado todo o comportamento de Harry.

Não me interpretem mal, o livro continua a ser bom, viciante, cheio de magia, alegria, diálogos espectaculares como Rowling nos habituou, e com acontecimentos que serão de enorme importância no futuro… percebo ainda o final que Rowling nos dá, mas é a forma como leva Harry Potter até ele que me desagradou. Afinal Dumbledore simplesmente ficou parvo neste livro, perdendo toda a sua esplendorosa inteligência? Até eu, leitor, percebi que algo estava mal ali. O facto de Rowling ter “rebaixado” a genial capacidade da personagem Dumbledore, é o defeito central deste livro, algo que se agrava quando lemos os livros seguintes e reparamos na grandeza do plano do Director de Hogwarts. Plano esse que é a prova da genialidade de Rowling!

Mas tirando este pequeno detalhe, que peca por não ser consistente com tudo o resto, a verdade é que Rowling consegue manter esta série em grande. A “evolução na maturidade” continua presente, há um enaltecer dos interesses políticos que dão um ar refrescante à saga, temos o romance a aparecer em força, e  muito mais. Rowling mantém a sua capacidade de inovar, de inventar como poucos e novamente acaba o livro em grande, deixando-nos a ferver pelo próximo, ainda para mais ao notar-se como este livro é mais negro, dando uma ideia de como sombrio será o futuro, de que ninguém está a salvo.
Claro que podemos apontar o facto de Rowling apenas nos dar acontecimentos importantes no fim dos seus livros. Podemos ainda apontar o facto de as personagens serem logo à partida definidas entre boas e más, não existindo nenhuma, até agora, que esteja no meio termo… mas também nestes termos Rowling evolui neste livro, e tal irá notar-se ainda mais nos próximos. Rowling tem ainda aquela capacidade rara de nos fazer adorar e odiar personagens, e eu provavelmente nunca odiei tanto uma personagem como odiei a Dolores Umbridge!

No global este livro é o que demora mais a desenvolver, é o mais lento, mas também demonstra momentos muito importantes, sendo sempre um grande livro para qualquer fã da série. Rowling continua a melhorar o seu mundo mágico, a sua escrita continua viciante, continua a ter a sua magia, a ser Harry Potter, a saga que meteu o mundo a ler, e mesmo sendo o que menos gostei de toda a saga de 7 livros, é uma obra com excelentes momentos.
Como sempre digo: leiam esta saga!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

HARRY POTTER e o Cálice de Fogo

 
Autor: J. K. Rowling

Título original: Harry Potter and the Goblet of Fire

 
Depois de três livros em que Rowling nos mostra uma criatividade de louvar e nos deixa completamente viciados, chega-nos este quarto livro e dá-se um salto qualitativo na saga, principalmente porque fica para trás a ideia de que HP é para crianças. Agora a história amadureceu, torna-se adulta e fala-nos de outros temas, muito menos infantis.

Sendo um livro muito maior do que os outros (quase o dobro), Rowling ganha com este livro o Hugo Award, o único ganho pela saga HP, e desde cedo percebemos que a história continua a evoluir tal como os leitores que a seguem.
É um livro que começa em grande, tanto pelo capítulo na casa Riddle, como depois na Taça do Mundo de Quiddicth, deixando qualquer leitor empolgado e tal como o próprio Harry, também nós esquecemos as preocupações sobre o que será o futuro. Logo de seguida o torneio dos Três Feiticeiros! Rowling junta magia, torneios, criaturas mágicas, provas dificílimas, pistas que nos deixam a ler a uma velocidade louca… tudo junto? O mais viciante Harry Potter até então!
Mas desenganem-se aqueles que possam achar que este livro é apenas um Torneio. Desde cedo se percebe ligeiramente que agora tudo é mais negro, nós apenas estamos mais interessados no resto! Rowling uma vez mais faz-nos olhar para um lado enquanto no outro é que está o que realmente será importante. A autora mostra ainda mais o seu mundo mágico, muito graças às duas escolas que passamos a conhecer melhor e ainda às intrigas/interesses políticos que se começam a formar. Uma novidade na saga!
De resto Rowling não desilude. Começam-se a sentir os primeiros enredos amorosos; temos a introdução do Pensatório que oferece mais qualidade ao enredo; novas personagens distintas, sendo que algumas conseguimos mesmo odiar, como a Rita Skeeter (grande qualidade por parte de Rowling); temos as aulas de Alastor Moody, excelentes e que nos preparam para o salto de amadurecimento que antes mencionei; entre outros enredos secundários que passaram por Hermione a tentar “salvar” elfos, antigos Devoradores da Morte, etc...
Devo ainda salientar que uma vez mais Rowling consegue reproduzir bastante bem as mentes dos adolescentes, e tal nota-se principalmente nas três personagens principais, nas suas discussões, reacções e nos seus momentos de alegria, mas uma vez mais percebemos lentamente que antes tínhamos mais momentos em que nos riamos, e agora ficamos apreensivos.
Rowling consegue com este livro prender qualquer leitor que ainda não fosse viciado nos três anteriores (também não deveriam ser muitos). Um livro que se lê de seguida, o elevar da qualidade em quase todos os parâmetros do livro, várias surpresas, e ainda uma mão cheia de pistas, dadas em cada página de forma brilhante, e que nós lemos, mas não vemos.
Os diálogos são fantásticos em algumas situações, e pelo menos uma vez roçam a perfeição, num dos capítulos do fim, onde muito acontece. Que grande capítulo, nem tanto pelo que acontece, mas pela forma como acontece e pela qualidade das palavras de uma certa personagem. Excelente!
Uma vez mais um livro imperdível. Quem comece a ler esta saga, tenha a idade que tiver, se quiser ter prazer a ler algo que o faça sentir bem, muito provavelmente não conseguirá parar de ler Harry Potter.