Autor: Mary Shelley
Todos nós conhecemos o seu nome mesmo que muitos associem o nome ao
monstro e não ao criador. Frankenstein é considerado o primeiro livro de
ficção científica e terror, e qualquer leitor ficará abismado com o
facto de a autora ter escrito este livro com apenas 19 anos.
Frankenstein
é um livro negro e intenso. A atmosfera que a autora cria é palpável a
cada página, criando uma ligação bastante invulgar entre leitor e este
personagem do qual nunca sabemos o nome. Aliás, este pequeno toque de
nunca sabermos o nome do monstro foi um detalhe fantástico e raro para o
seu tempo, pois o leitor nunca olha para a criatura de uma forma totalmente
humana, principalmente porque não tem nome. Falta-lhe uma parte da sua
identidade e que é essencial a qualquer humano: o nome.
Apesar
de ser um livro bastante pequeno, e com ritmo elevado, a verdade é que
algumas vezes senti que eu próprio abrandava a leitura, para absorver
melhor aquelas palavras antes que acabassem. Claro que, sendo um livro
bastante forte em alguns aspetos, não será uma leitura apaixonante para
todos os leitores, mas é mesmo difícil não sermos marcados pelos temas
aqui explorados indiretamente.
A criatura é,
essencialmente, um escravo que procura libertar-se para dar significado à
sua vida, para saber quem é, o que deve fazer neste mundo e o que o
distingue dos que o rodeiam. Na sua essência este é apenas mais uma
pessoa que não se encaixa no mundo que a rodeia, levando a um dos temas
mais presentes neste livro sem que se nota de imediato: a solidão e consequente falta de amor.
De
forma poética poderia dizer que a solidão deste personagem se ligou com
a minha solidão naquele instante em que estou a ler e em que nada à
minha volta me desperta a atenção, pois o livro roubou-ma. A verdade é
que as palavras da autora são, em vários momentos, murros invisíveis
contra a sociedade que despreza o que é diferente.
Somos
responsáveis pelo que criamos? De certa forma, estamos aqui perante um
pai e a educação do seu estranho filho... do filho que ama e despreza,
que abraça e mal trata. É uma poderosa mistura de temas que uma autora
de 19 anos conseguiu colocar num livro tão pequeno e que muito poucos
autores conseguem alcançar. Esta criatura, por muito artificial que possa ser, apresenta várias aspetos humanos, e um deles é a necessidade de se ligar a alguém e ser amado.
Não existe muito
mais que possa dizer sobre este livro sem falar do seu enredo.
Frankenstein é um livro que nos deixa tensos e que nos rouba horas de
sono até o acabarmos. Um dos maiores clássicos de sempre do terror,
talvez ao lado de Drácula, Frankenstein é um livro que se deve ler e
reler um dia, talvez captando outros significados, tanto nas suas
personagens como no seu final. Fantástico!
Luís Pinto
