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quinta-feira, 11 de abril de 2019

A Guerra dos Tronos - Resumo da Season 1 à 7



A Guerra dos Tronos 

Resumo da Season 1 à 7

Queres recordar as anteriores temporadas de A Guerra dos Tronos mas não tens tempo?

Aqui fica o meu resumo em 12 minutos! Espero que ajude!





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SANGUE & FOGO - Volume 1 - Parte 2


Autor: George R. R. Martin



Sinopse: A Casa Targaryen governa Westeros. O Velho Rei e a Boa Rainha morreram. Os herdeiros do Dragão perfilam-se para a sucessão numa época aparentemente tranquila. Mas as sementes da guerra ameaçam estes tempos de paz e a ambição levará a uma batalha feroz pela posse do tão ambicionado Trono de Ferro.
Porque foi a Dança dos Dragões tão devastadora para os Sete Reinos? Quem é o legítimo herdeiro do Dragão? E que papel desempenhou a Casa Stark nesta luta de poder?  Estas são algumas das questões a este livro dá resposta pela mão de um reconhecido meistre da Cidadela e das quarenta e seis ilustrações a preto e branco.
Sangue & Fogo apresenta pela primeira vez o relato completo da dinastia Targaryen, permitindo uma compreensão perfeita da fascinante, dinâmica e por vezes sangrenta história de Westeros.”


Aqui está a segunda parte do livro que explora a história da família Targaryen, a sua ascensão e os problemas para manter o poder e a sucessão da coroa. 

Tal como se esperava, Martin continua no seu estilo a surpreender os leitores, a ter grandes momentos de suspense, de reviravoltas, traições, jogos de poder e grandes diálogos. A forma como explora as personagens continua a ser o forte do autor, com uma construção coerente e consistente, que o ajudará a sustentar os grandes momentos deste livro. A forma como Martin joga com as ambições de certos personagens, com os medos, traumas, crenças e sentimentos é a grande base para um livro e para uma história que é sobre pessoas, sobre como cada uma tenta alcançar algo, tenta sobreviver ou ser feliz.

Com uma complexa teia de acontecimentos, este livro vai avançando com uma narrativa que tem tanto de simples como de complexa, como se estivéssemos realmente a ler um livro de História de uma terra distante. As personagens são excelentes, Martin arrisca na narrativa e no desenrolar de acontecimentos e surpreende, porque raramente sentimos que algo é forçado. 

Para além de tudo isto, este é um livro que se liga bastante bem com o que já sabemos da História de Westeros. As famílias e os locais que já conhecemos têm peso, destaque e identidade, tornando este livro numa obra obrigatória para conhecermos mais sobre este mundo que tantos fãs tem fascinando. Tudo o resto que possa dizer sobre Martin, já foi dito. Fiel ao seu estilo, estes dois livros não estão entre os melhores do autor, mas a qualidade é inegável, e esta páginas são totalmente obrigatórias para todos os que querem saber mais sobre Westeros. Aos poucos, Martin vai criando um mundo cada vez completo e cheio de História. Um livro a ter!

Luís Pinto


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

SANGUE & FOGO - Volume 1 - Parte 1


Autor: George R. R. Martin



Sinopse: Séculos antes dos acontecimentos de A Guerra dos Tronos, a Casa Targaryen – a única família de senhores dos dragões a sobreviver à Perdição de Valíria – fez de Pedra do Dragão a sua residência. Sangue e Fogo inicia a sua narração com a história do lendário Aegon, o Conquistador, criador do Trono de Ferro, e prossegue com o relato das gerações de Targaryen que lutaram para manter o icónico trono, até à guerra civil que praticamente destruiu esta dinastia.
O que aconteceu realmente durante a Dança dos Dragões? Porque se tornou tão perigoso visitar Valíria depois da Perdição? Qual a origem dos três ovos de dragão de Daenerys? Estas são apenas algumas questões a que esta obra essencial dá resposta pela mão de um reconhecido meistre da Cidadela e das trinta e quatro ilustrações a preto e branco.
Sangue e Fogo apresenta pela primeira vez o relato completo da dinastia Targaryen, permitindo uma compreensão perfeita da fascinante, dinâmica e por vezes sangrenta história de Westeros


Todos os leitores que gostam da famosa saga de George R. R. Martin esperam pelos novos livros da saga. Enquanto o autor não lança o próximo, chega agora às livrarias o primeiro livro sobre a família Targaryen. Este livro, tal como a sinopse indica, desvenda uma época muito anterior à que conhecemos. Como sempre, Martin tem uma escrita forte, calma, por vezes lenta, e que explora detalhes com uma paixão incrível, o que oferece, ao mesmo tempo, uma imagem verdadeiramente sustentada do enredo, personagens e mundo, mas que também acaba por abrandar o enredo.

GRRM é um escritor meticuloso. Nota-se na sua escrita, na escolha de palavras, na montagem da história e na forma como nos vai preparando para o momento em que nos surpreende. Aqui, Martin explora a ascensão da grande família Targeryen com um detalhe fantástico e, tal como se esperava, a exploração de personagens é o grande foco.

Martin aprofunda personagens, tornando-as reais e credíveis, explorando medos, objetivos, sonhos, traumas, crenças. Com isso, prepara-se para criar momentos de grande tensão, com diálogos inteligentes e situações surpreendentes. Neste livro a fórmula é a mesma e resulta muito bem. Sentimos que estamos a ler algo coeso, abrangente e muito bem pensado. A forma como a intriga se adensa, como a estratégia militar, política e social se misturam é a demonstração do grande foco no detalhe que Martin tem.

Sendo um primeiro livro, não quero explorar demasiado alguns acontecimentos, mas é óbvio que estamos perante um bom livro. Não consegue ter o impacto que teve a saga da A Guerra dos Tronos, mas isso deve-se, pelo menos para já, ao facto de ainda estarmos no primeiro livro. Mas uma coisa é certa, a sensação de regressarmos a este mundo de GRRM é fantástica e vale a pena. É realmente mais uma peça para este mundo de grande escala.

Luís Pinto



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

MULHERES PERIGOSAS


Autor: George R. R. Martin & Gardner Dozois





Sinopse: Se procura um livro em que mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão, este livro não é para si. Aqui encontrará mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatales astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam.
Com organização de George R. R. Martin, que assina igualmente um conto passado no mundo de Westeros, e de Gardner Dozois, esta é uma antologia que cruza géneros literários e mistura todos os tipos de ficção, desde Megan Abbott a Brandon Sanderson.



George R. R. Martin é apenas um dos grandes nomes presentes neste livros: Abbott, Sanderson, Abercrombie e Gabaldon são alguns nos nomes aqui presentes com contos onde as mulheres são as heroínas. São vários os contos e, obviamente, nem todos foram fantásticos, mas existem aqui algumas pérolas. Estas antologias assinadas por Martin contam sempre com excelentes autores e aqui alguns nomes da literatura voltam a fazer a diferença. Sanderson, por exemplo, dá uma qualidade única a tudo o que escreve. Globalmente esta é uma antologia bastante diversificada e inteligente. Existem personagens principais para todos os gostos e os contos passam-se nos mais diversificados mundos e géneros. Fantasia, suspense, ficção-científica e até vários momentos mais perto do terror e do thriller psicológico. Há um pouco de tudo e tal diversidade agradou-me bastante.

Como já o disse várias vezes, não sou apaixonado por contos, porque na maioria das vezes sinto que falta alguma construções das personagens e tal fator é um dos pontos essenciais para os contos serem muito bons ou não. Neste caso, sendo uma antologia dedicada a personagens femininas, esperava boas construções e na grande maioria foi o que encontrei, algo que me agradou bastante. Pelo meio, vários temas que encaixam bem nas histórias mas que são muito atuais.

Claro que alguns contos não são tão coerentes, ou parecem mais forçados num ou noutro momento. Por outro lado, também existiram alguns contos que gostei tanto que desejei que fossem um livro de centenas de páginas sobre aquele mundo, tema e personagem. No entanto, globalmente, esta foi das melhores antologias que li nos últimos tempos e que agradará a fãs de vários géneros. Se gostam de contos e esta sinopse vos deixou curiosos, então vale a pena ter este livro.

Luís Pinto


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

HISTÓRIAS DE VIGARISTAS E CANALHAS


Autor: George R. R. Martin & Gardner Dozois





Sinopse:  Se gostou de ler Histórias de Aventureiros e Patifes, então não vai querer perder novas histórias com alguns dos maiores vigaristas e canalhas. São personagens infames que se recusam a agir preto no branco, e escolhem trilhar os seus próprios caminhos, à margem das leis dos homens. Personagens carismáticas, eloquentes, sem escrúpulos, que chegam até nós através de um formidável elenco de autores. 
Com organização de George R. R. Martin, um nome que já dispensa apresentações, e Gardner Dozois, tem nas mãos uma antologia de géneros multifacetados e que reúne algumas das mentes mais perversas da literatura fantástica.



Decidi voltar aos contos com esta coletânea organizada por GRRM e valeu a pena. Este foi um livro que li a grande velocidade pois os contos agradaram-me do início ao fim. É verdade que não existe aqui nenhum conto que me tenha marcado profundamente, faltando uma obra prima dentro destas páginas para que o livro se destaque, mas no geral todas as histórias foram um boa leitura.

A diversidade é o trunfo, com as histórias a terem bases diferentes e a explorarem temas distintos e adultos que levam o leitor a conseguir conhecer os personagens, mesmo em histórias tão pequenas. Em termos de escrita não há nada a apontar. Cada escritor usa, e bem, o seu estilo para o enquadrar num enredo pequeno em que é preciso agarrar o leitor de imediato, dar a informação suficiente, e no fim ter algo coerente. As mensagens passadas são boas e alguns contos apresentam momentos surpreendentes, enquanto outros optam por caminhos mais óbvios.

Apesar de o título nos falar em vigaristas e canalhas, a verdade é que ao aprofundarmos a história, vemos um lado mais humano, e que já se esperava. Apesar de em alguns contos estarmos perante anti heróis, noutros casos é fácil começarmos a gostar desses vigaristas, nuns casos pelos seus objetivos que são mais nobres do que parece inicialmente, ou então porque são personagens divertidos e que ajudam a desanuviar alguns ambientes mais pesados. Olhando para a atmosfera, é fácil ver a qualidade de cada autor ao construir pequenos e credíveis mundos para os seus contos, existindo sempre alguma coerência.

Após acabar a leitura facilmente escolho dois contos como os meus favoritos, principalmente pela originalidade em alguns momentos e pelas personagens principais. Claro que é difícil um livro de contos manter sempre o mesmo nível de qualidade a cada nova histórias, mas este é um livro equilibrado sem ser deslumbrante. 

Luís Pinto

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

HISTÓRIAS DE AVENTUREIROS E PATIFES


Autor: George R. R. Martin

Título original: Rogues




Sinopse: Há personagens malandras e sem escrúpulos cujo carisma e presença de espírito nos faz estimá-las mais do que devíamos. São patifes, mercenários e aldrabões com códigos de honra duvidosos mas que fazem de qualquer aventura uma delícia de ler.
George R. R. Martin é um grande admirador desse tipo de personagens – ou não fosse ele o autor de A Guerra dos Tronos. Nesta monumental antologia, não só participa com um prefácio e um conto introduzindo uma das personagens mais canalhas da história de Westeros, como também a organiza com Gardner Dozois. Se é fã de literatura fantástica, vai deliciar-se!
AO LER ESTE LIVRO, ESTARÁ A ASSINAR UM PACTO DE COMUNHÃO COM OS SEGUINTES AUTORES:
Gillian Flynn – autora de Em Parte Incerta
Neil Gaiman – autor de Sandman
Patrick Rothfuss – autor de O Nome do Vento
Scott Lynch – autor de As Mentiras de Locke Lamora
Connie Willis – autora de O Dia do Juízo Final
E MUITAS OUTRAS MENTES PERVERSAS DA LI ERATURA FANTÁSTICA.



Martin, Gaiman, Rothfuss, Flynn, Abercrombie, Lynch, e muitos outros. Esta coletânea de contos é um verdadeiro show de nomes de grandes autores de fantasia e thrillers.

Um dos aspetos que mais me agradou foi o facto de muitos dos autores terem oferecido aqui contos que se enquadram com as suas sagas mais famosas. Gaiman com Neverwhere, Martin com A Guerra dos Tronos, Rothfuss com a sua saga que se tornou famosa com O Nome do Vento. E há mais...

Com isto, um leitor que tenha lido estas sagas, entra de imediato no mundo da história e vive-a com maior emoção. Por outro lado devo salientar que também quem não tenha lido estas sagas, poderá ler este livro de contos e retirar bons momentos, pois existem contos muito interessantes, até de autores que possam ser menos famosos em Portugal.

Claro que é complicado falar de um livro de contos querendo falar de tudo e de nada ao mesmo tempo, pois não quero revelar nada. O que me deixou verdadeiramente espantado é a qualidade global de todos os contos. Acho que não existe um único conto que não tenha qualidade acima da média, mesmo tendo gosto mais de uns e não tanto de outros, e todos sabemos que nestas coletâneas existem sempre contos que pouco ou nada nos dizem. Apesar de não ser um grande fã de contos, a verdade é que gostei da grande maioria das histórias, e algumas são mesmo muito boas.

Obviamente que cada leitor terá aqui contos que goste mais e menos, e também é óbvio que facilmente conseguimos perceber que existem temas comuns a todas as histórias. Perda, redenção, revolta, os contos são bastante completos quando inseridos nos seus mundos e muitos acabam por partilhar o tema principal, algo que no início não parecia tão óbvio. Pelo meio várias personagens de grande qualidade e excelentes mundos que já foram criados em grandes sagas e que aqui são aproveitados.

Sendo um grande fã de literatura fantástica, é impossível não recomendar este livro mesmo a pessoas que, como eu, nunca foram grandes fãs de contos. Claro que não irão gostar de todos os contos, mas alguns irão ler, e um dia irão reler. Acima de tudo este é um livro que em muitos aspetos melhora as sagas nas quais os contos estão inseridos (aqui destaque para o conto de Rothfuss).

Por fim, devo salientar a forma como os autores escreveram os seus contos, com ritmos bem mais elevados do que o normal nos seus livros.

Visto que é um livro de contos, não quero falar sobre nenhum deles. O que vos posso dizer é que este é um dos melhores livros de contos que li nos últimos tempo, e que gostei bastante, sendo claramente indicado para os fãs destes autores. 

Luís Pinto

quarta-feira, 23 de julho de 2014

HISTÓRIAS DOS SETE REINOS


Autor: George R. R. Martin

Título original: A Knight of the Seven Kingdoms



Sendo composto por três histórias sobre Dunk, e já tendo lido a Banda Desenhada do início deste livro, ponderei saltar de imediato para o após a BD. Mas demorei pouco mais de um segundo a decidir que não o poderia fazer, pois o detalhe que Martin dá à sua narrativa é muito maior do que qualquer livro de BD pode oferecer. E assim li, de seguida, as três histórias, tornando-se óbvio que a última é a melhor. É também nesta última história que existe um maior aproximar ao que já conhecemos d’As Crónicas de Gelo e Fogo e até uma ou outra personagem que já conhecia.

No meu caso, quanto maior fosse essa ligação mais, provavelmente, me sentiria tentado a continuar a leitura e é isso que Martin oferece, mas de forma muito ténue. O objetivo deste livro não é criar uma ligação mas sim explicar, de forma indireta, um pouco do que se passou antes da história que conhecemos. Digo “indireta” porque a personagem principal é Dunk e este encontra-se longe de alguns momentos marcantes e sendo um conto totalmente centrado neste alto guerreiro, não temos a visão mais global que Martin oferece nos outros livros sobre Westeros.

Mas, não é esta “centralização” que nos afasta, pois Dunk é uma personagem com a qual rapidamente simpatizamos, talvez pela sua moralidade numa época e local em que poucos a têm, e também porque sentimos que existe algum ressentimento nesta personagem… alguma mágoa de quem terá passado por momentos de dor, e queremos perceber o que foi, queremos saber se esta moral algum dia irá quebrar. Queremos conhecer melhor esta personagem.Martin é um escritor capaz de nos surpreender com personagens que mostram o seu verdadeiro perfil em momentos chave e existe sempre a tentação que também Dunk irá passar por momentos extremos.

A este personagem junta-se um rapaz, Egg, que em certos momentos demonstra alguns toque da genialidade do autor na criação de personalidades distintas. Egg foi a personagem que imediatamente mais gostei, não só pelas suas convicções, mas também porque Martin sempre teve a capacidade de criar adolescentes com pensamentos que são, ao mesmo tempo, imaturos e sábios, tal como qualquer criança tem, mesmo sem terem essa noção. Egg tem momentos em que diz mais do que parece à primeira vista e tal agradou-me bastante.

Como sempre, Martin apresenta um enredo complexo, com várias personagens e aproveita o mundo já criado por si. Vemos Targaryens sobre os quais já tínhamos lido, juntamos pequenas peças de puzzles e questionamos até onde Martin nos irá levar e qual será o objetivo destas histórias... o que poderá ser revelado aqui? Pelo meio vemos como algumas casas funcionavam, quais os interesses, quais as que se vergavam perante outras, e, obviamente, vemos o que mudou até aos tempos em que Ned Stark se torna Mão do Rei.

Já muito se falou sobre a escrita de Martin, sobre a forma como molda personagens, cria momentos surpreendentes e desenvolve uma teia de acontecimentos realmente complexa, mas coerente. Aqui continua tudo igual, numa qualidade e numa coerência acima da média. É verdade que sendo um livro mais pequeno do que outros do autor, ainda não temos o tempo necessário para criar as fortes ligações que temos com outros personagens de Westeros, mas só o facto de estarmos constantemente a fazer comparações entre esta época e a que conhecemos sem os Targaryen no poder, oferece uma leitura fantástica e empolgante a cada momento.

Apesar de não estar ao nível dos livros que já conhecemos do autor, primeiro porque sendo mais pequeno não nos dá o tempo necessário para a ligação já mencionada, e porque, obviamente, o enredo não pode ser tão complexo, este é um livro que todos os fãs irão adorar, principalmente aqueles que não leram nenhuma das histórias aqui presentes. Se gostam de Westeros e querem saber mais, então têm de ler este livro! E eu não digo mais nada para não revelar todas as surpresas que este livro vos irá oferecer.

Luís Pinto


quarta-feira, 16 de abril de 2014

SONHO FEBRIL


Autor: George R. R. Martin

Título original: Fevre Dream



Sinopse: Rio Mississípi, 1857. Abner Marsh, respeitável mas falido capitão de barcos a vapor, é abordado por um misterioso aristocrata de nome Joshua York que lhe oferece a oportunidade única de construir o barco dos seus sonhos. York tem os seus próprios motivos para navegar o rio Mississípi, e Marsh é forçado a aceitar o secretismo do seu patrono, não importando o quão bizarros ou caprichosos pareçam os seus actos. Mas à medida que navegam o rio, rumores circulam sobre o enigmático York: toma refeições apenas de madrugada, e na companhia de amigos raramente vistos à luz do dia. E na esteira do magnífico barco a vapor Fevre Dream é deixado um rasto de corpos... Ao aperceber-se de que embarcou numa missão cheia de perigos e trevas, Marsh é forçado a confrontar o homem que tornou o seu sonho realidade.


Finalmente li este livro de GRRM após várias recomendações. Há muito que o queria ler, pois sou um grande fã do autor, mas senti que para este livro seria necessário cortar a "ligação" com a famosa série de Westeros, para não existir uma expectativa demasiado alta. Claro que por muito que se tente, não é fácil conseguir criar essa rutura, e existe sempre um ou outro momento em que fazemos a inevitável comparação com a saga mais famosa do momento.

O grande trunfo deste livro são as suas descrições. É impressionante a forma suave, e ao mesmo tempo detalhada, com que GRRM nos descreve os cenários deste livro. A atmosfera que cria é tão rica, e quase palpável, ao ponto de se tornar fácil acreditar que estamos naquele barco, a ver o luar refletido naquele rio. É como se cheirássemos o ar puro do Mississípi e ouvíssemos o motor do barco e a água que bate no casco.

A outra grande qualidade está nas personagens. GRRM sabe construir personagens, dar-lhes profundidade e nunca as deixa serem demasiado boas ou más. É essa ténue linha entre o bem e o mal, que sempre existiu nos livros de GRRM, que aqui volta a fazer a diferença. A nossa personagem principal não é alguém com a qual nos identifiquemos rapidamente, principalmente porque sentimos que não a conhecemos. O autor habituou-nos a sermos obrigados a tentar ler as personagens, perceber quais os seus motivos e aqui não é diferente. Todavia, ao demonstrar os seus valores e lealdade, Abner consegue cativar aos poucos, principalmente porque é uma personagem forte e bem construída, com noções de fidelidade.

No entanto é noutras personagens que está o grande talento de GRRM. Sem avançar com nomes para não vos estragar surpresas, existem, para mim, três vampiros que tornam este livro melhor, não só pelas relações que têm entre si, mas também com humanos. Lentamente começamos a compreender estes vampiros, a forma como vivem entre si e como vivem com os humanos, e muito é graças a estes três personagens, não só pelas suas posições de liderança mas também pela sabedoria de quem vive há muitos anos.   

Outro fator interessante é o ritmo da narrativa, mais alta do que em qualquer outro romance que tenha lido do autor. GRRM capta a nossa atenção desde o início e não nos deixa parar a leitura, algo assinalável tendo em conta que a grande base deste livro são as descrições. O enredo é bom, traz surpresas e no fim acredito que não será esquecido tão cedo. Num olhar global, GRRM tem aqui um livro muito interessante, de ritmo elevado e grande capacidade para nos mostrar o que estas personagens estão a ver. A narrativa de GRRM é forte e sublime em alguns momentos, levando-nos para um estado em que parece realmente um sonho, tal como o título indica. Este não é o melhor livro do autor, o que realmente era difícil, mas lê-se rapidamente e demonstra que o autor está confortável em qualquer género, quer seja fantasia, terror ou FC. Bem diferente das histórias de vampiros que têm invadido as lojas nos últimos tempos, este é um livro que recomendo, principalmente aos fãs do autor, pois o seu estilo está presente, quer seja em Westeros ou nas águas do Mississípi. Muito bom!

Luís Pinto


domingo, 5 de janeiro de 2014

A IRONIA E SABEDORIA DE TYRION LANNISTER


Autor: George R. R. Martin

Título original: The Wit & Wisdom of Tyrion Lannister



Quer se goste, quer não, George R. R. Martin é um dos nomes mais marcantes dos últimos anos da fantasia literária. A forma como nos leva a sofrer com as suas personagens e o mundo complexo que criou são apenas uns dos muitos trunfos que os seus livros apresentam. No entanto, no meio de tanta qualidade, são as personagens que se destacam. Complexas, surpreendentes e coerentes, amadas e odiadas. E aí, nenhuma delas ganhou uma legião tão grande de fãs como o anão, aquele personagem que usa a sua inteligência como a maior arma e a ironia com frequência extrema.

Tyrion Lannister é uma das melhores personagens que li nos últimos anos, com ideias e decisões memoráveis para alguém que nasceu destinado a nunca ser mais do que um anão. A complexidade e profundidade das personagens da George R. R. Martin é algo que devemos salientar e, talvez, Tyrion seja a sua melhor criação. 

Todos os anões são bastardos aos olhos dos pais.

No entanto, este livro não é mais do que um apanhado das melhores frases deste personagem, o que pode levantar a questão do preço de um livro onde apenas iremos ler um apanhado do que já lemos nos livros da saga. Deixando de lado essa questão, o que o livro me ofereceu foi uma leitura rápida e interessante, principalmente graças à ginástica que foi tentar visualizar os momentos em que tais palavras foram ditas por este anão. 

 Ninguém teme um anão.

Outra questão interessante é vermos a coerência de Tyrion em alguns aspetos, o que só enaltece ainda mais a qualidade de GRRM na construção das suas personagens e na forma como aborda alguns temas. Tyrion não foge à regra, e temas como religião, política ou amizade, são aqui explorados levando-nos a conhecer melhor esta personagem. Pelo meio, a já famosa ironia...

Os reis estão a cair como folhas, neste outono

Este é um livro que deve ser visto de forma diferente. É um livro apenas para fãs, que deve ser visto por aquilo que é: um livro que indiretamente explora uma personagem sem dizer nada que já não tenhamos lido, mas que quando junta tal informação, se torna coerente e até nos pode mostrar pormenores que nos terão falhado na ânsia de ler os livros da saga. No meu caso, a leitura foi bastante agradável, fez-me rir, fez-me recordar, mas que, obviamente e infelizmente, acaba depressa. Fica na memória um excelente personagem e esperemos que não demore a termos outros livros desta fantástica saga.

Luís Pinto

terça-feira, 25 de junho de 2013

O CAVALEIRO DE WESTEROS & OUTRAS HISTÓRIAS


Autor: George R. R. Martin

Título original: GRRM: A RRetrospective


Não sou um grande fã de contos. É verdade que por vezes leio um conto que me fascina, mas na grande maioria dos casos sinto a falta de conhecer a personagem o suficiente. É normal o conto não nos dar tempo para conhecermos uma personagem, mas por outro lado, um conto pode fascinar-nos com uma ideia, uma simples ideia que altera a história, que nos faz pensar ou ficar de boca aberta com a surpresa.

Sendo este um autor que me marcou bastante, seria impossível falhar este livro. O conto principal (de longe o maior) é o "Cavaleiro de Westeros" e retrata a mesma história do livro de BD com o mesmo nome (ver o link com a opinião). Sobre esta história a minha opinião mantém-se, mas, obviamente, é muito mais detalhada neste livro, e qualquer leitor que goste do autor e do seu "universo" de Westeros, gostará deste conto.

Em relação aos outros contos, torna-se óbvio que GRRM é um excelente contador de histórias. É verdade que a qualidade dos contos não é igual em todos, nem o poderia ser, mas existe uma "toque pessoal" presente em cada linha. No meu caso, alguns contos não me marcaram, apesar de nunca ter tido a vontade de saltar o conto. Por outro lado, e sem falar individualmente de cada conto, devo dizer que existem contos que gostei bastante. O primeiro, "Canções de Laren Dorr" foi, provavelmente, o meu favorito. Um pequeno conto, com cerca de vinte páginas (o mais pequeno do livro), mas com a tal ideia base que me deixou de boca aberta, principalmente com um final inesperado. Mas existem outros: "Uma canção para Lya" (vencedor do Hugo award Best Novella em 1975), "O caminho de Cruz e Dragão" (vencedor do Hugo Award Best short story em 1980), "Reis-de-Areia" (vencedor do Hugo award Best Novelette em 1980 e vencedor do Nebula Award Best Novelette em 1979), e ainda "Negócios de Peles", que termina o livro, e em grande!

Um aspeto muito interessante do livro é o conjunto de introduções que o autor faz para os seus contos. GRRM tenta explicar-nos um pouco sobre o porquê de ter escrito aquele conto, quais as suas motivações, e até quais as ligações com a sua vida no momento em que as escreveu. Por vezes as introduções são bastante grandes, mas torna-se uma forma de conhecer "o outro lado" do autor, e gostei da possibilidade.

É claro que este livro, sendo divididos em vários contos, não consegue ter o impacto de um livro da saga mais famosa do momento. No entanto é um livro muito interessante e os prémios confirmam-no. Aqui estão alguns dos melhores trabalhos de GRRM e quem for fã do autor irá gostar. GRRM explora vários géneros e temas que não são fáceis de abordar em poucas páginas, e nota-se, tal como é exigido num conto, que o autor dá-nos o "espaço de manobra" para sermos nós a questionar e a pensar sobre a mensagem que o conto nos pode dar. Os contos falam-nos de amores impossíveis, de honra acima de qualquer outro valor, de missões para toda a vida, da insignificância que somos neste universo e ainda do instinto de sobreviência e como somos capazes de tudo para perdurar, entre muitos outros temas.

Este é um livro que mistura fantasia, FC e terror, mostrando que GRRM está à vontade em cada género. Nenhum conto é uma obra-prima, e a própria expectativa tem de ser controlada, pois GRRM não poderia fazer em algumas páginas o que faz em GoT. Mas, no global, este livro é um excelente conjunto de trabalhos e que me surpreendeu. Se são fãs do autor, leiam este livro, notem que por vezes existem parecenças entre GoT e estes contos, e conheçam melhor o trabalho e as origens de GRRM.

Luís Pinto

sábado, 11 de maio de 2013

WINDHAVEN


Autor: George R. R. Martin & Lisa Tuttle


George R. R Martin sofre o mesmo que qualquer outro autor que tenha atingido tão grande feito com um livro/saga... o peso da expectativa. Por exemplo, J. K. Rowling sofreu com essa expectativa quando voltou à literatura depois da saga Harry Potter, e imaginem, se Tolkien estivesse vivo e voltasse a escrever. Quais seriam as nossas expectativas? Poderiam matar a própria obra?

No meu caso, este foi o primeiro livro que li de GRRM fora do universo de Westeros. É verdade que o livro já foi escrito há muitos anos, antes de A Guerra dos Tronos, mas para mim as expectativas serão sempre altas, pois estamos a falar de um autor que, em alguns aspetos, alterou a forma como o leitor sente o que está a ler. No entanto, volto a fazer um esforço para baixar as expectativas e ler esta obra como se fosse de um autor que não conhecesse. Mas, para aqueles que queiram desde já saber uma opinião objetiva, digo o seguinte: este livro de GRRM com Lisa Tuttle, tem muita qualidade, tem muitos pormenores que vemos em Westeros, mas não é, e provavelmente não o poderia ser, um marco na literatura como é o seu primeiro A Guerra dos Tronos. Não podemos, nem devemos, comprar um único livro com uma saga tão grande. Este Windhaven é um livro com um fim e é muito bom em alguns aspetos. 

Em primeiro lugar digo-vos que me foi difícil entrar no mundo criado. Não na parte geográfica ou política, mas na mentalidade, na importância/valor dado às assas. O mundo é bem criado, tem alguns toques originais e percebe-se a sua dinâmica, mas o facto de pessoas lutarem tão ferozmente pelas suas assas, foi algo que no início pareceu forçado. No entanto, enquanto vamos lendo o livro, essa sensação desaparece, principalmente porque começa-se a perceber o estatuto que as mesmas oferecem, e principalmente, começamos a ver que nenhuma personagem está isenta de falhas nesta história. E é aqui que GRRM entra (sem retirar qualquer mérito a Tuttle), com as suas personagens realistas, nunca totalmente boas, nunca totalmente más.

Maris, personagem principal consegue tornar-se com facilidade numa excelente criação destes autores. A sua transformação/adaptação durante o livro é de assinalar e se juntarmos a isto o facto de estarmos perante uma personagem que falha, que desilude, que luta, que não é totalmente boa ou má... tudo isto torna a história mais realista. Infelizmente as outras personagens não apresentam esta qualidade, mas nota-se que nunca foi objetivo conhecermos quem rodeia Maris, aumentando assim a intriga e o impacto de algumas revelações, e não diminuindo o ritmo.

Temos conflitos, decisões impossíveis e traições, tudo presente num jogo de bastidores que apenas vemos pela visão de Maris. O ritmo é lento durante metade do livro, acelerando bastante no fim onde o livro se torna melhor, não por ter mais ação ou mais surpresas, mas porque define a sua própria mensagem para o leitor.

Mais soft e menos violento do que esperava, com uma escrita fácil e simples, este é um livro sobre o poder dos sonhos, o evoluir de uma cultura estagnada e injusta, e torna-se num vislumbre sobre a força necessária para fazer o mundo olhar com respeito para os que estão em baixo, e não só para os que estão acima. O final completa o livro, como se o unisse numa mensagem clara e que o melhora bastante, e este é o tipo de final que mais gosto: ao não existir uma luta global entre bem e mal, o final nunca pode ser definitivo, mas sim o culminar de uma história de vida, de algo realista. As pessoas nascem, vivem, morrem e por muito que façam, por muito que alterem, o mundo continuará sem elas. Foi isto que GRRM nos mostrou em todos os seus livros que li.

Por vezes, uma pessoa consegue mudar o mundo, mas conseguirá essa pessoa antever tudo o que a mudança trará ao mundo? Existem várias formas de poder, mas quem o tem, nunca o quer perder.

O enredo não é o mais original que já li, longe disso, mas a construção do mundo torna o livro singular. Não conheço o trabalho de Lisa Tuttle, mas nota-se a sua mão com uma escrita mais "bonita", menos "negra". No entanto é muito fácil encontrar o toque de GRRM na forma como demonstra a personalidade das suas personagens com simples ações. Windhaven é um livro muito interessante e que em certos aspetos é até comparável com o nosso mundo, ajudando a transmitir uma mensagem importante, apesar de indireta. 

Resumindo, Windhaven é um bom livro (que também será interessante para um público mais adolescente), que me deu imenso prazer a ler, principalmente a partir de meio. Uma excelente personagem principal, narrativa comovente, algumas reviravoltas (umas previsíveis, outras surpreendentes) e momentos onde é preciso tomar-se uma decisão, e não existe uma totalmente correta. Não é uma obra-prima, não é o melhor livro que li de GRRM, mas isso seria quase impossível e é verdade que muitos poderão ficar desiludidos, mas tudo dependerá das expectativas que levarem. Eu gostei imenso deste livro e recomendo-o.


Luís Pinto

quarta-feira, 13 de março de 2013

A ESPADA AJURAMENTADA - BD


Autor: George R. R. Martin

Título original: The Hedge Knight II: Sworn Sword


É sempre bom voltar a Westeros e respirar um pouco deste fantástico mundo que George R. R. Martin criou.

Após ter lido o primeiro livro das aventuras de Dunk e Egg (ver este link) regresso novamente a Westeros para continuar com as suas aventuras que se passaram uma centenas de anos antes de As Crónicas de Gelo e Fogo.

Tal como no livro anterior, o trabalho gráfico está excelente. Não sou um perito no assunto, mas todas as imagens apresentam detalhes interessantes, cores vivas e uma sequência que nos ajuda a facilmente perceber e imaginar a ação.

Novamente somos brindados com um livro que se lê sem parar, e que nos levará a conhecer um pouco mais de Dunk. Pelo meio ficaremos a saber bastante sobre o passado de Westeros, principalmente sobre a família Targaryen que reina no trono de ferro.
No entanto, este livro foca-se mais em Dunk e na evolução da sua personalidade. Agora mais maduro e sempre justo, Dunk continua a ser um cavaleiro ao qual as palavras faltam muitas vezes para vencer nestes jogos de intrigas, mas a sua boa vontade será sempre uma lição em qualquer contexto.

Sendo assim, esta história foca-se em duas situações: uma batalha passada da qual surgiram muitas consequências, e um problema local que Dunk terá de resolver, não por obrigação, mas por sentir que é o correto. Pelo meio serão revelados vários segredos. Realço ainda que o problema central da história dá um toque de realismo ao enredo, pois estamos perante um problema do dia a dia, mas muito importante, e ficamos assim a ver o desenrolar de acontecimentos que em nada mudarão Westeros, mas não é por ter uma dimensão menor que será menos importante para quem é afetado.

Claro que sendo um livro de GRRM, a intriga política está presente em força (apesar de mais leve do que num gigante livro das Crónicas), e a linha que separa os bons dos maus continua a ser muito frágil, acabando em surpresas (principalmente no fim) e em atos cruéis, como o autor já nos habituou. A religião continua presente e as personagens são humanas, e neste ponto devemos apreciar que a grande qualidade de GRRM nas Crónicas, também está aqui presente: é o realismo das personagens e a facilidade como as define em poucas páginas.

Tentando não revelar nada da história, este livro mostra que não é preciso nascer em berço de ouro para se ser nobre ou honrado. O dinheiro não compra a honra nem valores morais, e o pobre que não tem dinheiro, não terá de ser uma pessoa sem dignidade. Esta segunda aventura de Dunk e Egg (que neste livro continua a ser uma personagem importante, apesar de não tão relevante), dá vontade de ler já o próximo pelo seu final interessante. Não tem o impacto do livro anterior, por não ter tantas personagens importantes e não revelar os segredos que o anterior nos revelou, mas continua a ser uma excelente leitura para todos os fãs de Westeros e que queiram saber um pouco mais sobre o que levou a casa Targaryen à sua queda.

Luís Pinto

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O CAVALEIRO DE WESTEROS - BD

Autor: George R. R. Martin

Título original: The Hedge Knight



Enquanto George R. R. Martin não nos presenteia com um novo livro das Crónicas mais famosas do momento, sabe sempre bem voltar a Westeros e ler um pouco mais sobre este mundo, mesmo que seja passado 100 anos antes da história que conhecemos.

Aqui os Targaryen ainda estão no trono, apesar de já sem dragões, notando-se o início do declínio que todos nós sabemos, e as restantes casas já apresentam, na maioria, o estatuto que lhes conhecemos.
Para um fã da série, regressar a Westeros é motivos suficiente para ler esta BD e a experiência foi muito gratificante.

O primeiro aspecto positivo é que rapidamente entramos na história porque já conhecemos as casas principais, os costumes do povo e até já lemos sobre uma ou outra personagem. Tudo isto ajuda a que a leitura seja compulsiva para qualquer fã e até a enorme quantidade de nomes não se apresenta como grande problema para quem já estiver habituado às árvores genealógicas de George R. R. Martin.

A história é boa, simples, sem a grande complexidade que um livro das Crónicas pode oferecer com as suas centenas de páginas, e preparem-se para algumas surpresas e reviravoltas que me agarraram até ao fim do livro, ou não fosse este um livro de Martin, com todo o jogo político sustentado naquela ténue linha que divide "os bons dos maus". Devo ainda dizer que Martin consegue, como sempre, em poucas páginas, vincar a personalidade de qualquer personagem, distinguindo-se facilmente entre si, o que se torna imperativo numa boa BD.

Sobre a história não falo mais, pois acabaria por revelar qualquer coisa, mas não posso deixar de afirmar que a visão que Martin nos dá da casa Targaryen, com todas as suas questões e diferenças, tal como qualquer casa de Westeros, é muito interessante e se torna num "conhecimento extra" que vale a pena ter.

Como já o disse aqui no blog, não sou um grande conhecedor de BD, apesar de gostar imenso, e como tal a minha opinião sobre a qualidade gráfica não será, algumas vezes, a mais correcta. No entanto devo dizer que aplaudo a qualidade metida neste livro, que vai desde a qualidade do papel, até à qualidade dos desenhos. Todo o livro me pareceu graficamente muito bom, com detalhes interessantes (que os fãs irão adorar), com cores vivas e desenhos apelativos, nada confusos e que fazem o leitor imaginar facilmente a acção. Eu, pelo menos, não senti dificuldade em imaginar a acção entre imagens.
Reparei num ou noutro "erro", mas totalmente irrelevantes para a qualidade do livro.

Para quem gostar de BD, este será uma boa aposta, e para os fãs de Westeros ainda mais. Um livro que se lê facilmente, muito depressa, e que é uma boa introdução para quem nunca tenha lido BD ou que nunca tenha lido sobre Westeros. E agora ficou a vontade de ler mais!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Discussão no blog: Como acabará a saga Game of Thrones?

 
Nota: Quem ainda não tiver acabado as sagas O Senhor dos Anéis e Harry Potter irá certamente ficar desagradado se ler este texto. Parto do princípio que o leitor que continue a ler já tenha acabado estas duas sagas. Usarei estas duas sagas no texto simplesmente porque são as que gostei mais de ler e são possivelmente as mais famosas. Existem ainda spoilers sobre a saga de George R. R. Martin


Como irá acabar a saga Game of Thrones de George R. R. Martin?

Esta é talvez a pergunta mais frequente da literatura actual. O brutal fenómeno literário (agora galvanizado pela excelente série) agarrou cada leitor e largou-os num universo com mais de mil personagens, numa teia de interesses que parece não ter fim. Mas afinal para onde nos leva Martin? Qual é o possível final de série? Bem, tal resposta ninguém sabe, é a pergunta de um milhão de dólares. Talvez nem Martin tenha mais do que um pequeno esboço na sua mente do que poderão ser as últimas páginas.

Se olharmos para os livros de literatura fantástica, todos apresentam um objectivo, que é delineado no início da obra. Os objectivos são variados, passando pela sobrevivência, conquista do amor perdido, concretização pessoal, salvar alguém que o personagem principal estima, ama… podia estar aqui o dia todo. O que devemos retirar é que o objectivo é quase sempre global à história/mundo, e é a demanda para alcançar tal objectivo que move o livro. Pensemos em alguns exemplos: olhemos para alguns dos livros/sagas que mais venderam nos últimos anos. Comecemos pelo imortal O Senhor dos Anéis. Uma vasta teia de movimentações, muitas personagens, povos fantásticos, mas esprememos tudo em relação ao objectivo e vemos como se resume à luta do bem contra o mal. A destruição do Anel Um simboliza essa luta e Frodo concretiza-a. Se olharmos à volta percebemos que todas as personagens se movimentaram em volta da destruição/salvação do Anel. Objectivo comum.
Olhemos agora para a saga Harry Potter. Esprememos o objectivo e chegamos ao comum. Desde o primeiro livro que tudo se desenvolve para a destruição de Voldemort. Talvez não o percebamos nos primeiros livros, mas quando chegamos ao fim, lá está. Todas as personagens têm como objectivo comum a vitória/derrota de Voldemort, dependendo do lado em que lutam.

LOTR e HP apresentam um objectivo comum a todas as personagens e isso consegue-se porque quase todas estão definidas entre preto e branco. Não há muitas personagens meio-termo, que saltem sobre a linha que divide essa moralidade. Mas uma saga que apresente esse objectivo comum torna-se uma má saga? Não. Devia existir uma Lei Física que impedisse alguém de falar mal de LOTR por tudo o que trouxe de novo, e a saga HP colocou uma geração de PlayStation a ler algo com qualidade dentro do seu género, situação quase impensável. A questão que se levanta numa saga que apresenta esta particularidade é que apenas temos dois finais possíveis, isto se olharmos para o fim da saga de forma global. Em LOTR, por exemplo, ou teríamos a destruição do Anel Um, ou este voltaria às mãos de Sauron. Tudo o que se seguisse seria o resultado desse evento. O mesmo acontece com HP. Ou teríamos a vitória de Harry Potter ou de Voldemort, e qualquer acontecimento seguinte, como por exemplo mortes, seriam o resultado dessa prolongada batalha em que o objectivo comum, do bem contra o mal, choca.

Vejamos LOTR: livro que é publicado depois de uma grande guerra em que o mundo presencia atrocidades que muitos queriam acreditar inalcançáveis para a mente humana e numa fase em que muitos temiam a vitória do mal. Ao aparecer um livro de fantasia, em que a mente do público era claramente fechada a este tipo de literatura, Tolkien chega ao final óbvio. As pessoas não queriam ver o mal vencer, queriam ver esperança, queriam ver a força da amizade, ajuda, e Tolkien ofereceu isso ao mundo com a destruição do Anel e a brutal amizade de Frodo e Sam. Se o mal triunfasse em LOTR, o mundo rejeitaria de imediato o livro, por mais qualidade que tivesse. O mundo não está preparado para dar dois saltos de cada vez e se ler fantasia adulta à escala mundial (em que árvores falam, etc…) foi um grande salto para a época, ler fantasia e o mal vencer seria no mínimo impensável. Tolkien estava então preso a esta mensagem de esperança que quis dar ao mundo. Quem é que não fica abismado com a amizade e o sacrifício do Sam? Quem é que não fica com um nó na garganta ao ler as últimas páginas deste livro?

Claro que depois as mentes dos leitores alargaram-se e agora muitas histórias acabam de forma não tão moralmente desejável, sem que isso retire qualidade à série.

J. K. Rowling estava completamente presa ao que criou. Ao início até pode ser possível que a autora tivesse a ideia de matar o jovem feiticeiro, mas como o poderia fazer depois de todo este sucesso, quando existiam milhões de fãs prontos para a destruir se ela o fizesse? Devido a esse tal objectivo comum (“encarnado” num personagem principal), Rowling só tinha duas hipóteses: ou Harry ganhava, ou Voldemort ganhava. Qualquer final que fugisse a isto era impossível. Imaginem o que seria se morressem os dois e Malfoy ficasse a controlar o mundo… pois. Ou então imaginem que depois de matar Voldemort, Harry Potter acordava e percebia que estava debaixo das escadas na casa dos seus tios… imaginem que passava a mão pela testa e não tinha cicatriz, que tudo tinha sido um sonho… pois. Claro que estou a falar de finais absurdos. Mas agora de forma mais séria, apenas existiam dois finais possíveis. Ou ganhava um ou outro, porque morrerem os dois acabaria sempre por dar vitória a um deles, dependendo da forma como o mundo mágico ficasse, só que sem o sabor da vitória

Agora as diferenças…
Primeiro Martin destrói a segurança psicológica que temos em relação a qualquer personagem principal de um livro. Em LOTR seria impensável Frodo morrer no primeiro livro. Em HP seria impensável o Harry morrer a meio da saga. Com Martin e a sua saga GoT tudo é possível. A imagem de personagem principal a salvo é destruída nos primeiros livros e sempre que achamos “ah, afinal esta é que é a personagem principal”, pois… Martin também nos mata esse pensamento, nem que para tal tenha de matar a própria personagem. O essencial que devemos retirar daqui é que Martin não deixa que uma personagem ser o único estandarte de qualquer “movimento moral”.  
Depois com Martin não há só personagens pretas/brancas. Aqui é tudo muito cinzento, uma personagem que parece boa, afinal é má, depois já parece boa novamente. É tudo uma questão de interesses, de sobrevivência e de tudo o que a envolve em certo momento e tudo isto ajuda a destruir esse objectivo comum. O que ao princípio parecia uma possível luta em Westeros entre Starks e Lannisters, ou então uma luta entre humanos e os Outros, afinal não é nada disso. É muito mais complexo. E é isso que torna tudo tão interessante e impossível de prever. E é por causa disto que os fãs não desejam a vitória do bem contra o mal, ou vice-versa, (como acontece noutras sagas), porque gostamos de personagens que achamos estar em “lados” diferentes. E digo “achamos” porque nas próximas páginas Martin pode destruir completamente a nossa noção de uma personagem específica.

Martin preparou os seus leitores para tudo. Matou, deu reviravoltas, tornou personagens asquerosas em homens com uma escondida moral que apreciamos, etc… ainda falta tanto para a saga acabar e nós já estamos preparados para tudo. O objectivo de Daenerys não é o mesmo de Snow, nem o de Jaime é o do Bran, etc… cada personagem tem um objectivo singular, que pode em certos casos ser semelhante ao de outra personagem, mas nunca igual, nunca comum. Aqui não há a luta entre o bem e o mal, porque na verdade ninguém consegue perceber onde muitas delas encaixam.
Este facto, por um lado, mostra o brilhantismo de Martin, enquanto demonstra que qualquer final que escreva (desde que não seja absolutamente parvo) será sempre mais ou menos coerente com a saga. Se cada personagem tem um objectivo, muitos acabarão por não se concretizar, mas isso leva a um quebra-cabeças avassalador para o autor.
Aqui Martin está enterrado até aos ossos… criou uma saga única, constante na sua imprevisibilidade mas no fim nunca conseguirá agradar a todos os fãs, pois cada leitor irá identificar-se com o objectivo de uma determinada personagem.
Mas é essa a beleza desta saga. Muitas das personagens que gostamos irão morrer, muitas que odiamos acabarão com um sorriso nos lábios… talvez acabem todos mortos e os dragões herdam Westeros. Aconteça o que acontecer, ninguém ficará revoltado se Martin conseguir manter o seu estilo.
A questão é até que ponto Martin conseguirá, com tantos enredos, criar um final que “saiba” realmente a um final.

Posto isto pergunto: Qual é para vocês o final provável? Quais serão as surpresas? Quem sairá vencedor?
Digam-me o que acham e como desejam que esta incrível saga acabe!


E uma vez mais peço desculpa por um texto tão grande, mas quando se fala nesta saga, há sempre muito que fica por dizer.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

OS REINOS DO CAOS


Autor: George R. R. Martin

Título original: A Dance with Dragons


Mata o rapaz, Jon Snow.

Não há volta a dar. Quanto maior a espera, maior a expectativa. Mas todo o barulho e expectativa criados à volta deste livro seriam mais do que suficiente para matar muitas obras literárias. Será que os Dragões sobrevivem aos exigentes fãs?

Em primeiro lugar começo por dizer que este é para mim o melhor livro desde que saiu A Glória dos Traidores, mas no fim percebemos que é um livro que viverá à sombra de outros da série.
O que tornou esta série tão boa foram as personagens criadas por Martin, realistas e que sustentam a intriga, e os acontecimentos, alguns de enorme risco para o autor, que se desenrolaram nos primeiros seis livros (versão portuguesa). Nos livros seguintes, talvez por estarem divididos geograficamente, senti que enquanto toda a qualidade dos diálogos, intriga, e capacidade para ligar tantas personagens, se mantinha alta, mas a história alongava-se demasiado, baixando muito o ritmo. Este livro, pelo qual muitos esperaram muitos anos, vive na sombra de anteriores livros porque não aumenta o ritmo como todos queríamos. Bastava olhar para o título “A Dance with Dragons” para começarmos a imaginar tudo o que Martin poderia escrever, mas a realidade é que o ritmo não é o que desejamos.Nós fomos habituados ao melhor e queremos o melhor!

Por outro lado foi um livro que gostei bastante por perceber como encaixou bem com o 7º e 8º livro, e nesse aspecto ter lido todos de seguida (em vez de ter esperado anos por este como muitos outros leitores) ajudou a perceber o que poderá falhar a muitos. Há realmente muitas ligações. Para além disso, devo dizer que a escrita de Martin se mantém fiel ao que sempre foi. Forte, sem abuso de descrições, com tendências para flashbacks interessantes e com uma enorme parte da sua escrita a revelar os pensamentos das personagens que seguimos. Continua tudo no ponto!
No entanto o enorme mundo criado pelo autor não ajuda muito neste livro, pois ficamos perante um “talvez demasiado vasto” número de personagens pelas quais vemos a história, todas elas dispersas pelo mundo de Martin e como tal as suas acções não vão encaixar imediatamente, dando a ideia que não existe uma continuidade palpável de um capítulo para o outro. É preciso ler bastante para sentirmos a movimentação do enredo. Houve ainda uma ou outra personagem com capítulos que, agora após ler o livro, parecem que pouco ou nada deram à história, e só nos próximos livros o irei saber. Percebo que “está ali” uma trama, mas não sei até que ponto seriam necessárias tantas páginas para o fazer. Mas não é isso que estraga o livro, pois dois ou três capítulos em tantos não se notam muito.

Num livro onde Jon Snow é o grande motor, com vários capítulos a partir dos seus olhos, e todos eles de grande qualidade, vemos ainda o regresso das personagens do e 8º livro, por isso preparem-se porque voltaremos a ver Jaime e Cersei lá mais para o fim, com acontecimentos que já nos fazem desejar o próximo livro! Outro personagem que mantém o seu nível é Tyrion e não vale a pena falar muito sobre o anão. Ele é a prova que a escrita de Martin se mantém coerente em relação às personagens e Tyrion dá espectáculo nas suas falas como sempre!

O meu nome é Cheirete, rima com tapete.

Tal como disse, este livro viverá à sombra de livros anteriores, como A Muralha de Gelo ou A Glória dos Traidores, mas dentro do próprio livro poderei dizer o mesmo. Todo o livro viverá na sombra dos últimos capítulos, pois se Martin passa a grande maioria do livro a não oferecer aquilo a que nos tem habituado (aqueles capítulos que recordamos para sempre), preparam-se pois a última centena de páginas deixa aquela sensação que poderemos estar a ver o despertar daquele autor que tantas vezes nos deixou de boca aberta. O livro é grande, e por vezes não nos puxa tanto como gostaria (um fã quer sempre mais) e também é verdade que não existe em alguns capítulos aquela sensação de falta de ar, mas no geral continua a ser "Martin" com a sua escrita que agarrou tantos leitores e a única questão na minha mente é se no futuro Martin terá a capacidade de arriscar com acontecimentos que marquem a série como outros momentos já o fizeram. Entretanto este será o livro que voltarei a ler antes de Martin voltar com uma obra nova e certamente continuará a ser uma boa leitura, pois estamos realmente perante um bom livro que tem 5 ou 6 momentos de grande qualidade. Eu apenas queria mais!

Martin tem agora dois livros para deixar definitivamente a sua marca no mundo da literatura fantástica e só espero que não demore muito a fazê-lo, porque o final deste livro deixou-me uma enorme vontade de continuar!
Um livro que li em poucos dias, uma sensação de que o melhor está para vir… agora é esperar por mais.

Não sabes nada, Ygritte.

Espaço ainda para notar que a capa deste livro está novamente muito boa e que apresentar os verdadeiros símbolos das casas lhe dá um novo toque de qualidade!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A DANÇA DOS DRAGÕES

Autor: George R. R. Martin

Título original: A Dance with Dragons



Ao contrário de muitos outros fãs desta saga, eu não tive de esperar os vários anos que Martin precisou para escrever este livro, mas talvez contagiado pela excitação daqueles que há mais de 5 anos esperavam, também eu olhei para este livro com expectativas altas, ou não estivéssemos a falar de George R. R. Martin.
Este é um livro que não desilude, mas também não deslumbra, e porquê? Passo a explicar: sendo cronologicamente uma continuação de A Glória dos Traidores e como tal, a sua acção a passar-se ao mesmo tempo de O Festim de Corvos, também este livro apresenta um ritmo mais lento, e uma vez mais vemo-nos rodeados pelos jogos de bastidores onde novas alianças são criadas, agora que a guerra parece esfumar-se. Sendo assim, sentimos a mesma sensação que a ler o Festim, a sensação que estamos a ler um livro que é mais de personagens e suas decisões do que dos acontecimentos propriamente ditos. 
Se nos dois livros anteriores ganhamos os “olhos” de personagens de Dorne e das Ilhas de Ferro, agora ganhamos Melisandre e Cheirete. Começando por Melisandre, o seu único capítulo é muito bem conseguido, não pelo que revela, e é bastante até, mas essencialmente por dar a ideia que há muito mais a revelar sobre esta personagem. Já Cheirete apresenta-se como uma personagem fabulosa e é na minha opinião o grande toque de qualidade deste livro, não só pela personagem, pelos seus pensamentos, mas essencialmente pela forma como esta personagem é construída. Quem ler o livro perceberá o que quero dizer. Desde o início que olhei para Martin como um autor capaz de criar grandes personagens, mas esta realmente deixou-me de boca aberta, pelo inesperado, pela capacidade de transição que Martin faz entre personalidades, e pela crueldade do mundo que rodeia este Cheirete e como este mundo o condiciona a cada instante. Cada capítulo desta personagem é brilhante pois quase cheiramos, não o seu cheiro, de onde vem o seu nome, mas sim do medo que transpira.   
Tal como está escrito no livro : “- Um leitor vive mil vidas, antes de morrer – disse Jojen. – O homem que nunca lê só vive uma.”, e nós vamos vivendo as vidas destas personagens, que cativarão cada leitor de forma diferente, e observamos a evolução das mesmas. Nesse aspecto penso que Daenerys é quem mais evolui, principalmente pela necessidade de ganhar uma maior maturidade devido aos problemas que enfrenta, e tal evolução agradou-me, principalmente porque nunca foi das personagens que mais me cativou. Tyrion e Jon Snow estão presentes com vários capítulos e também não desiludem, mas uma vez mais dentro do ritmo que anteriormente falei, o ritmo de acontecimentos mais lento depois da guerra. No entanto as linhas onde Snow aparece são uma boa mistura de dúvidas interiores e necessidade de responsabilidade, “mata o rapaz”.
De salientar ainda que tal como previsto no livro anterior, Martin fez-nos olhar para um lado quando a verdade está no outro, e se tal poderia ser previsível, já o como seria feito era o que queríamos saber. A questão é: existirá ainda mais alguma coisa que pensámos ter visto e estamos enganados? Espero que sim.
Resumindo esta opinião, que no fundo é apenas metade do original A Dance with Dragons, este livro não é o melhor da saga, mas apresenta um ritmo superior ao O Festim de Corvos, deixando a expectativa que o próximo livro (segunda metade de A Dance with Dragons) poderá desenvolver mais a história para a qual não vemos um fim à vista. 

Existirá certamente alguém que olhe para este livro e o ache abaixo do que desejavam, obviamente nós desejamos sempre mais, principalmente numa saga tão boa. Eu pessoalmente penso que Martin arriscou quando decidiu dividir os livros entre Norte e Sul, e esse risco nota-se agora. Se olharmos para este livro como o completar do livro anterior, certamente encontraremos muito mais qualidade do que à primeira vista, e principalmente encontraremos um trabalho exaustivo, certamente, para que tudo encaixe com tantas personagens a moverem-se.
Mal posso esperar pelo próximo, mas agora também eu estou condenado a esperar um pouco mais pela continuação...
Onde quer que as rameiras vão...