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quinta-feira, 20 de abril de 2017

A PRIMEIRA REGRA


Autor: Jeff Abbott

Título original: The first order





Sinopse: Sam Capra nunca acreditou que o irmão tivesse sido assassinado às mãos de extremistas no Médio Oriente. Antigo operacional da CIA, Sam transformou-se num agente infiltrado de topo, e decide lançar a sua própria investigação. Mas a que ponto e com que propósito é que os seus contactos ainda lhe serão leais? Toda a informação tem um preço e a confiança pode ser um conceito volátil para alguns…
A busca desesperada pelo irmão levará Sam a uma versão moderna do coração das trevas: o círculo privado da elite russa, oligarcas implacáveis, com a escola do KGB, que juraram fidelidade a Morozov, o corrupto presidente da Rússia. No fio da navalha, não passam de peões no xadrez global a que Morozov se dedica, e agora um destes homens quer ver-se livre do novo czar. Estará Danny envolvido na conspiração? No que se terá tornado?



Este é o segundo livro que leio deste autor e foi o que gostei mais. Apesar de não ser um fantástico livro de espionagem, a verdade é que Abbott consegue criar uma trama bastante interessante. Sendo o quinto livro de uma série que tem como personagem principal Sam Capra, e não tendo lido os livros anteriores, foi normal estar perdido nas primeiras páginas, mas aos poucos fui conhecendo este personagem e percebendo os seus motivos e o seu passado. Globalmente, parece-me que quem tenha lido os livros anteriores, poderá apreciar melhor estas páginas, mas também me parece correto afirmar que quem nunca tenha lido, conseguirá agarrar a história aos poucos e ter aqui uma boa leitura.

Com um ritmo sempre elevado, Abbott leva-nos por vários locais e transmite sempre uma sensação de urgência que torna o livro mais intenso e empolgante. Não sendo um livro de espionagem puro, mas sim um thriller rápido e com ação, Abbott por vezes oferece momentos óbvios, mas noutros momentos consegue surpreender ao arriscar e conseguindo dar qualidade ao livro quando menos se espera. 

Gostei das personagens e também da forma como o autor montou a narrativa, com grande destaque para os vilões que conseguem demonstrar qualidades que os tornam bastante importantes no enredo. No entanto, o destaque é claramente para o personagem principal, que não conhecia e que gostei de explorar, dando-me vontade de ler os livros anteriores. 

Com diálogos interessantes e um ambiente bem criado, é fácil entrar neste livro. O seu ritmo não nos deixa descansar e algumas perguntas ficam por responder enquanto desvendamos uma conspiração que pode ser bem maior do que o personagem principal crê no início. No global, este é um bom livro de espionagem que agradará aos leitores que procuram ação e uma leitura rápida, e que me convenceu a ler mais livros do autor. 

Luís Pinto

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

BEIJO FATAL


Autor: Jeff Abbott

Título original: A kiss gone bad




Sinopse:  Whit Mosley, juiz de paz na cidade de Port Leo, Texas, é um rapaz novo e descontraído, tanto na vida como no cargo. Em ano de reeleição, não parece muito interessado em lutar pelo seu emprego, o último numa longa lista de falhanços profissionais.
No entanto, as águas da pacata cidade costeira não vão demorar muito a agitar-se: uma noite, Whit é convocado para atestar um óbito. O cadáver pertence ao filho de uma senadora, regressado à terra natal depois de uma carreira no mundo da pornografia. Terá sido suicídio, alimentado por uma antiga tragédia familiar? Ou será que um assassino obcecado o usou como peão num jogo deturpado? Quando Whit desafia a pressão política e começa a investigar, ele e a detetive Claudia Salazar põem as suas carreiras e as suas vidas em perigo, expondo um ninho de barões da droga, vigaristas e tubarões sedentos de poder, todos em busca de sangue. Mas nas areias quentes de Port Leo há segredos ainda mais obscuros enterrados… e ninguém é o que parece ser.



Desde o início percebemos que estamos perante um livro extremamente rápido sem que se percam detalhes importantes. O autor sabe o que deve dizer e quando, não só em relação à investigação, mas também em relação aos personagens.

Começando pelos personagens, Abbott usa uma estratégica que, quando bem usada, torna o livro muito melhor. Falo da capacidade do autor em nos mostrar os passos do assassino usando sempre a sua alcunha, para que o leitor nunca tenha a certeza da sua verdadeira identidade. Com estas imagens do mau da fita, tentaremos enquadrar o conhecimento que nos é dado com os outros momentos em que vemos as personagens na sua vida normal, pois sentimos que uma delas será o assassino. Fazemos ligações e estamos atentos, mas, provavelmente, apenas no momento da revelação saberão quem é afinal a pessoa que todos procuram. No meu caso, foi uma agradável surpresa, pois o autor consegue de forma subtil colocar o leitor a suspeitar de várias personagens sem que exista o facto que definitivamente nos empurra para uma personagem concreta.

Por outro lado, também o nosso personagem principal é bastante bem conseguido. O autor cria um rapaz que nos surpreende aos poucos, revelando-se a cada capítulo, tornando-se num personagem coerente e que lentamente se enquadra no enredo, sendo para mim o grande trunfo do livro, pois consegui criar uma ligação com o personagem, querendo que alcançasse o sucesso.

Claro que ao dar-nos uma visão dos dois lados, o autor tem maior facilidade para nos enganar, mas também poderia ter cometido o erro de revelar tudo. Eu não detetei nenhum erro neste aspeto, o que me agradou. Obviamente que existem momentos forçados ou em que nem tudo fica explicado, para bem do ritmo da leitura mas diminuindo a coesão do livro. Todavia, percebe-se que o autor deseja manter o leitor agarrado à narrativa, e comigo isso aconteceu. Mesmo sem muitos momentos de surpresa, a investigação conseguiu levar-me a ler sem parar na segunda metade do livro, querendo descobrir o que faltava.

Com diálogos inteligentes em várias ocasiões e com momentos de ritmo elevado e outros mais lentos, o autor consegue criar um bom equilíbrio entre a investigação e o desenvolvimento das personagens. Com isto também se cria a base para os próximos livros em que este juiz será o protagonista. A mim resta-me apenas esperar pelos próximos livros e tentar ver se o autor consegue manter este balançar entre um livro rápido e capaz de nos prender.

Em termos de policiais, não é uma obra prima nem é fantástico, mas é dos melhores que li neste género este ano. Se gostam de boas investigações e que tenham a capacidade de nos surpreender, então este é um livro a ter. Venha o próximo da série!

Luís Pinto