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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

MITOLOGIA NÓRDICA

 
Autor: Neil Gaiman
 
Título original: Norse Mithology
 
 
 
 
 
Sinopse: As lendas nórdicas sempre tiveram uma forte influência no universo de Neil Gaiman. Em Mitologia Nórdica, o multipremiado autor regressou às suas fontes para criar quinze contos relacionados com a grande saga dos deuses escandinavos, que inspiraram a sua obra-prima Deuses Americanos.
Da génese do mundo ao crepúsculo dos deuses e à era dos homens, eles readquirem vida: Odin, o mais poderoso dos deuses, sábio, corajoso e astuto; Thor, seu filho, incrivelmente forte mas turbulento; Loki, filho de um gigante e irmão de Odin, ardiloso e manipulador... Orgulhosas, impulsivas e arrebatadoras, estas divindades míticas transmitem-nos a sua apaixonante - e muito humana - história.
 
 
 
 
Gaiman é conhecido por se inspirar bastante na mitologia nórdica para criar os seus mundos e personagens de vários livros. Aqui, Gaiman criar vários contos usando a mitologia nórdica, onde, claramente, o seu conhecimento é profundo.
 
Como já o disse em algumas ocasiões aqui no blog, não sou um enorme fã de contos, mas existem livros que me captam a atenção. Este foi um deles, não só pelo tema, mas também pelo autor. Gaiman é um daqules autores que consegue crair um ambiente mágico em tudo o que escreve.
 
Com um interessante conjunto de 15 contos, Gaiman cria histórias singular, mas com ligações entre elas. Por vezes mais óbvias, por vezes mais discretas, Gaiman estrutura bastante bem a ordem dos contos, e em cada um explora um pouco mais a mitologia, aumentando o conhecimento do leitor e aumetando a ligação com as personagens.
 
Obviamente gostei mais de umas histórias do que outras. Em algumas esperei mais impacto, noutras gostava que Gaiman tivesse escrito um livro só para aquelas histórias e personagens. No entanto, em todos os contos, o autor explora o lado mais humano das personagens mitológicas, aprofundando decisões, receios, passados e objetivos futuros. E é num jogo de sonhos, interesses e sentimentos que estes contos avançam, sendo que alguns acabam de forma surpreendente. Gostei da forma como Gaiman me surpreendeu algumas vezes, arriscando, tentando não se limitar a seguir as normais correntes narrativas dos contos.
 
Globalmente este é um livro de contos muito interessante, principalmente para quem gostar de mitologia. Não é, claramente, o melhor trabalho de Gaiman, pois existem dois livros que dificilmente serão destronados, mas se gostam do estilo de Gaiman, então irão gostar deste livro. Venham mais livros de Gaiman sobre Odin, Thor e Loki!
 
Luís Pinto
 
 

domingo, 7 de setembro de 2014

ODD E OS GIGANTES DE GELO


Autor: Neil Gaiman

Título original: Odd and the frost giants


Sinopse: Há muitos anos, numa antiga aldeia viquingue da Noruega, vivia um rapaz chamado Odd. Até ao momento em que esta história começa, Odd não era muito afortunado. O seu pai tinha morrido e a mãe voltou a casar com outro homem que já tinha sete filhos. Depois de um acidente em que uma árvore quase lhe esmagou uma perna, Odd passou a andar apoiado numa muleta. Tudo se tornou ainda mais difícil naquele ano, porque o inverno parecia não ter fim e os aldeãos andavam perigosamente irritáveis. Foi então que Odd decidiu fugir de casa. Deslocando-se com dificuldade, dirigiu-se para a floresta e instalou-se numa cabana que o pai ali construíra. Mas a sorte de Odd estava prestes a mudar de uma maneira que ele nunca poderia ter imaginado quando encontrou aqueles estranhos animais, o urso, a águia e a raposa…


 Este é mais um livro que li de Gaiman, um autor que tenho em grande consideração por apresentar livros de fantasia com grande originalidade. Neste, Gaiman volta a não falhar e se em todos os livros que já li do autor, fiquei sempre com a sensação que muitos leitores iriam adorar e outros nem o acabariam, neste penso que a grande maioria irá gostar. 

Falar sobre este livro não me é fácil, pois trata-se de um livro muito pequeno e sobre o qual não quero revelar nada. Gaiman tem aqui o seu livro mais infantil mas com uma mensagem muito adulta. Foi essa mensagem que me surpreendeu e acredito que se uma criança irá sonhar com gigantes de Gelo, os adultos irão perceber a moral da história.

Tendo como base muito da mitologia Nórdica, Gaiman dá-nos Odd, um rapaz que não iremos esquecer tão cedo com a sua sede de aventura e sorriso matreiro. Odd é a criança que muitos de nós fomos, cheio de perguntas e energia, maravilhando-se e continuando o seu caminho. E é Odd o grande trunfo deste livro, pois será ele a mostrar-nos a moral da história e será ele quem nos irá cativar desde o início. 

Quer se goste do estilo, quer não, Gaiman é um exímio contador de histórias, com um estilo muito próprio. Neste livro, Gaiman opta por uma narrativa mais simples e bastante focada numa linguagem que qualquer criança conseguira entender. Foram vários os momentos em que senti que um dia terei prazer em ler esta história a um filho e acredito que ele se irá maravilhar com muito do que Gaiman aqui nos descreve. Pelo meio, Gaiman oferece outras personagens, capazes de nos dar algumas lições e mostrar a Odd qual o seu caminho... um caminho com o qual podemos fazer algumas ligações com o mundo real.

Este é um livro, que apesar de simples, dá azo a muitas interpretações. Um leitor poderá apreciar o enredo apenas como fantasia, outros poderão olhar para as lições que Gaiman nos oferece. Dentro dessas lições, cada leitor irá tirar as suas conclusões, e no meu caso, acredito que este livro seja sobre o poder do conhecimento, e de como este é, talvez, o melhor poder que podemos adquirir. Todavia, acredito que outro qualquer leitor, que tenha, ou não, a minha idade, conseguirá descobrir outros significados, e por isso, um dia voltarei a ler este livro.

Como disse no início, não me quero alongar nesta crítica pois trata-se de um livro muito pequeno em que falar sobre um acontecimento ou personagem pode levar a algumas revelações. Odd é a personagem principal de um livro que é difícil não gostarmos. Não é uma obra prima, nem o tenta ser. Tenta ser um livro de crianças e consegue, mas, como acontece com os grandes livros que tentam ensinar algo, serão os adultos que conseguirão captar todas as mensagens e sentir o quanto este livro tem para oferecer.

Luís Pinto


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

NEVERWHERE - Terra do nada


Autor: Neil Gaiman

Título original: Neverwhere



 Sinopse: Neste livro, Gaiman conduz-nos a um mundo alternativo onde Londres é representada como duas cidades que coexistem mas se excluem: Londres-de-Cima e Londres-de-Baixo. A articulação entre ambas reduz-se a uma única estrutura ordenada: a rede do metropolitano. Richard Mayhew, o protagonista, é um rapaz simples e bondoso, que veio da província para trabalhar na capital, apesar de isso não significar mais do que uma vida desinteressante, regulada por regras tão rígidas quanto vazias de significado. Mas tudo muda no dia em que Richard se cruza com Door, uma adolescente invulgar que anda fugida, e que ele tenta ajudar.


Cada vez sou mais fã de Gaiman. Mas, comecemos por dizer o mais importante: este é, de longe, o livro mais difícil de ler da autoria de Gaiman. É complexo, não tenta dar explicações no início e quando estamos a meio do livro parece que todo o potencial do livro não vai dar em nada de fantástico. O resultado final é um livro que será amado por uns, odiado por outros.

Já me tinham dito que não era um livro fácil, mas basta vermos a impressionante nota que este livro tem no Goodreads (o livro mais bem pontuado do autor) para percebermos que existe uma boa possibilidade de gostarmos do livro. E foi esse o meu caso, mas já la vamos.

A primeira metade do livro não é fácil. Aliás, acredito que posso dizer que é difícil ler e assimilar tudo o que nos é contado. Gaiman não quer explicar-nos tudo. Quer deixar-nos confusos com o que não nos diz e quer enganar-nos com o que nos diz. É uma luta constante entre o que Gaiman quer que saibamos e o que queremos saber, mas no fim tudo é explicado. Gaiman sempre teve a tendência de criar misturas entre o real e o impossível de acreditar e aqui não é excepção. É também aqui que alguns leitores se poderão afastar, pois existe uma enorme diferença entre as personagens, pois se por um lado temos um fantástico personagens principal, todas as outras parecem não ter a vida, nem a profundidade nem a coerência de Richard. Mas esse é o objetivo de Gaiman, é deixar-nos com a sensação que somos diferentes, que estamos a mais neste mundo e que tudo o que existe é diferente de nós... é deixar-nos na Terra do nada.

A fantasia de Gaiman é diferente. Nunca demasiado fantasia, mas sim uma visão fantástica de uma realidade que se mistura nos nossos sonhos. É aí que está a genialidade de Gaiman, ao agarrar na realidade e ao moldá-la a seu belo prazer como se fosse banal e sem nos explicar tudo no início para que não nos limitemos a aceitar a imaginação do escritor, mas também a imaginar.

Tal como a própria narrativa, também o enredo não é fácil. Existem várias pontas soltas nas regras que Gaiman cria, e acabei por questionar bastante do que acontece, tentando perceber como o personagem principal poderia usufruir melhor do potencial que tem à sua frente. Talvez esse seja um dos objetivos do autor: levar-nos a tentar arranjar melhores formas de usufruir do que criou para nós. No fim, novamente, o autor explica, mas até lá, é fácil perder tempo a tentar encontrar falhas e o porquê de certas decisões.

Com uma escrita enigmática, Gaiman leva aqui os seus leitores a um verdadeiro teste. Aquele que no início é um livro complicado, torna-se depois num livro que tem muito mais do que parece. O enredo é bom e a personagem principal cativa, mas tudo isto demora, porque Gaiman parece que nos quer cansar e deixar na dúvida, para depois nos surpreender. No final, muitas explicações são dadas de forma direta, mas são as indiretas (que nós teremos de alcançar pela lógica das revelações finais) que tornam este livro mesmo muito interessante. É, provavelmente, uma das visões mais singulares de Gaiman, e que culmina numa poderosa crítica social, mas que não nos é dada de forma direta, e por isso acredito que cada leitor tenha a sua interpretação. 

Resumindo, este é o livro mais difícil de Gaiman, mas vale a pena. Original, complexo, surpreendente. Gaiman é um escritor diferente de tudo o que já li, e este é o seu livro mais singular... e por isso volto a afirmar que uns irão adorar e outros, acredito, que fiquem a meio na leitura. O livro do autor com a melhor pontuação no Goodreads é também aquele que nos obriga a pensar mais. Gostei bastante e um dia voltarei a lê-lo, acreditando que será interpretado de forma diferente, e essa sensação vale sempre a pena.

Luís Pinto




terça-feira, 3 de junho de 2014

O OCEANO NO FIM DO CAMINHO


Autor: Neil Gaiman

Título original: The Ocean at the end of the lane



Sinopse: Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás.



Neil Gaiman é um escritor singular, capaz de nos surpreender com mundos fantásticos e realistas, mas também com ideias originais e que há partida parecem não fazer sentido. Este é mais um livro ao seu nível.
Existem livros que nos marcam quando menos esperamos e, por vezes, sem sabermos porquê num primeiro instante. Este pequeno e fasntástico livro fez isso comigo, ao ponto de o ter acabado e ter questionado o porquê de ter gostado tanto. Afinal o que estava nestas páginas que me tinha marcado tanto? A resposta será diferente para cada leitor e por isso não vos digo a conclusão a que cheguei, mas digo o seguinte: se gostam do autor, este livro não pode ser perdido.
Este é um livro sobre memórias e sobre como tudo na nossa vida nos afeta, e mesmo que de forma consciente ou inconsciente nos esqueçamos de alguns momentos, eles permanecem connosco, moldando-nos. Este é um livro sobre o poder da memória e os traumas que cada um de nós tem e a forma como os combate. Enfrentar um trauma não terá, penso eu, um caminho específico. Cada pessoa terá a sua forma de o enfrentar ou ignorar. E quando acabarem este livro, pensarão sobre isso.

Com um personagem principal que é um pouco de cada um de nós, vemos a dança entre avançar para o desconhecido e o regressar ao nosso local de conforto, e cada pessoa terá um local onde se sente seguro, seja ele real ou imaginário. Nesses caminhos que percorremos está o fundamental deste livro, e o seu título diz tudo, pois existe um caminho, e algo no fim... e aqui o "oceano" é a metáfora para o que procuramos, e talvez para o que nos liberta. Aquele lugar só nosso, como se estivéssemos sozinhos no meio do oceano, a recordar o que nos fez chegar até àquele local, quer seja um local físico, ou não...

Com uma escrita que no início se estranha, pois com Gaiman é sempre assim para quem nunca o leu antes, o autor volta a criar uma história madura e com um significado profundo, mesmo que no início pareça apenas mais uma história para crianças... E essa a grande arte de Gaiman, a de nos levar para algo fantástico e infantil, mas sem nunca nos fazer esquecer que somos adultos e que existe uma moral que deve ser pensada quando acabamos a última página.

Este é o terceiro livro que leio de Gaiman e foi o que gostei mais (não estou a dizer que é o que tem mais qualidade, mas foi o que me marcou mais), pois tem uma maturidade que me surpreendeu. A narrativa é rápida, as surpresas são muitas, e toda a história encaixa perfeitamente no fim.  Um livro que nos leva a pensar sobre o valor do que temos, do que cobiçamos, e da própria vida...
 Luís Pinto


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

DEUSES AMERICANOS


Autor: Neil Gaiman

Título original: American Gods



Vencedor dos prémios Hugo, Nebula, Locus, SFX Magazine, Geffen e Bran Stoker para melhor romance, este livro ganhou o que poucos conseguiram, e rapidamente se tornou no mais famoso livro deste autor.

A ideia básica deste livro diz-nos que os Deuses apenas existem enquanto acreditarmos neles. Sendo assim, os antigos, e quase esquecidos deuses, vivem entre nós, e tentam trazer fieis para a sua causa. Mas novos deuses estão a aparecer e a ser adorados por todo o mundo. Televisão, internet, media, trazem-nos todos os dias, os novos adorados das gerações adolescentes. Os deuses estão ultrapassados e já não são o exemplo de vida para ninguém.

No início este livro não será fácil, principalmente porque nada faz sentido. A personagem principal, Sombra, é um homem que acaba de sair da prisão e não tem nada ao que se agarrar (a mulher morreu e não tem família ou emprego). A partir daqui, Sombra será recrutado pelo Sr. Quarta-feira, que é na realidade, um deus (não revelarei qual). Sombra é um homem que não encaixa com o leitor comum. Desprovido de sentimentos (na maioria do livro) ou preocupações após a morte da sua mulher, não é fácil o leitor gostar de uma personagem que parece apática grande parte do tempo. A juntar a isto está o facto de a história não fazer sentido nas primeiras páginas. Parece sempre que falta algo a cada página.

Não revelando mais sobre a história, começo por dizer que Gaiman criou um conjunto fantástico de personagens. Quando digo isto, não estou a dizer que temos personagens que marcam o leitor ou que ficarão na memória por muitos anos... falo sim de um conjunto de personagens que encaixam na perfeição na história que Gaiman criou. Diversificadas e todas elas com segredos, o leitor irá captar pequenas dicas do autor sobre cada uma, e caberá a nós juntar as peças no início do enredo.

A história é uma crítica à sociedade e não um livro de fantasia cheio de acção, por isso não esperem brutais lutas entre deuses. Aqui não interessa quem é mais forte, apenas quem é mais adorado. Aliás, nesta "batalha" entre antigos e novos deuses, o livro nunca nos diz directamente quais devemos adorar (não nos diz quem são os bons e os maus), isto apesar de o nosso personagem principal estar de um dos lados da batalha, a verdade é que não existe uma linha que separe o bem do mal. E como tal, cada Deus terá o seu toque de misericórdia, mas também de crueldade. Interesses, imoralidade, convicções, fé... tudo isto dá qualidade às personagens.

Mas, como disse antes, este livro é uma crítica a esta actual sociedade que deixa novas gerações serem educadas pelos ídolos que nos aparecem na televisão e internet. Os pais biológicos já não são os educadores das actuais crianças, porque o mundo consome todo o tempo que a vida oferece. Agora os exemplos de vida são os intocáveis ídolos que os media nos impingem, e que nos fazem acreditar que um dia teremos aquelas vidas de sonho.

Como disse antes, acredito que este livro não agrade a todos, principalmente pelo seu início nublado e por algumas personagens não mostrarem sentimentos ou motivação (mas também aqui teremos uma crítica aos nossos tempos). No entanto, todo o livro acaba por fazer sentido e se olharmos para o "palmarés" de prémios desta obra, percebemos que existe qualidade, e muita! O final não é fácil de interpretar e cada leitor poderá retirar ideias diferentes. Eu retirei a minha lição e adorei. Para mim é um excelente livro, sem dúvida, e também o é para muitos outros leitores e críticos, porque ganhar tantos prémios não está ao alcance de todos. Merece ser lido!

Para mais informações, visitem o site da editora.