Mostrar mensagens com a etiqueta Douglas Preston. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Douglas Preston. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O MONSTRO DE FLORENÇA - Uma história verdadeira

Autor: Douglas Preston e Mario Spezi


Título original: The Monster of Florence - A True Story


Douglas Preston, autor de enorme sucesso, muito graças à sua saga Pendergest (uma série de ficção onde a investigação criminal domina), traz-nos agora uma história verídica, a investigação d'O Monstro de Florença, onde ele próprio tem um inesperado papel.
Sempre gostei de ler histórias verídicas e "crimes reais" não são excepção, mas o facto de os próprios autores estarem "misturados" na investigação dá um toque único a este livro, e que prende qualquer leitor até ao fim.

O grande trunfo deste livro está na primeira parte, na qual Preston explica, de forma quase sempre cronológica, os crimes e o desenrolar da investigação por forma a se tentar descobrir a identidade do serial-killer que inspirou Thomas Harris a inventar o grande Hannibal Lecter. A forma como Preston expõe todo o desenrolar destes acontecimentos entre os anos de 1968 e 1985, está tão cativante que parece estarmos a ler ficção e não uma história verdadeira, tal é o ritmo e a forma quase perfeita como o autor entrelaça e nos dá toda a informação necessária. O resultado é é que comecei a ler este livro e não consegui parar!

A segunda parte do livro começa quando Preston "entra em cena" contra vontade própria, e é a partir deste momento que começamos a ficar de boca aberta. A verdade é que nem sempre a justiça prevalece e a História da Humanidade está repleta desses casos, mas a revolta é ainda maior quando notamos que são os interesses pessoais a pisar o valor de justiça e a objectividade da investigação. Como parece fácil manipular toda a ideia de um povo quando é benéfico para todos os que têm poder. E assim, Preston vai mostrando os erros, os interesses e os limites que cada um define para si próprio, na busca de notoriedade, reconhecimento, etc...

O livro é forte, principalmente porque desde a primeira página que temos noção que é verdade o que lemos, e se pensam que é forte apenas pelas descrições dos crimes, enganam-se... o que igualmente aterroriza o leitor é pensar em toda a incompetência na investigação e que certamente não será única... quantos inocentes estão presos? Quantos culpados ficaram por apanhar? Por vezes, até as mais promissoras pistas, levam apenas a mais pistas...

Devo ainda dizer que Preston não se limita a falar dos crimes em si, mas explica também muito da história da cidade e curiosidades interessantes que encaixam perfeitamente na história, tornando-a mais sólida, sem nunca ser uma leitura enfadonha. Nunca me senti perdido, nem no "espaço" nem na investigação, o que só demonstra o grande trabalho de Preston.

Sobre a história prefiro não falar para não relevar nada, mas poso dizer que, dentro do seu género, está no meu top 10, sendo provavelmente o melhor que li nos últimos dois ou três anos. No seu género é um livro obrigatório e peca apenas por não ter um final mais marcante... mas temos de perceber que é uma história verdadeira, não ficção.Se gostarem deste género ou quiserem experimentar pela primeira vez, este livro é uma excelente escolha.