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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A VINGANÇA


Autor: John Grisham



Sinopse: Pete Banning era um cidadão modelo de Clanton, cidade do Mississippi - herói condecorado da Segunda Guerra Mundial, patriarca de uma destacada família, proprietário de terras, pai, vizinho e membro fiel da Igreja Metodista. Numa fria manhã de outubro, levantou-se cedo, foi para a cidade e a sangue-frio disparou a matar sobre o seu pastor e amigo, o reverendo Dexter Bell. A única declaração que Pete fez sobre o sucedido - ao xerife, aos advogados, ao juiz, ao júri e à sua família - foi: «Não tenho nada a dizer.» Não tinha medo da morte e estava disposto a levar para o túmulo as suas motivações.
Neste romance intenso, John Grisham transporta-nos numa viagem incrível e plena de suspense à descoberta da verdade, desde o sul dos Estados Unidos até às selvas das Filipinas e à Guerra do Pacífico. De um hospício claustrofóbico e cheio de segredos somos arrastados até um tribunal onde um advogado tenta desesperadamente ilibar um homem que procura tudo menos a sua salvação.


Confesso que não li, nem de perto, todos os livros de John Grisham, até porque é um autor que lança livros a grande velocidade. No entanto, os poucos que li, foram bons. Alguns, muito bons. John Grisham tem uma escrita simples, inteligente e que não perde muito tempo naquilo que pouco possa dar ao enredo. Tal como noutros livros, também aqui a escrita é objetiva sem perder detalhe, rápida mas sem perder qualquer detalhe interessante.

Neste livro, que rapidamente nos agarra porque acreditamos que aquele homem é inocente ou, pelo menos, queremos saber o porquê de ter cometido tal crime, existe sempre uma nuvem de mistério que não é forçada. É a nuvem de mistério que se cria porque percebemos que não iremos saber a verdade por Pete.

E com essa noção, com essa necessidade de sabermos a verdade, avançamos, sem parar por um livro que nos leva a explorar o passado de várias personagens, porque muitas vezes estes crimes têm origem no passado, mesmo que as pessoas não tenham essa noção. Este é um dos trunfos do livro, o aprofundar de algumas personagens importantes para o enredo, mesmo até de algumas que são bastante secundárias mas que dão um toque de qualidade a um livro que vai demonstrando a sua qualidade com uma boa montagem, uma narrativa inteligente e coerente, onde são poucos os momentos forçados.

Claro que não é um livro que seja uma obra prima, porque alguns diálogos são mais forçados ou existem algumas revelações mais óbvias, mas a forma como aprofunda algumas personagens está muito bem conseguido. Com isto, é fácil perceber que mesmo sendo um livro que não revoluciona o seu género, consegue agarrar e ser uma leitura compulsiva e agradável. Não é o melhor livro do autor, mas é um livro recomendado a todos os que leram a sinopse e ficaram curiosos, principalmente se quiserem livros com uma boa carga psicológica, não só dos seus personagens, mas também da sociedade aqui representada.

Luís Pinto


terça-feira, 9 de junho de 2015

TEMPO DE MATAR


Autor: John Grisham

Título original: A time to kill






Sinopse: A vida de uma menina negra de dez anos termina às mãos de dois jovens brancos, bêbedos e sem remorsos. A população de Clanton, maioritariamente branca, reage com choque e horror a este crime desumano. Até que o pai da menina pega numa arma e decide fazer justiça com as suas próprias mãos.
Durante dez dias, ardem cruzes por toda a cidade de Clanton e o país aguarda, com grande expectativa, o desfecho deste caso, enquanto Jake Brigance, o advogado de defesa, tenta desesperadamente salvar a vida do seu cliente - e depois a sua.



Este é o mais famoso livro de Grisham, não só porque é considerado o melhor de todos os seus livros, mas também pelo muito famoso filme adaptado destas páginas, com um elenco de luxo.

O que Grisham nos oferece é um enredo inteligente e intenso, capaz de explorar vários setores da sociedade, com um bom ritmo e personagens que marcam a leitura. Começando pelo enredo em si, Grisham escreve uma história que nos agarra desde o início pelo sentimento de injustiça que nos crava na mente. É impossível ficar indiferente perante a injustiça que a sociedade constrói nesta história, levando-nos a explorar a mentalidade de uma nação que ainda não conseguiu deixar atrás das costas algumas ideias religiosas ou racistas.

Um dos pontos que mais apreciei neste livro foi o ambiente que o autor conseguiu criar. A sociedade é um elemento muito importante numa história deste género e aqui está usada de forma perfeita, dando a sensação que estamos a ler algo real. O autor explora mentalidades de várias personagens, aprofundando as suas crenças e os ensinamentos que os seus pais lhes passaram. É um ciclo sem fim de preconceitos que cega e manipula. Pelo meio, inocentes e culpados tentam sobreviver numa sociedade acorrentada.

É impossível não criar uma ligação com o pai injustiçado ou com o advogado que tenta levar este enredo pelo caminho certo. Este é, inevitavelmente, um enredo sobre o desespero de quem ama e de quem sente a morte ao seu lado. Quando nos é retirado o que mais amamos, que barreiras se quebram? O que fazemos neste mundo quando a sociedade nos rouba tudo? Em quem nos tornamos quando fazemos a nossa própria justiça? O que ganhamos com isso?

Outro aspeto positivo está na forma como o autor apresenta o caso a um qualquer leitor que não tem conhecimentos profundos de direito. Nunca me senti perdido na forma com o caso foi conduzido, mas também é verdade que nunca consegui antever as decisões mais importantes, dando-me a sensação que o autor montou muito bem o enredo e o executou de forma muito inteligente.

Espaço ainda para mencionar que existem várias personagens fantásticas neste enredo, sendo um dos seus grandes trunfos. Variadas, bem construídas, marcantes. O pequeno leque tem a qualidade que o enredo exige... gostamos de umas, desprezamos outras e esta mistura de sentimentos é o que se pede num enredo forte e dramático como este.

Percebe-se facilmente o porquê de esta ser considerada a grande obra do autor. Um thriller completo e astuto, capaz de nos prender desde o início e de nos surpreender pelos atos das suas personagens. Recomendado a todos os que apreciem o género. Muito bom e cheio de significado...

Luís Pinto