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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O ÚLTIMO FOLEGO


Autor: Robert Bryndza


Sinopse: Quando o corpo torturado de uma mulher, jovem e bonita, é encontrado num contentor do lixo, com os olhos inchados e as roupas ensopadas em sangue, a inspetora-chefe Erika Foster é dos primeiros detetives a chegar ao cenário do crime. O problema é que, desta vez, o caso não lhe pertence.
Enquanto luta para integrar a equipa de investigação, Erika envolve-se no processo e rapidamente encontra semelhanças com o assassínio não resolvido de outra mulher, quatro meses antes. Largadas ambas num contentor do lixo em parques de estacionamento diferentes, têm ferimentos idênticos - uma incisão fatal na artéria femoral da coxa esquerda... E, entretanto, é localizada uma terceira vítima em circunstâncias idênticas.
Perseguindo as vítimas online, apresentando-se com identidades falsas, o assassino ataca mulheres jovens e bonitas de cabelo castanho comprido e desaparece misteriosamente, sem deixar qualquer pista. Como irá Erika apanhar um assassino que parece não existir?


Regresso uma vez mais ao universo de Robert Bryndza e às histórias de Erika. Este é o quarto livro que leio do autor é trata-se de uma série que tem evoluído. É verdade que o primeiro livro ainda é o mais famoso (podem ler a análise no blog), mas o autor tem demonstrado uma maturidade com evolução constante, principalmente na construção das suas personagens.

Claro que Erika continua a ser o foco principal do enredo, com grande parte da narrativa a focar-se na personagem principal, continuando a explorar o seu passado, traumas, objetivos e medos, sempre com alguma ligação ao caso atual. Neste caso, Erika, tal como está na sinopse, aproxima-se de um caso que tem muitas ligações com outro, criando logo no início algum mistério que agarra o leitor sem que os acontecimentos me pareçam forçados.

A isto alia-se um vilão muito bem criado, mesmo que por vezes apenas indiretamente. Gostei da forma como o autor explora o vilão, o que o move, as formas como se aproxima das vítimas, e ainda outros detalhes que não vou aqui revelar. E com este vilão a revelar-se na nossa mente, começamos a construir uma imagem e tentamos perceber como atua, como irá falhar, como será apanhado. E com isto o livro empurrou-me sempre para as páginas seguintes, porque eu queria saber mais, queria saber qual o próximo passo daquele vilão.

Para além disto, existem ainda algumas personagens secundárias interessantes, apesar de nem todas terem tempo para dar alguma qualidade significativa ao livro, mas que fazem parte deste universo. O resultado final é um livro que se lê rapidamente, que nos faz pensar sobre crime que começam numa abordagem online e o quanto é fácil conhecermos pessoas pela internet. Existem alguns momentos forçados, outros que claramente surpreendem, e no fim temos algumas revelações que são coerentes, tornando o livro numa obra que deve ser lida, mesmo que que não tenho os anteriores.

Se gostam de policiais, este é um bom livro, provavelmente um dos melhores do autor, e que também demonstra a sua evolução na construção de um fluxo narrativo apoiado em algumas personagens.

Luís Pinto



quinta-feira, 30 de maio de 2019

ÁGUAS PROFUNDAS


Autor: Robert Bryndza



Sinopse: Debaixo de água, o corpo afundou-se rapidamente. Ali permaneceu, imóvel e imperturbável durante muitos anos, mas, lá em cima, fora de água, o pesadelo estava apenas a começar.
Quando a detetive Erika Foster recebe uma denúncia anónima informando que uma prova fundamental relacionada com um caso de narcóticos estava escondida numa pedreira abandonada nos arredores de Londres, ela manda investigar a pista. No espesso lodo das águas encontram as drogas que procuravam, mas também os restos mortais de uma criança pequena. O esqueleto é rapidamente identificado como Jessica Collins, a menina de sete anos que fizera as manchetes das notícias vinte e seis anos antes.




Este é o terceiro livro que leio deste autor e agradou-me o facto de o seu estilo se manter em alguns aspetos. Os primeiros livros do autor foram viciantes e mesmo não sendo obra primas ou livros revolucionários, a verdade é que me agarraram com facilidade.

O autor continua a ter uma escrita simples, direta e rápida, o que ajuda a que o leitor fique rapidamente agarrado ao enredo e os capítulo estão montados por forma a deixarem sempre alguma dúvida para as páginas seguintes. Esta estratégia é bastante usada mas nem todos os escritores a executam com qualidade. No caso deste autor, este livro parece ligeiramente mais apressado do que os anteriores em termos de detalhe, o que ajuda a aumentar o ritmo, mas acaba por diminuir a coesão do enredo. No fim ficam alguns factos sem explicação, o que num policial é sempre algo que se deve evitar para que não aconteça em demasia.

Tirando este facto, o autor continua a desenvolver bem as suas personagens e a criar o ambiente certo para os seus enredos. Erika continua a ser o foco e a verdade é que é agora uma personagem construída com mais qualidade e que se tem desenvolvido com profundidade e coerência. A isto juntam-se personagens secundárias interessantes e que também têm ganho o seu espaço. Claro que este livro pode ser lido de forma isolada, mas os leitores que tenham lido os anteriores irão apreciar e compreender muito melhor alguns momentos do livro, principalmente decisões de algumas personagens.

O enredo é interessante apesar de não ser o melhor do autor. É talvez o livro que apresenta a melhor montagem tendo como objetivo viciar, mas a ideia base da narrativa não me parece ter tanto impacto como nos livros anteriores. Contudo, os diálogos rápidos e a ação constante ajudam. Pelo meio existem alguns momentos mais forçados e momentos menos coerentes, mas o livro continua viciante.

Sendo o terceiro livro que leio deste autor, é mais seguro indicar que se trata de um autor que consegue agarrar um leitor com facilidade. Gostava, contudo, de que o autor por vezes baixasse o ritmo e explicasse mais coisas ou aprofundasse certos temas ou momentos. No entanto, uma coisa é certa, se gostam deste género de policiais, então será uma boa leitura para este verão.

Luís Pinto

segunda-feira, 18 de março de 2019

A SOMBRA DA NOITE


Autor: Robert Bryndza




Sinopse: Numa noite quente de verão, a inspetora-chefe Erika Foster é chamada à cena de um crime. A vítima, um médico, é encontrada asfixiada na cama. Tem os pulsos amarrados e os olhos parecem querer saltar-lhe das órbitas através do saco de plástico transparente que lhe cobre a cabeça e o sufocou. Alguns dias mais tarde, outra vítima é encontrada exatamente nas mesmas circunstâncias. À medida que Erika e a sua equipa intensificam as investigações deparam-se com um assassino em série inteligente e calculista - que persegue e sabe tudo sobre as vítimas antes de escolher o momento certo para atacar. 
As vítimas são homens solteiros, com uma vida muito reservada e um passado envolto em segredo. Porém, podem não ser as únicas pessoas a ser observadas... Erika começa a receber mensagens enigmáticas e a sua própria vida corre perigo. Ela tudo fará para desvendar o mistério que rodeia estes crimes, ainda que isso signifique arriscar a sua carreira na polícia.



Neste segundo livro de Robert Bryndza, o seu estilo de escrita torna-se mais negro e mais focado nas personagens. Depois de um primeiro livro bastante interessante e onde se notou o quanto o autor tenta agarrar o leitor com um bom suspense e muitas questões que recebem lentamente as suas respostas, este livro apresenta uma montagem inteligente e que aumenta o suspense. 

Neste segundo livro, o autor foca-se mais nas personagens, principalmente na personagem principal, Erika. Apesar de cada livro desta saga poder ser lido de forma isolada, os conhecimentos que adquirimos no primeiro livro ajudam a conhecer algumas personagens, principalmente Erika Foster, que aqui é bastante aprofundada para que o leitor comece a ter uma idade mais acertada desta personagem. No primeiro livro, Erika é uma personagem da qual ficamos a saber pouco, ficando uma ideia mais fria da mesma. Agora, para criar uma ligação mais forte entre a personagem e o leitor, Bryndza explora o passado da personagem, tornando-a mais coerente para sustentar as suas decisões.

O enredo é bom, com um bom ritmo e com grande foco no porquê do que vai acontecendo, principalmente nos motivos do serial killer. No entanto, e apesar de o autor alongar bastante grande parte do suspense, o autor acaba por revelar a identidade do serial killer mais cedo do que seria esperado, mas não é por isso que o livro perde impacto ou interesse, porque é preciso perceber o "como" e o "porquê".

Para além de Erika, o autor explora também outras personagens secundárias, não focando o livro apenas na busca, mas também na evolução de algumas personagens e até de alguns temas atuais da nossa sociedade. Com isto, o livro torna-se mais abrangente apesar de sempre refém do seu elevado ritmo. 

Globalmente, este livro está ao nível do anterior. O autor está mais maduro e a montagem da narrativa está melhorada, o que ajuda o livro a destacar-se. Apesar de ter gostado mais da ideia base do livro anterior, este é um bom sucessor, e que agradará aos fãs do género. Um autor a continuar a ler!

Luís Pinto



terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A RAPARIGA NO GELO


Autor: Robert Bryndza



Sinopse: Quando um rapaz descobre o corpo de uma mulher debaixo de uma espessa camada de gelo num parque do sul de Londres, a inspetora-chefe Erika Foster é imediatamente chamada para liderar a investigação. A vítima, uma jovem bela e rica da alta sociedade londrina, parecia ter a vida perfeita. No entanto, quando Erika começa a investigar o seu passado, vislumbra uma relação entre aquele homicídio e a morte de três prostitutas, encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, abandonadas nas águas geladas de outros lagos de Londres. 
A sua última investigação deu para o torto, e agora Erika tem a carreira presa por um fio. Ao mesmo tempo que luta contra os seus demónios pessoais, enfrenta um assassino altamente mortífero e que se aproxima tanto mais dela quanto mais próxima ela está de expor ao mundo toda a verdade. Conseguirá Erika apanhar o assassino antes de ele escolher a próxima vítima? 


Este livro tem sido bastante falado nos últimos tempos e achei que deveria lê-lo. Imediatamente se percebe o porquê de o livro ter tido bastante sucesso. Em primeiro lugar está o ritmo do livro. O autor está sempre a acelerar, levando o leitor a continuar a ler com capítulos que deixam sempre alguma incógnita para o seguinte, o que nos leva a não parar. É esta sensação de que irá sempre acontecer algo, quer seja ação ou revelação, que nos empurra para as páginas seguintes. 

Para tal, o autor foca-se no importante, não deixando espaço nem tempo para o que é apenas estético, o que ajuda ao ritmo mas por vezes torna o livro menos surpreendente. No entanto, o autor é inteligente na forma como nos desvia as atenções para nos enganar, empurrando-nos para um final que surpreende em alguns aspetos apesar de algumas pistas anteriores terem começado a revelar o que iria acontecer. Aliás, nesse aspeto é preciso indicar que o autor arrisca no final que criou, mas foi coerente nas decisões que definiu para as suas personagens.

Olhando para as personagens e para o enredo, a ideia é bastante interessante e cativa desde o primeiro momento. Apesar de existirem alguns momentos forçados em que os diálogos não vão no caminho mais natural, as personagens compensam esses momentos, sendo bem construídas, com uma base consistente e humana. Nesse aspeto destaque para a personagem principal, uma mulher realista, que cativa por ser humana, com as suas falhas, os seus traumas, medos, desejos e objetivos bem definidos de forma também realista.

Sempre com uma sensação de urgência em cada página, o autor agarrou-me facilmente. Este é um bom livro apesar de não conseguir ser um portento. É um bom policial, com pinceladas de thriller psicológico pela forma como explora a mente de algumas personagens e como tenta criar tensão no leitor. Se gostam de policiais neste género e se a sinopse vos deixou com vontade, então é um livro que não irá desiludir, e que, dificilmente, vos deixará adivinhar o final.

Luís Pinto