terça-feira, 9 de junho de 2015

TEMPO DE MATAR


Autor: John Grisham

Título original: A time to kill






Sinopse: A vida de uma menina negra de dez anos termina às mãos de dois jovens brancos, bêbedos e sem remorsos. A população de Clanton, maioritariamente branca, reage com choque e horror a este crime desumano. Até que o pai da menina pega numa arma e decide fazer justiça com as suas próprias mãos.
Durante dez dias, ardem cruzes por toda a cidade de Clanton e o país aguarda, com grande expectativa, o desfecho deste caso, enquanto Jake Brigance, o advogado de defesa, tenta desesperadamente salvar a vida do seu cliente - e depois a sua.



Este é o mais famoso livro de Grisham, não só porque é considerado o melhor de todos os seus livros, mas também pelo muito famoso filme adaptado destas páginas, com um elenco de luxo.

O que Grisham nos oferece é um enredo inteligente e intenso, capaz de explorar vários setores da sociedade, com um bom ritmo e personagens que marcam a leitura. Começando pelo enredo em si, Grisham escreve uma história que nos agarra desde o início pelo sentimento de injustiça que nos crava na mente. É impossível ficar indiferente perante a injustiça que a sociedade constrói nesta história, levando-nos a explorar a mentalidade de uma nação que ainda não conseguiu deixar atrás das costas algumas ideias religiosas ou racistas.

Um dos pontos que mais apreciei neste livro foi o ambiente que o autor conseguiu criar. A sociedade é um elemento muito importante numa história deste género e aqui está usada de forma perfeita, dando a sensação que estamos a ler algo real. O autor explora mentalidades de várias personagens, aprofundando as suas crenças e os ensinamentos que os seus pais lhes passaram. É um ciclo sem fim de preconceitos que cega e manipula. Pelo meio, inocentes e culpados tentam sobreviver numa sociedade acorrentada.

É impossível não criar uma ligação com o pai injustiçado ou com o advogado que tenta levar este enredo pelo caminho certo. Este é, inevitavelmente, um enredo sobre o desespero de quem ama e de quem sente a morte ao seu lado. Quando nos é retirado o que mais amamos, que barreiras se quebram? O que fazemos neste mundo quando a sociedade nos rouba tudo? Em quem nos tornamos quando fazemos a nossa própria justiça? O que ganhamos com isso?

Outro aspeto positivo está na forma como o autor apresenta o caso a um qualquer leitor que não tem conhecimentos profundos de direito. Nunca me senti perdido na forma com o caso foi conduzido, mas também é verdade que nunca consegui antever as decisões mais importantes, dando-me a sensação que o autor montou muito bem o enredo e o executou de forma muito inteligente.

Espaço ainda para mencionar que existem várias personagens fantásticas neste enredo, sendo um dos seus grandes trunfos. Variadas, bem construídas, marcantes. O pequeno leque tem a qualidade que o enredo exige... gostamos de umas, desprezamos outras e esta mistura de sentimentos é o que se pede num enredo forte e dramático como este.

Percebe-se facilmente o porquê de esta ser considerada a grande obra do autor. Um thriller completo e astuto, capaz de nos prender desde o início e de nos surpreender pelos atos das suas personagens. Recomendado a todos os que apreciem o género. Muito bom e cheio de significado...

Luís Pinto

 

3 comentários:

  1. Grande análise ao que me parece ser um grande livro. Meti na lista e no próprio dia comprei-o na feira do livro de lisboa. Daqui a umas semanas começo a ler!

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  2. Olá Luís.

    Grande análise como sempre. Nunca vi o filme nem li o livro mas deixaste-me muito curioso. Quando falas em certos temas acabo sempre por ir atrás da tua opinião e comprar e acabo sempre por gostar. Volto a afirmar que o teu espaço tem de continuar durante muitos anos para eu saber o que ler!
    agora com o verão a leitura é metida em dia e já tenho várias sugestões tuas na mesa à espera de serem lidos.

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  3. Bom dia, Luís.
    Mais uma excelente análise, forte e objetiva a um livro que li há uns anos e que recomendo. Temas fortes e fraturantes. Como o Luís disse, a sociedade é um elemento muito importante e marcante. Parabéns pelo texto.

    Boas leituras.

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