sexta-feira, 12 de junho de 2015

À MORTE NINGUÉM ESCAPA


Autor: M. J. Arlidge

Título original: Pop goes the weasel





Sinope: O corpo de um homem é encontrado numa casa vazia.
O seu coração foi arrancado e entregue à família.
A detetive Helen Grace sabe que esta não será a última vítima de um assassino em série. Os media chamam-lhe Jack, o Estripador, mas ao contrário: este mata homens de família que vivem vidas duplas e enganam as suas mulheres. Helen consegue pressentir a fúria por detrás de cada assassínio. Mas o que ela nunca conseguirá prever é quão volátil na realidade este assassino é. Nem o que a aguarda no final desta caça ao homem.



Gostei baste do primeiro livro deste autor, Um, Dó, Li, Tá, pelo seu ritmo, força e inteligência. Sendo assim era impossível não tentar ler este novo livro e ver que novos casos Grace, personagem principal, terá pela frente. O que mais me surpreendeu neste livro é, ao observá-lo como um todo agora que o acabei, perceber que se trata de uma obra tão boa quanto a primeira.

O autor consegue criar um novo enredo bastante forte desde o início, principalmente pela forma como explora o mundo da droga e prostituição. As suas descrições continuam fortes mas o que marca o leitor são os pecados das vítimas, pecados esses que os tornam nos alvos do serial killer. E é com isso que entramos um tema já várias vezes explorado por autores deste género, mas que nem sempre com grande impacto: a questão se a vítima é inocente ou não. Será o serial killer um justiceiro por matar violadores, pedófilos, etc? A questão é explorada por forma a que o leitor sinta ódio pelas vítimas, mas a verdade é que não podemos esquecer que a justiça não pode ser praticada por esta forma.

No entanto, devido aos atos que as vítimas praticaram, a nossa ligação com o assassino não é a normal em que queremos que o serial killer seja apanhado de imediato. Aqui queremos perceber primeiro o porquê de tudo antes do desfecho final. Queremos saber o que as vítimas fizeram e o porquê do seu "castigo". Com este foco, o livro torna-se menos pessoal que o anterior, com a atenção do leitor a não estar tão vincada em Grace e nos seus fantasmas.

No entanto, tal como se exige, Grace continua a ser o catalisador deste enredo e iremos conhecer melhor uma mulher perseguida pelo seu passado. Gostei do facto de o autor continuar a explorar uma mulher que queremos que seja bem sucedida. A forma como vamos vendo as suas fragilidades contrasta com a força de outras personagens, criando algo credível e que nos agarra, pois existem momentos em que parece óbvio que Grace não conseguirá perceber tudo o que está a acontecer, pois este submundo do tráfico está demasiadamente bem montado e protegido, porque o dinheiro facilita muita coisa, e o tráfico dá dinheiro.

Com um ritmo ligeiramente mais lento do que no anterior, principalmente com o objetivo de explorar melhor este mundo, o autor consegue, novamente, nunca cansar o leitor com demasiados pormenores. Tudo está num equilíbrio muito interessante que me agarrou desde o início. Quando no fim tudo é revelado, são várias as surpresas e confesso que o autor me conseguiu enganar, o que me agradou bastante.

Diálogos fortes, bom ritmo e uma temática angustiante são o que dá coesão a um enredo onde as personagens e os seus motivos são a base para uma leitura marcante e muito forte. Se gostam de policiais violentos e que vos possam surpreender, então este é um livro a ter.

Luís Pinto

3 comentários:

  1. Já o comprei na feira por sugestão tua. Agora é ler!

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    1. também o comprei na feira. Gostei da opinião do Luís e andava de olho nuns policiais. Tenho a certeza que vou gostar.

      Abraço

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  2. Já me falaram bem deste livro e do autor e já o tinha em vistas para o futuro, mas com a tua análise aproveitei e comprei e já o estou a ler. Estou a gostar do início bastante forte e um pouco macabro.

    Boas leituras
    D.

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