Mostrar mensagens com a etiqueta Olen Steinhauer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Olen Steinhauer. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de maio de 2015

O CASO DO CAIRO


Autor: Olen Steinhauer

Título original:  The Cairo affair




Sinopse: Sophie Kohl está a viver o pior pesadelo da sua vida. Minutos depois de ter confessado ao marido, um diplomata destacado na embaixada americana na Hungria, que teve uma relação extraconjugal enquanto estavam os dois no Cairo, ele é morto com um tiro na cabeça.
Stan Bertolli, agente da CIA sediado no Cairo, já teve a sua dose de chamadas a meio da noite. Mas fica de coração apertado ao ouvir a voz da única mulher que amou, e que lhe telefona para saber por que razão o marido foi assassinado.
Omar Halawi trabalhou durante muitos anos nos serviços secretos egípcios e está perfeitamente dentro do jogo. Os agentes estrangeiros passam-lhe informações ocasionalmente, um favor que ele retribui e toda a gente fica feliz. Mas o homicídio de um diplomata na Hungria tem repercussões que chegam ao Cairo, e Omar tem de seguir os efeitos colaterais do sucedido até ao fim.
O analista norte-americano Jibril Aziz sabe mais sobre o Stumbler, uma operação secreta rejeitada pela CIA, do que qualquer outra pessoa. De modo que, quando alguém consegue aparentemente uma cópia do projeto, Jibril sabe como ninguém o perigo que isso representa.
Todos estes agentes convergem no Cairo. Gradualmente, vai sendo revelado o retrato de um casamento, um delicado quebra-cabeças de lealdades e traições, num mundo perigoso de jogos políticos, onde as alianças nunca são claras e os resultados nunca são garantidos.


Após ter aqui falado do pequeno livro (Do desastre de Lisboa) que serve de introdução a este enredo, comecei a ler o muito aclamado livro de Olen Steinhauer, autor que várias vezes ter sido comparado a Le Carré, o mestre da espionagem literária. Eu não faço tal comparação pois Le Carré está ainda num patamar que nenhum outro autor conseguiu alcançar no seu género, mas também é verdade que Steinhauer sabe fazer um bom livro de espionagem, e aqui está a prova. 

O Caso do Cairo faz parte daqueles livros de espionagem que tendem para a espionagem mais realista, com menos ação, com um ritmo mais lento e uma narrativa mais detalhada. O resultado é um bom livro de espionagem, mas que agradará muito mais aos fãs do género e muito menos aos que procuram livros de ação estilo filmes de James Bond.

O que o autor nos dá nestas páginas é um enredo bastante complexo, que saltará entre personagens e com mudanças temporais para que seja possível conhecer os passados deste conjunto de 4 pessoas iremos acompanhar nesta narrativa. A isso junta-se o mais óbvio neste livro: o autor sustenta o seu enredo nas personagens, nos seus problemas profissionais e familiares e como as suas profissões os alterou enquanto pessoas e o quanto tal condiciona as suas vidas fora do trabalho. O resultado é um livro extremamente coeso, mas lento, pois é essencial conhecermos as personagens sem conhecermos tudo, para que nos seja mais difícil perceber as revelações finais.

E é nesta base que o enredo se desenvolve, com grande destaque para as constantes sensações de desconfiança quando o medo começa a surgir mas situações mais complicadas. Afinal em quem podemos confiar? Família, amantes e colegas de trabalho são todos, mais cedo ou mais tarde, questionados por quem perde a confiança no que o rodeia e vê a sua vida ameaçada. 

O que poderá não agradar a todos é o final do livro, que choca e corta algum conhecimento que o leitor possa desejar. Nem tudo é dito em espionagem e aqui pode abrir-se caminho para um novo livro mas que acho que não faria muito sentido. A história acaba de forma inteligente mas é diferente do que se espera, sendo quase abrupto. No entanto, todo o final tem lógica, principalmente se estivemos com atenção aos pormenores que foram aparecendo durante a segunda metade do livro.

Globalmente este é um bom livro de espionagem mas que não agradará a todos. É preciso gostar de narrativas mais lentas. A qualidade é palpável e por isso tantos dizem que este autor será o futuro da espionagem literária. Eu estou completamente convencido a continuar a ler este autor e os fãs da espionagem pura concordarão comigo e irão apreciar bastante estas páginas.

Luís Pinto

segunda-feira, 4 de maio de 2015

DO DESASTRE DE LISBOA


Autor: Olen Steinhauer

Título original: On the Lisbon disaster



Sinopse: Neste emocionante conto, o autor best-seller do New York Times introduz a enigmática personagem de John Calhoun, um agente de segurança internacional que desempenha um papel de relevo no romance O Caso do Cairo.
Antes de ser enviado para a delegação da CIA no Cairo, John trabalhou em Lisboa, onde participou numa ação importante: a detenção de um indivíduo para interrogatório. Mas desde o início da operação que nada corre como planeado e para John as coisas não tardam a tornar-se muito mais do que um momento crucial para a sua carreira. A maneira como ele gere esta crise irá defini-lo enquanto pessoa. 



Este pequeno livro é um conto introdutório para o livro O caso do Cairo (sobre o qual falarei na próxima semana), e como tal trata-se de um livro bastante pequeno que serve, essencialmente para dar a conhecer uma personagem, John Calhoun. Ao vir de oferta com o livro O caso do Cairo, e tendo o nome da nossa capital no seu título, decidi ler de imediato este conto de espionagem, muito pequeno, muito rápido e muito inteligente. 

Sendo um livro tão pequeno, e que tem como objetivo ser uma introdução ao próximo, não quero alongar-me muito. No entanto, é impossível não salientar a inteligência deste livro. Em poucas páginas percebe-se que o autor domina vários conceitos de espionagem e, principalmente, consegue criar um enredo coeso dentro do género, mesmo numa história com cerca de 40 páginas. 

O resultado é um conto muito rápido, que surpreende, que agarra o leitor e que nos faz querer passar de imediato para o próximo livro. Destaque, claro, para a personagem principal, que me pareceu muito interessante, e sobre a qual quero ler mais e, obviamente, ler sobre Lisboa sabe sempre bem. Por fim, num olhar rápido para o enredo, gostei bastante da forma como o autor escreveu e conseguiu criar o suspense necessário mesmo num livro tão pequeno. O história é boa, é coerente, e abre portas para algo melhor no próximo livro, com algumas perguntas a ficarem sem resposta.

Para já não me alongo mais. Na próxima semana lançarei uma opinião mais detalhada ao O caso do Cairo, que é considerado um dos grandes livros de espionagem dos últimos tempos. Para já, fixem o nome do autor. Eu, por agora estou convencido a continuar.

Luís Pinto