Autor: Natasha Solomons
Título original: The novel in the viola
Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa.
Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada.
Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada.
O que me agradou neste livro foi a sua base de partida e não me desiludiu. Esta obra é sobre o início da Segunda Guerra Mundial e como uma parte da sociedade tentou adaptar-se sem saber o que estava para vir. Os Judeus tentam manter-se em segurança, a restante sociedade não sabe como os encarar, se os deve ajudar ou manter-se afastada. Como sempre, uns preocupam-se, outros não.
O livro apresenta um ritmo que oscila. Por vezes é rápido, por vezes é lento, mas no global é um livro que vai acelerando enquanto a história se desenrola e os locais ficam na nossa memória. Olhando ainda para a escrita da autora, não se trata de uma prosa fascinante mas consegue "oferecer-nos" a história com qualidade e facilmente sentimos o que a autora nos tenta transmitir. Esta qualidade está, essencialmente, presente nas descrições de locais, e sentimos que estamos presentes no mundo que a autora descreve.
Elise é uma personagem principal bem construída, e é com ela que o livro ganha uma forte carga emocional por nos aproximarmos de uma rapariga que perdeu tudo e deixou para trás tudo o que conhecia, procurando apenas a sua sobrevivência, e torna-se fácil simpatizar com esta personagem. Menciono ainda os pais de Elise, que apesar de estarem ausentes do
centro narrativo, dão um forte contributo à história com pequenas ideias
e simbolismos quase sempre presentes.
A ideia base é, como já tinha dito, muito interessante, e está bem conseguida. No entanto, também devo assinalar que a autora junta um toque de preconceito (sobre as origens das pessoas) que me agradou, e que dificultam toda uma vida que já não se apresenta fácil. Ainda dentro da visão de cada pessoa, vemos várias "visões" sobre a guerra. Uns admiram os heróis, outros choram os mortos, mas aqueles que voltam e são aplaudidos, conseguem apagar da memória da generalidade do povo a morte dos restantes, e novamente vemos que, na maioria das vezes, apenas choram os que são próximos. Os outros rapidamente esquecem.
O final foi, provavelmente, o que menos me agradou. Percebo a decisão da autora e, olhando para toda a história, a base foi construída para que este final fosse possível, e de certeza que muitos leitores gostarão da forma como a autora acabou estas páginas.
Tentando não revelar nada, esta opinião é sobre um livro que não está no topo do seu género mas que é um bom livro. Tem pormenores de grande qualidade e quem goste do género ou do tempo em que a história se passa (início da Segunda Guerra Mundial), terá aqui uma boa escolha, assente numa história de amor e solidão, onde várias personagens ficam na memória.
