segunda-feira, 16 de julho de 2018

BREVE HISTÓRIA DA EUROPA

 
Autor: Raquel Varela
 
 
 
 
Sinopse: Breve História da Europa - Da Grande Guerra aos nossos dias é um ensaio histórico sobre os principais acontecimentos que marcaram o continente entre 1917 e 2017, num olhar aguçado sobre as dinâmicas sociais de um século. Do militarismo imperialista à Revolução Russa, da crise de 1929 à Segunda Guerra Mundial, do fim do pacto social à crise da União Europeia, passando pelas descrições empolgantes do Maio de 68 e da Primavera de Praga, Raquel Varela coloca o trabalho e as suas relações políticas e sociais no centro das grandes mudanças que ocorreram nos últimos 100 anos.
Este é um livro que levanta questões provocadoras e nos dá respostas sérias e rigorosas.
Terá sido o apocalipse da Segunda Guerra Mundial - o episódio mais brutal da história da Humanidade, com a perda de 80 milhões de pessoas - a resposta de uma classe suicidária à crise de 1929? E o século XX, que começou (ainda que não oficialmente) em 1917, terá terminado em 1989 com a queda do Muro de Berlim, ou em 2008, com o fim do pacto social europeu?
 
 
 
Sempre fui apreciador de bons livros que conseguem percorrer uma época, explorando acontecimentos e ensinando ao leitor o que realmente é importante dentro de uma certa área. Neste caso, temos aqui um livro que olha para a Europa e, com grande foco nas questões políticas, sociais e económicas, explora os grande acontecimentos dos últimos cem anos.
 
Acima de tudo, gostei da forma como a autora estruturou o livro, levando a que cada página estivesse de alguma forma ligada à seguinte, quer fosse direta ou indiretamente. O livro avança com suavidade apesar de a escrita ser lenta para percebermos os detalhes necessários para a compreensão do livro como um todo. Quando acabamos o livro é fácil perceber como a autora quis desde o início explorar as ligações existentes durante todos estes anos e como acontecimentos de há muito tempo ainda influenciam os acontecimentos de hoje. Claro que tudo isto é bastante óbvio, mas a forma como o livro explora essas ligações faz a diferença.
 
Outro aspeto positivo deste livro, e talvez o mais importante para que qualquer leitor o aprecie, está no facto de a autora conseguir oferecer o conhecimento necessário para que um leitor nunca esteja fora do contexto. Apesar de já ter lido vários livros sobre o tema, tentei constantemente perceber como seria se este fosse o primeiro livro lido dentro do tema, e acho que nunca me sentiria deslocado, sendo este facto muito importante para percebermos tudo. 
 
Globalmente, o que é atrativo neste livro é o facto de abordar vários temas, várias nações, dando uma visão bastante global. Todos nós podemos ler um pouco mais sobre um ou outro tema dentro da História da Europa, mas este livro consegue ser bastante amplo, abordando as várias nações, vários acontecimentos e, claro, os fatores externos à europa e que muita importância tiveram. Pelo meio, muitas perguntas respondidas, outras sem resposta para que o leitor questione e tire as suas conclusões e quem sabe, perceber alguns sinais que poderemos ter no futuro.
 
Luís Pinto
 
 
 
 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

BEREN E LÚTHIEN



Autor: J. R. R. Tolkien



Sinopse: 100 anos depois, uma obra única: a história de amor de Beren e Lúthien escrita por J.R.R. Tolkien, nunca antes publicada de forma independente, chega a Portugal editada pela Editorial Planeta.
O destino dos dois amantes Beren e Lúthien, um homem mortal e uma elfo imortal que, juntos tentam roubar uma Silmaril ao mais poderoso de todos os representantes do mal: Melkor.
Uma obra fundamental para os amantes de Tolkien e de literatura fantástica e que nenhum fã da Terra Média pode perder!
O livro inclui 9 extratextos ilustrados a cores e desenhados especialmente para esta edição por Alan Lee.
Assim como ilustrações a preto e branco ao longo do texto.




Quando vi este livro, acreditei que o seu grande trunfo estaria na qualidade dos materiais, na capa, nos desenhos, porque eu já conhecia o enredo, já o tinha lido, e não esperava algo de novo. E foi aí que me enganei. O que temos aqui é o aprofundar de uma fantástica história, umas das melhores que Tolkien escreveu.
 
Não vale a pena explicar aqui a base do livro, pois basta lerem a sinopse para perceberem um pouco mesmo que não sejam conhecedores profundos do universo de Tolkien. Tendo em conta que "O Silmarillion" é um dos meus livros favoritos, e para mim um dos melhores livros de sempre, sabia que iria gostar deste livro, e foi ainda melhor do que esperava, muito graças às ilustrações que melhoram a leitura. 
 
Começo por aplaudir a edição do livro, com capa dura e ilustrações pelo livro que nos ajudam a navegar pela fantástica imaginação de Tolkien. Depois o que devemos fazer é absorver este livro, estas personagens, esta história. E a partir daqui não há muito mais que possa dizer. As personagens estão muito bem criadas, sendo este casal uma das melhores criações de Tolkien em termos de qualidade de personagens. Pelo meio junta-se Melkor, um vilão com uma aura que melhora o livro a cada instante por tudo aquilo que vamos lendo sobre ele.
 
O enredo é muito interessante e bastante emotivo, levando o leitor a passar por um conjunto de emoções que nos fará questionar as aproximações entre o enredo e a realidade e, principalmente, que sentimento é este a que chamamos amor. Muitas das obras de Tolkien exploram a força do amor, da amizade, da natureza, e este livro explora tudo isso em medidas coerentes e que tornam o livro inteligente e capaz de agarrar qualquer leitor que aprecie o género. Claro que Tolkien tem uma escrita muito peculiar e por isso não agradará a todos, mas a qualidade é inegável.
 
Para tornar o livro ainda melhor, este enredo aproveita muito bem o universo criado por Tolkien, com grande simbolismo, um peso enorme na criação do mundo e na sua História, levando-nos a sentir que tudo faz sentido, tudo é coerente, tudo é real. É este peso que o universo de Tolkien tem, capaz de parecer real, vivo, ali ao nosso lado.
 
Mesmo para quem já tenha lido esta história, ter este livro, navegar nestas páginas, ver estas ilustração, é um luxo. Este é uma das melhores histórias de amor que já li, e recomendo o livro a todos os fãs de Tolkien, mas não só, pois os fãs de fantasia e de romances têm aqui uma obra-prima.
 
Luís Pinto

 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

QUANDO A LUZ SE APAGA

 
Autor: Nick Clark Windo
 
Título original: The Feed
 
 
 
 
Sinopse: Bem-vindo ao incrível mundo do Feed!
Com apenas um pequeno chip, implantado no cérebro dos bebés ainda antes de nascerem, todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos. Crimes violentos? Fraude? Impossível, tudo o que vemos é registado no Feed. Desaparecimentos? Faltas? Já não existem, o Feed põe-nos a todos em contacto. Esquecimentos? Distrações? Coisa do passado, o Feed não se esquece de nada.
Até ao dia em que o Feed é desligado.
Nesse dia, o Presidente dos Estados Unidos é assassinado, em direto, para todo o mundo. Pouco depois, o Feed cai. Já não há livros. Já ninguém tem computadores. Já ninguém se lembra, sequer, de como consertar as coisas mais simples. Toda a informação estava guardada no Feed. Sem ele, a civilização desaba.
 
 
 
A nossa vida é depende de muita coisa. Coisas que damos como garantidas, que provavelmente nem sabemos como funcionam, nem o que é preciso para a podermos usar. Água, luz, usamos sem pensar, e só lhes damos valor quando nos faltam. A nossa vida a mudar porque durante umas horas a água falta em casa. E se fosse a internet? E fosse o combustível? A sociedade leva-nos a depender de algo, sem questionar... Este livro fala sobre isso, e foi por isso que decidi lê-lo. Porque se certos alicerces da sociedade falharem, como poderemos adaptar-nos?
 
Coerente e inteligente, este livro tem um ritmo muito próprio, que muda entre algo mais rápido para aumentar a intensidade e os momentos mais lentos que ajudam a estruturar a sociedade do enredo. Não é, por vários motivos, um livro para qualquer leitor. É preciso gostar do género, é preciso estar atento, é preciso aceitar a nossa natureza animal que é moldada pela sociedade. É preciso aceitar que tudo pode mudar de repente.
 
Claro que para tornar o livro mais forte e para ter maior impacto no leitor, o autor explora, de forma dura, uma realidade que até poderá não fazer sentido aos nossos olhos, mas que dentro deste mundo, faz, e com coerência. Aceitando esta realidade, vemos como tudo encaixa muito bem, mesmo perante um final que nos deixa a pensar, mas que desde o início nos deu pistas para o que estava para vir.
 
Com personagens interessantes e uma estrutura que é um dos trunfos do livro, o autor conseguiu agarrar-me porque, ao contrário de muitas distopias lançadas no mercado, rapidamente se percebe que este livro foi pensado com pés e cabeça.
 
Devido à sua ideia base e também ao seu final, nem todos os leitores irão apreciar este livro, mas a qualidade está aqui, com uma ideia que vai a um extremo para questionar a nossa atual sociedade, passando uma crítica e uma lição que devemos questionar e aprofundar.
 
Se gostam do género, é claramente um livro a ler. Uma leitura a reler, daqui a uns anos, para perceber se estamos mais próximos ou mais longe da dependência e pânico que este livro conseguiu recriar.
 
Luís Pinto
 
 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

MERIDIANO 28


Autor: Joel Neto



Sinopse: Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da história da humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos.
Do mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan American faziam desembarcar estrelas do cinema e da música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se ao ténis e ao croquet. Dançava-se o jazz.
Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.
Poderia um agente nazi ter-se escondido nos Açores, consumada a derrota de Hitler?
QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?






Se seguem o meu blog, então devem saber que gosto bastante de livros que abordem a Segunda Guerra Mundial. Já li muito e muitos livros sobre o tema, de ficção ou não, e por isso admito que já não é fácil um livro encher-me as medidas neste tema. No entanto, olhei para esta obra, li a sinopse e houve qualquer coisa que me chamou a atenção. Provavelmente foi a sua originalidade no ponto de vista que estavam naquelas palavras. Decidi que deveria lê-lo.
 
Meridiano 28 é uma história diferente que aborda o famoso conflito de forma suave, apenas como base para um romance que explora outros pontos de vista do conflito, num local que para o conflito tem tanto de importante como de insignificante, um local de que o conflito se pode esquecer, mas onde as pessoas não esquecem o conflito. Apenas o vivem de forma diferente.
 
E é com esta base, bem explorada na sinopse, que o autor vai criando o seu romance, aprofundando personagens credíveis num enredo interessante, bem montado e com um ritmo pausado para explorar, principalmente, a base social. O resultado é um livro que apesar de focado nas personagens, tem na sua base, e como trunfo, uma abordagem e um aprofundar muito interessante à sociedade. Ao olhar para esta sociedade, o autor explorar como as pessoas se adaptaram, o que mudou, como viam o conflito, que jogos de interesse existiam, que peso tinha aquela sociedade no conflito e que peso tinha o conflito nelas. Sendo a Segunda Guerra um choque de ideais (o normal na maioria dos conflitos) é interessante ver este ponto de vista claramente singular, e foi isso que mais gostei no livro.
 
Quando acabei estas páginas, senti que o trunfo está na escrita do autor, na abordagem escolhida e também no enredo simples, mas praticamente sem momentos forçados que nos tentam oferecer um ponto de vista realista. No entanto, aquilo que mais gostei foi a abordagem ao tema, o quanto este influenciou uma sociedade e várias gerações, tanto as que a viveram, como as futuras. Este é um livro simples, mas inteligente na sua essência e capaz de nos levar a pensar e a compreender mais um ponto de vista raramente abordado sobre este conflito.
 
Luís Pinto 

 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Star Wars: Han Solo

 
Autor: Marjorie Liu
 
 
 
Sinopse: O charmoso e cínico Han Solo, uma das personagens mais queridas pelos fãs de Star Wars, estreia a sua aventura!
Uma aventura situada entre os filmes Uma nova Esperança e O Império contra-ataca, Han Solo é de novo um herói relutante que acede não muito convencido a fazer um favor a Leia procurando descobrir um traidor na Rebelião.
Apertem os cintos para a corrida definitiva! a nossa aposta é para Han e a Falcão Milenário… mas não é em vão, é a nave que ultrapassou o Corredor Kessel em menos doze parsecs!
 
 
 
 
 
A Disney continua a explorar o Universo Star Wars e tal como se esperava, o sucesso tem sido imenso na grande maioria dos casos. No entanto, confesso que o que mais me surpreendeu foi a qualidade nesta série de comics que junta Star Wars e Marvel para a criação de várias pequenas séries que exploram as aventuras dos personagens mais famosos.

Claro que nestes livros as sérias mais famosas são as de Darth Vader e também a principal que segue Luke, Han e Leia. No entanto, pelo meio têm aparecido alguns livros mais focados noutras personagens, como por exemplo este Han Solo. Sendo um livro que se situa após o Episódio IV, temos aqui Han Solo na fase em que ainda tem de ser convencido a ajudar os Rebeldes e gostei da forma como os autores abordaram esta questão a nível psicológico. Pelo meio continuamos a ver algumas personagens conhecidas e a perceber um pouco mais como toda esta guerra evoluiu, como era sustentada e até com alguns toques de espionagem, jogo de intrigas e muitas movimentações de bastidores.

Com a editora Planeta a continuar com o excelente nível de qualidade dos materiais, tanto no papel como na capa dura, as ilustrações estão muito boas, num estilo próprio e que encaixa muito bem na intensidade que Star Wars pede. O enredo está bem conseguido, fundamentalmente pela forma como explora Solo e como este vê a guerra, os Rebeldes e o Império. Se são fãs de Star Wars, tem de estar na vossa estante, até porque com os contínuos lançamentos da Planeta, faz cada vez mais uma estante muito bonita.
 
Luís Pinto
 
 

quarta-feira, 4 de julho de 2018

HISTÓRIA DAS SEITAS E SOCIEDADES SECRETAS


Autor: Bernard Michal & Jean Renald




Sinopse:  O que é uma seita? E uma sociedade secreta?
Que mistérios e segredos as unem e as distinguem?
As seitas são apenas religiosas ou podem assumir um
cariz político ou filosófico?
A História das Seitas e Sociedades Secretas apresenta as mais importantes e influentes seitas e sociedades secretas que surgiram ao longo dos tempos, detalhando as suas origens e os enigmas que as envolvem, e analisando a sua importância no contexto histórico, social, político e religioso em que surgiram.
Das seitas da Cristandade antiga e medieval à Franco-Maçonaria, dos Carbonários à Máfia, este livro dá a conhecer os mais obscuros segredos de organizações que deixaram, e ainda deixam, uma marca no imaginário da História universal.
 

 
Este livro chamou-me a atenção porque me pareceu um livro focado em factos históricos e não em teorias da conspiração e outras especulações. E a verdade é exatamente essa. Apesar de ter sempre alguma especulação, até porque o próprio tema e algum desconhecimento assim o obriga, este livro consegue focar-se nos factos, explorar muito do que foi escrito, analisando documentos e a partir daí fazer as ligações necessárias.
 
Por ser um livro que aborda várias seitas e sociedades secretas, não existe aqui uma sensação de tema esgotado, ou de uma leitura pesada ou enfadonha, pois a forma como o autor vai explorando cada caso ajuda a que o livro seja sempre diferente e até com ligações entre seitas e/ou sociedades que numa fase inicial não pareciam existir.
 
Para além desta capacidade do autor de ligar vários temas, também da escrita e da forma como o autor aborda o essencial em cada caso, dando o contexto necessário, quer histórico, social ou político, para que o leitor perceba os contextos em que estas seitas foram criadas, como e onde atuaram, quais os seus objetivos e como foram evoluindo, atrás, ou à frente da sociedade que os envolve.
 
Com isto o autor aborda bastante o que eu procurava neste livro, uma abordagem histórica e muito focada nas questões religiosa, filosóficas ou políticas que levaram à criação e atuação destas seitas e sociedades. E foi graças a isto que o livro nunca se tornou numa leitura difícil, porque caminhou nos caminhos que eu procurava, sem grandes especulações e com uma base consistente e coerente que me fez avançar e continuar a ter vontade de ler mais.
 
É, contudo, um livro acessível, não sendo o livro mais completo dentro do tema, mas conseguindo, sem se tornar demasiado académico, ensinar bastante ao leitor. Se procuram uma leitura sobre este tema que seja uma boa introdução, bem estruturado e consistente, este é um livro a ter.
 
Luís Pinto
 
 

terça-feira, 3 de julho de 2018

LAMENTÁVEL MUNDO NOVO


Autor: Stephen D. King




Sinopse: Porque está a globalização a ser rejeitada? Como será um mundo governado por Estados rivais com objetivos incompatíveis? E a que becos sem saída nos conduzirão as políticas nacionalistas? Nesta obra provocadora, o reputado economista Stephen D. King responde a estas e outras perguntas ao mesmo tempo que analisa o significado do fim da globalização para a prosperidade, a paz e a ordem económica global.




O fim da globalização é um tema cada vez mais falado, principalmente porque a estatísticas diz-nos que deverá acontecer. Decidi ler este livro para ter um melhor conhecimento sobre este tema, sobre esta teoria e os factos em que se sustenta.

Stephen D. King tem uma escrita direta, quase crua, que nos leva a grande velocidade para o contexto do livro. O leitor rapidamente começa a perceber a base que sustenta esta teoria com exemplos passados e também com os sinais atuais que já se podem encontrar. Claro que este é um livro que levará o leitor a pensar e a procurar as suas próprias teorias, e, provavelmente, esse é o objetivo do livro, o de nos preparar para os possíveis sinais que iremos encontrar nos próximos anos.

Gostei da forma como o autor abordou o tema. Direta, crua, por vezes com o claro intuito de chocar para nos levar a questionar e a perceber melhor esta teoria. No entanto, o livro nunca parece forçado porque está bem sustentado nos exemplos que o autor vai explorando e que fazem parte da nossa História. Com a economia a ser um já comprovado ciclo, o autor baseia-a nas leis do mercado e da micro e macro economia para nos levar por um caminho perturbador. Claro que sendo um livro para qualquer leitor ver, o autor não perde tempo a explicar de forma pormenorizada essas leis que regem a economia mundial, mas explica o suficiente para percebermos como tudo se mantém, quais os próximos passos políticos esperados e o que podemos esperar dos próximos anos se continuarmos neste caminho.

Obviamente, os mercados não são uma ciência exata, e por isso este livro baseia-se numa teoria. No entanto, esta é uma teoria bastante aceite e com grandes possibilidades de se concretizar. Se apreciam o tema e querem explorar um pouco mais as questões da globalização económica, então este é um livro a ler.

Luís Pinto


quinta-feira, 28 de junho de 2018

O CAMINHO DAS MÃOS


Autor: Steven Erikson



Sinopse: Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.
No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta… 


Neste terceiro livro de Steven Erikson, a qualidade continua muito alta. Quando comecei esta saga, já conhecia a enorme legião de fãs espalhados por todo o mundo que veneram estes livros, considerada como uma das melhores de sempre da fantasia. Quando a Saída de Emergência começou a lançar estes livros percebi que estava na altura de mergulhar no Império Malazano e explorar este novo mundo e a cada livro fica melhor, ao ponto de acabar um livro e desejar que a editora lance logo o próximo.

Esta saga divide-se em dois grandes trunfos. O primeiro são as personagens, muito bem criadas e com muita densidade e história, não só as principais mas também as secundárias. Sendo os personagens o grande motor desta saga, é muito interessante ver o quanto o autor explora os passados de alguns personagens e os encaixa na história. Ao fim de três livros, e com tantas e tantas personagens criadas, não me sinto confuso e tenho a noção de que conheço de forma profunda algumas personagens importantes e com peso no enredo. A questão é que o autor continua a aumentar o leque de personagens e a abrir o espetro, levando-nos para níveis de densidade e de complexidade que poucas sagas atingiram, e ainda só estamos no terceiro livro...

E é pela visão das personagens que chegamos ao segundo trunfo desta saga até agora, o mundo. Com o autor a saltar entre várias personagens, quase apagando a linha que separa das personagens principais das outras, o autor a cada capítulo explora mais e mais o mundo, não só no tempo presente, mas fundamentalmente no passado, para nos dar uma base coerente e bastante sólida deste mundo que vamos conhecendo. Com isto, e quase fazendo lembrar "A guerra dos tronos" pela forma como este mundo é explorado, fica a noção clara de que esta saga ainda tem muito para dar, e muito que já "deu" mas que nós ainda não sabemos. Existem momentos neste livro que fazem todo o sentido quando nos lembramos de algo que aconteceu no primeiro livro e que parecia insignificante, e é esta noção de plenitude e de ligação entre acontecimentos que torna esta saga fantástica.

É verdade que a saga é enorme e que ainda estou apenas no início, mas em termos de qualidade, poucas sagas conseguem no início apresentar um nível tão alto. Se gostam de fantasia, claramente que têm de ler estes livros.

Luís Pinto


sexta-feira, 22 de junho de 2018

OS ALTOS E BAIXOS DO MEU CORAÇÃO


Autor: Becky Albertalli

Título original: The Upside of Unrequited



Sinopse: Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.
Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.
Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?



Becky Albertalli é a autora do famoso livro "O coração de Simon contra o mundo", já adaptado ao cinema, e que foi um sucesso de vendas entre leitores de várias idades. Agora, a autora regressa com mais um livro sobre amores adolescentes, com todos os seus extremismos e dúvidas, paixões e desgostos, altos e baixos.

Como poderão ver na sinopse, Molly é a personagem principal, uma adolescente com a qual é fácil simpatizar apesar das suas constantes dúvidas a contrastar com os momentos de decisão. Estes são os altos e baixos dos adolescentes e a autora faz um trabalho muito interessante ao explorar a mentalidade destes jovens que começam a sentir o que é o amor sem o perceberem.

Com uma escrita simples e objetiva, a autora oferece um livro com ritmo rápido, sem se perder demasiado no que rodeia algumas personagens e oferecendo uma visão rápida sobre as características essenciais de cada personagem para que o leitor sinta rapidamente que as conhece. O resultado é uma leitura rápida e agradável, porque para além dos momentos mais emocionantes, existem muitos momentos cómicos e outros que nos levam a pensar. Todos, de uma forma ou de outra, passámos pela adolescência, e é fácil vermos certos momentos neste livro que são parecidos a algo que vivemos ou que um conhecido nosso viveu. É, apesar de ter alguns momentos forçados, um livro realista e que nos fará sorrir.

Com o livro de Simon a minha curiosidade por esta autora aumentou. Este livro é original, apesar de ter alguns momentos forçados ou menos coerentes, mas no global é uma leitura inteligente, bem estruturada e pensada. Não consegue chegar ao nível do livro de Simon porque não consegue explorar tão bem a mente da personagem principal nem de alguns temas que em Simon foram muito bem aprofundados graças a personagens secundárias bem criadas. No entanto, este é um bom livro, que agradará aos fãs do género, e que será uma boa leitura para este verão.

Luís Pinto



quinta-feira, 21 de junho de 2018

Passatempo : Call of Duty - Vencedor



PASSATEMPO

Call of Duty

Vencedor!



Consigo finalmente anunciar o vencedor deste blog. Em primeiro lugar, volto a agradecer a todos os que tornaram este passatempo possível e peço imensas desculpas a todos os leitores que esperaram durante bastante tempo por este resultado. Infelizmente, alguns problemas pessoais deixaram-me completamente sem tempo disponível para os meus blogs.

Para compensar todos os leitores, terei novos passatempos já nos próximos dias!




E o vencedor é:


João F. Almeida Oliveira

Parabéns ao vencedor e muito obrigado a todos os que participaram!

AS JANELAS DO CÉU


Autor: Gonzalo Giner

Título original: Las ventanas del cielo




Sinopse: Na Idade Média houve quem erguesse magnas catedrais, mas foram os mestres vidreiros quem as transformou nas janelas do céu.
No século XV, Hugo de Covarrubias decide que não quer tomar as rédeas do negócio do pai, um mercador de lãs. Esta decisão faz que parta de Burgos em busca da sua vocação, votando ao abandono o negócio familiar, o ambicioso meio-irmão Damián, e Berenguela, o seu grande amor.
No entanto, tudo muda quando descobre que o pai está a ser atraiçoado e vê-se obrigado a fugir para salvar a vida num baleeiro basco e conhece Azerwan, um homem fascinante que se define como contador de lendas e com quem iniciará em África um prometedor negócio de venda de sal.
Tudo corria bem até que uma vingança o obriga a fugir de novo, desta vez com uma mulher e um extraordinário falcão, em busca do seu verdadeiro destino: aprender a arte dos vitrais.
Um romance épico com panos de fundo variados numa época em que as antigas catedrais se foram abrindo para se transformarem em autênticos sacrários de vidro, perante os quais os fiéis acreditavam estar junto das Janelas do Céu.



Este é o primeiro livro que leio de Gonzalo Giner e confesso que me surpreendeu. Em primeiro lugar gostei da escrita do autor, capaz de ter um bom ritmo mas sem deixar de explorar o necessário para o leitor se sentir a viajar nesta época. A capacidade de um autor de levar um leitor até uma época histórica é sempre importante, seja qual for a época em questão, e Giner consegue-o com um bom trabalho de investigação que resulta em detalhes em cada páginas que nos fazem visualizar muito melhor a sociedade em questão, tanto nos aspetos políticos, económicos e religiosos, mas também ao explorar a forma como se vivia, os receios, os objetivos, as crenças. Com isto, todo o livro parece muito mais coerente e bem estruturado.

Gostei do personagem principal, sendo ele a nossa janela para este mundo. Hugo tem tanto de personagem deste mundo como de outro, misturando lógica com sonhos, receios com coragem, tornando-o numa personagem bastante credível, o que é fundamental para um livro grande e que aprofunda a natureza humana de uma forma muito mais intensa do que eu esperava.

Existem alguns momentos mais forçados, mas nota-se que o autor tenta sempre equilibrar a balança, para que as coisas não pareçam incoerentes, mesmo quando é preciso surpreender o leitor. No entanto, o livro raramente é óbvio, acabando por tocar em certos temas e áreas que tornam o livro mais maduro e mais abrangente. Gostava, no entanto, que o livro tivesse explorado um pouco mais algumas personagens secundárias que me pareçam bem criadas e com mais para dar, mas claro, isso tornaria o livro ainda maior.

Globalmente este livro foi uma surpresa. Gostei da escrita, do tema, mas principalmente do olhar sobre a natureza humana, sobre a sociedade, sobre o que nos condiciona desde que nascemos. Se apreciam livro desta época histórica, então poderão ter aqui uma leitura que vos surpreenda como me surpreendeu a mim. Não é uma obra prima, mas é um dos melhores livros que li este ano neste género.

Luís Pinto


quinta-feira, 14 de junho de 2018

A RESIGNAÇÃO


Autor: Luís Miguel Rocha



Sinopse: Em dezembro de 2012, Bento XVI recebeu de uma comissão de cardeais um relatório de 300 páginas sobre o mediático caso “Vatileaks”.
Dois meses depois, no dia 11 de fevereiro de 2013, evocando razões de saúde, e ciente da gravidade da sua decisão, o Papa anunciou ao mundo que resignaria ao trono de São Pedro. Não se sentia capaz, física e espiritualmente, para continuar a exercer o cargo.
Que segredos comprometedores guarda o extenso relatório? A resignação terá acontecido por razões de saúde, como o Bento XVI anunciou, ou por pressões políticas que jamais serão tornadas públicas?
Os mistérios de tão inesperada decisão serão agora revelados.



Luís Miguel Rocha, autor que nos abandonou demasiado cedo, no ano de 2015, foi um autor que mereceu todo o sucesso que teve, não só pela sua simpatia e humildade, mas também pela grande qualidade dos seus livros, que rivalizam, em termos de qualidade, com grandes escritores do seu género.

Este livro, o primeiro livro de ficção lançado após a sua morte, tem uma base muito interessante que poderão ler na sinopse. A partir daí, e com uma interessante e viciante forma de explorar toda a investigação que terá feito, LMR avança, como de costume, com inteligência num enredo que tem tudo para nos deixar agarrados. Dúvidas, conspirações, política, jogo de interesses... um bocadinho de tudo num livro bem montado e que, apesar de não ser o seu melhor, consegue ser muito bom, e um dos melhores livros que li deste género neste ano que agora vai a meio.

Gostei dos personagens principais, alguns um pouco óbvios, outros com a capacidade de me surpreenderem com decisões coerentes mas inesperadas. Pelo meio, ação e ritmo intenso, com os diálogos a serem objetivos o suficiente para não cortarem a velocidade de leitura. Claro que existem alguns momentos mais forçados, montados de forma a deixar-nos na dúvida e que em alguns casos poderiam ser sido feitos de forma diferente, mas no global este é um enredo coerente, e que desde o primeiro momento sabe para onde vai.

Globalmente este é um livro bem estruturado, bem pensado e que usa uma base vencedora. É muito fácil ficarmos viciados nestas páginas e mesmo sabendo que conseguiremos adivinhar algumas das coisas que irão acontecer nas páginas seguintes, iremos ler sem parar, esperando que a conspiração se revele, enquanto se criam novas dúvidas. Como já disse, este não é, em termos de qualidade, o melhor livro de LMR, mas se gostam dos livros do autor, então esta obra tem de estar na vossa estante. Muito viciante!

Luís Pinto


quarta-feira, 13 de junho de 2018

OS HUMANOS


Autor: Matt Haig

Título original: The Humans




Sinopse: E se a terra fosse o planeta mais absurdo do universo? O professor Andrew Martin, génio matemático, acaba de descobrir a chave para os maiores mistérios do Universo.
Ninguém sabe do salto que isto representará para a Humanidade… exceto seres evoluídos de outro planeta. Determinados a impedir que esta revelação caia nas mãos de uma espécie tão primitiva quanto os humanos, estes seres enviam um emissário para destruir as provas. E é assim que um alien intruso, completamente alheio aos costumes, chega à Terra. Rapidamente, ele descobre que os humanos são horrendos e têm hábitos ridículos — comida dentro de embalagens, corpos dentro de roupas e indiferença por trás de sorrisos… Esta espécie não faz sentido!
Durante a sua missão, sob a pele e identidade de Andrew Martin, este alien sente-se perdido e odeia todos os terráqueos. Exceto, talvez, Newton, um cão. Contudo, quanto mais se envolve com os que o rodeiam mais fica a perceber de amor, perda, família; e de repente está contagiado: será que afinal há qualquer coisa de extraordinário na imperfeição humana?


Quando li esta sinopse, e sabendo que o livro era de Matt Haig, percebi que não poderia deixar passar a oportunidade de ler este enredo. Tal como noutros livros, Haig tem um escrita inteligente, objetiva e capaz de nos fazer sorrir.

Se lerem a sinopse, perceberão que a base é quase absurda ou bizarra, mas também de imediato percebemos que tem muito para dar. A ideia, original, é claramente uma base que pode ser bem usada para explorar a nossa natureza mas também a nossa sociedade. E é exatamente isso que este enredo faz, porque explora, aprofunda, critica e olha para nós de forma diferente, ingénua, pouco condicionada ao que nos é incutido durante anos. E é assim que este livro se torna bom, porque o autor consegue abstrair-se dos preconceitos da sociedade, tanto os bons como os maus, para explorar o que nos rodeia, e com isso o leitor é levado a pensar.

Tal como, por exemplo, Douglas Adams fez em "À boleia pela galáxia", também Haig diverte mas sem nunca deixar de alimentar um espírito crítico que torna a leitura adulta e inteligente. A capacidade de analisar e criticar com inteligência é um trunfo de alguns escritores e aqui Haig demonstra que tem essa capacidade. O enredo em si é bom, pensado e com tanto de coerente como de absurdo, mas sem nunca deixar de seguir o seu propósito, que é oferecer ao leitor uma visão diferente do que é a nossa sociedade e, principalmente, do que é ser humano e no limite, ser vivo. Amor, ódio, ganância, inveja, mentira, são tudo capacidades que, apesar de não serem exclusivas nossas, são reformadas na nossa essência humana, e é isso que Haig aprofunda, com um livro soberbo.

Luís Pinto


segunda-feira, 11 de junho de 2018

O CAÇADOR


Autor: Lars Kepler

Título original: Kaninjägaren



Sinopse: A noite tinha acabado de cair, quando Sofia entra numa mansão nos arredores de Estocolmo, onde o seu cliente - um homem muito abastado que nunca viu - a espera. Talvez seja por isso que Sofia avança furtivamente, como um animal selvagem. Enquanto atravessa o grande salão, tentando memorizar todos os detalhes, Sofia não imagina quem é o homem que a escolheu para aquela noite. Nem ele imagina que dentro em breve se encontrará frente a frente com um assassino implacável e meticuloso, que não deixa vestígios nem pistas.
Limitar o círculo de eventuais alvos torna-se um verdadeiro pesadelo para a Polícia, embora na mira se encontrem personalidades proeminentes do país. E, para tentar resolver o mistério, a Polícia terá de contar com a ajuda do ex-comissário Joona Linna, há dois anos a cumprir pena na prisão de alta segurança de Kumla. Infiltrado e trabalhando em estreita parceria com a agente especial Saga Bauer, Joona Linna tudo fará para travar «o caçador» antes que seja tarde de mais ou que o caçador os cace a eles…



Um dos mais famosos nomes dos policiais está de volta, Lars Kepler. Uma vez mais, o livro foca-se em Joona, o já famoso personagem da saga que tem ganho fãs por todo o mundo.

Este é, tal como os livros anteriores, um livro que vai aumentando a intensidade durante a leitura. A narrativa é feita para nos deixar sempre com dúvidas e para criarmos a nossa investigação, com pontas soltas dispersas que aumentam a necessidade de ler. Para quem já tenha lido alguns livros de Kepler, poderá encontrar os mesmos erros que nos livros anteriores, principalmente na forma como força certas incertezas ao cortar a narrativa no momento em que algumas perguntas deveriam ser feitas. Este é um truque bastante usado pelos escritores, e Kepler não foge à regra. O enredo é bem construído, mas, novamente, sinto que existem aqui saltos que não fazem sentido, sendo apenas feitos para obrigar o leitor a continuar a ler.

Pelo meio, continuo a gostar bastante da personagem principal. Joona tem crescido e sido aprofundado a cada livro, sendo o grande trunfo do enredo, principalmente pela forma como encara certas situações e como o próprio enredo encaixa na sua personalidade. O livro é feito para ele, e tal nota-se com facilidade.

Um dos aspetos mais positivo deste livro é o seu ritmo, apesar de por vezes não ajudar à qualidade do enredo. Kepler cria uma narrativa intensa e que nos obriga a continuar a ler e com isso alguns momentos são forçados, outros são mal explicados e outros são surpreendentes, levando-nos a continuar. E é assim que este livro avança, de forma frenética, viciante, mas com alguns erros. Aliás, Kepler sempre teve erros em todos os seus livros, afastando-os da qualidade de livros de culto e obras primas, mas também sempre conseguiu ser intenso e viciante o suficiente para criar a legião de fãs que tem por todo o mundo. O que quero dizer com isto é que se gostam de Kepler, aqui está mais um livro que irão apreciar bastante, com algumas reviravoltas interessantes, mas também é verdade que alguns momentos do livro são forçados para não nos darem tempo para questionar algo que na realidade não está bem.

Se gostam de Lars Kepler, então este livro é para vocês, pois tem todos os ingredientes que tornaram esta saga famosa, e que, provavelmente, não acabará por aqui.

Luís Pinto


segunda-feira, 4 de junho de 2018

A GUERRA FRIA: Uma História do mundo


Autor: Odd Arne Westad

Título original: The cold war - A world History





Sinopse: «A Guerra Fria não decidiu tudo, mas influenciou a maior parte das coisas, com frequência para pior: o confronto ajudou a cimentar um mundo dominado por superpotências, um mundo em que o poder e a violência - ou a ameaça de violência - representavam a bitola pela qual se regiam as relações internacionais, e em que as crenças tendiam para o absoluto: só o nosso sistema era bom. O outro era, inerentemente, maléfico. Estava montado o palco para uma competição intensa, em que o objetivo era, no limite, a sobrevivência do mundo.»



Este é, muito provavelmente, o melhor livro que li sobre este tema. Numa obra grande e densa, o autor explora como poucos o que aconteceu na época da guerra fria e, principalmente, os efeitos que se sentiram durante anos (e que ainda estamos a sentir).

Com uma escrita direta e capaz de nos dar um enorme contexto e conhecimento, o autor monta lentamente um livro que tenta abordar todos os assuntos relativos à guerra fria, criando, obviamente, um livro lento mas cheio de conhecimento a cada página. O resultado é um livro que demora a ser lido, mas que nos ensina bastante com grande facilidade, pois o autor investe bastante da sua escrita a dar contexto ao leitor para que não se sinta perdido. 

Com uma montagem excelente, criando um bom fluxo de leitura, o autor demonstra um grande trabalho de investigação e um conhecimento profundo que tem como resultado a capacidade de criar uma leitura que apesar de abordar um tema tão vasto, consegue ter um caminho lógico, não sendo uma leitura "esparguete". O resultado final é um livro que apenas agradará ao que tenham bastante interessante pelo assunto e queiram um conhecimento profundo do mesmo, mas para os que lerem todas as páginas, irá compensar.

Não existe muito mais que possa dizer sobre este livro. A verdade é que aprendi bastante sobre o tema e recomendo-o a qualquer leitor que goste do assunto e se sinta com coragem para mergulhar nestas centenas de páginas. Se é o vosso caso, então é um livro obrigatório.

Luís Pinto

quinta-feira, 24 de maio de 2018

SEM SAÍDA


Autor: Taylor Adams

Título original: No exit



Sinopse: Uma forte tempestade de neve.
Darby Thorne é uma estudante universitária que se encontra a viajar de carro no meio das Montanhas Rochosas, desesperada para ir ter com a mãe ao hospital. Quando é atingida por um forte nevão, Darby é obrigada a permanecer numa área de repouso junto à estrada.
Quatro estranhos e uma criança raptada. Darby percebe que terá de pernoitar ali, juntamente com quatro estranhos. Até que descobre uma menina numa jaula dentro de um dos carros estacionados em frente à área de repouso. Quem é aquela criança? Porque se encontra presa? E qual dos quatro estranhos será o raptor?
Sem saber em quem confiar, o que fazer?
Não há rede de telemóvel, as linhas telefónicas não funcionam e não há por onde fugir, pois as estradas encontram-se cortadas devido à tempestade de neve.
Em quem poderá Darby confiar e como irá ela salvar a criança?



Achei a sinopse deste livro diferente do normal e decidi começar a ler. O género thriller está na moda e são muitos os novos autores que têm conseguido captar a atenção dos leitores, mas nem todos primam pela originalidade. Foi, provavelmente, por esse motivo que decidi ler estas páginas.

Globalmente, foi uma aposta muito positiva, mas vamos por partes. O autor tenta desde o início levar o leitor a consumir estas páginas sem parar, não nos dando tempo para questionar algumas coisas que podem parecer algo forçadas. A ideia é empurrar o leitor para um estado de total desconfiança, algo que o autor consegue com facilidade, e é aí que está o trunfo do livro. Com o ritmo elevado, o leitor não capta algumas inconsistências que o autor é obrigado a cometer para aumentar o suspense. Todavia, na segunda metade do livro os acontecimentos começam a encaixar, tornando o enredo mais coerente e inteligente. 

Outro aspeto interessante está na narrativa. A forma como o autor vai escrevendo as páginas torna tudo uma montanha russa de suspense e desconfiança, não só porque desconfiamos de todas as personagens, mas também da forma como o autor explora a própria história. Sendo um thriller que se desenrola durante muitas páginas num só local, gostei da forma como o autor explorou as personagens para que a ação não se tornasse demasiado repetitiva devido ao facto de estarmos perante poucas personagens. Para tal, o aprofundar das personagens é essencial, não só para percebermos as motivações e receios das mesmas, mas também para que certos valores morais encaixem com algumas decisões que de outra forma poderiam parecer forçados.

Com um final sempre a acelerar, gostei da forma coerente mas também arriscada com que o autor acaba este enredo. Ao olhar para trás, muito faz sentido se nos lembrarmos de alguns pormenores que fazem a diferença. Por outro lado, o suspense conseguiu agarrar-me ao ponto de ter lido o livro a grande velocidade. O resultado final foi uma leitura bastante viciante e intensa, algo que me surpreendeu. Se este é o vosso género, têm aqui uma leitura original e que vale a pena.

Luís Pinto 


quinta-feira, 10 de maio de 2018

A VIDA É YAMMI








Como todos vocês sabem, o foco deste blog não é o de falar sobre livros de culinária, até porque nem sequer percebo muito do assunto. No entanto, quando olhei para este livro, pensei que poderia falar sobre ele do ponto de vista de uma pessoa que cozinha diariamente mas sem dominar a área, que é o meu caso.

Decidi pegar então na Yammi e perceber até que ponto faria sentido uma pessoa como eu comprar este livro para fazer boas receitas e, de preferência, fáceis e rápidas.

Como qualquer livro de receitas, está dividido de forma intuitiva e gostei das imagens presentes em cada receita. É fácil perceber de imediato se será uma receita simples ou não, quando tempo demora e o que é preciso. Nada que outros livros já não tenham feito antes, mas é sempre um ponto essencial. Posto isto, decidi fazer todas as receitas do livro durante os últimos meses e ver se seria um livro a recomendar a alguém como eu e se estas receitas se adaptariam ao dia a dia para serem receitas uteis e que me poupassem tempo e trabalho.
 
Como em todos os livros de receitas, algumas das aqui presentes não voltarei a fazê-las, ou porque não gostei, ou porque não fazem sentido. A receita de ovos mexidos é boa, mas parece-me que pouco ou nada me beneficia em relação a fazê-los como sempre fiz. Por outro lado há receitas muito interessantes neste livro, não só na secção das bebidas (gostei de todas e já repeti várias), mas também nos pratos principais e nas entradas. Gostei, por exemplo, de fazer barritas de granola, pão, manteiga de amendoim, sopas, carbonara ou até Panna cotta. O trunfo não está apenas no resultado da receita, mas principalmente no quanto é mais fácil fazer tal receita na Yammi e não sem ela (pelo menos para mim).
 
Após alguns meses com este livro, a verdade é que repeti várias receitas, não só porque são boas mas porque se tornam mais simples com a Yammi. Como disse no início, nem todas as receitas voltarei a fazer, mas no geral este é um livro que me ajudou e que recomendo a quem procure novas receitas para a Yammi, ou até para outra máquina parecida, pois a verdade é que é possível adaptar com facilidade.
 
Luís Pinto

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A RAPARIGA QUE LIA NO METRO

 
Autor: Christine Féret-Fleury
 
 
 
Sinopse: De segunda a sexta-feira, sempre à mesma hora matutina, Juliette apanha o metro em Paris. Nesse caminho diário e rotineiro para um emprego cada vez mais rotineiro, a viagem na linha seis é a única oportunidade de que Juliette dispõe para sonhar.
Aos poucos, essa necessidade espelha-se na observação dos demais passageiros, pelo menos, daqueles que leem: a velha senhora que coleciona edições raras, o ornitólogo amador, a rapariga apaixonada que chora sempre na página 247. Com curiosidade e ternura, Juliette observa-os como se, pelas suas leituras, lhes adivinhasse as paixões, e a diversidade das suas existências pudesse dar cor à sua vida, tão monótona e previsível.
Até ao dia em que, seguindo um impulso invulgar, decide descer duas estações antes da paragem habitual - e esse gesto, aparentemente inocente e aleatório, acabará por se tornar o primeiro passo de uma experiência completamente alucinante e tão perturbadora quanto a de Alice no País das Maravilhas.
 
 
 
Este é um livro diferente dos que costumo ler. É um livro que por vezes parece um sonho, uma mistura de acontecimentos que nos levam a retirar lições de vida e a questionar a nossa própria rotina, mas sempre num ambiente suave e muitas vezes sorridente. Quando a sinopse menciona Alice no País das Maravilhas, revela um pouco a narrativa deste livro e também o seu alvo. Este é um livro adolescente e que por vezes é adulto com as mensagens que cria.
 
Gostei da escrita da autora, suave, sonhadora e capaz de explorar as personagens com inteligência. É, apesar de tudo, um livro com alguns clichés, levando a que algumas revelações não sejam surpreendentes mas que servem para criar momentos de lição de vida e que oferecem ao livro a maturidade para uma obra que se foca em adolescentes e que também agradará a adultos.
 
Para criar as várias situações de vida, a autora cria personagens bastante distintas, não só na posição social, mas também nas personalidades em si, e com isso o enredo avança, com aproximações ou afastamentos entre personagens, mas sempre com a capacidade de explorar esses acontecimentos e decisões. É, apesar de tudo, um livro que não devemos apenas ler, mas também sobre o qual refletir.  
 
Globalmente é um livro adolescente, com algumas falhas e momentos forçados, não sendo um livro que tem como propósito contar uma história fantásticas mas sim ensinar algo. É uma homenagem aos livros, aos leitores, aos escritores, e que deixará um leitor a sorrir. Um livro diferente e que tenta ser tão imprevisível como são as vidas de algumas personagens. Se procuram uma leitura diferente e se a sinopse vos deixou curiosos, então é um livro a ler e que certamente vos fará sorrir.
 
Luís Pinto
 
 

terça-feira, 8 de maio de 2018

Passatempo: Pack - Call of Duty



PASSATEMPO

Pack - Call of Duty


Comando PS4 Call of Duty

T-shirt Call of Duty WWII




Com os últimos passatempos a serem um sucesso, torna-se mais fácil conseguir novos passatempos, e desta vez oferecemos um comando para Playstation 4 e ainda uma t-shirt do famoso Call of Duty

 

 Uma vez mais temos uma parceria com o blog Tek Test e espero que seja um sucesso para que os passatempo possam continuar!
 

 
Aproveito ainda, como sempre, para agradecer a todos os que tornaram possível este passatempo!



 
Regras do passatempo:

- Apenas é permitida uma participação por pessoa.
- Tem de ser fã do blog Ler y Criticar (link aqui)
- Tem de ser fã do blog Tek Test (link aqui)
- Tem de seguir o canal Tek Test no Youtube (link aqui)
- O passatempo termina dia 19 de maio 
- Preencher o formulário abaixo

- O vencedor será contactado para indicar o tamanho de t-shirt

- Se partilharem o passatempo e indicarem um amigo na partilha, a vossa participação conta a dobrar (não é obrigatório para participarem)


Boa sorte a todos!







TENHO DE SABER

 
Autor: Karen Cleveland
 
Título original: Need to know
 
 
 
Sinopse: Ao perseguir uma célula de agentes russos adormecidos em território americano, uma analista da CIA descobre um terrível segredo. Vivian Miller é uma dedicada analista de contra-espionagem que tem por missão descobrir os chefes das células de agentes adormecidos a operar nos Estados Unidos.
Ao aceder ao computador de um possível operacional russo, Vivian tropeça num ficheiro secreto sobre agentes infiltrados em território americano. Depois de mais alguns cliques, tudo aquilo que para ela é importante - o trabalho, o marido e até os quatro filhos - se encontra ameaçado.
Karen Cleveland, a autora do fenómeno editorial do momento, trabalhou para a CIA como analista durante oito anos, os últimos seis ligados ao contraterrorismo.
 
 
 
Regresso uma vez mais à espionagem para ler o livro sensação de Karen Cleveland, um livro que tem sido bastante falado pela crítica internacional.
 
Em primeiro lugar é preciso afirmar que este livro agarra o leitor de imediato, sendo, claramente, um dos aspetos mais positivos desta narrativa. A autora começa com uma ideia interessante e bem explorada no primeiro terço do livro, sendo fácil as várias dúvidas levarem um leitor a criar várias perguntas e teorias. Com isso o livro torna-se bastante viciante e muitas dessas perguntas apenas terão resposta nas últimas páginas.
 
Gostei da personagem principal apesar de em alguns momentos as suas decisões me parecem algo forçadas, por não encaixarem muito bem na personagem, mas que se compreendem devido à situação em si. O ritmo da narrativa é irregular, sendo bem usado para criar momentos de tensão ou de sensação de urgência. O ritmo quase em montanha russa ajuda a explorar algumas personagens, mas sem nunca baixar demasiado o ritmo, até porque a cada resposta dada, uma nova questão é criada, levando a que se continue a ler a grande velocidade.
 
O enredo é inteligente e especialmente focado na parte emocional das personagens e nas suas decisões. Acaba, por isso, por não ser um enredo focado na espionagem em si, mas antes nas personagens que fazem a espionagem. Com isso, a narrativa torna-se bastante emotiva, explorando os receios e objetivos das personagens e, principalmente, o porquê de algumas decisões, sendo esta exploração bem conseguida mesmo naquelas decisões que são um pouco mais forçadas para que o suspense se mantenha.
 
Este é um livro muito viciante. Foge dos livros de espionagem pura e mistura boas doses de thriller num ritmo acelerado. O enredo é inteligente e montado à volta da personagem principal e apresenta um final algo previsível se estivermos atentos à construção das personagens, tornando-se num final coerente. Globalmente, e apesar de este livro não estar entre os melhores de espionagem, é fácil perceber o porquê de estar a ser tão falado nos países em que foi lançado. É viciante, agarra o leitor e leva-nos a questionar muitas personagens. Intenso e inteligente, agradará aos fãs do género thriller e espionagem rápida, e dentro do género de espionagem mais rápida este é um bom livro para se ler. Será, certamente, uma boa leitura de verão!
 
Luís Pinto