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quinta-feira, 19 de abril de 2018

CORVOS SANGRENTOS


Autor: Simon Scarrow

Título original: The blood crows




Sinopse: Durante dez longos anos, o Império Romano lutou incessantemente para manter o seu domínio na Britânia. Mas a oposição das tribos nativas, lideradas pelo implacável Carátaco, ameaça destruir tudo. O Perfeito Cato e o Centurião Macro são chamados pelo Governador Ostório a Londinium e encarregues de uma nova missão: liderar uma coorte em direção a Gales onde devem destruir toda e qualquer resistência.
Mas Carátaco já pôs em marcha um plano ambicioso e tanto o caos como a revolta irrompem no seio da legião de Macro e Cato. Testados até ao limite, os soldados sabem que, se não regressarem vitoriosos, será a governação do Imperador Cláudio a ser posta em causa. Em última instância, uma vitória do guerreiro Carátaco pode significar o colapso das próprias fundações do Império Romano.




Aqui está mais um livro de Cato e Macro. Estes dois romanos continuam a ser as personagens principais da famosa saga de Simon Scarrow que já conta com mais de dez livros. Aqui, Cato e Macro regressam para mais um enredo cheio de ação e intriga política. Após o fim do livro anterior, algumas perguntas ficaram no ar e o autor oferece as respostas necessárias para a continuação da saga.
 
Este é um livro mais virado para a ação na maioria do tempo, voltando a explorar bastante a vida dos soldados romanos em campanha. Scarrow sempre explorou bastante bem este tema e é um dos pontos que mais aprecio, principalmente porque o autor vai inserindo detalhes na narrativa sem baixar o ritmo. Claro que a amizade de Cato e Macro continua a ser explorada e novamente o autor pinta de cinzento algumas personagens secundárias e até o próprio inimigo, deixando sempre a ideia de que não é possível distinguir apenas os povos entre bons e maus. Obviamente que o autor explora mais as visões dos dois personagens principais, que acreditam em "certas moralidades" que podem, em alguns casos, chocar com o que irão encontrar na mentalidade de outros povos, mas nunca é tudo preto no branco, e isso agrada-me.
 
Gostei também de algumas personagens novas, mas acabam por ser as que já conhecemos que têm maior tempo de antena. Todavia, destaque para uma personagem, que não irei revelar, mas que sendo parte do inimigo, consegue aqui criar um interessante equilíbrio moral e social que dá qualidade ao livro. Claro que ao fim de 12 livros é mais fácil perceber para onde o enredo nos leva. Simon Scarrow repete alguns truques e as surpresas já não são tantas. A isso juntam-se alguns momentos mais forçados, mas que no geral pouco mancham um livro interessante e que mantém a qualidade da série.

Tal como já disse antes, Scarrow não atinge o patamar de obra prima com estes livros, mas poucas sagas sobre o Império Romano conseguem atingir este nível dentro deste género mais rápido. Para tal é bastante importante a ligação que se cria com as personagens principais, e mesmo tendo em conta que em alguns momentos podemos sentir alguma repetitividade com o que vai acontecendo tendo em conta livros anteriores, foi sempre uma leitura viciante e realista. Venha o próximo!
 
Luís Pinto
 
 

quinta-feira, 12 de abril de 2018

PRETORIANO


Autor: Simon Scarrow

Título original: Pretorian




Sinopse: A cidade de Roma em 50 d.C. é um lugar perigoso. A traição espreita a cada esquina e um obscuro movimento republicano, conhecido como os libertadores, cobre a cidade com os seus tentáculos. Teme-se que a próxima conspiração surja do coração da própria Guarda Pretoriana. Sem saber em quem pode confiar, o Secretário Imperial Narciso convoca a Roma dois dos seus homens mais corajosos e leais: os veteranos Macro e Cato.
Incumbidos da tarefa de infiltrarem a Guarda Pretoriana, Cato e Macro enfrentam um duro teste para ganharem a confiança dos seus camaradas. E quando finalmente estão prestes a descobrir os segredos da conspiração, surge um velho inimigo que os poderá denunciar, com consequências fatais. Será uma corrida contra o tempo para salvarem as próprias vidas antes que consigam revelar os nomes dos traidores que pretendem derrubar o Império?




Novamente regresso à Saga da Águia, a famosa saga de Simon Scarrow que gosto de ir lendo aos poucos. Tal como já disse algumas vezes, se tentasse ler esta saga de seguida, acredito que não conseguiria retirar todo o proveito que ela me pode oferecer. Assim, a cada dois ou três meses, tento regressar às aventuras de Cato e Macro, e por isso aqui estou eu de novo.

Como esperava, Scarrow mantém a sua escrita igual, rápida, focada nas ligações entre personagens e no que é a vida de um romano. Sempre apreciei bastante como Scarrow consegue explorar a vida e os hábitos dos romanos sem baixar o ritmo do livro, quer seja ao explorar a vida de um soldado em campanha ou em Roma.

Outro aspeto que me agrada em toda a saga e também neste livro é o cinzento de algumas personagens. Existe sempre a sensação de que a grande maioria das personagens tenta cumprir os seus objetivos, mas acima desses está quase sempre a sobrevivência, levando a grandes jogos de poder. Aliás, esta saga tem muito mais de jogos de bastidores e política do que de guerra sangrenta. E com isso a saga avança, sempre focada em Cato e Macro, na amizade, no choque de personalidades e no sentido de dever que os dois partilham.

A tudo isto junta-se o ligeiro toque da espionagem, muito presente no Império Romano, e que Scarrow usa com mestria. Claro que existem momentos forçados e alguns momentos mais óbvios, e também é verdade que é difícil sentir grande apreensão pela segurança de algumas personagens, mas a história é sempre viciante e gosto muito de ler sobre esta civilização.

Uma vez mais, Scarrow oferece um livro rápido, viciante e que me deixou com vontade de ler o próximo. Esta pode não ser a melhor saga sobre o Império Romano, mas é das mais agradáveis de ler. Sem criar obras primas, Scarrow consegue ligar o leitor às personagens, e com isso criou a sua legião de fãs espalhados por todo o mundo. Eu, continuarei a ler os próximos livros, esperando que a qualidade se mantenha.

Luís Pinto 


segunda-feira, 3 de abril de 2017

LEGIÃO


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Legion





Sinopse: Cato e Macro, dois soldados das legiões romanas, têm servido a causa dos Imperadores por todo o Império, desde a Bretanha até à Ilha de Creta, e enfrentam agora o caos que ameaça o Egipto.
O gladiador rebelde Ajax procura vingança pela morte do seu pai às mãos de Cato e Macro. Os seus homens têm-se disfarçado de soldados romanos e atacado bases navais, navios mercantes e cidades. Cato e Macro são encarregues da tarefa de perseguir o guerreiro renegado antes que percam o controlo da situação no território. Decidem juntar forças à Terceira Legião na esperança de destruir o seu inimigo no campo de batalha, mas o astuto gladiador colocou outros planos em movimento…
Uma história de vingança, traição e morte, Legião leva-nos numa grande jornada pelo rio Nilo acima no momento em que o Império Romano enfrenta um novo perigo.
Conseguirão Cato e Macro resistir à brutalidade dos seus inimigos? 



Este é o 10º livro da Saga da Águia e foi, talvez, o meu favorito até agora. A verdade é que o autor tem sido bastante consistente em todos os seus livros, sendo bastante difícil dizer que há livros melhores ou piores. A qualidade tem sido constante e os livros continuam viciantes, principalmente porque o autor vai mudando de cenários, mantendo uma boa base de intriga e de política que choca com a vida dos soldados nos campos de batalha. É este contraste que tantas vezes elevou a qualidade desta saga.

Claro que se tivesse tido os dez livros de seguida, provavelmente a sensação seria outra, talvez acabando por desgastar a própria leitura. Felizmente fui intervalando, tendo sempre a atenção de não ficar demasiado tempo sem voltar para não me esquecer dos detalhes importantes. Tal como nos últimos livros, o autor demonstra que já não há muito para explorar nas suas personagens principais, e assim foca-se noutras, "abrindo o leque" para que o enredo se torne mais consistente e abrangente. 

Tal como noutros livros, o grande trunfo está nas descrições das batalhas e na forma como o autor explora a vida dos soldados, tudo isto sem baixar demasiado o ritmo. É fácil sentirmos que estamos ali, no meio da batalha, e mesmo sabendo que os nossos personagens principais se irão manter (pelo menos é o que eu sinto), não é por isso que as batalhas são menos intensas.

Pelo meio, Scarrow continua a explorar questões política e sociais, explorando diferentes pontos de vista que os personagens vão presenciando. O contraste da forma como um soldados, que enfrenta o inimigo e vê como ele vive, olha para Roma e um político que nunca percebeu como vive ou pensa o inimigo que considera bárbaro, faz a diferença nesta saga, mesmo tendo em conta que o autor, par anão baixar o ritmo, nunca aprofunda demasiado o tema.

O que me fez apreciar mais este livro foi a inteligência do inimigo e os cenários egípcios, uma civilização que aprecio bastante, e que aqui me fez querer ler o livro ainda mais depressa. 

Já não falta muito para acabar esta saga e a continuar assim certamente tentarei lê-la. Daqui a uns tempos voltarei a este autor, para novas aventuras, com outros cenários, noutros locais. E duvido que o autor me desiluda.

Luís Pinto

segunda-feira, 6 de março de 2017

GLADIADOR


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Gladiator





Sinopse: Após uma campanha brutal contra a Pártia, os centuriões Macro e Cato navegam para Roma. Ao aproximarem-se da costa de Creta, a viagem é interrompida pelo abalo de um terramoto e quase perdem as vidas no mar. Com o navio severamente danificado, são forçados a dar à costa. E o que encontram é uma província mergulhada no caos. Os escravos aproveitaram o desastre natural para se revoltarem. Contra uma legião forte, não teriam hipóteses, mas a guarnição é fraca e os rebeldes começam a ganhar em todas as linhas. Apanhados de surpresa, Macro e Cato são forçados a lidar com uma rebelião que pode alastrar a todo o Império. Mas para isso terão de derrotar o líder dos rebeldes: Ajax, um gladiador que não teme a morte e é movido por um imenso desejo de vingança. Será que o fim do Império Romano pode estar na ponta da espada de um gladiador?




Este nono livro da saga da Águia é, em vários aspetos, o mais diferente de todos. Como podem ver pela sinopse, os personagens principais têm pela frente uma tarefa diferente da normal, dando ao autor a possibilidade de explorar outros temas e formas de executar a narrativa. O autor foge, e bem, de alguns temas já explorados na saga para conseguir explorar outros, com grande foco na revolta e no ódio dos escravos.

Com a atenção nesta realidade, a linha que separa os bons dos maus é bastante ténue em alguns momentos. Uma vez mais o autor não se limita a mostrar a imagem que alguns romanos têm de Roma, tornando o livro mais equilibrado. Para tal, explora as condições dos escravos, a vida de algumas personagens, as injustiças da sociedade e como são tratados pelos romanos. Graças a isso, é possível sentir o porquê da revolta e perceber como para esses escravos era preferível morrer a lutar do que continuar numa vida de escravidão.

Usando uma calamidade natural, o autor explora a possibilidade de um grupo de escravos arriscar tudo numa oportunidade que poderá, caso bem sucedida, alastrar por todo o império, podendo criar uma sensação de revolta e esperança que deve ser combatida pelos romanos para que o caos não seja instalado.  E é com estes dois pontos de vista que o livro avança, e bem, levando algumas personagens a importantes decisões que surpreendem mas são coerentes com o que conhecemos dos mesmo.

O que me agrada nesta saga é a facilidade como se lê e a consistência que tem. Ao fim de nove livros é fácil perceber que o autor nunca chega ao nível de obra prima, mas também nunca desilude. Como já disse, não conseguiria ler todos os livros de seguida, mas ao fazer intervalos, sempre que regresso a esta saga, regresso com vontade e a leitura é sempre muito agradável e viciante. Próximos livros daqui a uns tempos!

Luís Pinto




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

CENTURIÃO


Autor: Simon Scarrow

Título original: Centurion






Sinopse: No primeiro século d.C., o Império Romano enfrenta uma nova ameaça do seu inimigo de longa data, a Pártia. Os partos disputam com Roma o controlo por Palmira, um reino neutro e próspero. A casa real de Palmira encontra-se à beira da revolta, e Cato e Macro assumem o comando de uma missão perigosa para defender o rei e a sua guarda. Mas quando a Pártia descobre que as legiões romanas se preparam para um confronto, juntam os seus exércitos para a guerra. A coorte de Macro tem que marchar contra o inimigo e penetrar no coração do território traiçoeiro. Se querem evitar que Palmira caia nas mãos da Pártia, terão que derrotar números superiores num cerco desesperado. A conquista de paz nunca foi tão difícil, ou crítica, para o futuro do Império.


Uma vez mais regresso a esta enorme e viciante saga sobre o Império Romano, onde Cato e Macro são os personagens em destaque. O que me tem agradado nesta saga é a consistência do autor, apresentando novos desafios, ambientes e personagens que ajudam a que a saga nunca pareça demasiado repetitiva. O estilo permanece igual, com um ritmo elevado durante a grande maioria do tempo, com grande foco para a vida política de Roma mas também para o dia a dia dos soldados romanos. Esta mistura entre as duas classes sociais ajuda a que o autor continue a aumentar a sua visão sobre o império e o que o sustenta, sendo, inevitavelmente o que também o fará cair.

O autor continua a explorar de forma bem conseguida algumas personagens que não irei aqui revelar e que ajudam a que o enredo seja mais coeso, não sendo tão focado nas personagens principais como era no início da saga. A escrita mantém o seu estilo e agarra o leitor. Claro que é preciso gostar do tema e querer saber mais sobre a História deste império para se ler uma saga que no final terá mais de dez livros. No meu caso, ler esta saga de seguida acabaria por destruir a própria saga e o bom trabalho do autor, mas voltando aos poucos faz-me querer continua a ler e saber mais sobre como estas pessoas viviam, pois esse é um dos trunfos do autor, conseguir explorar a vida naquela época, como se viva nos acampamentos, como se preparavam as batalhas nos mais diferentes cenários de guerra.

Simon Scarrow tem aqui uma saga que é divertida mas que consegue ser pesada quando é preciso. A capacidade do autor de explorar os melhores e os piores aspectos de Roma é um grande trunfo que se mistura com o choque de culturas entre o império e os chamados povos bárbaros. Tudo isto, aliado a personagens cativantes, fazem-me continuar a ler. E é o que farei. Tal como já disse outras vezes, se gostam de histórias sobre o Império Romano, então esta saga deve ser lida.

Luís Pinto

domingo, 14 de agosto de 2016

OS GENERAIS


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Generals





Sinopse: Descubra a história que levou à invasão de Portugal pelas forças de Napoleão.

Napoleão Bonaparte e Duque de Wellington. Dois gigantes da História e um mundo pequeno de mais para os abarcar. Corre o ano de 1796 e tanto Arthur Wellesley (mais tarde conhecido por Duque de Wellington), como Bonaparte estão a deixar a sua marca como homens de reconhecido génio militar.
Comandante do 33.º Regimento de Infantaria, Wellesley é enviado para a Índia, onde as suas habilidades e coragem impressionam grandemente os seus superiores. No papel de comandante do Exército de Itália, Napoleão Bonaparte trava batalhas com sucesso e alcança uma rápida evolução política. Em 1804 proclama-se Imperador de França e ambiciona conquistar toda a Europa. Chegou o tempo para o futuro Duque de Wellington enfrentar Napoleão num combate épico que abalará o mundo e ficará registado para sempre na História.



Apesar de ser o segundo livro da saga que se foca em Napoleão e Wellesley, este é um livro que se lê bem de forma isolada, não sendo necessário ler o livro anterior. Claro que ler o livro anterior poderá melhorar esta leitura, mas a verdade é que eu não o fiz e foi na mesma uma boa leitura.
Este é o primeiro livro que leio do Scarrow fora da saga da Águia e apesar de se notar que se trata do mesmo autor, também se nota que existe aqui um esforço para contar a história de forma diferente. Na saga da Águia o autor foca-se nos personagens e na parte emocional dos mesmos, levando o leitor a sentir uma ligação e a preocupar-se. Aqui o foco é mais académico, levando a que o livro ganhe em conhecimentos mas a perder na emoção e interesse que poderá proporcionar à generalidade dos leitores.

Focado em Napoleão e  Wellesley, esta foi uma boa leitura para ganhar conhecimentos sobre uma época e duas personalidades sobre as quais sabia pouco. Neste aspeto o livro é fantástico, e devemos aplaudir a muito boa investigação histórica que o autor terá feito. O seu conhecimento é impressionante, resultando na sensação de que a cada página estamos a aprender algo sobre algo ou alguém. Tal nota-se ainda mais nas batalhas que o autor descreve com um detalhe de assinalar. É fácil visualizar o que está a acontecer e quase que estamos perante um estudo académico. Infelizmente, ao aumentar o detalhe e ao dar tanto conhecimento ao leitor, a emoção perde-se, porque o ritmo do livro é sempre baixo.

Outro aspeto muito positivo está no enorme contraste entre os dois personagens principais. O autor explora as diferenças de mentalidade política, religiosa e militar, mas também nas diferentes formas como Napoleão e Wellesley se dão com outras pessoas, quer aquela que conhecem na rua, ou o mais fiel amigo. Tal contraste está muito bem conseguido, mas, novamente, o ritmo do livro é penalizado.

Esta é uma daquelas obras que quando acabamos de ler sentimos que aprendemos bastante. Os conhecimentos que o autor nos dá estão em cada página e o interesse da leitura esteve nesse aspeto. A história perde por não ser o foco da nossa atenção, e o ritmo baixo não ajuda. Num olhar crítico este é um dos melhroes livros do autor, mas de um ponto de vista de um leitor que procure algo mais emocionante, aqui o livro não consegue estar ao nível do que o leitura me habituou na saga da Águia. Gostei deste livro e aprendi bastante, mas acredito que será muito mais apreciado por quem queira aprender sobre o tema principal e não por quem procura um bom livro de ação nos tempos medievais. 

Luís Pinto

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A ÁGUIA NO DESERTO


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle in the sand




Sinopse: Nas fronteiras orientais do Império Romano, na Judeia, as tropas romanas encontram-se num estado deplorável. Macro e Cato são enviados para restaurar a ordem e disciplina da coorte, mas enfrentam um outro desafio quando as tribos locais semeiam a revolta e incitam à oposição violenta a Roma. Quando a rebelião local cresce, Macro e Cato são forçados a lidar com a corrupção na coorte e restaurar a moral e força das tropas pois a não ser que as tribos sejam confrontadas, o Império poderá perder para sempre as províncias do Oriente...



Este é o sétimo livro da saga da Águia e o autor continua a apresentar uma história viciante e diferente o suficiente para me manter interessado. Aliás, ao ir mudando de cenários militares, geográficos e políticos, o autor consegue ir evoluindo o enredo a cada livro, não existindo uma sensação de repetição.

Com a sua escrita simples mas bastante focada na vida militar dos personagens principais, o leitor continua a ganhar conhecimento sobre a vida dos soldados romanos. Este volta a ser um livro mais estratégico e militar, e menos político quando comparado com outros livros da saga e sabe bem o foco não ser sempre o mesmo. Por outro lado, nota-se que o autor continua a explorar o outro lado da moeda, oferecendo uma imagem interessante sobre a forma como os inimigos dos romanos vêem a invasão ou ocupação deste poderoso exército. Esta visão contrasta muito bem com a visão da grande maioria dos soldados, que olham para Roma como a luz do planeta. Nota-se ainda que esta visão não é partilhada por todos, principalmente por aqueles que têm maior poder político e que conhecem o que realmente move Roma.

E é com estas bases que os personagens continuam a evoluir e a ficarem mais maduros. Destaque ainda para diálogos interessantes e para o já habitual ritmo de montanha russa que a série sempre ofereceu. As duas personagens principais continuam a ser coerentes, bem criadas e o leitor já as conhece o suficiente para perceber as suas decisões, levando a menos surpresas mas a maior coerência do enredo a cada livro novo.

Voltei a gostar do enredo, sempre com objetivo de aumentar a visão dos personagens sobre o império e todos os desafios que os soldados tiveram de enfrentar. Pelo meio uma trama interessante, muitos interesses em jogo e ainda novas personagens que me parecem poderem ser importantes no futuro. Devido à mudança de cenário, foi bastante apelativo ler este livro. Para mim esta nunca foi uma saga fantástica, mas lê-se com grande facilidade. Para quem gostar desta época romana, esta saga será uma excelente leitura, que tem tanto de académica como de rápida e cheia de ação, com destaque para boas estratégias militares. Globalmente foi dos livros que mais gostei da saga e ao fim de sete não tenho vontade de parar. Venham os próximos!

Luís Pinto

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A PROFECIA DA ÁGUIA


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle's Prophecy




Sinopse: Estamos na primavera de 45 D.C. e os centuriões Macro e Cato, dispensados da segunda legião, encontram-se retidos em Roma a aguardar julgamento pelo envolvimento na morte de um oficial. Mas não é apenas o seu futuro que parece incerto... Piratas sanguinários capturaram três pergaminhos délficos que são absolutamente vitais para a segurança de Estado. Estes documentos têm de ser recuperados e os piratas destruídos. Sabendo que Macro e Cato têm a coragem e o engenho para levarem a cabo uma missão dessas, o chefe dos serviços secretos imperiais faz-lhes uma proposta que não podem recusar. Infelizmente vão trabalhar às ordens de Vitélio, um velho inimigo que desprezam e de cuja fidelidade a Roma duvidam. Os três oficiais partem de Ravena na frota imperial, mas os piratas são avisados e infligem uma pesada derrota aos romanos. Em menor número, minados por rumores de traição e fragilizados pela inépcia de um Vitélio desesperado por se redimir, Macro e Cato vão ter de operar um verdadeiro milagre para salvar as suas vidas... e evitar a destruição do Império.



Finalmente regresso à saga da Águia para o seu sexto livro. Simon Scarrow é um autor que me agrada pelo equilíbrio que consegue criar entre os momentos mais lentos e os mais rápidos. Existe nesta saga um pouco de tudo, desde bons diálogos, um enredo e trama viciantes, e batalhas bem criadas, com pormenores que nos transportam para aqueles cenários sentindo a vida dos soldados nestas páginas, quer estejam na batalha, ou no acampamento à espera do próximo momento de ação.

Sendo uma saga que foi melhorando até ao 4º livro e depois a conseguir manter esse rácio entre qualidade e capacidade de viciar o leitor com um ritmo agradável, este 6º livro começa mais lento, com menos ação e com um olhar mais atento a algumas personagens e possíveis tramas futuras. A isto junta-se um conjunto de acontecimentos que parecem algo forçados e que me fizeram ponderar se este livro seria mais fraco, sendo talvez o livro que faça a ponte para uma nova fase da saga.

Todavia, a partir de meio do livro o autor volta ao seu estilo, agarra o leitor com as suas personagens e vemos que afinal este livro não é só uma passagem, mas sim um livro que liga várias pontas soltas dos livros anteriores, o que me agradou bastante. Para tal muito contribui a relação entre Macro e Cato, que sempre foram a base desta saga e que novamente fazem a diferença. 

No entanto, o livro apresenta agora um enredo diferente dos anteriores. O autor foge da sua zona de conforto para explorar outras áreas da vida militar romana. Esta mudança agradou-me por o autor mudar os ambientes. Tal como aconteceu nos livros anteriores, Scarrow vai alternando a base enredos. Foi interessante ver como nos livros anteriores tudo começa com a ideia de que Roma é a luz no mundo e que tudo o resto é bárbaro e negro. Tal ideia foi-se alterando, observando-se o ponto de vista dos povos invadidos, sendo um dos grandes trunfos desta saga até agora. A mudança que temos agora neste livro é diferente, não sendo tão focada em ideais, mas sim no ambiente e consequente estratégia militar. 

O problema desta saga poderá ser a sua forma, onde identificar o inimigo/conspiração e vencê-lo poderá tornar-se demasiado repetitivo. A questão importante é que até agora a saga, apesar de usar uma narrativa sempre semelhante e evoluir da mesma forma a cada livro, nunca foi uma leitura que me custasse a ler. Simon Scarrow consegue proporcionar uma leitura suave e rápida num género que costuma ser denso. É adulto mas também cómico, e é, principalmente, sobre a amizade entre dois personagens e a noção de dever de cada um, principalmente na confiança entre os dois. 

Este 6º livro, continua dentro do que a saga me ofereceu até agora. Nunca é uma obra prima mas é sempre viciante de ler, levando-me a querer continuar para os próximos. É difícil uma saga que já vai com 6 livros continuar a viciar e ser consistente. Simon Scarrow consegue-o, e por isso que tem uma respeitosa legião de fãs a cada livro... Scarrow é um dos nomes a ter em conta neste género, sem dúvida. Venha o próximo! 

Luís Pinto

segunda-feira, 17 de março de 2014

A ÁGUIA DE SANGUE


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle's Prey


Este é o 5º livro da saga e mais um que se lê a grande velocidade. Scarrow mantém os pontos fortes e fracos dos livros anteriores e começa a ser difícil fazer uma análise com algo de novo para dizer, a menos que queira começar a revelar a história.

O forte deste livro continua a ser a forma como o autor descreve as batalhas, as tácticas e a vida dos soldados quando estão em território inimigo, esperando o momento para atacar. As batalhas continuam sangrentas e a baixar ligeiramente o ritmo do livro, com o autor a levar-nos a sentir que estamos a ver realmente uma batalha, e é interessante ver que ao fim de cinco livros o autor continua a surpreender com situações diferentes em batalha e tácticas bem explicadas que nunca me deixaram confuso. Existem detalhes muito interessantes e, como sempre, o livro nunca se torna monótono, pois o autor usa sempre uma linguagem acessível e que por vezes até pode parecer demasiado simples nos diálogos usados se tivermos em conta a época em que o enredo está inserido. No entanto penso que é esta simplicidade, em alguns aspetos, que ajudam a tornar o livro viciante.

Um aspeto que se nota na saga é a tendência cada vez maior de levar a narrativa para um ponto em que seja possível ver os dois lados da guerra. Nos primeiros livros notava-se que o autor nos restringia a nossa visão apenas ao lado romano, onde Roma é a luz num mundo bárbaro e negro. Mas aos poucos essa visão perde fulgor para dar origem ao conflito de formas de ver a invasão romana, e tal como o leitor começa a receber o ponto de vista dos invadidos, também as personagens principais começam a criar as dúvidas que as levarão a questionar o sentido da invasão e, mesmo que de forma indireta, o autor tenta "vergar" a mentalidade de alguns soldados, dando ao leitor a noção que muitos combatiam porque era a única oportunidade que tinham de ganhar dinheiro, mas que não acreditavam plenamente no que faziam. 

Este terá sido, certamente, uma realidade: quantos não terão sido os soldados que lutaram (e ainda hoje lutam) por algo que não acreditam? Este livro explora tal ideia de forma mais direta do que qualquer outro da saga, e acredito que seja algo que continue a evoluir. Em termos de enredo, este é um livro mais focado nas personagens e menos na intriga. Esta é uma estratégia bastante comum nas sagas mais longas, em que o autor leva o livro a criar uma ligação mais forte entre personagem e leitor e neste caso acredito que o consiga, pois foi o que eu senti. 

Cato é um excelente personagem, principalmente porque consegue ser o espelho no livro: inteligente e simples. A forma como questiona o que o rodeia, mas sem nunca deixar de executar as ordens que recebe, é a base de toda a saga, a acredito que a sua forma de pensar seja cada vez mais importante nos próximos livros. 

Como disse antes, este livro consegue manter a fórmula que me viciou. Até agora, ao fim de cinco livros, raramente Scarrow me espantou com um lance de génio, mas a forma como escreve, e o detalhe que dá a certos aspetos, leva-me a continuar a ler com prazer e a querer saber qual o futuro destes personagens aos quais vamos ganhando ligações. Falar mais deste livro seria revelar pormenores que o leitor deve descobrir por si mesmo numa saga que se lê facilmente e a grande velocidade.

Scarrow pode não ser o melhor no género, mas sabe agarrar um leitor a cada livro com truques simples e com um enredo de qualidade constante, e com isso acredito que quem tenha gostado do primeiro livro, leia toda a saga, porque ficar a meio não é opção.

Luís Pinto


Se quiserem saber mais sobre este livro, cliquem aqui.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A ÁGUIA E OS LOBOS


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle and the Wolves


Este é o 4º livro desta saga e é o melhor até agora por diversas razões. Começando pelo ritmo, o autor acelera em alguns momentos tornando o enredo mais objetivo. Scarrow é um autor que consegue criar bons diálogos, um bom enredo, mas o seu forte foi sempre as batalhas e a forma como as descreve, e por isso, muitas vezes o melhor do livro estava nos momentos mais lentos, em que o autor nos leva a visualizar os pormenores das batalhas e o medo ou coragem dos soldados.

Agora, Scarrow consegue dinamizar o enredo e torna-o no ponto mais alto do livro, talvez porque também foge um pouco à fórmula base usada nos livros anteriores, causando alguma surpresa em certos momentos, mas principalmente porque se afasta ligeiramente dos olhos de Macro e Cato par nos dar um ponto de vista mais global das conquistas romanas. Graças a este aspeto, o livro parece ser o ponto de viragem da saga. Se antes toda a narrativa nos dava a ideia que os romanos eram os bons, e o povo conquistado os maus, agora a narrativa leva-nos ao outro lado, e apesar de continuarmos a simpatizar com os dois romanos principais, a verdade é que se começa a adensar a imagem negra deste império e se começa a desvendar que o que está para lá de Roma não é tão bárbaro como a propaganda tenta transmitir. Claro está que esta imagem nós já a tínhamos enquanto leitores, mas agora recebemos essa noção porque os personagens também a recebem.

Este é, também, o livro mais sangrento da saga até agora, com as batalhas a ganharem outra dimensão e com o autor a ser mais duro nas suas descrições, tentando transmitir ao leitor a perda que existe em cada batalha. Pelo meio está o peso das decisões, muitas vezes tomadas por quem não participa nas batalhas, ficando a ver de longe, protegido, planeando os próximos passos independentemente das perdas.

E é essa a realidade da guerra: os soldados lutam muitas vezes por algo em que acreditam, mas nunca tomam as decisões. E no final, para quê? Pela glória? Pela riqueza de outros? Pela fé? Com um final inesperado, Simon Scarrow prepara o seu próximo livro e está construída uma base de sub-enredos que poderá dar muita qualidade à continuação da saga. Para tal, muito contribui o aprofundar de personagens fora do exército romano, que nos mostram tradições e diferentes formas de pensar, ajudando a que o livro não nos guie sempre na mesma linha de pensamento.

Tentando não revelar nada a quem ainda não tenha chegado a este livro, devo concluir esta crítica dizendo que este livro poderá não ser o favorito dos fãs, mas é o mais consistente, melhor estruturado e que abre um leque de possibilidades futuras. Os fãs irão gostar e de certeza que saltarão já para o próximo livro, tal como eu vou fazer.

Luís Pinto

Mais informação sobre o livro na sua página, aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

AS GARRAS DA ÁGUIA


Autor: Simon Scarrow

Título original: When the Eagle hunts




Este 3º livro da Saga da Águia é o mais rápido de se ler, o mais viciante, mas será, provavelmente, o mais fraco da saga até agora, pois acredito que sera o que vai abrir um novo caminho para os próximos livros.

 O porquê está no caminho que a saga inicia neste livro e onde fica a ideia que no fim retorna ao caminho anterior, como se este livro fosse um desvio que levasse a um aprofundar das personagens. Olhando para o enredo como um todo, este livro avança muito pouco enquanto história (num olhar à trama principal até agora) mas avança bastante em relação às personagens, tanto nas várias que apresenta como nas que já conhecemos. Cato e Macro crescem bastante enquanto personagens mas também a ligação entre ambos é fortalecida, quer seja em momentos cómicos, de desabafo ou até de sofrimento.

Neste desvio que antes mencionei, o que perde é a intriga política, e sendo este, talvez, o melhor que a saga nos dá, nota-se que falta alguma coisa nestas páginas. Todavia, o elevado ritmo leva-nos a continuar a ler sem parar, pois ficamos perante acontecimentos consecutivos dentro de uma única missão, e queremos sempre continuar para percebermos como tudo acabará. 

Onde Scarrow continua muito bom é nas descrições, principalmente das batalhas. Scarrow consegue transmitir emoção e violência visual enquanto nos dá detalhes interessantes e que nunca me saturaram. Em termos visuais este é o livro mais forte e esta componente alia-se bem ao facto de este ser o livro onde a narrativa nos empurra mais para um dos lados da batalha durante as primeiras páginas. A nossa visão, enquanto leitores, é romana e a propaganda é dada vezes e vezes como se Roma fosse a luz num mundo de escuridão. O que Scarrow faz muito bem é, com diálogos, balançar as visões, tentando dar o lado do inimigo de Roma, que está a defender a sua terra. 

Esse será um dos aspetos mais interessantes, tentarmos ver o livro pela perspectiva que não nos é dada: tentar olhar para a invasão romana pelo olhar de quem vê as suas terras a serem conquistadas por estranhos.

No fim, a narrativa principal do livro parece voltar ao caminho anterior da saga e, com alguns acontecimentos muito interessantes, vai certamente abrir portas para os próximos livros, que têm tudo para ser muito interessantes. Devo ainda salientar a inclusão de várias personagens neste livro. Scarrow demonstra que quer "abrir o leque" ao aprofundar algumas personagens que em teoria sempre estiveram presentes no enredo dos livros anteriores mas nunca foram mencionadas. Há uma sensação que Scarrow está a aprofundar certas ligações, certas amizades e noções de vida militar para as usar melhor nos próximos livros, o que me deixa muito curioso sobre algumas situações.

Sendo um livro que é notoriamente uma transição para uma nova realidade, graças ao que acontece nas últimas páginas, não me irei alongar muito e vou continuar com a saga. Scarrow mantém o seu estilo, só retirou a intriga política durante algum tempo, dando espaço para outras questões importantes. Para mim, como disse no início, é globalmente o livro mais fraco, o que não quer dizer que seja mau. Quem gostou dos dois anteriores, continuará a gostar deste, mas provavelmente terá a mesma sensação que eu: este livro existe para criar a base do que está para vir. Venham os próximos, pois trata-se de uma saga muito viciante e com momentos de grande qualidade dentro do seu género.

Luís Pinto

sábado, 21 de setembro de 2013

O VOO DA ÁGUIA


Autor: Simon Scarrow

Título original: The Eagle's Conquest


Este 2º livro da saga da Águia e o autor já me "agarrou", mas já lá vamos. Em primeiro lugar é preciso dizer que em termos de qualidade este livro está ao nível do primeiro mas é mais apelativo porque consegue aprimorar as personagens mais importantes.

No início o enredo é mais denso e mais parado, devido a várias batalhas e o autor consegue descrevê-las com grande qualidade, sendo provavelmente o momento em que o autor consegue mostrar maior qualidade: nas descrições das batalhas. Existe uma constante atenção ao detalhe que nos faz imaginar a batalha como um todo mas também individualmente ao vermos o que certa personagem está a sentir no momento. Tudo isto sem nunca se tornar numa narrativa demasiado exaustiva.

Apesar de ser nas batalhas que sentimos a qualidade do autor, é nas personagens e no enredo que o autor me prendeu até ao fim. Este livro é, em muitos aspetos, o concluir do primeiro livro, principalmente na exposição das personagens. Cato, Macro e Vespasiano estão agora totalmente definidos e nota-se que as suas ações futuras terão aqui a sua base. A intriga está finalmente montada e o leitor vê-se envolvido num virar constante de páginas porque o autor nunca torna nada demasiado denso. Ainda nas personagens, Cato e Macro têm o maior peso do enredo e o facto de serem totalmente opostos ajuda à criação de momentos que levam o leitor a pensar mas também a aproximar-se destes dois homens. Mas são as personagens verídicas que me fazem continuar a ler esta história.

Não sendo um profundo conhecedor da história do Império Romano, sei o básico para conhecer o destino e outros factos de algumas personagens, com Cláudio, Vitélio e Vespasiano a terem maior destaque. Nestas três personagens o autor consegue uma caracterização muito boa e que em certos momentos se enquadra perfeitamente com o que virá e que já conhecemos da história. 

No que diz respeito ao enredo, Scarrow mantém o mesmo estilo apesar de dar protagonismo a novas personagens que nos afastam um pouco da intriga principal. A entrada de Cláudio explora muito bem o quanto milhares de vidas estão dependentes de um único homem, seja ele competente, ou não. Mas a mais valia está em dois bons acontecimentos e na introdução de Niso, personagem que terá os melhores diálogos do livro e que desperta a história para os dois lados da questão principal, que é a invasão. Este foi um dos detalhes que mais apreciei. Roma sempre incutiu aos seus soldados que era a luz do mundo e o resto apenas bárbaros ou inferiores, e raramente vemos uma obra tratar os dois lados da questão: como Roma se vê e como o resto do mundo vê Roma. Espero que o autor continue a explorar estas questões nos próximos livros.

Novamente Scarrow apresenta um livro que se lê muito bem apesar de não ser fantástico. A leitura é sempre muito agradável e criei afinidade com as personagens. Estou bastante curioso para ver como o autor vai explorar os próximos acontecimentos que marcaram o Império e como ligará certas personagens a esses momentos. Scarrow convence-me a continuar, acreditando que o melhor ainda está para vir. E como referi antes, a forma como descreve as batalhas é muito boa. Para quem gostar de uma leitura rápida sobre o Império Romano, esta saga parece ser uma boa aposta apesar de ainda estar muito no início. Mais opiniões em breve!

Luís Pinto

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A ÁGUIA DO IMPÉRIO


Autor: Simon Scarrow

Título original: Under the Eagle


Sinopse: Afastado de Roma devido a uma conspiração que envolve o próprio Imperador, o jovem Quintus Cato, amante das letras e da vida no palácio, chega à Germânia para se inscrever como recruta na Segunda Legião, a mais temida e afamada dos exércitos de Roma.E se a adaptação aos rigores da vida militar já se revela terrivelmente difícil, o jovem ainda tem de enfrentar o desprezo dos camaradas quando descobrem que, graças aos contactos que tem em Roma, Cato vai receber um posto superior ao deles: o de lugar-tenente de Macro, o mais experiente e destemido de todos os centuriões. Para recuperar o respeito dos camaradas, Cato vai ter de provar a sua coragem contra as sanguinárias tribos germânicas. E se sobreviver, o pior ainda está para vir: a Segunda Legião vai ser enviada para uma terra de barbaridade sem paralelo, a nebulosa e distante Britânia.



Há bastante tempo que queria começar a ler um enredo passado no império romano e Simon Scarrow é um dos autores a ter em conta. Decidi começar pela Saga da Águia, sabendo que ainda terei vários livros pela frente. Visto que se trata do primeiro livro, não me irei adiantar muito, mas fica aqui a opinião ao início de saga.

Este primeiro livro de Scarrow é, no geral, sobre a introdução de Cato na vida militar. Esta rapaz, magricela, sem experiência de guerra e fãs de livros, torna-se facilmente uma personagem da qual gostamos e a cada página vemos um pouco da sua evolução até se tornar num homem. Sobre Cato devo dizer que apreciei o facto do autor não ter apressado este crescimento. Cato aprende, mas não se torna de um momento para o outro num temível militar, e várias vezes senti que foi a sorte ou a influência de outros a salvá-lo. Esta sensação dá credibilidade à história.

Falando de outras personagens, existem algumas que facilmente ficam na memória, mas também é preciso afirmar que algumas são, até agora, demasiado fáceis de se ler. Com isto quero dizer que foram poucas as que me surpreenderam, ou que demonstraram ser algo que afinal não eram. Tal facto retira algum impacto à intriga política por detrás da ação, mas os bons diálogos compensam este facto. A questão é, estará o autor a enganar-me ao mostrar-me tudo às claras?

O grande trunfo deste livro está na escrita do autor e nos detalhes que nos oferece. Scarrow dá-nos momentos cruéis, violentos e cheios de ação, intervalados com situações mais paradas em que os diálogos ganham força e ajudam à intriga. Falando primeiro dos momentos de ação, Scarrow está mesmo muito bem. As batalhas são detalhadas, a tática está sempre presente em cada linha e facilmente imaginamos as movimentações que o autor descreve. Junto a estes detalhes, Scarrow explora os sentimentos dos soldados durante a luta, principalmente de Cato, e assim a ação nunca é monótona, não existindo a sensação de arrasto.

Nos momentos mais parados, Scarrow dá grande importância ao diálogo, sendo a maioria bem construídos e com um toque notório de inteligência. No entanto, Scarrow nunca nos tenta enganar, e por isso não existem grandes surpresas a revelar. O leitor tem sempre todo o conhecimento e terá apenas de ver as movimentações de cada um, ligando os pontos até ao derradeiro movimento final que dá uma maior qualidade ao livro, deixando a porta aberta para a continuação.

Com a sensação que o autor nunca nos tenta ocultar nada, existem dois momentos que parecem algo forçados, mas também fica a noção que não foram bem explicados, e consequentemente, acredito que o autor explique melhor, nos próximos livros, algumas "manobras". No entanto estes momentos não estragaram o que foi uma leitura compulsiva da minha parte. É verdade que não se trata de uma obra prima, mas sim de um livro que introduz os conceitos básicos, as personagens importantes e a trama por detrás, cabendo agora ao autor surpreender nos próximos, pois a base está feita. 

Simon Scarrow conseguiu levar-me até àquela época e sentir a vida militar de um soldado romano. Os seus detalhes demonstram que o autor é um excelente conhecedor do que escreve e fica apenas a faltar saber que surpresas esta saga terá para me dar! Muito viciante.

Luís Pinto