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terça-feira, 27 de setembro de 2011

POR FAVOR NÃO MATEM A COTOVIA

Autor: Harper Lee          

Título original: To kill a Mockingbird


Durante os anos da Depressão, Atticus Finch, um advogado viúvo de Maycomb, uma pequena cidade do sul dos Estados Unidos, recebe a dura tarefa de defender um homem negro injustamente acusado de violar uma jovem branca. Através do olhar curioso e rebelde de uma criança, Harper Lee descreve-nos o dia-a-dia de uma comunidade conservadora onde o preconceito e o racismo caracterizam as relações humanas, revelando-nos, ao mesmo tempo, o processo de crescimento, aprendizagem e descoberta do mundo típicos da infância. Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.

Livro publicado em 1960, este foi o livro que deu a Harper Lee o Prémio Pulitzer e provocou a sua fama.
Numa escrita brilhante, capaz de cativar, de nos ensinar e nos aproximarmos das personagens, Harper Lee leva-nos até uma pequena cidade dos Estados Unidos da América onde uma criança nos narra um dos melhores livros que já li. Agora, o que torna este livro especial?
Para começar devo dizer que este livro é sublime não pela sua história em si, mas pela forma como nos é dada. A nossa narradora, Scout, é a filha de Atticus e a forma como este livro nos faz saltar entre ver o mundo pelos olhos de uma criança e de um adulto é sublime. Aliás, devo dizer que poucos escritores conseguiram “entrar” na mente de uma criança e recriar as suas acções e pensamentos, de forma tão exemplar e nesse aspecto em nada fica atrás de “O Principezinho” ou "O Deus das Moscas".
Numa civilização simples, modesta, a mente da nossa narradora encaixa de forma perfeita, simples, tal como a mente de uma criança normal. Esta visão simplificada e inocente faz com que o livro não ataque a moralidade da população, mas questiona-a e deseja libertar-se daquele preconceito, criando pensamentos básicos que deveriam ser a base da nossa própria civilização. Quando Scout nos diz que para ela não existem vários tipos de pessoas, mas apenas pessoas (num pensamento sobre o racismo), nós leitores quase que sorrimos com a bofetada que a criança dá aos supostos pensamentos superiores e arrogantes dos adultos que a rodeiam.
Numa história bem estruturada, a grande personagem é Atticus, sinceramente uma das melhores que já li, com a sua calma, inteligência e desprovido de preconceitos, este é o homem que tentará lutar contra esse racismo ideológico que destrói qualquer barreira lógica durante todo o livro. Ele é quem tenta aniquilar esse “monstro” que se alimenta das mentes obtusas de algumas pessoas que não conseguem ver o evidente apenas porque na balança está um branco contra um negro. Isso leva à revolta do próprio leitor que percebe estarmos perante uma história que certamente muitas vezes se repetiu na realidade, o que torna este livro ainda melhor e mais envolvente.
O final do livro é excelente e leva-nos a um momento onde Scout tenta ver o mundo pelos olhos de outra personagem, e o que vê é tristeza, um mundo que ela não deseja na plenitude, apesar de sentir que ao fundo, bem escondido, existe bondade.
Sendo um dos melhores livros que já li, a personagem Atticus junta-se a um grupo distinto de personagens que se tornam imortais pela sua decência e coragem. Atticus consegue ainda partilhar a grande maioria das capacidades da autora Harper Lee, quer a olhar para o mundo, quer para perceber a mente das crianças. Talvez falte ao mundo dos adultos aquilo que Atticus tem, a capacidade de respirar alguma da inocência das crianças, de respeitar essa inocência e de a identificar quando o preconceito dos adultos nos cega.
Um livro obrigatório!