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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

MOONLIGHT MILE - A última causa


Autor: Dennis Lehane






Sinopse: «Lembra-se de mim?», interroga, do outro lado da linha, a voz que arranca Patrick Kenzie do sono profundo. Uma voz feminina e uma frase em jeito de ameaça: «Encontrou-a uma vez. Volte a encontrá-la. Deve-me isso.»
No dia seguinte, eis que ela surge de novo, no cimo das escadas do metro. Um rosto marcado pelo tempo e pela mão severa do destino. Um rosto que Kenzie não esperava rever.
Há doze anos aquela mulher pedira-lhe que encontrasse a sobrinha Amanda, de quatro anos, que desaparecera. Os detetives privados Kenzie e Angie Gennaro tiveram sucesso, mas o caso deixou-lhes um amargo de boca: a menina foi devolvida aos cuidados de uma mãe negligente e alcoólica; e os raptores que, afinal, não queriam mais do que entregá-la a uma família que cuidasse bem dela, foram sentenciados a duras penas de prisão.
Por isso agora que Amanda, com dezasseis anos, desapareceu novamente, Kenzie sente-se obrigado a investigar. Mais a mais porque também ele sabe o que é ter uma filha e o que um pai está disposto a fazer para a ver feliz. A sua investigação será o começo de uma viagem ao coração de um mercado sombrio, onde se traficam identidades e adoções. Um mundo onde o bem pode assumir os contornos do mal, e o mal camuflar-se de bem. Um precipício do qual é melhor não nos aproximarmos muito.



Para quem não conhece este autor, Lehane é o autor de Mystic River, Shutter island e Gone, baby gone. Tendo gostado dos três livros, com especial destaque para Mystic River, decidi ler este Moonlight e não fiquei desiludido. Provavelmente é o livro que menos gostei do autor, mas é um bom livro, que simplesmente não consegue estar ao nível de outros.

Em primeiro lugar destaco o ambiente. Lehane consegue criar ambientes sombrios com grande qualidade. O leitor sente aquele incómodo durante a leitura, como se algo estivesse muito mal e preparamo-nos para enfrentar a revelação em que o autor explora o lado mais negro do ser humano. Aqui tal volta a acontecer desde o início. Os personagens ajudam bastante nesse tema, com alguns traumas a serem explorados, levando a que o leitor sinta o medo dos personagens mais importantes da história.

Um aspeto importante é que este livro faz parte de uma série de vários livros, todos eles podendo serem lidos isoladamente. Acredito que ler os anteriores livro me daria um conhecimento mais profundo dos personagens principais, mas em nenhum momento senti que me faltava conhecimento de livros anteriores para perceber a história.

O enredo é interessante, sempre com um ritmo a crescer lentamente, e os diálogos são inteligentes. Senti alguns momentos mais forçados, mas nada que seja importante o suficiente para manchar o livro. Com um final que me agradou, este foi um livro que fui gostando cada vez mais. Para mim não está ao nível dos livros que tornaram Lehane num nome tão famoso, mas é na mesma um bom livro e que agarrará um leitor até ao fim, à procura das respostas.

Luís Pinto

terça-feira, 24 de setembro de 2013

MYSTIC RIVER


Autor: Dennis Lehane


Sinopse: Sean Devine, Jimmy Marcus e Dave Boyle são três amigos de infância. Um dia, um estranho carro parou na rua onde brincavam. Dave é levado pelos homens do carro, os outros ficam no passeio e algo de terrível vai acontecer que acabará com a amizade dos três e mudará as suas vidas para sempre.
Vinte e cinco anos mais tarde, Sean é detetive de homicídios, Jimmy é um ex-presidiário dono de uma loja e Dave está a tentar controlar os seus demónios.
Quando a filha mais velha de Jimmy aparece assassinada, Sean é um dos detetives encarregados do caso.



Há alguns anos vi a adaptação cinematográfica deste livro e adorei. Havia uma densidade nas personagens que me deixou bastante agradado e agora que li o livro, as expetativas eram altas, mas não fiquei desiludido. Lehane, autor de outros livros que se tornaram êxitos no cinema, escreve com uma força quase palpável que nos desafia psicologicamente a continuar a ler, pensar e sentir o que os personagens sentem. Desde o primeiro instante que percebemos que estamos perante um livro que nos vai angustiar em certos momentos.

Como a sinopse nos diz, a filha de Jimmy é assassinada e será Sean o detetive encarregado de descobrir o culpado. Um dos primeiros temas que o livro aborda é a forma como o julgamento fica toldado quando conhecemos as pessoas que estamos a investigar, mas, tal como a própria investigação, também este tema é deixado para segundo plano apesar de ter um grande peso. O que quero dizer com isto é que, apesar de qualquer leitor fazer a sua própria investigação, ser esta busca que faz o livro continuar e ter na descoberta do assassino a grande motivação para continuar a ler, este livro é muito mais do que isso. É um livro sobre fantasmas, sobre passados que não se esquecem nem são esquecidos por outros, e sobre como o ambiente onde vivemos também nos molda e nos empurra por certos caminhos.

Até que ponto um momento nos muda para sempre? Até que ponto um único momento fará todos olharem-nos de forma diferente? O que nos dá a justiça feita pelas próprias mãos? O que sente um pai que perde a sua filha? Estaremos nós condenados a perseguir os "nosso demónios" ou teremos o controlo de nos afastar e apagar o passado?

Todas estas perguntas estão presentes neste livro, interligadas, prontas a surpreender o leitor. O autor usa uma narrativa forte e objetiva enquanto constrói as suas personagens com uma facilidade e profundidade que se nota desde o início. Nas personagens é difícil esquecer Dave, o homem que leva este livro para outro nível de carga psicológica e que é o criador de todas as dúvidas que o livro nos dá. simplesmente fantástico do início até ao fim e um exemplo forte das cicatrizes que a mente humana pode carregar.

No enredo é preciso salientar que o autor não se limita a ter como caminho a investigação. Lehane explora vários caminhos, expande a investigação ao nível pessoal de cada personagens e a história torna-se coesa e coerente, levando a que a revelação final faça todo o sentido. Neste aspeto é preciso enaltecer a facilidade com que o autor nos dá pistas claras sobre o culpado e nós não as vemos, pois a carga psicológica não deixa o leitor ver com clareza o que se passa. Muito bom!

Mystic River é um dos melhores livros que já li dentro do género. Forte, denso, enganador e com uma grande carga psicológica. As personagens são fantásticas e o enredo acaba de forma perfeita. Totalmente recomendado a quem goste do género.

Luís Pinto