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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

OS INOCENTES


Autor: Taylor Stevens

Título original: The Innocent



Sinopse: Vanessa «Michael» Munroe trabalha com informação. Após fugir a uma infância traumática, a sua aprendizagem e o seu treino permitem-lhe obter todo o tipo de informações, independentemente do cenário ou do país onde se encontre. Por isso, é agora contratada por empresas, instituições ou privados que pagam os seus serviços únicos no mundo.
Destacada para uma missão de alto risco, Vanessa tem de resgatar Hannah, uma rapariga de treze anos, da sua reclusão no seio de uma fanática comunidade religiosa conhecida como «Os Eleitos».
O processo de libertação de Hannah vai resultar em situações complexas e perigosas, mas, com a ajuda do especialista em segurança Miles Bradford, vai também permitir uma nova vida para esta heroína intrigante e com um passado devastador. O lado mais violento e instintivo de Vanessa irá revelar-se em nome da justiça: matar pode não ser necessariamente mau, se houver inocentes envolvidos.


Após ter lido o primeiro livro desta saga (A informacionista, cliquem aqui para lerem a opinião) fiquei com vontade de ler o segundo, principalmente por causa da personagem principal. Vanessa, a nossa personagem principal, apresenta uma personalidade complexa mas que pedia para ser mais aprofundada. E é o que acontece aqui.

A grande diferença entre estes dois livros é que este segundo é mais virado para os problemas psicológicos de Vanessa. Se no primeiro livro ficamos com a sensação que estamos perante uma personagem que não consegue encontrar um equilíbrio emocional, o segundo é a confirmação, e toda a tensão deste thriller é muito mais focada nos problemas de Vanessa do que na trama que avança o enredo.

O resultado deste foco é ficarmos perante um livro que não nos agarra pela trama em si, mas antes pela luta interior de Vanessa e a sua procura por tranquilidade num enredo que não o permite alcançar, pois Vanessa estará constantemente em ação. E é ao ganharmos simpatia por Vanessa que vamos lendo, procurando a solução, mesmo sabendo que Vanessa não conseguirá deixar os seus problemas de um momento para o outro.

Tal como no primeiro livro, o ritmo é constante, com uma escrita simples, forte quando é necessário, mas sempre muito objetiva e com momentos inteligentes. Este é um livro que não tem momentos lentos e mesmo quando se foca totalmente em Vanessa, a narrativa é sempre rápida. Existem ainda outras personagens interessantes, mas nenhum consegue fazer sombra a Vanessa em nenhum momento e no final a sensação com que fiquei é muito clara: este livro prepara o leitor para o próximo, para algo que Vanessa fará e que terá a sua explicação no desenvolver da sua personagem neste livro. Se assim for, o trabalho da autora poderá ser aplaudido se tudo encaixar no final. Resta esperar.

Voltando à trama, o enredo está bem conseguido e a história central tem coerência, mas onde ganha pontos é no ritmo que já mencionei. O problema deste livro é que se foca demasiado em Vanessa para quem procure uma intriga mais complexa. Quando digo isto não falo em número de páginas, mas sim no facto de o que faz o leitor continuar a ler são os problemas de Vanessa e não o enredo em si, que está presente para ajudar a desenvolver a personagem, e não o contrário. A aposta da autora é clara e Vanessa ganha bastante com isso enquanto que a trama perde e as restantes personagens não têm espaço. No entanto é preciso destacar que existem personagens secundárias interessantes e que se forem mais exploradas no próximo livro, poderão dar uma boa contribuição ao fim da trilogia.

O resultado final é um livro que demonstra estar montado de forma inteligente e apesar de não deslumbrar, consegue agarrar-nos facilmente e superar o livro anterior em alguns aspetos. As portas que deixa aberta poderão ser uma boa base para o próximo livro e Vanessa torna-se cada vez mais uma personagem marcante. Para quem goste do género, este livro é uma leitura que agradará e vos deixará à espera do próximo para sabermos até onde poderá ir Vanessa.

Luís Pinto

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A INFORMACIONISTA


Autor: Taylor Stevens

Título original: The Informationist



Sinopse: Vanessa «Michael» Munroe trabalha com informação. Depois de escapar a uma infância traumática numa África Central sem lei, a sua formação e o seu treino permitem-lhe obter todo o tipo de informações, independentemente do cenário de operações onde se encontre. Por isso, é agora requisitada por empresas, instituições, chefes de estado e clientes privados que podem pagar os seus serviços únicos no mundo. 
Quando um bilionário texano do mundo do petróleo a contrata para encontrar a sua filha desaparecida em África, Munroe regressa a um mundo selvagem e profundo que tão bem conhece, enfrentando forças misteriosas que estão determinadas em manter em segredo o destino da rapariga desaparecida. 
Para ter alguma esperança de sair da selva com vida, Munroe vai ter de enfrentar, finalmente, os fantasmas do passado que durante tanto tempo fez por esquecer. 


Sendo um livro muito falado nos últimos tempos, e em vias de ser adaptado ao cinema, decidi ler o primeiro livro desta série e perceber o porquê de se falar tanto desta personagem principal. Após acabar o livro torna-se óbvio que este ganha bastante com esta personagem, e sem ela estaríamos perante um livro muito mais banal. Mas comecemos pelo início...

Apesar de ser um thriller, o livro começa com uma narrativa lenta, tentando criar o mistério necessário enquanto nos apresenta o fundamental do livro: Munroe, a personagem principal. Aliás, desde cedo se nota que a autora tem plena consciência que este livro deve muita da sua qualidade a esta mulher que nos prende desde o primeiro momento. O enredo desenvolve-se lentamente, sem pressas, enquanto explora o passado da personagem e vemos as notórias semelhanças entre ficção e a vida da autora, sem pais, obrigada a sobreviver por qualquer meio. E talvez pela semelhança, a autora consegue criar uma personagem muito real, que surpreende em vários momentos, principalmente porque não demonstra uma linha moral muito definida. E é quando nos apercebemos de tal facto que vemos como Munroe encaixa perfeitamente num enredo que pede alguém que coloque a sua sobrevivência acima de valores morais.

Aos poucos o ritmo aumenta, e quando chegamos ao último terço do livro, já é muito difícil parar a leitura. A escrita da autora pode não ser a mais perfeita para o género, mas o enredo é intenso o suficiente para nos prender até ao forte final que a autora preparou, mas sempre a deixar algumas respostas para os próximos livros. Os diálogos são bons e a forma como a autora explora alguns cenários dá-nos a ideia que realmente esteve perante situações parecidas e sabe como manipular algumas ideias e transportá-las para o papel, principalmente na forma como consegue ir desvendando o passado de Munroe nos momentos certos.

Quando acabamos o livro, a um ritmo alucinante, conseguimos ter uma imagem completa do enredo e percebemos que em alguns momentos foi fantástico, mas também houve momentos forçados, sendo que alguns deveriam ser explicados nos próximos livros. Em tudo o resto, a autora faz um bom primeiro livro, que está mais virado, e bem, para uma personagem do que para o enredo, pois esta personagem será a base de toda a série de livros futuros. Mas, para acabar, devemos realçar a forma como a autora explora alguns temas: política, interesses, dinheiro... tudo isto está acima de valores morais, e lermos que muito do que está nestas páginas realmente existe, é marcante.

Esta foi uma leitura que gostei bastante. O livro tem alguns momentos que devem ser explicados no futuro e em certas fases parece demasiado dependente da personagem principal, mas no fim fica a sensação que li um livro muito interessante, intenso e que agradará a todos os fãs do género. Se gostam do género e procuram um livro inteligente, este é uma boa opção.

Luís Pinto