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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

OS VENENOS DA COROA


Autor: Maurice Druon






Sinopse: Apenas alguns meses depois da morte de Filipe, o Belo, os conflitos, as intrigas, os ódios e a luta pelo poder ameaçam submergir a França numa instabilidade devastadora. O legado de três décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias. Estava-se no verão de 1315. De acordo com o cognome por que é conhecido na corte, Luís, o Teimoso, começou a regência com a obsessão de se livrar da mulher, Margarida de Borgonha, e de sentar a seu lado uma nova rainha. Com Margarida assassinada e a bela princesa Clemência, da casa de Anjou-Sicília a caminho, vinda de Nápoles, para se tornar rainha de França, Luís X parece preparado para assumir a responsabilidade pelo seu reinado.
No entanto, num alarde de grandeza, próprio de quem tem o poder, mas não a capacidade de o conservar, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres, enquanto o seu povo morre de fome. No Mediterrâneo, as tormentas mergulham os pensamentos da futura rainha Clemência nos mais negros presságios. O veneno volta a correr nas veias de França, e nada parece poder evitar que venha a ameaçar a Coroa. Descubra a saga de Os Reis Malditos que inspirou os livros de George R. R. Martin, autor de A Guerra dos Tronos



Quando li o primeiro livro desta saga, intitulado de "O Rei de ferro e a Rainha estrangulada", considerei-o como um dos melhores romances históricos que tinha lido nos últimos anos. Com a editora Marcador a lançar o próximo livro, decidi lê-lo assim que possível. As expectativas eram altas, mas a qualidade do livro confirmou-se. 

Tal como no livro anterior, a escrita do autor é direta e dura em alguns momentos, mas, essencialmente, é uma escrita capaz de nos ensinar muito sobre a vida da sociedade francesa daquela época. Tal como aconteceu com o livro anterior, a cada página senti que aprendi algo, e este aspeto agrada-me bastante num romance histórico tão sustentado por uma base histórica real. Com isto o enredo tornou-se bastante coerente e nunca me senti deslocado, sendo fácil compreender o estado do que está a acontecer, neste caso, o estado da sociedade francesa e todo o jogo político e de poderes que moldam este enredo. 

As personagens estão muito boas, bastante coerentes, e com objetivos que nos ajudam a compreender muitas decisões. E com isto é fácil entrarmos neste mundo e ficarmos viciados nestas páginas. O enredo é inteligente, com diálogos poderosos, muitas surpresas pelo meio e momentos em que o autor arriscou com sabedoria. Pelo meio, nota-se um profundo conhecimento de Druon sobre a História francesa e o quanto esta moldou, não só o futuro do país, mas também o futuro de outros países europeus.

Gostei muito deste livro. Do início ao fim foi uma leitura forte, educativa e inteligente. Um livro que nos ensina, que nos mostra de forma clara um tempo já passado, e que nos surpreende com personagens fantásticas. Com um último livro na saga ainda por ler, não quero entrar em mais detalhes, mas o que posso dizer é que este livro não é apenas um dos melhores romances históricos que li nos últimos anos... é também um dos melhores livros que li este ano. Claramente no top de 2016.

Luís Pinto


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O REI DE FERRO E A RAINHA ESTRANGULADA


Autor: Maurice Druon

Título original: Le Roi de fer; La Reine Étranglée



Sinopse: O Rei de Ferro - Filipe, o Belo - é frio, cruel, silencioso, e governa o reino sem hesitações. Apesar disso, não consegue dominar a própria família: os filhos são fracos e as esposas, adúlteras, ao mesmo tempo que a sua filha de sangue, Isabel, é infeliz no casamento com o rei inglês - que parece preferir a companhia de homens.
Empenhado na perseguição aos ricos e poderosos Templários, Filipe sentencia o grão-mestre Jacques de Molay a ser queimado na fogueira, atraindo sobre si uma maldição que vai destruir o futuro da sua dinastia. Morre nesse mesmo ano, deixando o reino em grande desordem. O seu filho é nomeado rei, mas com a esposa presa e acusada de adultério, é incapaz de gerar um herdeiro e de garantir a sucessão. Enquanto a cristandade espera um papa e as pessoas estão a morrer de fome, as rivalidades, intrigas e conspirações vão despedaçar o reino e levar barões, banqueiros e o próprio rei a um beco sem saída, ao qual só parece ser possível escapar pelo derramamento de sangue.


Há dois factos que devo assinalar logo no início. Em primeiro lugar dar os parabéns à editora por ter apostado em juntar os dois primeiros livros da saga num só, permitindo que a história se torne melhor e mais completa ao fim da primeira leitura. O segundo facto é que este livro é mesmo muito bom!

Sendo dois livros num só, estamos perante uma leitura de mais 470 páginas, mas a enorme velocidade a que o li demonstra o quanto me agarrou. Druon apresenta um trabalho meticuloso e objetivo, não tendo problemas em chocar o leitor com alguns acontecimentos inesperados. Confesso que no início, por não ser um grande conhecedor da história de França, achei estranho o livro estar a dizer-me, de forma totalmente direta, que a rainha iria ser estrangulada. Porquê tal revelação ainda antes de começar a leitura? A razão é que tal facto é apenas uma migalha em toda a intriga que Druon criou. 

Apesar de cada livro original ser pequeno (este livro contém os dois originais e não é assim tão gigantesco), o autor explora de forma muito completa um enredo cheio de intriga, política, religião, espionagem, sexo, etc... Os temas encaixam de forma surpreendente em alguns momentos e apesar de estarmos perante um romance que não foge muito do que foi a história, vemos com facilidade que o autor oferece um toque de ficção que é muito agradável e nos prende com facilidade. É difícil arranjar um romance histórico que demonstre, logo desde o início que estamos perante algo bom.

Druon escreve com calma, sendo acutilante quando é preciso mas também um professor para o leitor que não conhece detalhes importantes da história. Este é um aspeto muito importante nos romances históricos: a capacidade do autor em nos dar o contexto político/social para percebermos algumas decisões e acontecimentos, e não saturar ao fazê-lo. Druon consegue-o com grande facilidade. A isso consegue aliar um conjunto de personagens interessantes, algumas muito bem conseguidas, sendo notório que a linha que separa "os bons e os maus" é muito ténue. É tudo uma questão de interesses, coragem e firmeza moral. Pelo meio as paixões, os medos, as dúvidas. Druon cria personagens completas e que nos prendem, e torna-se muito difícil largar o livro.

Até onde iremos por poder? O que torna  digno o homem que tem como objetivo governar? O que o torna apto para tal? O que leva alguém que já tem tanto, quando comparado com a maioria da sociedade, a desejar ainda mais... e a arriscar tudo por mais poder? É nestas questões que o livro se sustenta, transportando-nos para a loucura dos nobres e para as conspirações dos astutos e falsos. Este é um enredo de aliados esquivos e inimigos das sombras...

Estes são apenas os primeiros dois livros de sete, e por isso não me alargo muito na minha opinião. O que é óbvio é que irei ler esta saga até ao fim, porque Druon começa-a com um trabalho muito acima da média. Existe inteligência por parte da editora em juntar estes dois livros, pois a segunda parte é mais cativante e mais intensa, com um final que nos leva a querer ler já o próximo. Para já, muito bom. Que venham os próximos, e rápido!

Luís Pinto