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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A OESTE NADA DE NOVO


Autor: Erich Maria Remarque

Título original: All quiet on the Western front




Este é considerado o melhor, ou pelo menos um dos melhores livro algumas vez escritos sobre a Primeira Guerra Mundial.

Quando há dois anos li o seu livro "Uma noite em Lisboa" (podem ler a minha opinião aqui), soube que, mais cedo ou mais tarde, teria de ler a obra prima de Remarque e não fiquei desiludido. Remarque tem uma escrita que nos marca, com descrições diretas, sem problemas em chocar-nos para nos mostrar a realidade, com momentos que, acredito, nunca mais irão esquecer. 

No que difere este livro dos outros? A grande diferença é que todo o livro apenas se foca no lado humano, deixando política e estratégia militar fora do enredo. Sem fazer foco a nenhum acontecimento histórico em particular dentro da guerra em si, Remarque leva-nos pelo olhar de um soldado alemão de 19 anos, que se alista cheio de sonhos, orgulho e força, para depois nos mostrar as suas transformações, físicas e psicológicas, durante a guerra, passando de seguida um olhar por aqueles que sobreviveram, mas que nunca mais serão os mesmos.

Remarque irá chocar o leitor, não pelas fortes descrições visuais, mas pelo olhar que consegue oferecer do que estes soldados vêem, do que sentem, do que perdem e do que ganham. É uma visão aterradora, tal como o é a própria guerra feita por aqueles que estão atrás de secretárias, e aos poucos toda a moral se perde,  toda a justiça ou noção de dever. É apenas a luta pela sobrevivência daqueles que poderiam ter outra vida e que não tinham noção do que os esperava. Poderá alguém, por mais filmes ou documentários que tenha visto, por mais livros que tenha lido, estar minimamente preparado para o que a guerra lhe irá oferecer?... não. E no fim, a única coisa que se conseguiu, foi sobreviver, e digo "única" porque tudo o resto se perdeu.

Este não é um livro que nos tente agarrar com uma história, mas sim mostrar a realidade. Nesse aspeto, Remarque conseguiu-o melhor do que qualquer outro livro que tenha lido sobre o tema. A psicologia explorada ao máximo. O que nos faz matar, o que pensamos quando o fazemos, o que sentimos entre as batalhas enquanto o corpo descansa? O que custa perder o amigo ao nosso lado...

Claro que nenhum livro é perfeito, mas nunca tinha lido um livro tão bom sobre a 1ª Guerra Mundial. Existem momentos e diálogos que não esquecerei tão cedo e no fim fica a sensação que esta obra apenas está ao alcance de um grande escritor que viveu aqueles momentos. E por isso digo que há livros que todos devemos ler, e este é um deles. Para quê? Para sabermos o que somos capazes de fazer para sobreviver e o quanto esses momentos limite nos mudam para sempre, porque certos acontecimentos são mais do que a nossa mente consegue suportar. 

Este livro ficou de tal forma comigo que enquanto escrevo este texto, recordo aquele rapaz de 19 anos, os seus sonhos e orgulho patriótico em contraste com a seguida compreensão da realidade da guerra, e acredito que a sua história foi verdadeira, pois muitos jovens terão passado pelo mesmo. É esse soco no estômago que não se esquece e que me fará voltar a ler este livro quando for mais velho, provavelmente com outro olhar sobre alguns temas, mas, no fim, com a mesma sensação de que o Homem é mesmo capaz do mais puro ato de amor, mas também do extremo oposto, e pelo meio, uns apenas tentam sobreviver.

Luís Pinto  

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

UMA NOITE EM LISBOA

Autor: Erich Maria Remarque

Título original: Die Nacht von Lissabon



"O que possuiremos nós realmente nesta vida? Porque será que nos desassossegamos tanto por causa daquilo que, quando muito, nos é meramente emprestado por algum tempo; e qual a razão de tanta conversa sobre graus de posse, quando o carácter ilusório da palavra “possuir” significa meramente abraçar o nada?"

Remarque, autor do famoso "A Oeste nada de novo", leva-nos à Segunda Guerra Mundial, o mais marcante confronto da humanidade, sinónimo de dor, desespero, morte. Lisboa, capital de um pais neutro, é o objetivo de todos os que fogem e sonham com a paz que a América lhes pode oferecer.


A maioria da humanidade anseia por encontrar Deus, mas se realmente o encontrassem, o que fariam? O que perguntariam? O que pediriam?

Com uma narrativa cheia de diálogos e sem um único momento de ritmo baixo, Remarque mostra-nos um homem que regressa a casa, Alemanha, para encontrar a sua mulher. De origem judaica, este homem de vários nomes, dependendo do passaporte, oferece-nos uma história de sobrevivência, medo e incapacidade para perceber como poderá o mundo ter-se tornado no que o rodeia. Este homem, uma personagem excelente, transmite-nos o seu medo e confusão, confusão essa que o faz enfrentar, talvez de forma inconsciente, todos os perigos, apenas para ter a sua mulher a seu lado.
Na noite de Lisboa, já sem esperança, este homem descreve uma vida inteira de luta, alimentada por um sonho, mas destruído pelo mais inesperado inimigo. Uma vida é tudo o que temos, mas, e quando essa noção já não existe? Quando a nossa passagem neste mundo é tão cheia de dor e medo, que valor tem a nossa vida para nós mesmos?

Rodeado por este conflito global, o passaporte é o mais importante para a tua sobrevivência, é o que te pode salvar. Mas o que te define? Vivemos numa civilização regida por leis, e temos orgulho de mostrarmos como somos civilizados dentro dessa visão criada durante anos. Mas seremos civilizados por decisão ou imposição? Se houvesse impunidade para todas as nossas ações, que mundo seria o nosso? Quem é afinal este homem? O que aparece no passaporte, solitário, apreciador de arte; ou será aquele que enfrentou tudo para viver com a sua mulher?

A Segunda Guerra é um tema que me atrai bastante, e este livro está ao nível das minhas expectativas. Rico em sensações e questões marcantes, vemos um homem para o qual já nada tem valor. Vive apenas para matar o inimigo e contar a sua história, e talvez assim, atingir a imortalidade que o seu amor merece. Ou talvez encontre o significado e lógica para tudo o que o rodeia.

A imagem de Lisboa é de uma cidade luminosa, num mundo sombrio, onde reside alguma esperança. Remarque dá-nos um livro que me faz lembrar O Pianista, livro também fantástico e que aconselho.
Não é o melhor livro que li sobre esta época, mas a sua qualidade é inegável e será uma excelente leitura para quem gostar de ler as impressionantes experiências de vida desta época e sobre a qual todos nós devemos saber um pouco mais. Gostei bastante do final, que poderá não agradar a todos, não por ser feliz ou triste, mas porque acaba de forma pouco usual e que me surpreendeu bastante.

Irei, certamente, voltar a este autor, e talvez ler o seu mais famoso trabalho: A Oeste nada de novo. Para todos os que procurem bons livros sobre esta época, sem apresentarem uma grande violência, este livro é uma excelente escolha.