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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

MEMÓRIAS DO GELO


Autor: Steven Erikson





Sinopse: O continente Genabackis foi assolado pela guerra. Da destruição surge um novo e sombrio poder, o Pannion Domin, que se espalha como lava, invadindo o território e destruindo todos os que não aceitam a palavra do ardiloso Profeta.
No sagrado deserto de Raraku, a vidente Sha’ik e os seus seguidores preparam-se para a rebelião há muito profetizada.
Sonhos de liberdade e vingança alimentam a revolta. Alianças improváveis são forjadas, mas serão suficientes para travar um domínio cada vez mais terrível e sangrento




Os fãs de fantasia sabem que poucas sagas têm tantos fãs, espalhados por este mundo, como esta de Erikson. O Império Malazano é uma saga enorme, a uma escala que poucos conseguiram alcançar, com uma história densa, complexa e coerente. Este 4º livro continua a aumentar a escala dos livros anteriores, explorando um mundo fantástico com muito passado para ser conhecido. 

Tal como noutros livros, Erikson continua a aprofundar um dos melhores mundos alguma vez criados dentro do género fantástico. É fácil perceber o quanto este mundo tem para dar. Criando várias ligações entre os livros anteriores, e aprofundando bastante o passado deste mundo, olhando para tempos anteriores ao primeiro livro, Erikson oferece uma coerência e uma base a este mundo realmente impressionante, que nos leva a perguntar até onde irá Erikson desenvolver ainda mais toda a parte geográfica, social, política, religiosa e de tudo o que preenche este mundo. 

Pelo meio temos as personagens, também elas bem criadas e de forma muito parecida ao mundo, com grande foco no seu passado, criando também a base para as suas decisões. Todas as personagens são distintas, com passado, com coerência e com capacidade de nos surpreender, sem nunca parecer algo forçado.

Com um ritmo que parece uma montanha russa, com altos e baixos, Erikson encontra um bom equilíbrio. Claro que sendo um livro denso e extenso, não atinge uma intensidade elevada durante muito tempo, mas ainda bem que é assim, porque o trunfo do livro está na construção de tudo o que existe. Nada parece fora do sítio, não parece faltar nada, para termos aqui uma das sagas de maior escala na literatura fantástica. É verdade que ainda faltam muitos livros e isso nota-se na construção e nos diálogos, que estão sempre a revelar ou a preparar algo, mas uma coisa é certa: não foram precisos muitos livros para se perceber que estamos perante um dos melhores trabalhos de fantasia de sempre. Venha o próximo, porque até agora, tem sido sempre a melhorar.

Luís Pinto

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O CAMINHO DAS MÃOS


Autor: Steven Erikson



Sinopse: Os exércitos do Apocalipse, liderados pela vidente Sha’ik, assolam o Império Malazano e uma guerra santa deixa um rasto de vítimas e destruição. A liderança militar escolhe um plano audacioso de evacuar os sobreviventes que restam para Aren, a única cidade no continente ainda sob controlo do Império. Por desertos e vastas desolações, milhares de refugiados não têm outra escolha senão participar no êxodo lendário conhecido como A Corrente de Cães.
No outro lado do continente, uma conspiração está em curso para assassinar a Imperatriz Laseen, e não faltam protagonistas sedentos de vingança ou envolvidos em demandas secretas. Mal sabem eles que todos os caminhos estão inevitavelmente ligados ao Apocalipse que se liberta… 


Neste terceiro livro de Steven Erikson, a qualidade continua muito alta. Quando comecei esta saga, já conhecia a enorme legião de fãs espalhados por todo o mundo que veneram estes livros, considerada como uma das melhores de sempre da fantasia. Quando a Saída de Emergência começou a lançar estes livros percebi que estava na altura de mergulhar no Império Malazano e explorar este novo mundo e a cada livro fica melhor, ao ponto de acabar um livro e desejar que a editora lance logo o próximo.

Esta saga divide-se em dois grandes trunfos. O primeiro são as personagens, muito bem criadas e com muita densidade e história, não só as principais mas também as secundárias. Sendo os personagens o grande motor desta saga, é muito interessante ver o quanto o autor explora os passados de alguns personagens e os encaixa na história. Ao fim de três livros, e com tantas e tantas personagens criadas, não me sinto confuso e tenho a noção de que conheço de forma profunda algumas personagens importantes e com peso no enredo. A questão é que o autor continua a aumentar o leque de personagens e a abrir o espetro, levando-nos para níveis de densidade e de complexidade que poucas sagas atingiram, e ainda só estamos no terceiro livro...

E é pela visão das personagens que chegamos ao segundo trunfo desta saga até agora, o mundo. Com o autor a saltar entre várias personagens, quase apagando a linha que separa das personagens principais das outras, o autor a cada capítulo explora mais e mais o mundo, não só no tempo presente, mas fundamentalmente no passado, para nos dar uma base coerente e bastante sólida deste mundo que vamos conhecendo. Com isto, e quase fazendo lembrar "A guerra dos tronos" pela forma como este mundo é explorado, fica a noção clara de que esta saga ainda tem muito para dar, e muito que já "deu" mas que nós ainda não sabemos. Existem momentos neste livro que fazem todo o sentido quando nos lembramos de algo que aconteceu no primeiro livro e que parecia insignificante, e é esta noção de plenitude e de ligação entre acontecimentos que torna esta saga fantástica.

É verdade que a saga é enorme e que ainda estou apenas no início, mas em termos de qualidade, poucas sagas conseguem no início apresentar um nível tão alto. Se gostam de fantasia, claramente que têm de ler estes livros.

Luís Pinto


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

OS PORTÕES DA CASA DOS MORTOS


Autor: Steven Erikson

Título original: Deadhouse Gates



 
Sinopse: O Império Malazano é abalado por uma purga da nobreza onde muitos aristocratas são traídos e desterrados para as minas. Enquanto isso, no Sagrado Deserto Raraku, a Vidente Sha’ik e os seus seguidores aguardam o líder prometido de uma rebelião há muito profetizada.
Perante esta insurreição brutal, as forças malazanas terão de recorrer a um plano de evacuação desesperado e audaz para salvar os refugiados imperiais. De uma dimensão e selvajaria nunca antes vistas, este pico de fanatismo e sede de vingança irá mergulhar o Império Malazano num conflito sanguinário onde as hipóteses de sobrevivência não estão ao alcance de todos.




Depois de um fantástico primeiro livro, Steven Erikson melhora em alguns aspetos e oferece um fantástico segundo livro. Mas, vamos por partes.

Aumentando ainda mais o seu universo, Erikson explora novos locais, novas raças e novos personagens, algo que já era de se esperar. Mas a forma como o faz é algo que está noutro nível. A complexidade do que estamos aqui a ler apenas é alcançada por algumas obras primas da literatura. E, obviamente, o trunfo não está na complexidade, mas na coerência do que estamos a ler. Criar complexidade é fácil. Criar algo complexo, com sentido e coerência é outro nível. E Erikson consegue-o, pelo menos até agora.

Algo que não estava nas minhas expectativas era ver que o autor se foca noutras personagens que não as principais do primeiro livro. Com isto, o autor volta a fazer apresentações e a aumentar o universo, começando aos poucos a criar ligações entre as várias narrativas. No entanto, confesso que se torna óbvio que um leitor que não leia os livros com um espaço de tempo curto entre ambos, poderá não apanhar todos os detalhes que ligam as várias personagens.

Com uma boa história e uma montagem que a torna ainda melhor, o autor sabe o que está a fazer. Dá os detalhes certos nos momentos certos, e nunca facilita a vida ao leitor que terá de perceber toda a teia de acontecimentos e personagens que terá pela frente. Neste aspeto, é incrível a sensação de magnitude desta saga logo no segundo livro. Existe uma noção clara de que o autor ainda tem muito para explorar neste universo que criou.

Estou a gostar mesmo muito desta saga. Este segundo livro está nos melhores livros que li este ano, e claramente que esta saga está entre a melhor fantasia que li nos últimos tempos. Não quero alongar-me mais porque estou apenas no segundo livro de uma saga bem longa e que é das mais aplaudidas e amadas dos últimos anos. Para já, parece óbvio, que estamos perante uma grande saga, totalmente recomendada a quem gosta de fantasia.

Luís Pinto

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

JARDINS DA LUA


Autor: Steven Erikson

Título original: Gardens of the Moon




Sinopse: Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen.
Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda…
Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de uma excecional nova voz.



Para aqueles que não sabem, este é o primeiro de uma saga de dez livros. 
Para aqueles que não sabem, esta saga é considerada, de forma quase unânime, uma das melhores sagas de fantasia de sempre.
Para aqueles que não sabem, este é considerado por todos como o livro mais fraco dos dez.
E para aqueles que não sabem, fiquem a saber, este livro é muito bom...

Vamos começar pelo óbvio: querem um bom livro de fantasia para este natal? A escolha é este. É difícil, sem revelar nada, conseguir identificar os pontos altos deste livro, até porque são vários mas todos eles ligados diretamente à história. Começando pelo mundo, Erikson criou um universo bastante coerente e vasto. Apesar de só estarmos no primeiro livro, facilmente se percebe que o universo é vasto, cheio de História e com personagens que encaixam muito bem neste mundo. Flora e fauna são explorados de forma suave, mas sublime em alguns momentos, tornando este mundo credível. 

Outro grande aspeto está ligado ao passado deste mundo e destas personagens. Existe uma história anterior que molda de forma inteligente o que está a acontecer nestas páginas, demonstrando em vários momentos que o autor sabe o que está a fazer e sabe para onde vai. Aos poucos o enredo torna-se coerente e a ligação com os personagens é criada com facilidade. Por outro lado as dúvidas aumentam mas o autor não nos dá todas as respostas de imediato, apenas as que nos levam a querer ler ainda mais.

Destaque também para as raças criadas. Gostei da forma como o autor sustentou as raças, com as suas magias, costumes, traumas e objetivos. Tudo faz sentido neste primeiro livro apesar das muitas dúvidas que ficam no ar. O enredo está muito bem conseguido e a narrativa é um ponto alto pela forma como "salta" mas também pela suavidade com que toca alguns temas bem reais num mundo de fantasia. pelo meio, personagens carismáticas, bons momentos de ação e diálogos que nos dizem sempre algo. 

O resultado final é um livro onde tudo parece encaixar bem. Nota-se claramente que o enredo está apenas a aquecer e também se percebe que há muito que não sabemos (algo que se torna óbvio quando sabemos que ainda faltam 9 livros). Li este livro à velocidade da luz mas sempre com o espírito crítico necessário para parar e perceber se o que estava a ler fazia sentido ou era forçado. Agora que já o li, não quero falar sobre o enredo para não vos estragar a surpresa. O que posso dizer é que este é um livro muito bom, e se é considerado, de forma unânime, o mais fraco de toda a saga, então de certeza que irei ler os próximos assim que possível.

Depois destas páginas é fácil perceber o porque de Erikson estar ao lado dos grandes nomes da fantasia, como Sanderson, George Martin, Tolkien ou Feist. Totalmente recomendado e só espero que os próximos não demorem muito a chegar.

Luís Pinto