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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O ÚLTIMO TUDOR


Autor: Philippa Gregory



Sinopse: Três irmãs. Três vidas. Três formas de poder.
A história de Joana Grey e suas irmãs que ousaram desafiar as suas rainhas.

Joana
O pai de Joana Grey e os seus conspiradores convencem o rei Eduardo VI a nomear Joana, sua prima, para o trono, em vez da sua meia-irmã Maria. Joana é acalmada rainha e reina durante nove dias. Maria rapidamente reuniu um exército e reivindicou a coroa encarcerando a prima na Torre. Quando Joana se recusa a trair a fé protestante, Maria manda executá-la.

Katherine
"Aprende a morrer" são as palavras que Joana escreve numa carta para a irmã. Katherine só tem intenção de desfrutar da sua beleza e juventude e encontrar o amor. Mas a linhagem torna-a uma ameaça para a insegura e infértil rainha Maria e, quando esta morre, para a irmã, a rainha Isabel, que nunca permitirá que Katherine se case e produza um potencial herdeiro real antes dela. Quando o casamento secreto de Katherine é revelado pela sua gravidez, também ele vai pra a Torre.

Mary
"Adeus minha irmã", escreve Katherine para a irmã mais nova. Mary está consciente da posição perigosa como possível herdeira do trono, mas está determinada a comandar o seu destino, enfrentando a desconfiança e a crueldade da sua prima Isabel.




Quem conhece esta autora sabe que a qualidade está garantida, tal como a capacidade única de nos levar para este mundo e época de realeza inglesa, onde as conspirações são a base de tudo o que acontece à volta do trono.

Este é mais um livro muito interessante e capaz de agarrar qualquer leitor que aprecie o género. Gregory começa por nos mostrar as personagens principais com grande suavidade, sendo fácil ficarmos a conhecer estas três irmãs. As três personalidades, bastante distintas, são o grande foco deste livro, pela forma como interagem, como decidem as sua ações, como cada uma tenta sobreviver à sua maneira. são três jogos de poder bem diferentes, bem definidos, com o leitor a nem saber por quem torcer, sem saber qual delas poderá vencer no fim, se é que existirá uma vencedora.

Como sempre, o ambiente está muito bem criado, com detalhes fantásticos sobre como era a vida nesta época, com grandes contrastes sociais, religião como grande foco e a política, conspirações e espionagem a serem os motores de toda a vida na realeza. Um impressionante jogo de interesses que a autora explora muito bem nestas páginas. Um grande trabalho de investigação, já o normal nos livros da autora.

Como em todos os livros, a autora faz um livro de leitura fácil e escrita suave, mas sem deixar de explorar temas importantes, principalmente sociais. Com bons diálogos e bons momentos, apesar de alguns mais forçados, o aplauso vai para as três irmãs e para a forma como empurram esta história para um final muito bem conseguido, sempre com alguma tensão no ar em cada página. Existem momentos que nos marcam, não só pelas decisões que são tomadas, mas principalmente pela fomra como a autora explora certos factos desta sociedade num enorme contraste de riqueza ou influência, sem nunca se esquecer de manter um nevoeiro impulsionado pela religião. Gregory é o grande nome da literatura que explora esta época inglesa e este é mais um livro que o comprova. Não é o seu melhor livro, mas é uma obra que irá agradar a todos os seus fãs ou aqueles que procuram um bom romance histórico.

Luís Pinto


sexta-feira, 16 de junho de 2017

A RAINHA SUBJUGADA


Autor: Philippa Gregory





Sinopse: Intriga, ambição, poder, amor e história, com uma pesquisa rigorosa e contada de forma soberba sobre Catarina Parr.
A última e sexta mulher sobrevivente de Henrique VIII. Uma mulher forte, intelectual, culta e de uma beleza cativadora. 






Poucos, ou talvez nenhum autor no mundo, conseguem ter tanto sucesso no género de romances históricos quanto Philippa Gregory. Quase sempre focados em personagens principais femininas, a autor volta aqui a explorar de forma convincente as mentes de homens e mulheres na era dos Tudors, com grande destaque, uma vez mais, para Henrique VIII.

Numa narrativa de ritmo equilibrado, a autora aprofunda os temas do costume: religião, crenças, construções sociais e enredos políticos, onde uns jogam por poder, outros pela sobrevivência, e quase todos por um pouco mais de influência. Tudo isto misturado em bons diálogos que muitas vees querem dizer mais do que foi dito.

Cheio de intriga, como sempre, estamos perante uma personagem principal que me surpreendeu em alguns momentos, principalmente na forma como lidou com vários personagens e os encaminhou pelo seu plano, criando ligações que seria necessários no futuro do país e também da sua própria sobrevivência. A autora explora a mente desta jovem e facilmente sentimos simpatia pela sua situação numa época em que as mulheres muito pouco peso e influência conseguiam exercer nos jogos políticos ou religiosos.

Tal como nos habitou, Gregory oferece mais um bom trabalho de investigação, não só de personagens, mas também na forma como mistura ficção e realidade e nos descreve os cenários e ambientes que facilmente nos ajudam a viajar até esta época.

Quem goste desta autora tem aqui mais um bom livro. Não está entre os melhores de Philippa Gregory, mas tem a qualidade que a autora nos costuma oferecer. Se gostam da autora ou do género, será certamente uma boa leitura, principalmente para o público feminino.

Luís Pinto

sábado, 22 de outubro de 2011

DUAS IRMÃS, UM REI

Autor: Philippa Gregory              

Título original: The other Boleyn Girl



Este livro fala-nos de desejo, mas o que é tal “coisa”? Que sentimento é esse que nos rouba a lógica, destrói limites e moral, mudando uma pessoa? Este é um livro que nos mostra que o ser humano vive a desejar o que não tem. Quando o tiver, é provável que deixe de desejar. No fim percebemos, nós não escolhemos o que desejamos. É algo mais forte do que nós, que não controlamos e na nossa falta de lógica não conseguimos explicar. E é isso que acontece ao Rei Henrique VIII.

Este foi o único livro que li desta autora. Li-o porque esta parte da História inglesa sempre me interessou e as críticas do livro foram muito favoráveis. No entanto há dois factores a ter em mente quando agarramos este livro: primeiro que é uma obra de ficção, não um livro para aprendermos o que realmente aconteceu. Segundo, este livro tem 640 páginas, o que a princípio pode desagradar às pessoas que suspeitem que este seja um livro cheio de descrições e com uma leitura lenta.
Mas é a escrita de Philippa que torna este livro em algo agradável a ser lido. Uma escrita fácil, rápida e acessível, sem nunca deixar de descrever a vida da corte de forma surpreendentemente apelativa, o que é raro. É verdade que para mim, este livro terá umas páginas a mais, mas torna-se um pormenor insignificante quando acabamos a sua leitura.
Por vezes, nestes livros de Ficção Histórica, desagrada-me os autores “colocarem” diálogos quase sem conteúdo apenas para “encher” um pouco ou tentar demonstrar um mero ponto de vista de uma personagem. Esta autora não cai nesse erro, e os diálogos são fortes, necessários e muito bem construídos, ajudando sempre à compreensão da intriga e das personagens.
Para quem viu o filme, uma vez mais temos uma adaptação cinematográfica muito distante do livro. O livro, claramente superior, foca-se menos nas duas irmãs, Maria e Ana Bolena e dá-nos outras perspectivas, principalmente do Rei e Rainha. O Rei é a personagem que move este livro, quase indirectamente. Primeiro por sermos hipnotizados com a sua magnificência tal como todas as outras personagens o são, e depois ao percebermos que estamos perante um homem “mimado” que sempre teve tudo o que queria, nunca ninguém o confrontara com nada, e é esse o segredo de Ana, ela percebe-o tal como percebe a natureza do desejo.
No entanto este continua a ser um livro sobre as duas irmãs, e aqui a distinção entre elas é bem construída e coerente, mas a gosto pessoal achei a personagem Maria demasiado “boazinha” e ingénua, uma tentativa talvez demasiado forçada (na minha opinião) de mostrar uma personalidade que seja coerente com as suas acções. Durante toda a história é uma personagem que também se desenvolve, também aprende e confesso que gostei de como se desenrola a relação com o seu futuro marido.
A outra irmã, Ana, é uma personagem fabulosa, tal como o foi na vida real. Uma mulher capaz de tudo, que percebe o que a rodeia e se liberta dos poderes que o homem detinha sobre o sexo oposto, conseguindo alcançar com palavras e olhares aquilo que muitos não conseguiam com milhares de espadas. Mais fascinante ainda é a sua transformação quando consegue o que quer, tornando-se numa pessoa sufocada pelo medo de perder o que ganhara. Ninguém quer perder o poder que tem!
Existem também outras personagens interessantes neste livro, e todas elas lutam pelo mesmo. Numa época onde a posição na corte valia mais do que família ou moral, vemos como a sede de poder move muito mais do que tudo o resto e vemos o que se fazia pelo favor de um Rei, Soberano este que vivia para ser elogiado, sendo tal o seu impulso para as suas acções.
A religião está bem presente tal como a mentalidade do povo e os condicionalismos nos nobres para com a igreja, levando-nos a perceber que quando os interesses supostamente divinos levam a que nem sempre morra o culpado. Talvez o culpado seja realmente culpado de alguma coisa, mas talvez não do que é acusado.
Não sendo dos géneros literários que mais leio, este livro agradou-me imenso, pois tem o que é essencial, bons diálogos, boas descrições que não saturam, uma boa intriga base e personagens que se “movem” de forma coerente numa época histórica que me agrada imenso. Do melhor que já li de Ficção histórica, bem diferente do filme com o mesmo nome.
Fica o resto da saga para ler um dia, sem falta.