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domingo, 3 de dezembro de 2017

PARA LÁ DO INVERNO


Autor: Isabel Allende





Sinopse: «No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível.»
Albert Camus

Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.
Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.



Este livro foi uma verdadeira surpresa pela forma como a autora abordou alguns temas que não esperava encontrar neste livro antes de ter lido a sinopse. Allende, com uma escrita inteligente e direta em alguns momentos, leva-nos a viajar por uma sociedade dividida, cheia de medos, traumas, preconceitos e sonho alimentados por uma esperança que pode nem fazer sentido da forma como é usada.
Com a América a passar uma fase complicada, principalmente em questões sociais e de direitos dos seus cidadãos, Allende explora temas importantes e controversos, levando o leitor a "experenciar" uma leitura forte acutilante, capaz de tocar, direta ou indiretamente, tomas fraturantes da sociedade, principalmente aqueles que são baseados em preconceitos de raça ou nacionalidade.
Gostei das personagens pricinpais, não só como estão construídas, mas principalmente pela forma como a autora os explora e apresenta, levando-nos em alguns momentos, a perceber de imediato o preconceito social que cada um carrega. Após as apresentações, Allende leva-nos por uma viagem atribulada e que levará cada personagem a encontrar novas forças, novos objetivos, novos sonhos e esperanças em si mas também no que os rodeia.
Não querendo revelar nada que seja importante, a verdade é que gostei bastante deste livro. Allende, como sempre, tenta explorar personagens e acontecimentos que levam o leitor a ter grandes emoções durante a leitura e provando, uma vez mais, ser das melhores escritoras no seu género. Quer apreciem o género ou a autora, este é um livro facilmente recomendado.
Luís Pinto

sábado, 7 de novembro de 2015

O AMANTE JAPONÊS


Autor: Isabel Allende

Título original: El amante Japones


Sinopse: Em 1939, quando a Polónia capitula sob o jugo dos nazis, os pais da jovem Alma Belasco enviam-na para casa dos tios, uma opulenta mansão em São Francisco. Aí, Alma conhece Ichimei Fukuda, o filho do jardineiro japonês da casa. Entre os dois brota um romance ingénuo, mas os jovens amantes são forçados a separar-se quando, na sequência do ataque a Pearl Harbor, Ichimei e a família – como milhares de outros nipo-americanos – são declarados inimigos e enviados para campos de internamento. Alma e Ichimei voltarão a encontrar-se ao longo dos anos, mas o seu amor permanece condenado aos olhos do mundo.
Décadas mais tarde, Alma prepara-se para se despedir de uma vida emocionante. Instala-se na Lark House, um excêntrico lar de idosos, onde conhece Irina Bazili, uma jovem funcionária com um passado igualmente turbulento. Irina torna-se amiga do neto de Alma, Seth, e juntos irão descobrir a verdade sobre uma paixão extraordinária que perdurou por quase setenta anos
.


Este Amante Japonês é o terceiro livro que leio de Isabel Allende e apesar de em alguns momentos parecer que se trata de um livro com pouco fulgor e paixão, a verdade é que compensa com um enredo forte, marcante e cheio de mensagens.

Facilmente se percebe que Allende consegue, uma vez mais, criar um grupo sólido de personagens que marcam a leitura. Enquanto leitores, caminhamos por duas histórias paralelas e acompanhamos duas mulheres simultaneamente tão diferentes e tão iguais. Allende sabe explorar as suas criações e sabe aproximá-las dos leitores, sendo fácil criar uma ligação que nos leva a sentir e a desejar que a personagem atinja os seus sonhos. Todavia, é na história em si que estão os momentos mais marcantes. A autora traz-nos conceitos sociais da Segunda Guerra Mundial, cria um enredo à volta da mudança social que nasceu e utilizando factos verídicos molda o seu enredo.

Esta mistura entre factos verídicos e ficção agradou-me e prendeu-me por ser uma época que gosto bastante de ler. De um ponto de vista crítico, são as personagens o grande trunfo do livro, ma a mim o que me ligou a estas páginas foram as descrições de uma sociedade que sentiu a Segunda Guerra Mundial de forma ao mesmo tempo distante e próxima, com preconceitos a erguerem-se, mentalidades alteradas e pelo meio histórias de amor que tentam sobreviver numa das épocas mais negras da Humanidade. 

É verdade que Allende deixa sempre o seu enredo longe da guerra em si, mas também é verdade que a descreve como algo próximo, que afeta as pessoas, e que acaba por afetar o leitor. As duas histórias vão seguindo os seus caminhos e por vezes não percebemos onde está a ligação que a autora pretende criar, mas no fim nota-se. No fundo, o que Allende nos oferece é uma história de amor que enfrenta obstáculos que podem parecer impossíveis de vencer, e acabamos por notar como algo insignificante pode acabar por enfrentar um sentimento tão forte como o amor. No entanto, cada leitor acabará por retirar as suas conclusões, e no meu caso a mensagem que retirei foi essa. É preciso lutar pelo amor quando ele aparece, é preciso enfrentar o que nos rodeia. Depois pode ser quase tarde demais para o tentar recuperar.

Poderá não ser o melhor livro de Allende, mas eu gostei bastante da ideia base e do desenrolar dos dois enredos. A escrita da autora continua a ter uma beleza palpável em certos momentos e as personagens são o seu trunfo. É difícil não criar uma ligação e para quem goste deste género, ou que seja fã da autora, então está aqui mais um livro a ler.

Luís Pinto


sexta-feira, 19 de junho de 2015

INÉS DA MINHA ALMA


Autor: Isabel Allende

Título original: Inés del alma mia




Sinopse: Inés Suarez é uma jovem e humilde costureira, oriunda da Extremadura, que embarca em direção ao Novo Mundo para procurar o marido, extraviado pelos seus sonhos de glória no outro lado do Atlântico. Anseia também por uma vida de aventuras, vedada às mulheres na sociedade do século XVI.
Na América, Inés não encontra o marido, mas sim uma grande paixão: Pedro de Valdivia, mestre de campo de Francisco Pizarro, ao lado de quem Inés enfrenta as incertezas da conquista e fundação do reino do Chile.
Neste romance épico, a força do amor prevalece sobre a rudeza, a violência e a crueldade de um momento histórico inesquecível. Pela mão de Isabel Allende, confirma-se que a realidade pode ser mais surpreendente que a ficção, e igualmente cativante.




Inés da minha alma é um dos romances mais admirados de Allende, principalmente pela fascinante história que descreve e pela força da sua narrativa. Nesta obra, em que Inés nos conta as suas memórias, Allende faz um trabalho de grande qualidade a misturar ficção com realidade. Somos várias vezes confrontados com momentos ou personagens históricas que tornam tudo mais credível, dando ao livro uma sensação de realismo que torna a leitura mais intensa, como se aquelas palavras tivessem acontecido mesmo.

E é nesta mistura que começamos a ver a história de uma mulher que se torna muito maior do que ela imaginava na sua adolescência. O amor e a convicção podem mover montanhas, podem mudar pessoas, podem torná-las nos criadores de grandes momentos. Inés é a imagem de alguém que foi crescendo, alcançando os seus objetivos, tornando-se o foco numa história de violência, paixão, conquistas, lealdade e traições. E é aqui que entra um dos grandes, e conhecidos, trunfos de Allende: o de criar fascinantes personagens femininas que agarram o leitor. É essa força, determinação e realismo que aos poucos nos faz esquecer que é Allende quem escreve, pois tudo parece sair da mão desta personagem, Inés, pois o realismo, a forma de escrita e o pensamento, conseguem alcançar a singularidade que nos faz acreditar que estamos a "ouvir" aquela personagem.

Um dos fatores para esta sensação está na escrita da autora, capaz de transmitir emoções nos momentos mais importantes, de ter uma força que por vezes não esperamos, e que nos marca, enquanto explora temas difíceis de aprofundar devido à época em que a história se passa, e onde, por exemplo, os direitos das mulheres eram esquecidos, quer por quem governa, como pelo povo, e, em último caso, até pelas próprias mulheres.

De realçar ainda o conjunto de personagens, pois nota-se que Allende não se limita a colocar o seu esforço na construção de Inés. Existe um pequeno, mas credível, conjunto de personagens que tornam o enredo mais coeso e que em boa parte ajuda a vermos outros pontos de vista, outros momentos e outras mentalidades que Inés não possui, sendo estas personagens quem torna a história completa.

Allende criou uma história muito bem montada, emotiva e inteligente. Por momentos pareceu-me que a história se perdera do seu caminho, com diálogos que pareciam menos significativos, mas rapidamente a narrativa voltava a agarrar-me com um simples acontecimento. Retirando um ou outro momento que pode parecer mais forçado, a verdade é que é impossível parar de ler este livro caso gostem do género. A história de Inés fica na memória e abre os horizontes dos leitores. Claramente focado para um público feminino, é um livro recomendado a todos os fãs da autora ou do género. Ficará na vossa memória.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O JOGO DE RIPPER


Autor: Isabel Allende

Título original: El juego de Ripper



Sinopse: Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade. Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.



Este não é um livro que um início fácil. Allende começa com uma narrativa lenta, dando espaço a descrições e à introdução de várias personagens, e que pode desmoralizar o leitor que procura um thriller rápido. Aqui Allende dá destaque ao detalhe e apenas na segunda metade do livro percebemos o porquê de o enredo demorar tanto a arrancar.

Apesar de ser um thriller onde o objetivo do leitor, e também das personagens principais, é descobrir o assassino, a verdade é que a qualidade desta obra está nas personagens. Umas oferecem qualidade ao livro pela sua profundidade, outros pela superficialidade que a autora consegue criar de forma inteligente. E assim, este é um livro que se centra nas suas personagens, no seu passado, na forma como interagem entre si e como olham de forma diferente para um mesmo problema. Todavia, tal facto cria uma sensação estranha porque estando a ler um thriller, pensamos que a atenção deveria estar centrada na investigação, mas aqui isso é secundário na primeira metade do livro, pois o ideal é conhecermos o elenco deste livro.

Na segunda parte do livro a investigação ganha força, apesar de ser nas personagens que Allende sustenta o seu enredo, e nota-se que existe uma mestria nessa investigação, onde em vários momentos a autora consegue não revelar algo para depois nos surpreender. Isto é notório apenas no fim do livro quando vemos que certos fatos que deveriam ser óbvios, nunca foram revelados pela autora, e esses detalhes podem fazer a diferença, e assim, aquilo que foi suposto e parecia garantido, na realidade não o é.

Tentando não revelar nada sobre a história, existem alguns momentos surpreendentes, outros que parecem forçados, e um final que agradará à grande maioria dos leitores. No entanto Allende escreve um thriller que saí da base do género para criar algo sustentado nas personagens e no que as move e as torna humanas, quase reais. Pelo meio existe um foco especial para a forma como comunicamos num mundo onde atualmente qualquer distância é pequena e a informação corre a uma velocidade que não conseguimos acompanhar. 

Resumindo, e sem revelar nada, o final é bastante bom e torna o livro melhor. O início lento e detalhado demonstra que Allende é uma grande escritora que não se limita a escrever algo rápido e direto até ao fim. Estranha-se ler um thriller assim, podem até perder a vontade nas primeiras páginas, mas a última metade irá compensar o leitor que lá chegar. Eu não adivinhei o final e essa sensação é sempre muito boa! Recomendado, não por ser um grande thriller de ação frenética e constante, mas porque é um livro com muita qualidade e demonstra o quanto Allende é uma excelente contadora de histórias.  

Luís Pinto