Mostrar mensagens com a etiqueta David Ellis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta David Ellis. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

INVISÍVEL


Autor: James Patterson & David Ellis

Título original: Invisible




Após ter lido vários livros de Patterson, existe a sensação que o autor, usando a mesma fórmula, consegue sempre entreter e viciar. Com ideias base distintas, mas uma forma muito similar de as executar, neste caso Patterson volta a dar a perspectiva do herói e do vilão, mas é também um livro onde volta às descrições mais fortes e chocantes, elevando o enredo para um nível mais alto de tensão para o leitor. No entanto, devido a uma fórmula idêntica a cada livro, também existe o receio que comece a ser fácil perceber o que está nas páginas seguintes. Por vezes já me aconteceu, mas não aqui. E aquele que pode parecer pela capa apenas mais um livro de um autor que gosto de ler, foi mais do que isso. Este foi, provavelmente, a melhor leitura que tive deste autor. Um livro que os fãs irão adorar.

Então, o que me fez gostar mais deste livro? É difícil explicar o porquê sem revelar momentos do enredo, mas, sem dar spoilers, acredito que a grande diferença esteja no vilão. Patterson, aqui em conjunto, com Ellis, oferece um olhar detalhado e perturbador da mente deste serial killer, culminando em dois factos interessantes:

O primeiro é que torna-se óbvio, desde o início, que o leitor vai ficar agarrado à história devido à forma como este homem pensa, e ao desprezarmos as suas ações, continuamos a ler, tentando perceber onde irá falhar, quais os seus objetivos, quando irá parar, que vida tem para além de matar pessoas. Esta análise psicológica é sempre apetecível quando nos deparamos com uma mente tão diferente, e neste caso os autores oferecem-nos essa possibilidade desde o início e rapidamente percebemos que está aqui a base do livro. 

O segundo facto é que ao lermos o ponto de vista do vilão, temos a sensação que algo não está a ser contado de forma verídica. A cada instante acreditei que o vilão não nos oferecia um olhar honesto e isso aumenta ainda mais as questões que se vão levantando na investigação que faço enquanto leitor. 

A tudo isto junta-se o já habitual, e bem executado, conjunto de pequenos capítulos, sempre em ritmo elevado, onde acontece sempre algo que nos empurra para a página seguinte, resultando num livro que se lê de seguida numas tardes de verão. No entanto, apesar de termos um ritmo sempre elevado e uma narrativa totalmente focado apenas no que é essencial, gostei da forma como os autores exploraram algumas personagens, oferecendo um dos melhores conjuntos de personagens que já li num livro de Patterson. Não mencionando nomes, o que se destaca nestas personagens são as suas falhas e o facto de não se sentir que o investigador tem de ser mais inteligente do que o vilão para o conseguir apanhar. 

Sendo um dos livros mais violentos no aspeto gráfico, com Patterson a querer chocar o leitor para que este nunca sinta qualquer tipo de compaixão pelo vilão, Invisível é um livro que agarra o leitor desde o início. Consegue ser, ao mesmo tempo, um dos livros mais viciantes de Patterson, mas também um dos que tem mais qualidade. Sinceramente, acredito que este seja o livro que mais gostei do autor, devido a vários fatores, mas principalmente pelo vilão. Claro que tem momentos forçados, e outros que deviam ser explicados com mais calma, mas este é um livro para se ler rapidamente, oferecendo ao leitor uma necessidade de manter uma leitura rápida até ao culminar do enredo, aproximando a nossa leitura da adrenalina das personagens.

Falar deste livro sem revelar detalhes não é fácil, pois muito do que torna este livro interessante está em pormenores que vamos recebendo do enredo. Todavia, o que devo dizer aqui é que este é um livro que os fãs de Patterson devem ler, pois na grande maioria dos fatores essenciais a um thriller, está acima da média que o autor nos costuma oferecer e, se em muitos caso senti que os livros de Patterson resultam devido a uma fórmula narrativa, este resulta graças a mais fatores, e o vilão é o momento mais alto do livro. Gostam de thrillers? Gostam de Patterson? Então acredito que este livro é o vosso livro de verão.

Luís Pinto


domingo, 6 de julho de 2014

A AMANTE


Autor: James Patterson & David Ellis

Título original: Mistress




Sinopse: O jornalista Ben Casper é paranoico e obsessivo. E a maior e mais compulsiva das suas fixações é Diana, a bela mas inacessível mulher dos seus sonhos. Quando ela é encontrada morta, após uma queda da varanda do seu apartamento, as autoridades não hesitam em considerar que é um suicídio. Mas Ben conhecia bem Diana e sabe que ela nunca se mataria. Convence-se de que a amiga foi assassinada e embarca numa aventura arriscada para conseguir prová-lo.
O jornalista descobre, porém, que ela levava uma vida dupla, e à medida que outras pessoas envolvidas na vida de Diana morrem em circunstâncias questionáveis, torna-se evidente que alguém não quer que a verdade venha ao de cima. E, a menos que Ben desista da sua investigação, ele pode ser o próximo a «sair de cena»...



Não fugindo ao seu estilo vencedor, Patterson oferece-nos um livro de ritmo elevado, proporcionado por capítulos curtos, apenas com as descrições necessárias e constante foco no que faz avançar a história, não só no enredo propriamente dito, mas também nas construções das personagens.

Patterson é um autor de ideias base. Em cada livro existe uma ideia que sustenta todo um enredo e aqui não foge à regra. Depois basta implementar o seu estilo. Neste caso, e pela primeira vez nos livros que li do autor, a base é o personagem principal: um homem obcecado pela sua musa, uma mulher que, aparentemente, comete suicídio. A sua obsessão, leva-o a acreditar que conhece a sua musa o suficiente para saber que nunca cometerá suicídio. E parte à investigação.

Este é um dos livros mais difíceis de ler de Patterson, simplesmente porque dificilmente teremos qualquer tipo de simpatia pelo personagem principal. A sua obsessão está feita para nos repelir, levando-nos a questionar os seus atos, as suas ideias, e claro, a questionar até que ponto ele estará certo. Este é o ponto fulcral... se não gostamos da personagem principal, como podemos acreditar que está correto? Como iremos torcer por ele?

Como consegue Patterson afastar-nos deste personagem? Tornando-o irritante e sem qualquer tipo de moral. A narrativa empurra-nos para o interior da mente deste homem, com a sua forma "ilógica" de pensar (bastante bem conseguida), apoiada em ideias e factos que nos demonstram até onde chega o seu desequilíbrio. Pelo meio vemos como este homem tenta apoiar as suas decisões tendo como base ações de outras personalidades que admira, como por exemplo JFK. Esta tendência levou-me a perceber até que ponto a mente deste homem distorcia a realidade para apoiar as suas ações, e nesse momento a dúvida instalou-se, porque comecei a questionar até que ponto a narrativa também estaria distorcida pelo personagem. Estaria eu a ler o que estava realmente a acontecer?

Este é mais um livro interessante de Patterson que não se distingue dos outros por ter mais ou menos qualidade, pois a maioria dos livros do autor estão no mesmo patamar, mas distingue-se pela personagem principal que é a base do livro. Ao contrário de outros de Patterson, aqui a investigação é o motor, mas não é a base. A base é este homem pelo qual não sentimos simpatia mas que queremos saber se está certo ou não. E é esse personagem que fará gostarem mais ou menos do livro. Se forem fãs de Patterson e se quiserem uma experiência diferente, tendo como base uma mente perturbada, então este livro será mais uma leitura compulsiva.

Luís Pinto