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quarta-feira, 3 de abril de 2019

OS JULGAMENTOS DE NUREMBERGA


Autor: Bernard Michal


Sinopse: Os Julgamentos de Nuremberga foram o mais importante processo internacional de todos os tempos. Tiveram início a 20 de novembro de 1945 e marcaram definitivamente o fim da Segunda Guerra Mundial. Os «crimes contra a Humanidade» ganharam novos contornos ao responsabilizar‑se não só quem os praticou mas também aqueles que, pelos seus conselhos e influência, contribuíram para o deflagrar da guerra. Os alvos eram as mais altas personalidades do Terceiro Reich, civis e militares: Goering, Hess, Ribbentrop, Keitel ou Rosenberg. Hitler foi o grande ausente.
Como se chegou a semelhante processo? Teriam os Aliados o direito de se arvorarem em juízes e carrascos de um país e de um regime vencidos? Seria o processo legítimo? E se a guerra tivesse sido ganha pelos nazis, teria o mundo assistido a um «Nuremberga» ao contrário? Estas são algumas das questões a que este livro procura dar resposta.
Speer, um dos réus, declarará, ao reconhecer a culpabilidade do regime de Hitler: «Este processo é necessário. Mesmo sob uma ditadura, crimes tão abomináveis exigem uma responsabilidade comum. Seria uma desculpa inadmissível pretender escondermo‑nos por detrás da obediência às ordens.»



Regresso uma vez mais a este tema sobre o qual já li bastante. A Segunda Guerra Mundial é um dos momentos mais marcantes da Humanidade, por tudo o que alterou, pela forma como mostrou a nossa natureza, e também pelas alterações políticas que criou. A isso junta-se toda a parte filosófica, psicológica e económica que ainda hoje é estudada.

Neste livro olhamos para os julgamentos de Nuremberga, provavelmente, os julgamentos mais famosos de sempre. O livro explora e aprofunda bastante estes julgamentos, como foram criados, como foram dirigidos e quais eram realmente os seus objetivos. Estamos a falar de julgamentos completamente diferentes de tudo o resto que já tinha sido feito até então, uma nova página nos direitos humanos, na responsabilização, na luta contra a tirania mas também contra aqueles que fogem à responsabilidade ao alegarem que executaram ordens.

Gostei bastante da forma como o livro nos dá contexto. Nunca me senti perdido e a montagem é um grande trunfo pela forma como vai dando informação e como liga momentos e factos. Com isto o livro torna-se coerente e detalhado, mas sem baixar demasiado o ritmo. O resultado é que apesar de o tema ser forte e pesado, nunca baixei o ritmo de leitura. Neste aspeto temos de dar os parabéns ao autor pela forma como agarra o leitor, dando-lhe todos os detalhes importantes para uma compreensão extensa e completa dos julgamentos mas também dos efeitos, tanto antes como depois dos mesmos.

Outra questão interessante é a forma como o livro aborda a possibilidade de os nazis ganharem a guerra. Que tipo de julgamentos teríamos? E com esta possibilidade o livro torna-se mais psicológico, mais filosófico e, em certos momentos, mais político. É, por tudo isto, um livro que deve ser lido. Que nos ensina bastante, que choca e que nos leva a pensar sobre  o que aconteceu, e o que teremos de fazer para que não se repita. Um livro que um dia voltarei a ler e que explora um dos momentos mais importantes da nossa História e que tão poucas pessoas conhecem. 

Luís Pinto

quarta-feira, 4 de julho de 2018

HISTÓRIA DAS SEITAS E SOCIEDADES SECRETAS


Autor: Bernard Michal & Jean Renald




Sinopse:  O que é uma seita? E uma sociedade secreta?
Que mistérios e segredos as unem e as distinguem?
As seitas são apenas religiosas ou podem assumir um
cariz político ou filosófico?
A História das Seitas e Sociedades Secretas apresenta as mais importantes e influentes seitas e sociedades secretas que surgiram ao longo dos tempos, detalhando as suas origens e os enigmas que as envolvem, e analisando a sua importância no contexto histórico, social, político e religioso em que surgiram.
Das seitas da Cristandade antiga e medieval à Franco-Maçonaria, dos Carbonários à Máfia, este livro dá a conhecer os mais obscuros segredos de organizações que deixaram, e ainda deixam, uma marca no imaginário da História universal.
 

 
Este livro chamou-me a atenção porque me pareceu um livro focado em factos históricos e não em teorias da conspiração e outras especulações. E a verdade é exatamente essa. Apesar de ter sempre alguma especulação, até porque o próprio tema e algum desconhecimento assim o obriga, este livro consegue focar-se nos factos, explorar muito do que foi escrito, analisando documentos e a partir daí fazer as ligações necessárias.
 
Por ser um livro que aborda várias seitas e sociedades secretas, não existe aqui uma sensação de tema esgotado, ou de uma leitura pesada ou enfadonha, pois a forma como o autor vai explorando cada caso ajuda a que o livro seja sempre diferente e até com ligações entre seitas e/ou sociedades que numa fase inicial não pareciam existir.
 
Para além desta capacidade do autor de ligar vários temas, também da escrita e da forma como o autor aborda o essencial em cada caso, dando o contexto necessário, quer histórico, social ou político, para que o leitor perceba os contextos em que estas seitas foram criadas, como e onde atuaram, quais os seus objetivos e como foram evoluindo, atrás, ou à frente da sociedade que os envolve.
 
Com isto o autor aborda bastante o que eu procurava neste livro, uma abordagem histórica e muito focada nas questões religiosa, filosóficas ou políticas que levaram à criação e atuação destas seitas e sociedades. E foi graças a isto que o livro nunca se tornou numa leitura difícil, porque caminhou nos caminhos que eu procurava, sem grandes especulações e com uma base consistente e coerente que me fez avançar e continuar a ter vontade de ler mais.
 
É, contudo, um livro acessível, não sendo o livro mais completo dentro do tema, mas conseguindo, sem se tornar demasiado académico, ensinar bastante ao leitor. Se procuram uma leitura sobre este tema que seja uma boa introdução, bem estruturado e consistente, este é um livro a ter.
 
Luís Pinto