Autor: Tim Burton
Adaptado por Elizabeth Rudnick, e baseado na ideia original de Tim Burton, que também nos traz o filme, Frankenweenie é uma história que nos faz lembrar, tal como o nome indica, Frankenstein.
Aqui o personagem principal também se chama Victor, mas trata-se de um rapaz, apaixonado pelas ciências, que vê o seu cão morrer, deixando-o perante uma situação para a qual ninguém está preparado, qualquer que seja a idade.
A primeira sensação que temos ao agarrar o livro, é que estamos perante algo sombrio, pois as folhas negras e as suas letras brancas fazem-nos acreditar, de forma quase inconsciente, que algo de assustador irá acontecer. No entanto esta é uma história virada para o público adolescente (sem que seja exclusivo, pois qualquer adulto conseguirá tirar prazer deste livro) e como tal, trata-se de uma obra sem grande violência visual.
Com uma escrita muito simples, que nos leva a acelerar a leitura, Frankenweenie é uma extraordinária mistura de calorosos sentimentos com um toque de terror. Nestas páginas está presente a força da verdadeira amizade, aquela força que perdura perante tudo, até perante a morte, e sendo assim, um cão e o seu dono serão sempre indicados para mostrar a força da amizade.
O livro é bastante abrangente e completo, com momentos cómicos, alegres, tristes e outros que nos assustam, e onde a imaginação de Tim Burton recria vários monstros que já vimos noutros livros e filmes, alterando-os por forma a serem introduzidos neste mundo.
As personagens são boas, bem definidas e coerentes, com especial destaque para Victor e para o Professor de Ciências. São ainda estes dois personagens, os grandes impulsionadores das duas críticas mais importantes no livro. A primeira é a forma como as pessoas, enquanto sociedade, não aceitam grandes transformações, principalmente se não as compreenderem, limitando assim o avanço da ciência e das mais recentes gerações para o conhecimento. Mas a grande crítica está ligada a Victor: inventor do que seria no mundo real, a melhor invenção de sempre, fica perante o problema que a nossa sociedade sempre criará ao inventor... estará uma invenção destinada a praticar o bem, ou condenada a praticar o mal devido à demência ou ganância de quem a usa?
Sendo um livro para o público adolescente, mas que poderá ser lido por pessoas de qualquer idade, será normal que cada leitor encontre significados que a mim me fugiram, e que certamente marcará esta leitura, levando-a para outros sentimentos. A própria forma como levamos a leitura marcará a diferença, e poderemos olhar para esta obra como algo divertido e com momentos de acção, ou para páginas cheias de sentimentos e significados.
No meu caso, este livro levanta a grande questão da vida e da morte, e a forma como um rapaz a encara quando a sente pela primeira vez. O momento em que algo acaba definitivamente, deixando de respirar, mexer e sentir, marca qualquer criança, sendo o papel dos pais muito importante. Victor vê-se privado do seu companheiro, e muitos dos significados da sua vida são alterados sem aviso prévio.
O seu leve toque de terror, ideal com o Halloween tão perto, torna a obra mais interessante, mas não a marca definitivamente, e como tal, não deverá de deixar de ser lido se não gostarem de terror.
Um bom livro, que não sendo uma obra-prima dentro do seu género, conseguiu ser uma agradável surpresa. Quem gostar de Tim Burton, adorará este livro.