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segunda-feira, 24 de abril de 2017

IMPERADOR DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: Emperor of Thorns





Sinopse:  Um rei em busca de vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.
Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária.
Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos.




Regresso a esta trilogia para ver o seu fim e o que o autor preparou para Jorg, este personagem principal que por vezes odiamos mas que compreendemos.

Ainda antes de olhar diretamente para este livro, é preciso indicar que esta é uma saga diferente do normal e à qual deve ser dada o mérito de nos levar  a criar uma ligação com um personagem que moralmente deveríamos repudiar. É nos detalhes que o autor cria esta ligação enquanto vemos, principalmente no segundo livro, as mudanças que Jorg atravessa, e que o afastam do rapaz sedento de vingança do primeiro livro. 

Com o segundo livro a criar essa ligação e a levar-nos a compreender muitas das decisões de Jorg, o terceiro livro é um inteligente e surpreendente final para esta trilogia e suas personagens. Com o seu estilo habitual, Jorg leva-nos por batalhas, físicas e mentais, sempre com saltos temporais que nos dão, em simultâneo, novas perguntas e novas respostas. 

Tal como no livro anterior, o autor continua a explorar este seu mundo, sempre com interessantes ligações a um passado e a um mundo que conhecemos. A ligação é aqui mais forte e faz sentido dentro do universo criado pelo autor, tornando a trilogia coerente. Infelizmente, devido ao facto de a narrativa estar focada no narrador Jorg, fica a sensação que algumas personagens mereciam ser exploradas e acabam por não ser.

Com a narrativa a aumentar o ritmo a partir de meio do livro e com algumas revelações a serem apresentadas nos momentos certos, o autor prende o leitor numa viagem viciante em que algumas teorias se formam na nossa mente. Foi já perto do fim que comecei a perceber para onde o autor me levava, mas o porquê faz a diferença. Inteligente e com algum risco, o autor oferece um final que fica na memória e que encaixa muito bem nas personagens e no mundo que fomos descobrindo nestes três livros. Por tudo isto, este é o melhor dos três livros, principalmente porque com o conhecimento que oferece, consegue melhorar os anteriores livros.

Se procuram uma boa trilogia de fantasia e que se consegue diferenciar da maioria graças à sua personagem principal, então esta saga deve estar na vossa estante.

Luís Pinto



sexta-feira, 17 de março de 2017

REI DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: King of Thorns





Sinopse: O Príncipe Jorg Ancrath jurou vingar a morte da mãe e do irmão, brutalmente assassinados quando ele tinha apenas 9 anos. Jorg cresce na ânsia de saciar o seu desejo de vingança e de poder, e, ao fim de quatro anos, cumpre a promessa que fez - mata o assassino, o Conde de Renar, e toma-lhe o trono. Aos 18 anos, Jorg luta agora por manter o seu reino, e prepara-se para enfrentar o inimigo poderoso que avança em direção ao seu castelo.


Após um primeiro livro muito viciante, finalmente li este segundo livro em que o autor aproveita para explorar bastante algumas personagens e o mundo que as rodeia.

Em primeiro lugar percebe-se com facilidade que o autor abranda o seu ritmo. O livro está um pouco mais lento na fase inicial, não só para ir explicando o salto temporal entre os livros, mas também para saltar entre as duas narrativas que constituem o enredo. 

O autor explora algumas personagens com mestria, mas o foco está sempre em Jorg, com o qual se cria uma ligação nada fácil de se explicar. São muitos os livros em que estamos perante um personagem principal desprezível, e cabe ao autor desequilibrar a  balança para que o leitor odeie ou não o personagem. Aqui existe um equilíbrio difícil de se conseguir, e que é o grande trunfo do livro. Uma parte de nós percebe Jorg e quer que ele seja o vencedor. Outra parte rejeita todas as suas ações. E é neste misto que o livro nos leva, talvez com a esperança de que o personagem mude no final.

Com o mundo melhor explorado num ritmo ligeiramente mais lento, a personagem de Jorg torna-se fascinante, e sem ela este livro seria apenas banal. No entanto, de um ponto de vista crítico, este livro é superior ao anterior. É mais maduro, mais coerente e mais inteligente no que nos oferece e nos caminhos que percorre. É fácil perceber como o autor melhorou a estrutura do livro ao apostar em certas mudanças na narrativa, e todas elas foram para melhor. Por outro lado o livro sofre por ser o intermédio, não tendo um início fulgurante nem um final que satisfaça totalmente, porque o autor está, claramente, a preparar o terreno para o último livro. São várias as perguntas que ficam no ar, e nota-se que algumas personagens terão maior peso no próximo livro. Tudo isto pensado com inteligência, ficando apenas a faltar um bom livro final.

Este livro é a confirmação da qualidade da saga e do autor. A faltar apenas um livro não há muito a dizer aqui sem desvendar alguns momentos que devem ser lidos. Estou a gostar mais desta série do que esperava e evolução na qualidade deixa-me bastante confiante que o último livro será o melhor de todos. Para já, esta é uma série diferente, muito viciante, e cheia de qualidade. Estou muito ansioso para ler o último.

Luís Pinto

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

PRÍNCIPE DOS ESPINHOS


Autor: Mark Lawrence

Título original: Prince of Thorns






Sinopse: Com apenas 9 anos, numa emboscada planeada pelo inimigo para erradicar a descendência real, o príncipe Jorg Ancrath é atirado para dentro de um espinheiro, onde fica preso, com espinhos cravados na sua carne, a ver, impotente, a mãe e o irmão mais novo a serem brutalmente assassinados.
De alma destruída, sedento de sangue e de vingança, Jorg foge da sua vida luxuosa e junta-se a um bando de criminosos e mercenários, a quem passa a chamar de irmãos. Na sua mente há apenas um pensamento, matar o Conde de Renar, o responsável pelas mortes da mãe e do irmão, pelas suas cicatrizes e pela sua alma vazia.
Ao longo de quatro anos, Jorg cresce no seio de batalhas sangrentas, amadurece em guerras impiedosas, torna-se um guerreiro cruel e vai ganhando o respeito dos seus irmãos até que se torna o seu líder. Agora, um reencontro vai levá-lo de volta ao castelo onde cresceu e ao pai que abandonou. O que vai encontrar não é o mesmo sítio idílico de que se lembra, mas o príncipe que agora retorna também não é mais a inocente criança de outrora, é o Príncipe dos Espinhos. 



Fazendo uma pausa em livro mais factuais, decidi regressar à fantasia para começar a ler esta saga que tem dividido os leitores. Ao fim de ler este primeiro livro percebo essa divisão, pois o livro tem pontos fortes e outros fracos, mas já la vamos, pois no global é um livro bastante viciante.

Existem dois factores que distinguem este livro: a escrita do autor e o seu personagem principal. Começando pela escrita, o autor quer manter o ritmo sempre elevado e consegue, levando a que qualquer leitor acaba por agarrar-se à história e se entregue a uma leitura feroz. O problema é que o autor mantém o ritmo sempre elevado, mesmo nos momentos em que deveria travar e explorar mais um momento emocional ou os motivos de uma personagem. Existem, pelo menos, duas ou três vezes em que senti que o autor deveria ter abrandando e explorado melhor o que estava a acontecer, pois tinha a base para melhorar aquele momento.

Tirando a questão do ritmo, que tem tanto de benéfico como de prejudicial em alguns momentos, o autor consegue, e bem, criar um mundo bastante coerente, apesar de sempre sombrio, algo que poderá não agradar a todos os leitores mas que encaixa perfeitamente no ambiente do livro, principalmente porque estamos perante a visão de um personagem, e esse mundo sombrio é a forma como ele o vê.

E é essa personagem o trunfo do livro. O nosso Príncipe é um inteligente anti herói com uma linha mural questionável, pois os seu métodos são justificados pela necessidade de algo. Com este personagem, o autor consegue criar um livro que aos poucos é quase tão psicológico como é de fantasia. é este equilibro inteligente que nos faz continuar a ler, pois queremos ver como este rapaz evolui, até onde irá, onde irá falhar. É esta mistura em "O Príncipe" de Maquiavel e "O Conde de Monte Cristo" de Dumas que se equilibra e torna o livro bastante viciante.

Existem ainda outras personagens e uma história interessante e coerente na maioria das páginas, mas é este personagem que dá o toque de entusiasmo que um livro de fantasia deve ter. Sendo o primeiro livro de uma trilogia, muito fica por dizer, mas a base e a evolução da personagem, juntamente com algumas questões que ficam no ar, leva-me a acreditar que o próximo livro será melhor. Para já, estou a gostar e quero ler os próximos! 

Luís Pinto