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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

OS FRUTOS DO VENTO


Autor: Tracy Chevalier

Título original: At the Edge of the Orchard




Sinopse: Em 1838, a família Goodenough instala-se em Black Swamp, uma zona inóspita e remota do Ohio, onde cultiva um vasto pomar de maçãs para ter direito à terra. A vida naquele local é extremamente dura.
James e Sadie Goodenough encontram formas distintas de enfrentar as adversidades: James limita-se a esperar que as suas diletas macieiras cresçam e deem frutos, enquanto Sadie passa os dias embriagada.
Nisto, uma discussão entre o casal tem uma consequência terrível no destino dos filhos.
Em 1853, Robert, o filho mais novo, encontra-se a vaguear pela Califórnia em plena Febre do Ouro, incerto de que rumo dar à vida. Deve continuar a fugir do passado ou constituir família?



Desde as primeiras páginas que percebemos que este não é um livro fácil de se ler. A autora puxa pelas nossas emoções, torna cada página numa mistura de sentimentos e aos poucos começamos a sentir o ambiente negro que este livro lentamente cria. É a sensação de desespero em que vemos como o livro nos tenta retirar qualquer esperança para estas personagens. 

Com um interessante conjunto de personagens, o destaque vai para uma que não irei revelar o nome para que o leitor não fique condicionado quando ela aparecer. É essa personagem, secundária, que torna todas as outras melhores, e é com ela que chega alguma esperança. No entanto, este é um livro sombrio, tal como os tempos também o eram. Em primeiro lugar devo destacar o interessante trabalho de investigação que a autora fez. A mistura entre realidade e ficção, personagens históricas e de ficção, leva a que o enredo pareça coerente, tal como o mundo aqui descrito.

O ritmo é cheio de altos e baixos, tal como as próprias emoções que o livro transmite. Num momento sorrimos, noutros sentimos a personagem que mais gostamos a desistir de encontrar algo bom. Neste aspeto a autora está muito bem, pois consegue explorar as suas personagens, com grande foco no passado de cada uma, tendo como base traumas, sonhos e medos. O resultado é um enredo inteligente, duro e que agarra o leitor.

Gostei bastante da forma como a autora conseguiu misturar tantos momentos históricos neste enredo. São pequenos, suaves, mas estão lá, e levaram-me a sentir que conheço um pouco mais daquele momento histórico dos EUA em que tanto se sonhou e tantas famílias acabaram na pobreza, ou na riqueza. Numa visão global este não foi um livro que adorei e que recomende a todos, mas o ambiente sombrio está muito bem conseguido e no final fiquei com a sensação que apesar de não ser um livro para qualquer leitor, muitos irão gostar destas páginas, principalmente porque o final surpreende.

Foi uma leitura interessante com a qual aprendi bastante e que me deixou com vontade de ler mais sobre esta época. Como já disse, não é fantástico, mas se gostam deste estilo ou desta época, vale a pena ler.

Luís Pinto


quinta-feira, 4 de julho de 2013

A ÚLTIMA FUGITIVA


Autor: Tracy Chevalier

Título original: The last runaway


Sinopse: A Última Fugitiva é um romance vibrante sobre os tempos que antecederam a guerra civil norte-americana e a abolição da escravatura. Passa-se no Ohio rural, na década de 1850. Honor Bright é uma jovem quaker de Dorset que parte para a América em busca de uma nova vida. Cedo toma contacto com o Underground Railroad, um movimento de pessoas que ajudam os escravos negros a fugir para norte em busca da liberdade, uma causa a que os quakers eram muito sensíveis. Tracy Chevalier entretece com entusiasmo e beleza a história dos quakers pioneiros e a dos escravos fugitivos, revelando o espírito e a coragem de homens e mulheres comuns que tentaram fazer a diferença, desafiando até as suas próprias convicções mais profundas.


Esta leitura foi uma surpresa em alguns aspetos. Em primeiro lugar, a narrativa apresenta um ritmo mais elevado do que estava à espera, transmitindo ao leitor alguma da adrenalina que por vezes a nossa personagem principal sente. Por outro lado, também apresenta uma narrativa que "dança" entre uma escrita juvenil e suave, e uma escrita forte e madura, levando-me a sentir que a autora quer demonstra uma eovulção da personagem principal também com este aspeto e também alguma da luta interior da mesma.

Honor, a rapariga com a qual vivemos este romance, é uma personagem muito interessante, pelo que mostra, mas principalmente pelo que não mostra. Aliás, para mim, todo este livro ganha qualidade se o leitor tiver a atitude de questionar as decisões da personagem principal, porque é aqui que está a maior qualidade do livro.

Honor aprende aos poucos o que o mundo é. A visão juvenil e limitada desaparece aos poucos enquanto a própria sociedade lhe demonstra o que na realidade ninguém quer ver e muito menos preocupar-se. Honor terá pela frente decisões difíceis e enfrentará uma luta entre o que é moralmente correto, o que é socialmente aceite e o que a sua religião permite. E assim, este livro transforma-se num conjunto de questões onde o racismo e a religião ganham grande fulgor. 

Para quem questionar um pouco mais, verá que a autora não se limita a estes temas. Outros estão presentes, em algumas falas ou mesmo ideias que a nossa protagonista apresenta, levando, muitas vezes, a uma questão demasiado importante e que estará sempre atual: o direito de igualdade, e aqui não falo apenas em questões morais ou religiosas, mas também na enorme desigualdade financeira que sempre será a grande ferida numa sociedade. A juntar, devemos realçar que existe um notório trabalho de investigação por forma a misturar factos históricos e ficção, algo que foi muito bem conseguido pela autora, pelo menos para um leitor como eu, que não domina alguns dos factos históricos desta época.

As personagens são, na sua maioria, bastante interessantes, e tirando uma mais estereotipada, todas as outras são bem construídas. O mesmo podemos dizer dos locais e do ambiente social bem descrito pela autora. No entanto este livro é uma obra que marca pela coragem da autora em juntar religião e racismo de forma tão direta mas também tão indireta, e aos poucos esta história ganha coerência. 

Comovente e preenchido por um amor que surpreende em alguns momentos, esta foi uma leitura fácil e que me deixou a noção que melhora a cada capítulo: a início algo morno para acabar de forma madura e marcante. É verdade que existem momentos que parecem forçados e alguns leitores poderão não gostar, mas no meu entender, fazem parte do objetivo da autora em nos mostrar personagens com dúvidas e ingénuas. Este livro é o primeiro que leio da autora e lê-se rapidamente. Não é um livro marcante mas é uma obra que explora questões importantes enquanto no embala com um romance interessante. Quem gostar da autora, dos temas presentes ou até da época, este é um livro a ter em conta e que muitos irão gostar.

Luís Pinto 

Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui
Para mais informações sobre o livro A Última fugitiva, clique aqui