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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A PRAÇA E A TORRE


Autor: Niall Ferguson

Título original: The Square and the Tower: Networks and Power, from the Freemasons to Facebook




Sinopse: E se tudo o que julgávamos saber sobre a história estivesse errado? Niall Ferguson propõe-nos uma nova forma de olhar o mundo: reformulando cada um dos períodos transformadores da história mundial, incluindo aquele em que vivemos, evidencia a existência de um confronto intemporal entre as hierarquias do poder e as redes sociais. 
Grande parte da história é hierárquica: trata de papas, imperadores, presidentes, primeiros-ministros e generais. Fala-nos de Estados, exércitos e corporações. É sobre as ordens vindas de cima. Mesmo a história «da base» costuma centrar-se em sindicatos e partidos de trabalhadores. Mas e se isso acontecer simplesmente porque são as hierarquias que criam os arquivos históricos? E se estiverem a escapar-nos redes sociais igualmente poderosas mas menos visíveis, porque menos documentadas, mas que são as verdadeiras fontes de poder e os motores da mudança?


Niall Ferguson é um dos historiadores mais polémicos do nosso tempo, sempre capaz de nos mostrar a História com outros olhos, outros pontos de vista, por vezes polémicos e que tentam oferecer um olhar diferente sobre grandes momentos da nossa História mas também sob um olhar mais macro, onde algumas ideias enraizadas ganham aqui outros significados.

Muito do que Ferguson tem feito nos últimos anos é tentar quebrar certas ideias que damos como certa na nossa História mas que na realidade não são bem assim. Sempre com grande trabalho de investigação como base e um conhecimento imenso, este escritor leva-nos por caminhos que antes nunca tinham sido explorados, e com isso veio todo o reconhecimento que lhe é dado.

Gostei bastante da estrutura do livro, claramente focado em abordar os temas de forma muito particular e dando sempre o contexto necessário para que o leitor perceba algumas conclusões ou teorias. Tal é bastante importante porque de outra forma o leitor poderia ficar perante acontecimentos históricos que desconheça ou sobre os quais não domine os reais efeitos que tiveram. Com atenção a essa possibilidade o autor oferece sempre o contexto necessário, mesmo que suave, para o leitor não perder o fundamental. Com isto, percebe-se, principalmente, os efeitos que tais momentos tiveram tanto numa geografia mais localizada, mas também a um nível mais macro. É uma montanha russa constante de questionar o que é dado por adquirido, e para isso o autor foca-se no poder de alguns grupos, quer sejam sociedades secretas ou instituições conhecidas de todos, explorando influências, objetivos, manipulações e, obviamente, a sua capacidade para escrever a História antiga à sua maneira, pois apenas pessoas de poder poderiam fazê-lo.

Este é um livro polémico, capaz de nos dar uma visão nova sobre muitos aspetos da nossa sociedade. São páginas que levam o leitor a questionar e deve fazê-lo, não só em relação ao que já sabia, mas também em relação ao que lê aqui. Um livro muito interessante e que agradará aos que lerem a sinopse e ficarem curiosos.

Luís Pinto


terça-feira, 28 de maio de 2013

CIVILIZAÇÃO


Autor: Niall Ferguson

Título original: Civilization

Se no ano de 1411 pudéssemos circum-navegar o mundo, ficaríamos deveras impressionados com as deslumbrantes civilizações do Oriente. A Cidade Proibida estava em construção na Beijing ming; no Próximo Oriente, os Otomanos cercavam Constantinopla. Devastada pela peste, pela falta de um sistema de esgotos e pela guerra incessante, a Inglaterra era, em contraste, um miserável charco de água estagnada. Os outros reinos conflituosos da Europa Ocidental – Aragão, Castela, Escócia, França e Portugal – estariam pouco melhor. Quanto à América do Norte, no século XV era uma região inóspita e anárquica comparada com os domínios dos Astecas e dos Incas. A ideia de que o Ocidente viria a dominar os Outros durante a maior parte da metade do milénio seguinte seria fantasiosa. E, porém, foi o que aconteceu.
O que caracterizava a civilização da Europa Ocidental e que consistiu num trunfo em relação aos aparentemente superiores impérios do Oriente? A resposta, segundo Niall Ferguson, é que o Ocidente desenvolveu seis “aplicações-chave” que os Outros não possuíam: competição, ciência, democracia, medicina, consumismo e ética de trabalho. A pergunta-chave hoje é se o Ocidente terá ou não perdido o seu monopólio nestas seis áreas. Se assim for, avisa Ferguson, podemos estar a viver o fim da ascendência ocidental.


A crítica internacional afirmou que este livro é uma obra-prima, e muitos outros dizem que Ferguson é um dos grandes historiadores do nosso tempo. Após ter escrito "A ascensão do dinheiro", o autor abre agora outro ponto de discussão: estará o Ocidente a perder o estatuto que teve nos últimos séculos? Estaremos perante o início da liderança Oriental? E se sim porquê?

Ferguson escreve todo o livro de forma a não existir qualquer dúvida sobre o que tenta transmitir. Metódico, tenta de forma simples mostrar o porquê das suas conclusões, quer seja com teorias, factos históricos, estatísticas, etc... No meu entender o trunfo do livro não será aproveitado pelo leitor que se limite a ler, mas sim por aquele que questione sobre estes temas, como se estivéssemos a argumentar com o autor. Nem sempre estive de acordo com o autor nas suas conclusões ou nas suas previsões, mas o importante será mesmo isso: tirarmos as nossas conclusões!

O autor leva-nos por cada um dos seis aspetos que ele considera chaves para o desenvolvimento de uma civilização e todos eles estão muito bem documentados. Portugal, Espanha e Inglaterra, enquanto grandes potências dos últimos séculos, têm um papel muito importante no início da civilização que conhecemos e o autor argumenta sobre assuntos muito interessantes, explicando diferenças, não só entre os povos ocidentais, mas também com os orientais. E confesso que nunca a leitura foi difícil ou lenta.

No entanto o fator que gostei mais neste livro, foi sentir que o autor olha para uma civilização como um todo e nada foi deixado de fora. Religião, educação, arte, desporto, política e leis bancárias são apenas um pouco de tudo o que Ferguson considera que ajudou à ascensão do ocidente e que agora poderá levar ao domínio oriental. E posto isto, o que devemos fazer para não sermos "esmagados" por uma China em enorme crescimento? Esta é uma das muitas perguntas que o autor tenta responder, mas existem outras: a nossa educação estará a trair-nos? Porque conseguiu os EUA desenvolver-se tanto e os outros países americanos, colonizados no mesmo espaço de tempo, não? Em que parte ajuda e prejudica a luta que vemos entre ciência e religião? E qual a política que ajuda mais o desenvolvimento de uma sociedade?

Gostei imenso deste livro mas apenas o recomendo a quem tenha interesse pelo tema. O livro deve ser lido de forma lenta e com espírito crítico, pois de outra forma, acredito que não tenha grande impacto. Muito interessante, muito bem montado e pensado, este livro ensinou-me muito e mais importante: ajudou-me a tirar algumas conclusões. Um autor a ter debaixo de olho.

Luís Pinto