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quarta-feira, 12 de junho de 2013

CONFISSÕES DE UMA SUSPEITA DE ASSASSÍNIO


Autor: James Patterson & Maxine Paetro

Título original: Confessions of a Murder Suspect


Narrado na primeira pessoa, este livro dá-nos as confissões de uma rapariga acusada de matar os pais. Olhando de um ponto de vista mais lógico e matemático, apenas existem quatro possíveis situações para este livro, condicionados por duas questões: "a narradora está a dizer a verdade ou está a mentir", combinado com "a narradora matou ou não matou". Posto isto, tornou-se fácil querer ler este livro, pois acreditei que o autor me tentaria enganar.

Como sempre, Patterson pega numa ideia base e desenvolve-a, mas, ao contrário do que é habitual com este autor, esta ideia base apenas se percebe no fim. Até lá, somos levados numa viagem alucinante e que por vezes parece irreal, sendo necessário ir vendo como algumas peças, que no início pareciam forçadas, acabam por encaixar. Sendo o primeiro livro de uma saga, muito fica por explicar, mas, mais do que querer saber algumas respostas sobre as personagens, queremos saber quem matou o casal, e Patterson sabe que é "aqui" que prende os leitores.

As personagens são agradáveis, sem que nenhuma se destaque. Claro que é Tandy quem conhecemos melhor, por ser a narradora, mas não foi a personagem que mais gostei. No entanto, como quase sempre, Paterson agarra-nos pelo enredo e não por nos fazer preocupar com alguma personagem em particular. Todavia, existem alguns tópicos interessantes sobre a vida destas, mas que o autor não explora totalmente, talvez por estarmos perante um início de saga. No entanto esses tópicos levam-nos a pensar e fica a sensação que há pernas para andar nos próximos livros, dependendo se os autores quererão desenvolver mais alguns traumas.

Como na maioria dos bons policiais, a linha entre suspeito/culpado/inocente é muito pequena e faz parte da sociedade onde vivemos. Existem preconceitos, estereótipos, e tal como as personagens, também o leitor terá a tendência de tirar conclusões apressadas. a questão é: estaremos certos ou o final será uma surpresa? No meu caso o final foi uma surpresa, pois não o adivinhei, mas mais importante: é um final que levanta algumas questões delicadas sobre os nossos objetivos enquanto membros de uma sociedade, mas também enquanto humanos que querem ser felizes. Afinal, ao olhar o que melhor conseguimos retirar da vida, devemos viver para nós ou para os outros? No entanto, nem aqui os autores baixam o ritmo da leitura, e senti que uma ideia tão boa deveria ser melhor explorada... quem sabe no próximo livro, que se for tão propício a flashbacks como este, então teremos algumas personagens a "regressar" até este final.

Como nos vem habituando, Patterson (aqui em colaboração com Paetro) traz-nos um livro para se ler sem parar. É dinâmico, é bem montado e é surpreendente no fim. A forma como a narrativa nos tenta manipular em alguns sentidos leva-nos a não olhar muito às personagens, mas sim a tentar descobrir quem é o culpado. E se por vezes parece que estamos perante uma realidade forçada, ou estranha, a verdade é que no fim, as questões filosóficas que imergem são bastante humanas e comuns. Não é o melhor livro que já li do autor, e muito se deve ao facto de ser o primeiro de uma saga, pois não é fácil dar tantos factos e conceitos num livro de narrativa tão rápida, e muito acaba por não ser explicado. Mas, muito indiretamente, e quase sem tempo, o livro expõe algumas questões que estão presentes à nossa volta, principalmente nas relações entre e filhos, mas também entre cidadão e sociedade.

É mais um livro para os fãs do autor e para quem goste de policiais rápidos! Patterson no seu estilo!

Luís Pinto

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PRIVATE


Autor: James Patterson & Maxine Paetro

Título original: Private


 Este é o 7º livro que leio deste autor, e consequente 4ª saga. Conhecendo já algum do trabalho do autor, as comparações são inevitáveis, e neste caso, se retirarmos a saga adolescente Maximum Ride, este Private é o início da 3ª saga thriller/policial que leio de Patterson.

Private não é o mais viciante dos livros do autor. Não me interpretem mal, pois continua a ler-se muito depressa, mas ao contrário dos outros livros, este não é centrado na "caça ao inimigo", e por isso, não temos de imediato o enredo principal a desenrolar-se. O que existe neste livro, é um conjunto de 4 sub-enredos que nos irão levar numa viagem vertiginosa e saltitante entre personagens e locais. E no fim, na minha opinião, fica uma certeza: este não é mesmo o livro mais viciante que li deste autor, não é o meu preferido, mas é o melhor até agora.

E porquê? Em primeiro lugar devo dizer que a fórmula mantém-se: capítulos rápidos, curtos, que acabam quase sempre com uma nova informação que nos faça ler o próximo. Patterson não se perde em muitos diálogos, nem em descrições desnecessárias e todas as personagens que aparecem têm um motivo, e por isso, quando vemos alguém novo a aparecer, já sabemos que terá importância. Este facto pode deixar um leitor de pé atrás, pois terá uma maior capacidade de adivinhar o que poderá acontecer, mas, falando por mim, o autor tem surpreendido e o enredo nunca foi previsível.

Estás morto, Jack...

Com um livro que não é centrado numa única "caça ao homem", o universo é mais amplo, aumentando as possibilidades, tanto para este, como para os próximos livros da saga. Claro que cada sub-enredo sofre por não ser o tema principal, e acabamos com um menor detalhe de cada investigação e um menor aprofundar do "vilão", visto que aqui são vários, mas o livro está bem montado. As investigações encaixam bem, ajudam ao desenvolvimento de algumas personagens e apresentam alguns momentos inesperados.

Não, ainda não...

Sendo várias investigações, acompanhamos vários personagens, mas Jack é claramente a principal e a que gostei mais. Jack, dono da Private, é uma personagem totalmente diferente de Alex Cross ou de Lindsay (as principais das outras sagas). Menos honrado do que Alex e menos obcecado que Lindsay, Jack é, quase "paradoxalmente" o personagem com o passado mais sombrio, e este pequeno toque de secretismo, ajuda, e muito, à construção da mesma e desenvolver do enredo, sendo, na minha opinião, o principal ponto de interesse.

Estás morto, Jack...

Talvez por conhecermos pouco dos vilões, e por os temas/objetivos não serem tão "obsessivos", este é o menos negro dos livros que li do autor. Esta falha sente-se, mas não retira qualidade ao livro, sendo apenas algo que uns irão gostar, outros não. O livro perde por não ter um vilão tão forte, obstinado ou doentio como estamos habituados, mas ganha bastante com Jack e a sua relação com a família. Jack é falível, vive bem com os problemas do mundo, e principalmente com os problemas daqueles que a sociedade por vezes idolatra e considera modelos a seguir, mas que muitas vezes não o são: os famosos.

Não, ainda não!

O último capítulo é o melhor do livro, não só por resolver um ponto importante, mas também pelas portas que abre à continuação da série. No geral, Patterson dá-nos mais um livro que se lê sem parar, apesar de não ser o meu favorito. O autor não nos dá obras-primas, nem livros imortais... dá-nos entretenimento. Existem algumas diferenças em relação a outras obras do autor, talvez por ser um livro conjunto com Paetro, mas todos os fãs irão gostar. Fiel à sua fórmula mágica, continua a deliciar os seus fãs. No meu caso, sempre que quiser um livro que entretenha numa viagem rápida e me prenda sem grandes complexidades, James Patterson é o nome a procurar.

Luís Pinto