Autor: James Patterson & Maxine Paetro
Título original: Confessions of a Murder Suspect
Narrado na primeira pessoa, este livro dá-nos as confissões de uma rapariga acusada de matar os pais. Olhando de um ponto de vista mais lógico e matemático, apenas existem quatro possíveis situações para este livro, condicionados por duas questões: "a narradora está a dizer a verdade ou está a mentir", combinado com "a narradora matou ou não matou". Posto isto, tornou-se fácil querer ler este livro, pois acreditei que o autor me tentaria enganar.
Como sempre, Patterson pega numa ideia base e desenvolve-a, mas, ao contrário do que é habitual com este autor, esta ideia base apenas se percebe no fim. Até lá, somos levados numa viagem alucinante e que por vezes parece irreal, sendo necessário ir vendo como algumas peças, que no início pareciam forçadas, acabam por encaixar. Sendo o primeiro livro de uma saga, muito fica por explicar, mas, mais do que querer saber algumas respostas sobre as personagens, queremos saber quem matou o casal, e Patterson sabe que é "aqui" que prende os leitores.
As personagens são agradáveis, sem que nenhuma se destaque. Claro que é Tandy quem conhecemos melhor, por ser a narradora, mas não foi a personagem que mais gostei. No entanto, como quase sempre, Paterson agarra-nos pelo enredo e não por nos fazer preocupar com alguma personagem em particular. Todavia, existem alguns tópicos interessantes sobre a vida destas, mas que o autor não explora totalmente, talvez por estarmos perante um início de saga. No entanto esses tópicos levam-nos a pensar e fica a sensação que há pernas para andar nos próximos livros, dependendo se os autores quererão desenvolver mais alguns traumas.
Como na maioria dos bons policiais, a linha entre suspeito/culpado/inocente é muito pequena e faz parte da sociedade onde vivemos. Existem preconceitos, estereótipos, e tal como as personagens, também o leitor terá a tendência de tirar conclusões apressadas. a questão é: estaremos certos ou o final será uma surpresa? No meu caso o final foi uma surpresa, pois não o adivinhei, mas mais importante: é um final que levanta algumas questões delicadas sobre os nossos objetivos enquanto membros de uma sociedade, mas também enquanto humanos que querem ser felizes. Afinal, ao olhar o que melhor conseguimos retirar da vida, devemos viver para nós ou para os outros? No entanto, nem aqui os autores baixam o ritmo da leitura, e senti que uma ideia tão boa deveria ser melhor explorada... quem sabe no próximo livro, que se for tão propício a flashbacks como este, então teremos algumas personagens a "regressar" até este final.
Como nos vem habituando, Patterson (aqui em colaboração com Paetro) traz-nos um livro para se ler sem parar. É dinâmico, é bem montado e é surpreendente no fim. A forma como a narrativa nos tenta manipular em alguns sentidos leva-nos a não olhar muito às personagens, mas sim a tentar descobrir quem é o culpado. E se por vezes parece que estamos perante uma realidade forçada, ou estranha, a verdade é que no fim, as questões filosóficas que imergem são bastante humanas e comuns. Não é o melhor livro que já li do autor, e muito se deve ao facto de ser o primeiro de uma saga, pois não é fácil dar tantos factos e conceitos num livro de narrativa tão rápida, e muito acaba por não ser explicado. Mas, muito indiretamente, e quase sem tempo, o livro expõe algumas questões que estão presentes à nossa volta, principalmente nas relações entre e filhos, mas também entre cidadão e sociedade.
É mais um livro para os fãs do autor e para quem goste de policiais rápidos! Patterson no seu estilo!
Luís Pinto

