Título original: I am Legend
Robert Neville é o último homem vivo na Terra... mas não está sozinho.
Este livro já teve várias adaptações para o cinema, sendo a mais recente adaptação, com o mesmo nome, em que Will Smith é o actor principal. Utilizando este filme como comparação, é realmente difícil deixar de lado a imagem de Will Smith no papel de Neville, mas tal não é problema durante a leitura. A dificuldade está em apagar da nossa mente o facto de os inimigos serem uma espécie de zombies. Aqui os humanos tornaram-se vampiros. Esta principal diferença torna distintas estas duas obras, pois muda muito a forma de actuação de Neville para sobreviver. Juntamos a este facto o livro ser muito pouco virado para a acção e muito mais para a mente do personagem principal e a conclusão é óbvia: viram o filme? Leiam o livro qualquer que seja a resposta!
Este livro é um verdadeiro thriller psicológico e uma obra prima no seu género.O autor foca grande parte do livro ao interior da personagem, enquanto nos dá os aspectos rotineiros do dia a dia na sua luta pela sobrevivência. Esta mistura entre os pensamentos e a rotina, levam a que a escrita seja sempre sem alegria, quase sem motivação, e o leitor deixa-se levar por este desespero e vida sem objectivo palpável... sem esperança. É como se fosse a própria mente de Neville, sem alegria, sem diálogos. Uma escrita perfeita, que encaixa na perfeição.
A forma como me liguei com a personagem foi de tal forma intensa que acabei a perguntar-me o porquê de Neville não desistir. Porque não sair de casa, entregar-se aos vampiros? Porquê continuar a lutar durante anos, apenas porque sim? Qual é o objectivo, o que o move? Quando perdemos o que amamos, o que nos faz sorrir... quando sabemos que nada voltará a ser o que foi, que estaremos sempre sozinhos... o que resta?
Um ser humano consegue adaptar-se a qualquer situação, desde que o seu instinto de sobrevivência não seja posto de parte.
No fim devemos questionar o que nós somos, individualmente, numa sociedade. Nós somos pessoas, presas pelos condicionalismos do que nos rodeia, de mentalidades, da visão ética, livres apenas para fazer o que é banal. O que numa sociedade pode ser um crime, noutra pode ser aceite. Uma sociedade vive disso: o que inúmeras vezes é repetido, acabará por ser banal, e aceite... então, num planeta repleto de vampiros, quem é Neville? O sobrevivente, ou o vilão?
Provavelmente o único livro de vampiros que, na minha opinião, está ao nível de Drácula. Totalmente recomendado.
Aproveito ainda para dizer que esta edição especial conta com vários contos do autor, traduzidos por David Soares. Uma boa adição que traz alguns contos com bastante qualidade!
