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quarta-feira, 28 de março de 2018

O ESPIÃO INGLÊS


Autor: Daniel Silva

Título original: The english spy




Sinopse: Ela é um ícone da família real britânica, mas detestada pelo ex-marido e pela rainha de Inglaterra, sua ex-sogra. 

Quando uma bomba rebenta a bordo do iate onde passa as férias, os serviços britânicos recorrem ao lendário espião e assassino profissional Gabriel Allon.







Daniel Silva é um dos nomes mais famosos da literatura de espionagem e a sua série sobre Gabriel Allon já conta com muitos livros e todos eles bem aceites pelos seus fãs e críticos. 

Este livro é o 15º da saga Allon e, tal como quase todos os outros livros, pode ser lido isoladamente. Claro que a leitura é mais interessante se já conhecerem alguns dos personagens principais, mas o essencial está presente em cada livro de Allon. Obviamente, que com essa necessidade existem alguns acontecimentos que podem antever-se devido ao facto de o autor ter de explorar certos traumas ou passados das personagens para que um leitor que leia um livro isoladamente consiga perceber uma ou outra decisão.

Retirando esta questão perfeitamente normal numa saga com tantos livros mas que tenta ser independente em cada um, a verdade é que, uma vez mais, Daniel Silva cria um bom thriller. Fiel ao seu estilo, acaba por criar um thriller envolto num tema de espionagem. Se procuram um livro de espionagem pura/clássica, não a encontram aqui, pois Silva aposta bem num ritmo mais acelerado, capaz de agarrar o leitor com facilidade, sempre com intriga, suspense e ação. Em muitos casos, e aqui o mesmo acontece, o autor tenta criar uma ligação mais imediata tendo como catalisador uma possível relação entre o personagem principal e os acontecimentos a desvendar. Aqui, apesar de por vezes a ligação ser mais ou menos suave, a verdade é que está sempre lá, tocando no passado do personagem principal, levando-nos a criar uma ligação emocional e de compreensão ou receio. 

Com um enredo inteligente e com vários momentos originais dentro do género, confesso que este foi dos livros de Daniel Silva que mais gostei. Como sempre podemos apontar alguns momentos forçados e algumas perguntas que ficam sem resposta, mas globalmente é difícil não gostar deste livro do início ao fim, com um final interessante e coerente.

Todos aqueles que conhecem os livros de Daniel Silva sabem o que esperar aqui. Estou a falar de um autor que se mantém fiel ao seu estilo e que consegue sempre atingir um nível de qualidade que o torna num dos melhores do género. Para aqueles que não o conhecem, e se procuram um bom thriller com mistura de espionagem, então este é um livro a ler, e, provavelmente, ficarão com vontade de ler mais livros do autor.

Luís Pinto




sexta-feira, 21 de abril de 2017

A VIÚVA NEGRA


Autor: Daniel Silva

Título original: The Black widow




Sinopse: O lendário espião e restaurador de arte Gabriel Allon está prestes a tornar-se chefe dos serviços secretos israelitas. Porém, em vésperas da promoção, os acontecimentos parecem confabular para o atrair para uma última operação no terreno. O ISIS fez explodir uma enorme bomba no distrito do Marais, em Paris, e um governo francês desesperado quer que Gabriel elimine o homem responsável antes que este ataque novamente. Chamam-lhe Saladino... É um cérebro terrorista cuja ambição é tão grandiosa quanto o seu nome de guerra, um homem tão esquivo que nem a sua nacionalidade é conhecida. Escudada por um sofisticado software de encriptação, a sua rede comunica em total segredo, mantendo o Ocidente às escuras quanto aos seus planos e não deixando outra opção a Gabriel senão infiltrar uma agente no mais perigoso grupo terrorista que o mundo algum dia conheceu. Trata-se de uma extraordinária jovem médica, tão corajosa quanto bonita. Às ordens de Gabriel, far-se-á passar por uma recruta do ISIS à espera do momento de agir, uma bomba-relógio, uma viúva negra sedenta de sangue. Uma arriscada missão levá-la-á dos agitados subúrbios de Paris à ilha de Santorini e ao brutal mundo do novo califado do Estado Islâmico e, eventual-mente, até Washington, onde o implacável Saladino planeia uma noite apocalíptica de terror que alterará o curso da história.



Regresso novamente à escrita de Daniel Silva e à sua série mais famosa, a do espião Gabriel Allon. Este é o 16º livro da série e pode ser lido como um livro independente. claro que conhecer o passado do personagem é importante para se tirar maior partido do enredo, mas não obrigatório para que esta seja uma boa leitura.

Com o ritmo em crescendo, como é habitual neste autor, Allon volta uma vez mais a ter uma missão de escala planetária. Ao fim de dezasseis livros podemos achar que o autor poderá estar a ficar sem ideias, mas a verdade é que não. Claro que começa a ser possível perceber alguns truques de Daniel Silva e ver onde a narrativa nos tenta enganar, mas este é um conhecimento que se adquire ao ler muitos livros. Por outro lado, o autor continua a arriscar e a surpreender, sem nunca deixar de tocar em alguns temas sensíveis.

O ISIS é agora o centro das atenções e é "misturado" numa trama que aos poucos atinge um ritmo de ação bastante elevado. O autor usa os já normais padrões da espionagem de ação e claro que não podemos esquecer os clichés das mulheres lindas que ajudam o personagem principal, muito ao estilo de James Bond. No entanto, e mesmo com estes já batidos clichés, o autor cria um enredo inteligente e bastante atual com o qual é possível encontrar semelhanças com a realidade. A montagem do livro está bem conseguida e mesmo com o fluxo a caminhar, claramente, para um local/momento óbvio, é impossível deixar de ler, até porque se sente que o autor poderá surpreender em qualquer página.

Dentro do seu estilo, que mistura a espionagem de James Bond com vários temas atuais e uma personagem principal com a qual é fácil criarmos simpatia, Daniel silva é dos mais famosos escritores do mundo, e aqui percebe-se porquê. Um leitor que procure um livro de espionagem pura, não o irá encontrar aqui, mas quem procure um bom livro de ação que não se consegue parar de ler, então este livro é uma escolha acertada, até porque, para mim, é talvez o mais intenso livro do autor, o que demonstra que Daniel Silva irá continuar a surpreender-nos. Se este é o vosso estilo de leitura, então este é um livro a ler neste verão.

Luís Pinto 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A MARCA DO ASSASSINO


Autor: Daniel Silva

Título original: The Mark of the assassin


Sinopse: Um ataque terrorista faz explodir o Voo 002 sem deixar a princípio qualquer pista que conduza aos autores do crime. Mas um cadáver encontrado junto dos destroços do avião tem o cartão-de-visita de um assassino implacável e esquivo: três marcas de balas no rosto. Michael Osbourne, agente da CIA especialista em terrorismo, conhece essa marca. Bem de mais. Impelido por uma obsessão que ameaça consumir-lhe a carreira, a família e a própria vida, Osbourne segue agora febrilmente o rasto do assassino. Mas num mundo de sombras e mentiras, intrigas e disfarce, o homem com uma missão expõe-se ao assassino mais brutal e diabólico à face da Terra...


É o 3º livro que leio de Daniel Silva e o primeiro da saga Osbourne (saga que até ao momento só tem dois livros). Com este livro, Silva aproxima-se mais da espionagem mais popular dos filmes de ação americanos mas consegue apresentar um toque de qualidade também presente nos seus outros livros. O ritmo é elevado e não deixa o leitor parar de ler, não existindo grandes quebras com as descrições de algumas personagens.

Osbourne é um personagem interessante, apesar de apresentar alguns clichés do género. Foi fácil criar uma ligação com a personagem apesar de em alguns momentos me parecer que o autor não transmitiu a urgência que a situação impunha. As restantes personagens são aceitáveis, com uma em particular a ajudar bastante à qualidade do livro. No entanto o enredo não deixa muito espaço para que o leitor conheça melhor estes intervenientes.

A história é interessante, principalmente porque não se limita a focar um tema. A espionagem é mais global do que poderá parecer à primeira vista. Política, religião, comunicação social, empresas multinacionais, tudo isto está de alguma forma ligado e aqui Silva tem mostrar os vários ângulos. Um dos aspetos mais interessantes é a forma com o autor expõe as pressões e influências que política e comunicação social exercem entre eles e também perante a sociedade, dando ao livro uma sensação de globalidade e coesão. 

O enredo apresenta ainda algumas coincidências que poderiam matar a narrativa mas que ao não terem grande peso no desenrolar da história, acabam por ser esquecidas ao fim de algum tempo. O final é a melhor parte do livro, com questões que ficam no ar até ao último momento e dando várias respostas com algumas reviravoltas pelo meio.

Ao fim de três livros, nota-se que a escrita de Daniel Silva facilita a leitura. Não "enrola" nem perde tempo com descrições exaustivas. Neste livro em particular, o autor mostra-nos um pouco de cada agência interveniente, CIA, MI5, Mossad, etc... mas nem mesmo nesses momentos o ritmo baixa demasiado. Este é um dos grandes trunfos do autor: a capacidade de agarrar o leitor com um ritmo constante e muitas questões que apenas são explicadas no fim. 

Mais um livro interessante, que apesar de não ser um marco no seu género, consegue ser muito agradável e que os fãs irão gostar. Continuo a achar que a grande qualidade deste autor se prende no facto de ser fácil lê-lo apesar de alguns temas serem complexos, e o ritmo nunca baixa pois a narrativa nunca se prende demasiado em descrições. Um autor para continuar a ler!

Luís Pinto

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O ASSASSINO INGLÊS


Autor: Daniel Silva

Título original: The English Assassin



Sinopse: Espião ocasional e restaurador de arte, Gabriel Allon chega a Zurique para restaurar a obra de um Velho Mestre, a pedido de um banqueiro milionário. Em vez disso, dá por si no meio do sangue do cliente e injustamente acusado do seu homicídio.
Allon vê-se inesperadamente a braços com uma voraz cadeia de acontecimentos, incluindo roubos de arte pelos nazis, um suicídio com várias décadas e um trilho sangrento de assassínios - alguns da sua autoria. O mundo da espionagem que Allon pensava ter colocado de parte vai envolvê-lo uma vez mais. E ele vai ter de lutar pela vida com o assassino que ajudou a treinar.


Este é o 2º livro que leio deste autor, mas a verdade é que não estou a ler a série por ordem, visto não ser totalmente necessário. Após ter lido o 5º livro da saga "Gabriel Allon" (podem ver a minha opinião aqui), regresso para ler o 2º livro, onde Allon terá de voltar ao mundo que deseja deixar para trás.
No global, este livro é superior ao outro que li, mas afasta-se um pouco mais da espionagem clássica, tornando-se num enredo que apresenta espionagem mas que se torna mais num thriller propriamente dito. Notam-se várias semelhanças na escrita do autor e percebe-se o seu conhecimento na área mas, inesperadamente, o livro também apresenta algumas pequenas limitações.

Para mim o que falha ligeiramente neste livro é a construção/evolução da personagem principal. A personagem está muito bem construída mas não existe uma evolução palpável nem ficamos a conhecê-la melhor. Claro que tendo já lido um livro posterior ajuda a que neste livro não tenha sabido nada de novo sobre Allon, algo que outros leitores poderão não sentir. Mas a falha nota-se mais nas restantes personagens, pois em três ou quatro notei alguma falta de profundidade. No entanto refiro que esta falha não estraga o enredo nem existem momentos menos coerentes devido a esta mesma falha.

Tirando esse pequeno facto, todo o livro está muito bom. O facto de não ser espionagem pura desagradou-me no início (visto que sou um grande fã do género) mas como o conceito está presente, a leitura foi sempre agradável. Ainda falando da espionagem, os pequenos toques sentem-se principalmente quando Allon está em Portugal, começando a criar ligações entre o enredo e os refugiados que fugiram para o nosso país durante a Segunda Guerra Mundial. Este facto, muitas vezes usado nos livros de espionagem da Guerra Fria, está aqui muito bem retratado, levando a que o leitor rapidamente perceba a dimensão do que está a acontecer.

O passado nunca fica para trás... este é o tema, e no final o autor deixa-nos com uma mensagem moral, e muitas questões que cada leitor deverá responder.

A narrativa é rápida, com capítulos que nos levam a saltar de personagens e locais, até ao momento final em que tudo encaixa. A primeira parte do livro é mais interessante, devido ao seu elevado ritmo, mas é na segunda parte que o livro ganha qualidade, pois começamos a perceber movimentos que o autor não nos expõe diretamente. Os momentos finais dão sentido à história e dissipam algumas dúvidas que criei a meio do enredo, fazendo sentido e deixando mais uns toques de espionagem.

Daniel Silva é considerado um grande escritor de espionagem. No meu humilde entender, Daniel Silva não escreve a espionagem pura (que por exemplo le Carré apresenta) mas também é verdade que esta mistura entre espionagem pura e thriller contemporâneo torna o enredo mais apetecível, fácil de ler, e claro, mais rápido. Após dois livros é óbvio que terei de continuar a ler este autor que me está a agradar bastante. Se estiverem à procura de livros dentro do género, Daniel Silva é um autor a ter em conta.

Luís Pinto

terça-feira, 23 de abril de 2013

PRÍNCIPE DE FOGO


Autor: Daniel Silva

Título original: Prince of Fire


Espionagem é o meu género favorito a seguir ao fantástico, mas raramente consigo encontrar um bom livro, pois também não é um género muito explorado no nosso país. Por outro lado, após ter lido O espião que saiu do frio, torna-se difícil encontrar um que tenha a qualidade que pretendemos. Há muito tempo que estava para começar a ler este autor, muitas vezes elogiado pela crítica como um dos melhores escritores neste género, e quando me ofereceram este livro decidi lê-lo, mesmo tendo me conta que é o 5º livro da saga de Gabriel Allon.

Em primeiro lugar devo dizer que tirando um ou outro momento, nunca senti que fosse realmente importante ter lido os livros anteriores. Claro que se o fizesse, conheceria melhor as personagens e os seus passados, mas não é obrigatório para percebermos esta história. Daniel Silva escreve com inteligência e rigor, dois aspetos essenciais para este género literário, e o resultado é um excelente livro.

A personagem Gabriel está muito bem conseguida, e nota-se que há muito tempo que é construída, pois existem pequenos pormenores que fazem a diferença. O enredo desenrola-se à sua volta na maioria do tempo, obrigando o leitor a sentir alguns dos receios e indecisões de um espião que tenta separar a vida pessoal da profissional, mas raramente o outro lado deixa que tal aconteça. Em relação ao vilão, o autor segue a estratégia de nos mostrar muito pouco, não em termos de ação, mas em termos psicológicos. Não é fácil saber como o vilão pensa, quais os seus objetivos nem quais os seus medos, e ao ficarmos nesta ignorância, entramos melhor na pele de Gabriel, e as surpresas têm um impacto maior.

Interessante ainda a forma como o autor expõe muita da história recente do Médio Oriente. Nota-se que há trabalho de investigação e também a tentativa, bem conseguida, de não quebrar muito o ritmo da narrativa com demasiado factos históricos de uma só vez. E com isto o autor parte para uma mistura entre realidade e ficção que ajuda a dar credibilidade a todo o enredo, principalmente porque sentimos que se trata de uma história que não foge muito à realidade que por vezes nos escapa.

Realço ainda a luta numa narrativa que é por vezes parcial, por vezes imparcial, ao mostrar-nos um pouco mais sobre o conflito Israel/Palestina que tem muito para ser explorado. O leitor tem a possibilidade de pensar por si próprio e a postura do personagem principal ajuda. Gabriel não é um herói nato que convença os leitores. É ainda um espião que tem as suas próprias dúvidas e que também tenta pensar em si, e não só no "bem maior". O final está muito interessante e ajuda a tornar o enredo muito melhor. Há outras personagens muito interessantes, mas é a noção que a qualquer momento algo poderá correr mal, que agarra o leitor. O ritmo não oscila muito,ficando num meio termo em que a ação decorre mas somos obrigados a absorver todos os importantes detalhes que mais à frente farão a diferença numa ação ou na construção de uma personagem.

No geral, este é um excelente livro dentro do seu género, com boas personagens e um ambiente que me agradou, levanta, indiretamente, questões morais e religiosas que se enquadram com o enredo. Não é uma obra-prima, mas tem toques de grande inteligência, que me faz querer ler mais livros do autor, tanto os que acontecem depois, como antes deste livro. Totalmente recomendado a quem goste do género!


Luís Pinto