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quinta-feira, 4 de abril de 2019

A QUEDA DE GONDOLIN


Autor: J. R. R. Tolkien



Sinopse: No Conto de A Queda de Gondolin , entram em cena dois grandes poderes do mundo. Morgoth, o derradeiro representante do mal, embora ausente desta história, preside a uma vasta força militar a partir da sua fortaleza de Angband. Ulmo, o seu mais feroz opositor, é o mais poderoso a seguir a Manwë, que lidera os Valar. Deram-lhe o nome de Senhor das Águas porque domina todos os mares, lagos e rios existentes sob a abóbada celeste. Mas labuta em segredo na Terra Média, em defesa dos Noldor, o clã dos Elfos no qual são acolhidos Húrin e Túrin Turambar.
Central nesta disputa entre os deuses é Gondolin, uma cidade deslumbrante e inacessível. Depois de um relato da queda de Gondolin que se destaca pela minúcia descritiva e riqueza de pormenor, o conto termina com a fuga de Tuor e Idril, acompanhados do filho, Eärendel. Ao dirigirem-se para sul, os fugitivos olham para trás, numa fenda entre montanhas, e contemplam a ruína cercada de chamas da cidade onde viviam. Estavam a caminho de uma outra história, o Conto de Eärendel, que Tolkien nunca chegou a escrever, mas que é reproduzido neste livro, em esboço, com base noutras fontes.



Sabe sempre bem regressar ao mundo criado por Tolkien. Estas viagens que faço pelos seus livros já duram há muito tempo, mais de duas dezenas de anos, e continua a fascinar-me. Este livro é, tal como todos os outros, uma obra que deve ser lido por todos os fãs do autor.

Como podem ver pela sinopse, esta história passa-se muito antes de O Senhor dos Anéis e aqui a escala é enorme, fazendo lembrar O Silmarilion, talvez o melhor livro de Tolkien. 

Tal como nos outros livros, a escrita de Tolkien é extremamente rica, apesar de se notar a mão do seu filho aqui e ali, mas é inegável a qualidade da narrativa. A história, tal como se esperava, desenvolve-e lentamente. Os livros de Tolkien não são de ritmo elevado, e este também não. O que temos aqui é um enredo coerente, denso e que nos oferece uma visão muito abrangente de tudo o que é necessário saber e não só. Tolkien dava um foco impressionante ao detalhe, principalmente ao passado das personagens e do mundo, criando algo que parece realmente real de tão pormenorizado que é.

Claro que aqui já não há surpresas. A qualidade do autor é inegável e os nossos olhos focam-se no que é realmente importante: a construção do mundo e a história em si. Gostei bastante da história, recheada com personagens fascinantes e bem criadas que sustentam o enredo com qualidade. A história vai avançando, as personagens revelam-se nos grandes momentos e o mundo ganha uma escala que poucas obras conseguem atingir. 

A tudo isto juntam-se fantásticas ilustrações de Alan Lee que tornam o livro em algo totalmente obrigatório.

Com uma história muito boa e um mundo que outros autores apenas sonham conseguir criar, este é mais um livro obrigatório para os fãs de Tolkien, mas não só. Claro que quem conhecer o universo de Tolkien perceberá cada página, sentirá o sombra de Melkor, e quem não conhecer este mundo poderá ficar ligeiramente confuso num ou noutro momento, mas a verdade é que qualquer fã de fantasia deverá ler este livro.

Luís Pinto


quarta-feira, 11 de julho de 2018

BEREN E LÚTHIEN



Autor: J. R. R. Tolkien



Sinopse: 100 anos depois, uma obra única: a história de amor de Beren e Lúthien escrita por J.R.R. Tolkien, nunca antes publicada de forma independente, chega a Portugal editada pela Editorial Planeta.
O destino dos dois amantes Beren e Lúthien, um homem mortal e uma elfo imortal que, juntos tentam roubar uma Silmaril ao mais poderoso de todos os representantes do mal: Melkor.
Uma obra fundamental para os amantes de Tolkien e de literatura fantástica e que nenhum fã da Terra Média pode perder!
O livro inclui 9 extratextos ilustrados a cores e desenhados especialmente para esta edição por Alan Lee.
Assim como ilustrações a preto e branco ao longo do texto.




Quando vi este livro, acreditei que o seu grande trunfo estaria na qualidade dos materiais, na capa, nos desenhos, porque eu já conhecia o enredo, já o tinha lido, e não esperava algo de novo. E foi aí que me enganei. O que temos aqui é o aprofundar de uma fantástica história, umas das melhores que Tolkien escreveu.
 
Não vale a pena explicar aqui a base do livro, pois basta lerem a sinopse para perceberem um pouco mesmo que não sejam conhecedores profundos do universo de Tolkien. Tendo em conta que "O Silmarillion" é um dos meus livros favoritos, e para mim um dos melhores livros de sempre, sabia que iria gostar deste livro, e foi ainda melhor do que esperava, muito graças às ilustrações que melhoram a leitura. 
 
Começo por aplaudir a edição do livro, com capa dura e ilustrações pelo livro que nos ajudam a navegar pela fantástica imaginação de Tolkien. Depois o que devemos fazer é absorver este livro, estas personagens, esta história. E a partir daqui não há muito mais que possa dizer. As personagens estão muito bem criadas, sendo este casal uma das melhores criações de Tolkien em termos de qualidade de personagens. Pelo meio junta-se Melkor, um vilão com uma aura que melhora o livro a cada instante por tudo aquilo que vamos lendo sobre ele.
 
O enredo é muito interessante e bastante emotivo, levando o leitor a passar por um conjunto de emoções que nos fará questionar as aproximações entre o enredo e a realidade e, principalmente, que sentimento é este a que chamamos amor. Muitas das obras de Tolkien exploram a força do amor, da amizade, da natureza, e este livro explora tudo isso em medidas coerentes e que tornam o livro inteligente e capaz de agarrar qualquer leitor que aprecie o género. Claro que Tolkien tem uma escrita muito peculiar e por isso não agradará a todos, mas a qualidade é inegável.
 
Para tornar o livro ainda melhor, este enredo aproveita muito bem o universo criado por Tolkien, com grande simbolismo, um peso enorme na criação do mundo e na sua História, levando-nos a sentir que tudo faz sentido, tudo é coerente, tudo é real. É este peso que o universo de Tolkien tem, capaz de parecer real, vivo, ali ao nosso lado.
 
Mesmo para quem já tenha lido esta história, ter este livro, navegar nestas páginas, ver estas ilustração, é um luxo. Este é uma das melhores histórias de amor que já li, e recomendo o livro a todos os fãs de Tolkien, mas não só, pois os fãs de fantasia e de romances têm aqui uma obra-prima.
 
Luís Pinto

 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A QUEDA DE ARTUR


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Fall of Arthur



Não existe nenhum livro de Tolkien onde a sua genialidade não se sinta. Neste caso, estas quase 250 páginas, com a versão original e a traduzida, são uma obra de arte de Tolkien ao pegar na lenda de Artur e a tornar numa poesia que consegue ser, ao mesmo tempo, vibrante e calma.

Não sendo grande apreciador de poesia, nem grande conhecedor do género, este não foi um livro fácil de ler, sendo recomendado a quem gostar do género ou esteja curioso para ver como Tolkien sai do seu mundo de fantasia para moldar à sua imaginação a lenda do Rei Artur.

O enredo está perto do que conhecemos, mas Tolkien oferece-lhe um toque épico que o torna único, um ambiente fantástico, tantas vezes presente nas suas outras obras, e que torna esta leitura portentosa. No entanto, esta leitura leva tempo a quem não esteja habituado a poesia. No meu caso, foi uma leitura agradável, apesar de lenta, e devo enaltecer a qualidade da tradução, que, certamente, não foi fácil. Todavia, é no inglês que está a magnífica obra que Tolkien começou e infelizmente não terminou. Não sendo um conhecedor profundo de inglês antigo para perceber todos os significados sem ter de pesquisar na internet, a verdade é que é notório a mestria de Tolkien no domínio da língua e na forma como consegue produzir uma sonoridade que até eu, um português, conseguiu sentir ao ler alguns versos.

De enaltecer ainda todo o texto criado pelo seu filho, Chris Tolkien, para nos explicar muito do que Tolkien fez, como este livro foi reorganizado e possíveis explicações para vários factos sobre o livro, sendo um deles a necessidade de tentar perceber o porquê de Tolkien nunca ter acabado este livro.

Sempre gostei bastante da lenda do Rei Artur e foi um prazer lê-la desta forma. Provavelmente, sendo poesia, não o teria feito se não fosse obra de Tolkien, mas valeu a pena. Mas, tal como disse antes, não é um livro que recomende a todos os leitores. Com Artur e Mordred bem recriados, Tolkien centra-se no enredo que é suportado por estas duas personagens e sua rivalidade. Pelo meio, tal como um grande poema épico, Tolkien descreve cenários com uma paixão que se sente, e novamente dou os parabéns à tradução que na maioria dos casos consegue transmitir essa emoção que, certamente, Tolkien gostaria que todos os leitores sentissem.

Tolkien foi um daqueles génios que quando nos deixou, o mundo ficou mais pobre. A sua genialidade é tão palpável que torna a sua obra obrigatória, mesmo para quem não aprecie fantasia. Neste caso, Tolkien está fora do mundo que criou mas conseguiu agarrar-me, mesmo conhecendo a história. Não é um livro fácil, nem é para todos, mas a sua qualidade é inegável.  

Luís Pinto

domingo, 28 de julho de 2013

A LENDA DE SIGURD E GUDRÚN


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The legend of Sigurd and Gudrún

«Há muitos anos, J. R. R. Tolkien compôs a sua própria versão, agora publicada pela primeira vez, da grande lenda da antiguidade nórdica, em dois poemas intimamente relacionados, a que deu os títulos de «O Lai dos Volsungos» e «O Lai de Gudrún».
Em «O Lai dos Volsungos» conta-se a história do grande herói Sigurd, o assassino de Fáfnir, o mais famoso dos dragões, de cujo tesouro se apoderou, o despertar da valquíria Brynhild, que dormia rodeada por uma muralha de chamas, e o noivado dos dois. Após a chegada de Sigurd à corte dos grandes príncipes niflungos (ou nibelungos), o herói desperta o amor mas também o ódio da feiticeira dos Niflungos, versada nas artes mágicas.
Em cenas de grande intensidade dramática, troca de identidade, paixões frustradas, ciúmes e disputas amargas, as tragédias de Sigurd e Brynhild, de Gunnar, o Niflungo, e Gudrún, sua irmã, atingem o auge com a morte de Sigurd às mãos dos seus irmãos de sangue, o suicídio de Brynhild e o desespero de Gudrún.
Em «O Lai de Gudrún» é contado o seu destino depois da morte de Sigurd, o casamento, contra a sua vontade, com Atli (ou Átila), governante dos Hunos, o assassinato dos seus irmãos, os senhores niflungos, e a sua vingança hedionda.
Sendo a sua versão inspirada, principalmente, no estudo atento das antigas poesias norueguesas e islandesas conhecidas como Edda Poética (e no posterior trabalho em prosa, a Völsunga Saga), J. R. R. Tolkien utilizou estâncias curtas cujos versos conservam em inglês os exigentes ritmos aliterativos e a intensa energia dos poemas da Edda.»



Este não é um livro fácil de se ler mas também é mais um prova (como se ainda fosse preciso) da genialidade deste autor. Tolkien conta à sua maneira um pouco da mitologia nórdica que mais tarde viria a influenciar as suas grande obras, como O Senhor dos Anéis.

O facto de estar todo em poesia e com uma métrica perfeita, demonstra-nos que o autor não só tinha um conhecimento profundo da mitologia sobre a qual escrevia, mas também uma grande mestria a escrever poesia. A história é muito agradável e interessante, no entanto o facto de estar em poesia poderá afastar alguns leitores.

Esse é o problema que afastará muitos leitores: poesia, aquele factor que mostra a qualidade do autor mas torna o livro difícil de ler e compreender. É verdade que não sou um profundo conhecedor de poesia e que alguns significados me podem fugir devido à falta de hábito, mas também é preciso salientar que são muitas as notas de autor que nos ajudam a perceber o que estamos a ler. Este é, aliás, um dos pontos mais importantes do livro: as várias explicações que vamos recebendo e não podemos esquecer a introdução que é essencial para percebermos o contexto onde vamos entrar mas também as motivações do próprio autor e também do seu filho, que aqui "junta" mais um trabalho do seu pai.

Sobre a história não direi nada, pois a sinopse já o faz e a partir dessa base devem começar esta história. Existe traição, honra e muitas dúvidas interiores que irão afetar as personagens e suas decisões. Em certa parte é fácil fazer algumas ligações com O Senhor dos Anéis mas também é muito fácil desligar-mo-nos da Terra Média e absorver toda esta mitologia. No meu caso, a história tornou-se interessante logo no início, mas também devo admitir que nunca estive totalmente viciado, uma vez mais, por a poesia me obrigar a um maior esforço de concentração e a ler todas as explicações do autor.

Falta apenas dizer que Tolkien explora muito bem os sentimentos das personagens e os momentos de maior emoção, principalmente os de perda ou de desespero. Com dois ou três momentos que me surpreenderam no enredo, a leitura tornou-se cada vez mais agradável enquanto ia apreciando os desenvolvimentos e ia entrando no ritmo da poesia. A história é muito boa, ao nível de uma boa mitologia, com base e profundidade, e cheia de valores morais que cada leitor retirará.

Em resumo, este é o livro mais difícil de ler deste genial autor. No entanto não deve ser imediatamente posto de lado por ser um livro de poesia. No meu caso, comecei lentamente e aos poucos o livro conquistou-me. Este é um excelente livro que se não fosse em poesia, teria muitos mais fãs. Vale a pena tentar ler esta excelente obra, tendo consciência que dificilmente será o favorito dos leitores.

Luís Pinto

sábado, 22 de junho de 2013

OS FILHOS DE HÚRIN


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Children of Húrin


Este é um livro que pode ser lido sem termos qualquer conhecimento de todo o universo criado por Tolkien. No entanto, e apesar de se "aguentar bem sozinho", deve ser lido já com algum conhecimento de toda a Terra-Média, e de preferência, após a leitura de O Silmarillion.

Este é, na minha opinião, o livro mais negro deste génio da literatura. Tolkien surpreende ao não oferecer o resultado mais feliz em vários momentos do livro, tornando-o forte, sombrio e dando ao leitor a sensação que a cada página alguma coisa de mau pode acontecer.

As personagens principais são muito bem construídas e exploradas, desde Túrin e Húrin, passando por Morgoth, e todas elas oferecem um particular desespero à história. Para além disso, este é também um livro que explora temáticas fortes, expondo a natureza e fragilidade humana, quer física e mental, quer social. E acabamos por ter à nossa frente uma obra que levanta várias questões filosóficas e que poderão passar ao lado de um leitor que leia esta obra demasiado depressa.

Em primeiro lugar devemos olhar para o amor entre pai e filho. Tolkien explora bastante este tema, mas nunca diretamente. O que vemos aqui é um caso normal onde um pai ama incondicionalmente um filho e tudo fará para o proteger, enquanto o filho se apercebe, ao crescer, que o pai não o protegerá toda a vida. Em ligação com estas questões, está a impossibilidade de um homem mudar o seu destino e evitar a dor ao ver que tudo o que ama, acabará por sofrer. E aqui temos a última grande questão: estará o nosso destino decidido (neste caso o destino dos filhos de Húrin), ou será que é a própria natureza humana que falha? Será que o que temos destinados para cada um é consequência da própria fragilidade humana e será o plano de algo divino, que nos levar a cair ou erguer? E então, somos, ou não, donos do nosso destino?

Envolto na fantasia que Tolkien nos habituou, este é, talvez, do ponto de vista dos acontecimentos, o mais realista dos enredos que Tolkien nos ofereceu. O final fantástico e com certos momentos bastante inesperados, demonstra a poderosa imaginação do autor, não só em relação a ambientes, mas também em relação aos locais mais profundos a que pode chegar a mente humana.

Este é, principalmente, um livro para os fãs. Para mim, esta é uma das melhores história de Tolkien e que ganha uma dimensão ainda maior se tivermos conhecimento dos acontecimentos da Primeira e Segunda Era da Terra-Média. A narrativa perde um pouco a "melodia" presente em O Senhor dos Anéis e apresenta-se mais forte, mostrando que Tolkien não foi apenas um autor de grande imaginação, mas também um autor capaz de mostrar muitas das fragilidades humanas, algo que apesar de presente nas suas outras obras, não têm tanta preponderância, pois estamos distraídos com a sua "imaginação visual". 

Mesmo se fores um fã de Tolkien, este não deverá ser o teu livro preferido do autor, mas vale a pena ser lido. Li-o devagar, tentei absorver toda a mensagem que o livro tenta passar, interpretei-o à minha maneira e recomendo que façam o mesmo. Para finalizar, vale a pena falar das excelentes ilustrações presentes no livro, e que nos ajudam a imaginar, o que, talvez, Tolkien imaginou. Um conjunto de poderosas imagens que se aliam de forma perfeita ao livro.



Luís Pinto

terça-feira, 4 de junho de 2013

CONTOS INACABADOS de Númenor e da Terra Média


Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: Unfinished Tales


Em primeiro lugar é preciso dizer que para lermos este livro e o percebermos, precisamos de ler primeiro os três grandes livros de Tolkien: O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion. Apenas após lermos estes três livros conseguiremos encaixar tudo o que este Contos Inacabados tem para nos oferecer.

Este é um livro apenas para os fãs que queiram saber mais pormenores sobre toda a história da Terra Média. Um livro que é um apanhado de vários textos que ligam acontecimentos que já conhecemos e que explicam algumas das dúvidas que ficam nos livros anteriores. Para quem não seja um fã absoluto de Tolkien, este livro poderá ser uma leitura difícil devido ao facto de não existir uma ligação entre as suas várias histórias. Somos nós, leitores, que devemos criar essa ligação entre aquilo que já sabemos e o que estamos a ler nestas páginas.

Não é o mais viciante dos livros do autor, nem será o favorito de muitos leitores, mas a verdade é que Contos Inacabados demonstra ainda mais o pormenor até onde foi a mente de Tolkien, e fica a amarga sensação que, se Tolkien tivesse tido tempo, estes contos teriam sido fantásticos. Neste aspeto é preciso falar do conto de Tuor e a sua chegada a Gondolin: um conto fantástico e do qual se percebe, com facilidade, que estamos perante o início de uma história que seria fantástica se Tolkien a tivesse aprimorado. Só por essas 30 páginas, já vale a pena ler esta obra.

Na primeira parte, vemos vários contos e curiosidades sobre Túrin, Húrin e Morgoth, e no resto do livro, os contos mostram-nos mais sobre Gandalf, Galadriel e o jogo de bastidores que se desenrolou antes e durante a era do anel. Nesta área existem vários contos e explicações que ficam na memória, desde o porquê de várias das ações de Gandalf durante as aventuras de Bilbo e também de Frodo, mas também muito do que aconteceu antes, quando os feiticeiros tentavam que Sauron não regressasse. Interessante ainda, ver como era a Terra Média na sua primeira era e a sua evolução.

Esta obra é o colmatar da obra de Tolkien, é o tapar dos buracos que ainda existiam. É verdade que a sua escrita continua lenta, descritiva, mas não tanto como nos outros livros, pois, por vezes estamos perante ideias e anotações que não foram totalmente desenvolvidas... mas não foi isso que me tirou a vontade de ler. Aliás, esta obra é um vislumbre da mente do autor em plena criação.  Pelo meio ficamos a saber muito mais sobre Erebor e ainda sobre Númenor e Aragorn, mas também sobre a própria história do Anel Um. O autor explica-nos a morte de Isildur e de como o anel se perdeu, entre muitas outras questões, como por exemplo um olhar muito interessante sobre os cinco feiticeiros, explicando como é possível muito do que Gandalf fez nas obras mais famosas.

Não me querendo alongar em tudo o que este livro tem para nos oferecer, digo o seguinte: nesta obra encontram-se alguns dos melhores textos de Tolkien e pormenores muito importantes de algumas personagens que conhecemos. Existe, em alguns momentos, a frustração por sentir que o conto poderia ter continuado, mas, no geral, gostei imenso do livro e acho que qualquer fã deste universo gostará de muito do que existe nestas páginas. No entanto não é um livro fácil. O facto de não existir uma ligação direta entre os vários textos obrigará o leitor a um esforço para recordar o que já leu noutras obras e, obviamente, não será o livro mais viciante do autor. Para mim é um excelente livro, apesar de abaixo dos três grandes livros de Tolkien (O Hobbit, O Senhor dos Anéis e O Silmarillion). Tolkien é daquelas pessoas que deveria ter passado a vida toda a escrever, para ter tempo de nos maravilhar com tudo o que a sua mente conseguia criar. Este livro demonstra que muito se perdeu, muito ficou por se descobrir.

Luís Pinto

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O SILMARILLION

Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Silmarillion


O Silmarillion, livro apenas lançado após a morte de Tolkien (organizado e acabado pelo seu filho), é um fantástico livro e um dos meus favoritos. No entanto também devo dizer que, em comparação com O Senhor dos Anéis ou O Hobbit, é o mais difícil de ler.

O Silmarillion é para os fãs de Tolkien e  aqueles que simplesmente acharam "boa" a obra deste autor, podem não apreciar a densidade da obra, mas todos os que quiserem, devem arriscar!


Dividido em 5 partes, esta obra começa com a Ainulindalë, que significa em elfico "A música de Ainur", e mostra-nos como todo o mundo de Tolkien (chamado Arda) foi criado por Eru, o Único, também conhecido por Ilúvatar. Esta primeira parte, a mais difícil (densa) de ler, mostra uma singular visão por parte de Tolkien, e talvez seja o expoente máximo da sua genialidade. É também aqui que vemos a criação de Melkor, o Ainur que recebeu maior poder e conhecimento.

De seguida temos Valaquenta, relato da Primeira Era, onde vemos como Melkor seduz alguns dos Maiar, como Sauron. Na terceira parte temos Quenta Silmarillion (maioritariamente Segunda Era), onde vemos como Melkor se esconde enquanto Valinor é criada e os Elfos aparecem, seguidos de Anões e Homens. E é nesta parte do livro que se passam a maioria das páginas. Tolkien define raças, mitologias e sociedades enquanto nos prepara para a grande luta! A mais fantástica batalha deste universo criado por JRR Tolkien.

A quarta parte, chamada Akallabêth, leva-nos ao apogeu de Númenor e consequente queda. É aqui que vemos a "criação" da Terra-Média. Na quinta, e última parte, "Dos Anéis do Poder e da Terceira Era", mostra-nos o que precisamos de saber sobre a Terra-Média e os seus povos, sendo a grande introdução para O Hobbit e O Senhor dos Anéis.

Este é um pequeno resumo sobre o que encontrarão neste livro, e tentei não revelar nada da história. 

Tolkien, um devoto Cristão, criou aqui a "Bíblia" do seu próprio mundo (e existem várias semelhanças). Desde a Criação executada por Eru, até aos anos antes de O Hobbit, estas páginas contam-nos tudo o que devemos saber sobre este fantástico universo.

Não conseguindo escolher qual a melhor das cinco partes, é óbvio que a luta pelos Silmarils é a mais importante, com grandes batalhas e acontecimentos que mudarão para sempre o desenrolar da História. É também aqui que conhecemos ou aprofundamos algumas das mais brilhantes personagens criadas por Tolkien, entre elas: Feanor, Melkor/Morgoth, Beren, Lúthien, Húrin, Túrin, entre muitos outros. 
Melkor e Feanor são fantásticos, e a história de Beren e Lúthien marca qualquer leitor.

Tolkien explora os temas centrais da própria vida humana, desde o seu nascimento até morrer. Amor, fé, coragem, inveja e ganância, são os temas que fazem esta história avançar, ajudando-nos a perceber que este autor não se limitou a criar fantasia... ele também nos mostra uma mente traumatizada pela Segunda Guerra Mundial, e que aqui, de forma muito indirecta, questiona porque lutamos, amamos, ou simplesmente sofremos...

Apesar de muitos afirmarem que não gostaram do livro, outros adoraram... eu simplesmente adorei. É verdade que por vezes é difícil de ler, mas para mim nunca foi um esforço (fazendo novamente a mesma comparação, não é mais difícil do que ler A Bíblia). A qualidade da escrita e imaginação de Tolkien não conhece limites, e apenas quando acabarem este livro conseguirão compreender a imensidão e complexidade do que inventou. 

Costumo dizer que O Hobbit deve ser o primeiro livro a ser lido e com ele aprendemos a gostar de Tolkien, depois devemos ler O Senhor dos Anéis aprendemos a venerar Tolkien, e por fim lemos O Silmarillion e aprendemos a compreender o que Tolkien criou. Não se deve falhar nenhum destes livros, seja por que ordem for, seja a que ritmo for, apenas com este livro dominarão o mundo onde Frodo viveu.

Para mim, essencial, e um dos mais marcantes livros de fantasia que já li, O Silmarillion é um livro cheio de significados e lições (alguns podem escapar-nos facilmente), e que recomendo a qualquer leitor que tenha paciência para ler uma obra onde cada detalhe pode fazer a diferença.

Fantástico!

Aproveitem ainda para votar no blog Ler y Criticar para Melhor Blog do Ano! Mais informações neste link.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

AS AVENTURAS DE TOM BOMBADIL

Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Adventures of Tom Bombadil


Este livro traz-nos as aventuras de Tom Bombadil (em poesia) e mais três contos em prosa onde outras personagens são as principais.
Começando pela poesia, a verdade é que não sou um grande apreciador, e como tal necessito de uma maior atenção para deslindar todos os significados dos versos de Tolkien.

Em primeiro lugar tenho de admitir que gostei bastante de tradução para português destes versos e nunca me pareceu que o significado se perdesse. Claro que é apenas a minha ideia, podendo estar totalmente errada.

Em segundo lugar tenho de realçar todo o significado da poesia de Tolkien. É verdade que os versos são simples, direcionados a um público juvenil, e consequentemente, fáceis de ler e perceber, mas quem tenha lido a maioria das obras de Tolkien conseguirá encontrar alguns significados escondidos que se revelam muito interessantes e que darão força a muitas teorias sobre este homem.

Mas a grande questão é: quem é Tom Bombadil? Como o próprio Tolkien chegou a afirmar, Bombadil era um boneco do seu filho e Tolkien criou-o a partir desse brinquedo, mas quem era ele na Terra-Média? Que personagem é esta que fala com todos os seres, compreende-os, e que é capaz de resistir ao Anel Um? As teorias são muitas, pois Tolkien nunca revelou quem era realmente Tom Bombadil. Uns dizem que nunca foi definido, outros falam de que era um Valar ou um Maia e alguns acreditam que fosse o próprio Eru Ilúvatar, o Deus Supremo da Terra-Média. Outros fãs vão ainda mais longe e dizem que é o próprio Tolkien retratado naquelas páginas, pois ele estava lá quando a primeira gota de chuva caiu.

Obviamente este livro não dá a resposta, mas também é verdade que ficamos a conhecer muito mais deste singular personagem. No entanto este livro apresenta ainda outros três contos, em prosa e gostei de todos. 

Nestes três contos, Tolkien apresenta a mesma escrita que em O Hobbit, onde sentimos que o próprio autor nos narra a história como se estivéssemos juntos  à volta de uma fogueira. As histórias são boas, e com personagens interessantes, quer seja no conto de Niggle ou de Smith. Rápidas de ler, sem grandes momentos de descrições, o ritmo de leitura é rápido e sem necessitar de grande esforço.

Falar muito mais sobre estes contos iria revelar mais do que quero e como tal, limito-me a dizer que este livro é muito bom, mas também é dos que menos agarra o leitor, principalmente para quem não gostar de poesia (que volto a dizer, tem grande qualidade). É, tal como Tolkien nos habituou, um livro cheio de significados e lições que devemos reter, ideal para se ler devagar, tentando saber afinal quem era este personagem.
Todos os fãs do universo de Tolkien devem ler este livro e certamente encontrarão novos significados quando juntaram o conhecimento adquirido em O Silmarillion. Não é o mais viciante, não é o melhor livro do autor, nem será aquele que iremos mais vezes repetir a leitura, mas a qualidade de Tolkien está lá, bela, original e imensa. Infelizmente, Tolkien não teve tempo de explicar tudo o que inventou...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O HOBBIT

Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Hobbit


Apesar de ser a história que antecede ao grande O Senhor dos Anéis, apenas li este livro após ter terminado a trilogia mais famosa da literatura. A primeira sensação que fica, é que O Hobbit não tem a magia de LOTR ( The Lord of the Rings) nem a magnitude de O Silmarillion, sendo o mais fraco dos três, e mesmo assim, é um livro fantástico!

Passado 77 anos antes de LOTR, Tolkien dá-nos uma visão muito menos abrangente da Terra Média e facilmente se nota que o autor estava no início da criação de um incrível mundo. Muito do conhecimento que ganhamos ao ler LOTR, aqui não existe, mas este é um livro que não exige esse mesmo conhecimento. Quem tiver lido LOTR, sabe quem é o Rei Elfo que neste livro aparece, sem nunca ser revelado o seu nome, mas se há algo que todos devemos saber é que para termos um conhecimento abrangente sobre este universo, teremos de ler Hobbit, LOTR e Silmarillion.

Destes três livros que falo, Hobbit é o mais fácil de ler, e também o mais entusiasmante, e muito graças a três factores: primeiro, é um livro de ritmo alto, sem grandes descrições, apenas com os detalhes necessários ao desenrolar da própria história; em segundo, a personagem de Bilbo Baggins é extremamente cativante e facilmente entramos na personagem; e em terceiro, a forma como Tolkien escreveu o livro. Tolkien escreve como se estivesse a contar a história, e não é difícil imaginar uma pessoa a narrar este livro enquanto o lemos, tal é a proximidade que o próprio autor consegue com o leitor. Este pequeno detalhe é raríssimo de se sentir num livro.

Sendo um livro mais infantil, O Hobbit oferece-nos algo que muito poucos livros conseguem: uma mistura perfeita da simplicidade de uma narrativa mais infantil, com a complexidade moral disfarçada nas palavras de Tolkien, e em cada capítulo sentimos uma lição, algo mais a aprender. E é esta mistura que torna Hobbit um livro tão singular. Quem ler o livro apenas pelo que salta à vista, irá gostar, mas serão aqueles que lerem atentamente, procurando significados, que sentirão a plena satisfação de ler esta obra.

Pessoalmente é sempre uma enorme satisfação voltar à Terra Média, imaginar Gandalf, Gollum e toda a magia que Tolkien criou numa obra sem paralelo. A história é boa, sem defeitos, as personagens cativantes e os diálogos entre Bilbo e Gollum ou Smaug, estão excelentes e ficam na memória.
Falar sobre este livro sem revelar nada da história (claro que todos sabem que é aqui que Bilbo encontra o Anel Um) não é fácil, porque há muito pouco a criticar e bastante a elogiar. Se gostarem de ler, leiam! Se gostarem de fantasia, leiam! Se tiverem um filho que goste de ouvir histórias, leiam-lhe! Se forem crianças, adolescentes, adultos... leiam este livro.

E para finalizar, a minha ideia que esta é uma lição sobre um homem apático, preso a costumes e ao que os vizinhos pensam sobre ele, sem a necessidade de alcançar algo mais... no fim, Bilbo percebe que por vezes, temos de fazer algo mais para nos sentirmos vivos. Simplesmente obrigatório!

Agora é só esperar pela adaptação de Peter Jackson.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Senhor dos Anéis Vs A Guerra dos Tronos

Primeiro que tudo devo dizer que já li O Senhor dos Anéis mas ainda só li os 3 primeiros livros da saga Game of Thrones (os 6 livros da edição portuguesa) e como tal farei este texto com base no que li até agora.

Foram várias as pessoas que nos últimos tempos me perguntaram: É a saga Guerra de Tronos (GOT) melhor do que O Senhor dos Anéis (LOTR)? Qual é o melhor livro da fantasia? Eu não darei a resposta, mas deixarei aqui aquelas que serão para mim as principais diferenças.
Primeiro deixem-me explicar porque não irei responder a essa pergunta e porque é que nunca o fiz de forma objectiva… porque para mim uma saga é um todo, e GOT ainda não acabou. Quando Martin acabar de escrever a sua saga então eu terei a minha opinião bem definida, até lá não o farei.
Em segundo lugar existe o problema de comparar duas sagas que pouco, ou quase nada têm em comum. Primeiro temos LOTR, escrito na fase da Segunda Guerra Mundial, numa altura em que ninguém lia fantasia e quando criar uma história onde árvores falavam e andavam era no mínimo impensável. GOT por seu lado é escrito numa altura em que a fantasia cresceu, é aceite pelo público e muito graças a LOTR. Outro ponto onde diferem é sobre a base da história, o que a faz ser única. LOTR é uma história sobre a guerra entre o bem e o mal, mas o que a torna única é o mundo, o Universo que Tolkien criou, que revolucionou toda a fantasia e que até hoje nunca ninguém conseguiu chegar perto. Neste ponto, a minha opinião é que Martin está muito longe de atingir a quase perfeição do mundo que Tolkien inventou.
Mas GOT não tem como base um mundo, mas sim as suas personagens, credíveis, humanas, quase sem percebermos de que lado estão a jogar. E aqui, nas personagens, Martin vence Tolkien.
O terceiro ponto onde estas duas sagas diferem (pelo menos na minha opinião) é aquele ponto que todos forçam comparar, na fantasia. Neste ponto darei a minha opinião objectiva: Tolkien inventou um livro de fantasia, o melhor, o que revolucionou tudo… Tolkien escreveu um livro de fantasia puro, Martin não o faz. Aliás, a fantasia que Martin criou no seu livro não traz nada de novo, e já muitos outros fizeram algo parecido. Não, para mim, Martin escreveu um livro que tem algo de fantasia, mas não é isso o seu livro, o seu livro é um entrelaçado de personagens realistas com os seus interesses, medos e destinos incertos. A fantasia aparece apenas de vez em quando e não marca. Esta é para mim a grande diferença.
Passemos a outras mais óbvias: as personagens de Tolkien são mais previsíveis, mais estereotipadas, ao contrário de em GOT onde a mudança de lado e o realismo está presente em cada personagem, e muitas vezes não o percebemos. Neste aspecto prefiro GoT, pois ao olharmos para LOTR percebemos que Sam será sempre amigo de Frodo, que Boromir mais cedo ou mais tarde acabará por tentar roubar o anel, que Faramir nunca o fará, entre muitas outras coisas. Em GOT tal não acontece, pois a cada página uma personagem pode “mudar de lado” devido a uma necessidade de algo, de cumprir um objectivo, seja ele qual for.
Esta imprevisibilidade nas personagens de Martin é o espelho da sua escrita, imprevisível. Uma vez mais difere de LOTR porque a verdade é que qualquer personagem, por mais principal ou adorada que seja, poderá morrer na página seguinte. Uma vez mais, trata-se de uma escrita mais próxima da realidade se olharmos ao “desenrolar da história”. Martin arrisca em certas mortes e tramas, e arrisca bem!
Ainda no tipo de escrita, Tolkien escreve uma história com descrições extensas, por vezes belas, por vezes alegres e tristes. Martin corta com esse conceito e dá-nos um lado visual mais adulto, com a violência normal numa guerra, com sexo e com todo o ódio e desprezo que a mente humana é capaz de produzir. Nas descrições outra diferença importante é que Tolkien criou um mundo mais do que uma história, e como tal são muitas as páginas que a sua mente prodigiosa criou sobre as descrições dos locais, do passado, da cultura, dos hábitos… Martin não o faz. Usa descrições rápidas, sem grande beleza ou magnitude, mas nunca me senti perdido ou a achar que algo faltava.
Outra diferença importante é como as personagens nos são “dadas”. Tolkien descrevia-as, falando-nos sobre as suas mentalidades, medos, passado, traumas, etc… Martin não o faz da mesma forma. O que faz é dar-nos a história pelos seus olhos, aproximando-nos da personagem em questão a cada capítulo. Desta forma a personagem é-nos dada a conhecer enquanto a história se desenvolve, sem grande quebra de ritmo e sem cansar o leitor. Claro que este tipo de dar a conhecer as personagens ajuda-nos a perceber algo mais profundo, aquilo que falta a outros livros e aqui Martin é mestre por nos revelar o intimo de cada mente. Ao sabermos mais sobre as suas personagens percebemos cada vez mais que existem menos diferenças entre elas do que aquilo que nos é dado no início. Aliás, são muitas as personagens que ainda não percebi se encaixam no lado “bom” ou no “mau”. A questão é: existe uma diferença entre o bem e o mal em GOT? Em LOTR essa diferença é marcada bem cedo e são poucas as personagens que mudam de lado, já em GOT uma vez mais existe um realismo associado a certas necessidades, como a sobrevivência, que levam muitas personagens a mudar de lado enquanto outras caminham sempre na linha que separa o bem do mal.

Como disse antes, não vou aqui dizer qual é o melhor no global, essencialmente porque são livros demasiado distantes na sua base e porque GOT ainda não acabou. Não faria sentido dizer agora que GOT era melhor ou pior sem saber o seu final e até que ponto Martin terá a genialidade necessária para dar a este seu mundo um final que seja ao nível do que nos habituou.

Mas há algo que posso fazer para já, dizer num ou noutro aspecto o que acho se os tentarmos comparar: nas personagens Martin ganha, pela sua maior riqueza, realidade e complexidade.
Na história em si Martin ganha por um único motivo: é imprevisível.
Na forma como escreve Martin volta a ganhar porque descreve enquanto desenvolve a história, não quebrando o ritmo e porque tem o golpe de génio de nos dar cada capítulo pelos olhos de uma personagem diferente, e assim conseguimos conhecê-la melhor, perceber as suas acções e acima de tudo, faz-nos gostar, em alguns casos, tanto dos supostos bons como dos maus.
No mundo onde a história se desenrola Tolkien é Rei, e na minha opinião não existe sequer comparação. O mundo de Tolkien é tão soberbamente rico e tão inovador para a altura que até faz confusão tal ser criado naquela fase da história da humanidade. A fantasia criada por Tolkien é aquela que marcou todo o género literário até agora e por mais ramificada que esteja actualmente, é raro o livro da fantasia onde não vemos um ou outro ponto onde pensamos “Tolkien está aqui”.
Se tentarmos dizer qual o melhor livro de fantasia de sempre, é indiscutivelmente O Senhor dos Anéis, porque é o melhor em todos os parâmetros da fantasia. Got não é, por comparação um livro de fantasia. GoT tem dragões, tem uns mortos que voltam à vida (não irei aqui revelar tudo o que acontece de fantasia) e pouco mais… é preciso explicar aqui tudo o que LOTR tem de fantasia nas suas páginas?
Mas se retirarmos da pergunta inicial a palavra “fantasia” tudo muda. Qual é o melhor livro? A minha resposta, não sendo objectiva, é a seguinte: LOTR é o livro mais vendido e mais aclamado que existe, posto constantemente em primeiro lugar por leitores ou críticos como a maior obra-prima da literatura… durante todos estes anos muitos foram os que esperaram por algo que se pudesse comparar, nunca ninguém conseguiu. Agora Martin chegou e as comparações e as questões levantaram-se… Martin pode nunca bater Tolkien, como também o pode superar, para mim não é essa a questão… o que devemos pensar é: o que Martin escreveu ao ser comparado a LOTR tem, obrigatoriamente, de ser bom, muito bom. Nós nunca comparamos o que é bom com o que é mau. E como tal, Martin tem uma fabulosa saga, que ficará na história (se conseguir manter o nível) e que será lida e recordada durante muitos anos. Eu para já estou a adorar, estou completamente viciado e admirado pelo grande trabalho de Martin, porque é a melhor saga dos últimos anos e ninguém a deve perder.
Esqueçam a resposta sobre qual é a melhor, leiam os dois e decidam por vós próprios… é o que eu estou a fazer.

Espaço ainda para pedir desculpa pelo texto tão grande, mas seriam vergonhoso falar destas duas sagas em apenas algumas linhas. Deixem-me as vossas opiniões, digam-me o que gostaram mais nos livros, quer tenham lido as duas sagas ou apenas uma.    

sábado, 18 de junho de 2011

O SENHOR DOS ANÉIS

Autor: J. R. R. Tolkien

Título original: The Lord of the Rings 

Criticar a obra-prima de Tolkien é quase uma perda de tempo por uma simples razão: Não há nada que possa dizer que não tenha sido dito. Escrevo estas linhas simplesmente porque se trata do melhor livro que alguma vez li. Confesso que não foi o que me deu mais prazer, nem o que mais me prendeu às suas linhas, mas é, indiscutivelmente, o melhor livro que alguma vez li.
 Quando comecei a ler “O Senhor dos Anéis” ainda não fazia a mínima ideia que no futuro existiriam filmes que revolucionariam a Sétima Arte e portanto não sabia o que me esperava. Comecei a lê-lo com uns quinze anos por um simples motivo: a crítica do Sunday Times dizia “o mundo da literatura inglesa encontra-se dividido em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e a daqueles que o vão ler”.
Ora claro está que um rapaz como eu que achava que gostava de fantasia, não poderia deixar de ler tão prestigiado livro! Agarrei-me ao primeiro dos três volumes como uma criança esfomeada mas rapidamente a ânsia me passou. Tolkien começava a história com o relato de uma raça de pequenas pessoas aos quais chamou de Hobbits e de um feiticeiro enfadonho de nome Gandalf  (que usava fogo de artifício nas festas) e outras descrições que enchiam as primeiras páginas de forma quase interminável. A isto seguiu-se uma festa de aniversário. Para mim algo não estava bem. Como poderia aquele livro começar por algo que não fosse fabulosas batalhas com dragões, magias e cavaleiros reluzentes? Pois. Parece-me agora que Tolkien sabia o que estava a fazer.
Já li esta história algumas vezes e em toda elas me maravilho com o mundo que Tolkien inventou. Ficará para sempre na minha memória o que senti ao ler Galdalf contra o Balrog gritando “TU NÃO PASSARÁS”, ao ver a descrição de Minas Tirith ou Minas Morgul, a negociação com Boca de Sauron, o aparecimento do Rei de Angmar, a conversa entre Frodo e Galdalf sobre a morte que Gollum merecia e acima de tudo, a própria personagem de Gollum, para mim a melhor que já li. A minha favorita. E claro que não poderia esquecer o mistério que envolve Tom Bombadil.
Pode-se com algum trabalho encontrar uma ou outra parecença com Beowulf (que apenas mais tarde tive o prazer de ler) no segundo volume em que chegamos a Rohan com as personagens da Irmandade. Mas o que Tolkien trouxe à fantasia é de tal forma avassalador, com mundos, costumes e personagens tão fortes e perfeitamente detalhados, que torna este livro como “o obrigatório”. Se ainda não o leram, parem tudo o que estejam a fazer e tratem de o ler! Se já o leram, sabem do que falo, sabem que neste livro está o que outros imitaram e que mesmo que não o façam, a influência é demasiado forte para ser negada. Tolkien é um dos grandes génios da literatura e assinou um mundo ímpar, um trabalho de uma vida. Um livro impossível de perder.

Deixo-vos aqui a frase (versão original) que mais me marcou neste livro: “Deserves it! I daresay he does. Many that live deserve death. And some that die deserve life. Can you give it to them? Then do not be too eager to deal out death in judgement. For even the very wise cannot see all ends.