Mostrar mensagens com a etiqueta Robin Hobb. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Robin Hobb. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O DESTINO DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb



Sinopse: FitzCavalaria deixou para trás a pele de assassino, mas nem assim encontrou paz. Depois do rapto de Abelha, e acreditando que ela está morta, Fitz e o Bobo partem em busca de vingança. Nenhum Servo estará a salvo. A missão revela-se surpreendente, com o reencontro com velhos amigos e a descoberta de novos aliados Fitz ainda é um homem temido, e o Bobo continua a ter segredos por desvendar. 
O destino dos dois amigos ficará para sempre selado à medida que as respostas aos mistérios antigos são reveladas, num final épico, intenso e empolgante.





Esta é a terceira saga de Fitz, e este último livro parece realmente o último. Mas já lá vamos. Robin Hobb é uma autora que aprecio bastante pela forma como consegue ligar-me com as personagens. Ao fim de tantos livros, a ligação entre um leitor e Fitz terá de ser forte. No meu caso, Fitz é uma daquelas personagens que me leva a sentir algo. Sinto que a conheço, quero que vença no fim, percebo os seus motivos, etc... 

Depois de tantos anos a ler as palavras deste personagens, é emocionante chegar ao fim, olhar para tudo o que aconteceu, que decisões levaram a estes momentos, o que cada personagem sacrificou, e muito mais... No entanto, tal como em todos os outros livros, Hobb não se foca apenas em Fitz, mas sim num leque muito bem construído de personagens cativantes, diversificadas, coerentes e que ainda têm muito para revelar neste livro.

A história é boa, acabando de forma brutal e com a capacidade de ir buscar muitos momentos dos livros anteriores. De um ponto de vista global, este é o livro que torna todos os anteriores em melhores livros, porque liga momentos importantes, dá respostas e torna tudo mais coerente se tivermos bem presente na nossa mente certos momentos e certos diálogos. É o facto de Hobb ter olhado para este livro como o terminar de todos os livros e não apenas desta saga, que eleva este livro a o melhor que a escritora já escreveu. 

Claro que sendo o final, não agradará a todos, o que é normal numa saga com a qual passamos por tantas emoções, mas a qualidade é inegável, a visão está presente a cada instante, e o facto de até aparecem personagens dos primeiros livros mostra o quanto tudo está ligado e o quanto a autora deverá ter pensado em alguns destes acontecimentos já há vários anos.

No final fica uma sensação estranha, porque adorei o final, mas acredito que depois disto, a autora deixará de escrever pela mão de Fitz, porque o final faz mesmo sentido. Uma história de sacrifício, de amor, de amizade, de responsabilidade, e de dever para com os que nos rodeiam. Estas três sagas, estes quinze livros, foram uma das melhores leituras que alguma vez tive e que qualquer leitor de fantasia irá apreciar, principalmente aqueles que apreciam histórias focadas nas personagens. Totalmente recomendado, desde o primeiro livro, até à última página deste...

Luís Pinto


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A VIAGEM DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb



Sinopse: Há muitos anos, FitzCavalaria jurou a si mesmo afastar-se das intrigas da corte e despir a pele de assassino. Tornou-se Tomé Texugo, um respeitável senhor rural, marido e pai. Mas esta pacata existência foi abalada pelo rapto da sua filha, Abelha, cuja existência praticamente todos desconheciam.
Acreditando que a filha está morta, Fitz parte com o seu velho amigo Bobo em busca de vingança. A sua jornada leva-os a percorrer meio mundo, até chegarem a um lugar maldito que traz de volta memórias há muito esquecidas.
Entre a dor da perda e a esperança num futuro incerto, Fitz e o Bobo terão de enfrentar revelações inesperadas que serão decisivas no futuro de ambos.


Este é o quarto livro desta nova saga onde Fitz é o personagem principal. Quem seguir o meu blog sabe que gosto bastante dos livros de Robin Hobb, não tanto pela sua história ou pelo mundo criado, que são bons, mas principalmente pelas personagens. Hobb tem uma talento claro para explorar as suas personagens, dando-lhes densidade, mistério, coerência, inteligência e, principalmente, uma grande capacidade de agarrar o leitor. Quem lê estes livros, muito provavelmente sofre com estas personagens, ri com elas, vive aqueles momentos como se os estivesse a ver. 

Este é o segredo de Hobb, muito graças ao facto de já termos lido vários livros neste mundo, personagens como Fitz são quase como amigos. Conhecemos verdadeiramente este personagem criado pela mente de alguém e passado para um papel. E é assim que avançamos, querendo saber mais, querendo saber como tudo acaba e desejando que seja tudo pelo melhor.

Sendo a terceira saga com Fitz, Hobb aproveita o passado da personagem para explorar os seus traumas, os seus sonhos, esperanças, crenças, tudo num passado que conhecemos porque estivemos sempre presentes na vida deste homem que se tornou num assassino. 

Com muitas revelações pelo meio, várias com ligações ao passado e a anteriores livros, este enredo começa a ganhar uma dimensão cada vez maior. As linhas começam a ligar-se com revelações poderosas e inesperadas, que preparam o último livro da saga. Com o interesse a aumentar bastante, torna-se impossível largar este livro e assim que o acabamos, queremos o próximo.

Faltando apenas um livro para o fim desta saga, não vou alongar-me nesta análise para não revelar nada, mas o importante é fácil de dizer e de identificar: Hobb cria uma ligação entre livro e leitor que poucos conseguem. Com a intensidade a crescer a cada livro desta saga, o final promete ser avassalador, até porque se nota que Hobb está a construir noções no leitor que serão a base das revelações finais.

Nestas sagas de Fitz, Hobb não tem o melhor mundo, nem o melhor enredo, mas poucos agarram como ela. É uma viagem única, feita de mão dada com Fitz, que deixa de ser uma personagem para ser o nosso companheiro. Se gostam de fantasia, se as personagens são importantes para vocês, então todos os livros do assassino são para vocês. Já só falta um!

Luís Pinto


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A DEMANDA DO BOBO


Autor: Robin Hobb




Sinopse: Em tempos existiu em Torre do Cervo um assassino real. Para aqueles que simpatizavam com ele era conhecido como Fitz; para os que o odiavam era o Bastardo Manhoso. Mais tarde esse homem desapareceu e surgiu um respeitável senhor rural chamado Tomé Texugo, pacato, marido e pai.
Mas agora também esse homem desapareceu, deixando no seu lugar FitzCavalaria Visionário, príncipe reconhecido da casa real, tio do rei, pai de uma criança raptada cuja existência quase todos ignoram, amigo de um velho Bobo quebrado e cego cuja saúde vai recuperando de forma dolorosamente lenta.
Entre todas estas forças que o puxam nas mais diversas direções, a quais irá ele ceder, e quem, ao certo, cederá? O pai ou o amigo? O príncipe ou o assassino?



Chegou uma vez mais o momento de continuar com a saga do nosso amigo Fitz. Ao fim de mais de uma dezena de livros, é incrível como ainda é um prazer regressar a esta história.

Esse é, claramente, um dos grandes trunfos desta autora: a capacidade de continuar a inovar, a agarrar-nos de formas diferentes e de não ser repetitiva numa narrativa bastante focada em personagens. Aliás, ser repetitivo numa narrativa que se foca demasiado nas persoangens é um erro comum, mas Hobb não o comete, pois as personagens continuam a desenvolver-se, a serem aprofundadas e a passarem por novas decisões que os definem.

É também graças a essas personagens que a saga é tão boa. Os livros de Hobb, que claramente tem uma boa história, tem como trunfo as suas personagens que já conhecemos de forma quase plena. A abordagem da autora a algumas personagens é fascinante, criando uma sensação brutalmente realista sobre a psicologia de cada um, tornando o enredo bastante coerente.

Em termos de história, existem algumas surpresas, positivas, e que, novamente, estão totalmente focadas nas decisões das personagens e na forma como estas reagem a algo. O livro começa logo em grande velocidade, com a intriga já bem implementada e pronta para aumentar de nível. A isso a autora junta o facto de várias vezes dar pistas para o que poderá ser o caminho dos próximos livros que terminam esta saga, deixando uma enorme vontade de continuar já a ler. 

Estando quase a terminar esta saga quando chegarem os próximos livros, não quero estar a criar qualquer tipo de revelação. Aliás, qualquer pessoa que conheça este blog, provavelmente saberá que aprecio bastante o trabalho de Robin Hobb nesta saga, pois poucos livros me levaram a criar uma ligação emocional tão forte com as personagens. Aqui Hobb continua em grande nível, sempre com grande qualidade e acabando num momento muito bem conseguido e bem pensado. Duvido que Hobb "estrague a pintura" nos próximos livros, por isso acredito que no final, esta será mais uma saga a recomendar. Para já, muito bom, e totalmente recomendado a que goste do género!

Luís Pinto



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A REVELAÇÃO DO BOBO


Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's quest




Sinopse: Após os acontecimentos de O Assassino do Bobo, cresce a intriga que atinge a vida e o coração de Fitz. Depois de garantir que nunca mais a deixaria só ou negligenciada, Fitz abandonou a sua filha Abelha para correr para Torre do Cervo a fim de tentar salvar a vida do velho amigo Bobo. A consequência foi a mais terrível: um ataque à sua casa e o rapto da pequena, que desaparece sem deixar rasto.

Encontramo-lo neste volume dilacerado entre as obrigações para com o Bobo e o que a consciência lhe exige que faça para tentar recuperar a filha. Mesmo o regresso a Torre do Cervo traz grandes perigos, pois no local onde nasceu e viveu durante muitos anos ainda perdura a sua má fama de Bastardo Manhoso e assassino. O que poderá Fitz fazer para trazer a paz de novo ao seu mundo?



Durante todos estes anos de blog, já disse várias vezes que existem alguns autor que são especiais para mim. Qualquer leitor tem um conjunto de escritores, que por algum motivo, o leva por uma experiência diferente. Mais marcante, mais especial. Eu, enquanto leitor, não posso deixar de pensar em nomes com Tolkien, Rowling, Steinbeck, Sanderson, Wells, le Carré, e também Hobb. Cada um deles por motivos diferentes, mas todos especiais. Hobb é pelas suas personagens.

A verdade é que poderia acabar este texto aqui, deixando apenas que o nome da autor fique ao lado de grandes nomes da literatura. Haverá maior feito do que caminhar no meio de gigantes? Hobb leva-me, com as suas palavras, a sofrer com estas personagens. Ao fim de onze livros sobre Fitz, este personagem faz parte da minha vida. Quantas horas da minha vida já passei na sua companhia? Conheço-o como se fosse alguém real. E é isto que faz a diferença: a capacidade de levar um leitor a ler umas palavras e achar que aquilo é real, que devemos sofrer com aquelas personagens, que devemos sorrir quando tudo acaba bem. Aqui, uma vez mais, Hobb conduziu-me por um mar de emoções enquanto ia revelando a sua história.

O enredo, bem montado e inteligente, apenas sofre por este livro estar cortado ao meio. No entanto, acaba no momento certo, deixando-nos com várias certezas e novas perguntas. A forma como a autora explora as suas personagens, tornando-as cada vez mais complexas mas sempre coerentes com o que sabemos dos onze livros anteriores, é a razão para a existência da enorme legião de fãs desta saga. Alguém que pegue nestas páginas e a transforme numa série, sff.

Sendo um livro dividido ao meio, não irei alongar-me muito. A história está muito boa e este livro serve para apresentar alguns momentos importantes e preparar os próximos. É daqueles livros que leio, e a seguir apetece-me pegar na saga toda e voltar a ler tudo, tal é a minha "relação" com Fitz que se foi criando aos poucos. No entanto este livro não está totalmente focado em Fitz, mas também em Abelha ou Breu, personagens que continuam a demonstrar novas camadas, melhorando o enredo.
 
Quando o livro acaba a vontde de passar para o próximo é enorme. Espero que a Saída de Emergência consiga lançar o próximo livro nos próximos meses, porque as várias perguntas na minha mente precisam de respostas. Para já, uma coisa é certa: Hobb continua em grande, num patamar que poucos alcançam durante tantos e tantos livros. Totalmente recomendado, desde o início!
 
Luís Pinto



terça-feira, 8 de agosto de 2017

O ASSASSINO DO BOBO


Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's Assassin





Sinopse: Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é
FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.
Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja sempre forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual…



Todos nós temos autores que de imediato nos fazem sentir algo diferente. A forma como entramos nos seus mundos, como nos levam a visitar locais imaginários, a sentir algo por certas personagens, a vibrar e sofrer. Entre os autores que me oferecem estas sensações, está Robin Hobb, autora da qual já li tantos livros, e que durante tantas horas me fez viajar nas aventuras de Fitz sem conseguir parar de ler.

Agora Fitz está de volta, a expectativa era enorme, mas não tive qualquer momento de desilusão. Robin Hobb criou um grande livro! De um ponto de vista crítico, este é, talvez, o melhor livrode toda a saga de Fitz, mas já lá vamos. O que temos aqui é um livro extremamente completo e capaz de iniciar uma nova trama com detalhes que certamente farão a diferença nos livros seguintes.

Em primeiro lugar, a autora continua a explorar Fitz, mas não só. Aliás, uma vez mais, a autora consegue desenvolver as suas personagens de forma coerente com o que já conhecemos delas, mas também com uma forte ligação ao que está a acontecer. Motivos, medos, traumas, a autora explora tudo com mestria para que nada pareça fora do lugar.

Pelo meio, o mundo criado por Hobb continua a mostrar que ainda tem muito para ser explorado e raramente senti algo forçado. A isto junta-se um bom enredo, bem pensado, bem estruturado e que não só oferece momentos que não se esquecem, como prepara toda a trilogia nestas páginas. Diálogos inteligentes e uma narrativa bem sustentada nos motivos e objetivos de Fitz, levam-nos a não conseguir parar de ler, principalmente pela intriga e pelas questões morais que levanta.

Em muitos aspetos este é um dos melhores livros de Fitz. Nota-se que a autora continua a evoluir e que criou uma boa base que justifique ao leitor regressar e aos personagens continuarem. Acredito plenamente que está aqui o início de uma fantástica trilogia.

Luís Pinto

quinta-feira, 27 de junho de 2013

OS DRAGÕES DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's Fate (2ª metade)


"Leiam esta saga!" (e a minha crítica podia ser apenas esta frase, porque, sinceramente, nem sei que dizer mais). 

Finalmente acabei esta saga, que juntamente com a anterior, nos dá um olhar sobre a vida de Fitz, narrada pelo próprio, num conjunto de dez livros. 

Olhando para a qualidade do livro, este não está acima dos restantes, mas será, quase de certeza, o favorito de todos. Em primeiro lugar é preciso dizer que Hobb consegue "fechar" todos os temas, dando respostas e momentos definitivos para tudo, à excepção de um pormenor que, quem sabe, poderá ser a chave para uma nova saga, um dia.

Este é, provavelmente, o facto mais bem conseguido deste livro: tudo fica explicado, até as dúvidas em relação à saga anterior, dando a sensação que na realidade são uma única saga, pensada desde o início para acabar neste livro. Em relação ao final, Hobb executa-o de forma diferente. No final da primeira saga, tudo foi muito rápido e isso desagradou alguns leitores. Eu adorei aquele final mas percebi a insatisfação de alguns. Neste, Hobb não repete o "erro". O final da "luta entre o bem e o mal" acaba muito antes do fim do livro, dando espaço ao acalmar da narrativa e à definição de tudo, com calma e sem espaço para dúvidas.

Sobre tudo o resto não há muito a dizer. Hobb está como nos habituou: excelentes personagens, momentos de surpresa e coerência, uma escrita lenta e cheia de pormenores, e acima de tudo, muita emoção. Morte, traição, amizade, amor, desespero. Tudo está presente e as decisões serão definitivas. Um livro que não desilude em nenhum momento e que é o final que os fãs há muito pediam, onde a autora demonstra a capacidade de não nos dar algo cor de rosa e que destruísse a coerência daquele mundo.

Resta-me acabar esta análise, onde me recuso a mencionar qualquer personagem ou momento (para nada revelar), da mesma foram que comecei: "Leiam esta saga!"

Agora um olhar sobre as duas sagas, num texto menos crítico e mais emocional:

Há um ano comecei a ler a história de Fitz. Quem me recomendou o "Aprendiz de Assassino" disse-me: "Não vais conseguir parar de ler". Um ano depois, e dez livros lidos (a uma média de 350 páginas, mais ou menos, é muita página), dou-lhe razão. Quando comecei a ler, achei que a saga poderia ter um problema: era narrada por Fitz, logo ele não iria morrer, pois não acreditava que a meio o narrador mudasse. Sendo assim, como poderia eu, leitor, preocupar-me realmente com ele? A resposta, vejo-a agora, é que não preciso, porque eu sofri com esta personagem. Qual o seu segredo? É difícil de explicar, e ainda mais difícil de copiar. Fitz foi uma presença na minha mente durante horas, as longas horas em que li a sua vida. E, acima de tudo, foi honesto. Enquanto narrador, nunca me tentou enganar, nunca escondeu os seus defeitos. Vendo bem, Fitz foi o narrador mais honesto que já li... tratou-me como a um amigo, e ao mostrar-me todos os seus erros, imperfeições, virtudes e momentos de indecisão, tornou-se na personagem mais humana... aquele que cresceu ao contar-me a sua vida.

O segredo é mesmo esse: Fitz não é um herói como nós conhecemos. É, principalmente, uma personagem que não tem a vergonha de dizer ao leitor tudo o que fez de mal e sofrer com isso. Claro que parece que o estou a tornar demasiado real, mas pensem bem: quantos narradores foram totalmente honestos com o leitor? Quantos não nos tentaram enganar, esconder coisas até ao fim, para nos surpreender? Aqui nós sempre soubemos o mesmo que ele.  

E assim sofri com Fitz. Sofri pelo amor que não teve, pelas torturas que recebeu, pelas mortes à sua volta. E isso é tão difícil um escritor conseguir... aquela capacidade de nos fazer esquecer que estamos a ler e levar-nos, inconscientemente, a acreditar que aquela história existiu, teve amor e sofrimento, e nós sofremos, porque gostamos daqueles personagens que não são mais do que palavras escritas por alguém que nunca iremos conhecer. É essa a magia da leitura: é ver o Fitz a sofrer e esquecermos que estamos no nosso quarto, é achar que ele está à nossa frente a contar-nos a sua vida.

Claro que a saga não é apenas Fitz. A autora criou, desde o início, uma ponte que qualquer leitor atravessa, e que nos leva a gostar também de outras personagens. Castro, talvez o mais incompreendido no início, mas principalmente Veracidade e o Bobo. O Bobo pelo enigma que é, sempre misterioso, Veracidade porque é a imagem paternal que Fitz nunca teve, cheio de moral, justiça e coragem, sempre pronto a sacrificar-se enquanto nos revoltamos com as injustiças que Majestoso cria. Claro que existem outras... acredito que seja impossível não ficar "amigo" de Olhos-de-Noite e principalmente de Obtuso, que adorei. Todos eles desafiam Fitz à sua maneira, levando-o a errar, a admitir o erro e crescer.

Este conjunto de personagens, onde podemos ainda acrescentar Breu, a Rainha, Paciência, etc... é o grande trunfo da saga. Se as personagens fossem menos reais, menos fortes, então o enredo não teria a capacidade de nos prender da mesma forma. E isto nota-se com facilidade. Hobb cria um mundo interessante, dá-lhe diversidade, curiosidades, cultura, e tudo isto com qualidade, mas essa é a parte que iremos esquecer. O que fica é essa empatia, que cada um poderá criar (no meu caso, com Fitz).

Esta empatia que criei, outros poderão não sentir. Na literatura, durante os anos em que lemos, vamos assistindo a muitas histórias, conhecemos milhares de personagens. Umas ficam connosco para sempre, outras esquecemos mal o livro acaba. Todos nós ganhamos algo quando lemos um livro, mas por vezes, existe um livro que nos tira algo quando o acabamos. Foi isso que me aconteceu com esta saga: houve algo que perdi quando a acabei, e sente-se um pequeno vazio que apenas os nosso livros favoritos conseguem deixar dentro de nós.

A saga de Fitz (e aqui falo dos dez livros) não é a minha favorita nem é a melhor que já li, e o mesmo se passa com Fitz, que não é a minha personagem favorita, nem a melhor que já conheci... mas fez-me vibrar como nenhuma outra. Fez-me rir, fez-me sofrer ou ficar triste. Acima de tudo, fez-me companhia e por isso, estas milhares de palavras que Hobb escreveu, nunca foram apenas uma leitura onde lemos algo. Esta foi partilhada com a personagem, e por isso a leitura, um ato que por vezes é tão solitário, neste caso nunca estive sozinho.

Luís Pinto

terça-feira, 21 de maio de 2013

A JORNADA DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's fate


Este livro deixou-me uma mistura de sensações: por um lado quero rapidamente acabar a saga, por outro parece que já sinto saudades por estar quase no fim. É um caso raro uma saga conseguir prender-me desta forma, mesmo ao fim de 9 livro já lidos, se tivermos em conta a saga anterior.

Neste 4º e penúltimo volume, a autora prepara tudo mas não nos oferece nada de conclusivo. O que quero dizer com isto é que vemos, sem grande dificuldade, a autora a preparar, com pequenos detalhes, o que irá acontecer no fim. Nota-se em alguma falas, em alguns olhares, em alguns pensamentos, e vemos que existem tantos fatores que podem decidir e tantas perguntas sem resposta... porque a autora está a guardar tudo para o fim sem que a viagem até lá seja frustrante.

A escrita da autora é a que já conhecemos. Vai ao detalhe, principalmente na construção das personagens, acelerando e diminuindo em certas ocasiões. No geral, este é um livro com um ritmo mais elevado do que o normal na saga, diminuindo em duas ocasiões, onde acho que a autora nos quis obrigar a não esquecer tal momento, para depois, no futuro, tal ser importante.

Sobre as personagens não há muito a dizer. Todas vão no sentido que esperava, mas existem três que ganham maior destaque e que se desenvolvem bastante: Teio, Urtiga e Veloz. Menciono-os porque acredito que venham a ser muito importantes. Neste desenvolvimento a autora não foge ao seu estilo e nenhuma me parece incoerente. O mundo também está agora mais exposto com a viagem do Príncipe a abrir a narrativa a novas culturas, no entanto o vislumbre é rápido e parece-me que a autora não nos quer dispersar quando há tantas questões ainda sem resposta. Aliás, Hobb faz questão de, muito indiretamente, nos mostrar todos aqueles pontos que nós queremos resolvidos.

Sobre Fitz não há muito a dizer. Gosto da personagem pelos sacrifícios que faz, mas principalmente pelas falhas que tem, sendo que a autora nos conseguem explicar o porquê das suas más decisões, e isso é muito importante, pois retira a sensação de que algo que corra bem ou mal, tenha sido forçado. Devo ainda salientar a personagem Obtuso. Para mim é uma das melhores e das que está melhor construída. Está bem explorada e apresenta detalhes que me surpreenderam, não por serem detalhes importantes, mas porque não o são, e mesmo assim a autora apresenta-os por forma a tornar a personagem mais coesa e preparando-a para o futuro, para que depois não se estranhe alguma reação da personagem.

Estou a escrever esta opinião e só me aparece partir já para a leitura do próximo livro. Esta saga é mesmo um caso raro na forma como me agarra e me obriga a não parar de ler. Onde está o seu segredo? Em vários fatores. Em primeiro lugar há ainda muito a explicar mas nota-se que a autora terá resposta a tudo. E em segundo são as personagens, e para mim este é o fator mais importante. Hoob conseguiu que me preocupasse com Fitz, com Breu, com Obtuso, etc... que sorria quando vencem, que fique triste quando perdem, e tal ligação não é fácil de se conseguir pelo papel a partir do momento em que o leitor passa quela fase mais mágica da adolescência. Se o final for tão bom como eu espero, seja ele alegre ou cruel, esta saga será memorável, porque a verdade é, que em 9 livros, ainda não tenho nada a apontar (a não ser o ritmo baixo mas que também oferece qualidade)!

Hobb fez um trabalho fantástico até agora! A pessoa que me aconselhou a começar esta saga disse-me: "não vais conseguir parar de ler..." e acertou. Vamos ver se o fim me faz sorrir...

Assim que acabar o próximo livro, deixo aqui a minha opinião, e ainda um olhar mais aprofundado a toda a saga.

Luís Pinto

quinta-feira, 18 de abril de 2013

SANGUE DO ASSASSINO



Autor: Robin Hobb

Título original: Golden Fool


Sendo a 2ª metade do livro original, este começa logo após o terminar do anterior e, novamente, comecei a ler e não consegui parar. Todas as grandes sagas nos prendem por algum motivo: Harry Potter, pela sua magia, O Senhor dos Anéis pelo seu mundo, A Guerra dos Tronos pela sua complexidade e crueldade. Esta saga do assassino prende-me pelas suas personagens. A facilidade com que me preocupo com Fitz, Bobo, Breu, entre outros, faz-me ler esta saga sem parar, e isto é algo que poucas séries conseguem.

O ritmo da autora continua lento (é talvez o único defeito da saga que seja facilmente visível), mas, se por um lado poderia dispensar algumas das descrições sobre roupas, percebo que a autora nos liga às personagens principalmente pela forma como escreve, mostrando-nos como Fitz pensa, como é humano, como falha, e como volta a pensar. E assim, lentamente, o livro foca-se nos dilemas de cada personagem e na política necessária para se manter o reino unido. Fitz continua uma personagem realista, com todas as suas falhas (apesar de muito mais maduro que na saga anterior, como já tinha dito noutras opiniões), e mantém-se coerente, falhando onde sempre falhou, por exemplo: a sua enorme incapacidade para ler as outras pessoas.

Falando ainda de personagens, e se olharmos para a construção das mesmas, este é o livro em que a grande maioria ficou totalmente construída. Fitz, Bobo, Breu e até Respeitador, atingem neste livro a sua construção final, e a partir de agora, irão seguir com coerência em relação ao que já lemos sobre eles. Este facto nota-se com facilidade, principalmente com Breu, que se revela em pequenos detalhes que, certamente, serão muito importantes no futuro. A construção está lá, e basta apenas revelar.

O final não é marcante, mas abre um leque enorme de possibilidades, e no global, este livro tem um dos melhores enredos das sagas de Fitz. O enredo, tal como se espera de um livro que está no meio de uma trilogia, não tem um caminho definido a percorrer, pois a trama está em desenvolvimento, e acabamos por perceber que este é o preparar de várias situações futuras... e ao ler cada página imaginei o que poderia acontecer nos próximos livros. No entanto, é interessante ver como este livro foca-se muito mais em sentimentos do que em política ou fantasia.

Ao fim de vários livros sobre Fitz, ainda não estou cansado desta saga, e isto é significativo. Aliás, o que me custa é saber que está quase a acabar. Vibro com as personagens, quero justiça para elas, quero saber os seus segredos, e com isto, acabamos com um livro, que apesar de se passar todo dentro de uma cidade, nunca senti necessidade de sair daquelas muralhas e descobrir mais sobre aquele mundo, pois tudo o que precisava, estava ali.

O livro está bem montado e nota-se como a autora nos dá algo para de seguida nos tirar. Houve pelo menos
duas vezes em que a autora, discretamente, muda o rumo de um diálogo para que as perguntas que nós temos, não sejam feitas pelas personagens, e o segredo mantém-se. E nós continuamos a ler sem parar.

Apesar de a anterior saga ter sido muito boa, esta é superior quase em tudo. A escrita da autora está melhor, as personagens também e não sabemos onde tudo isto irá parar, pois o próprio inimigo não está totalmente definido. Juntamos o facto de Fitz viver na sombra e cheio de dilemas, e sabermos que algum dia tudo será revelado, então torna-se impossível parar de ler.

Para finalizar, vejamos o seguinte: a grande maioria das trilogias, incluindo algumas muito boas, seguem um padrão - introdução, desenvolvimento e conclusão. E o que costumamos ter, é um primeiro livro que nos agarra, um terceiro livro que nos fascina, e o segundo livro acaba por ser o menos marcante quando tudo acaba. Se olhamos para os livros originais de cada saga de Fitz, na primeira saga foi o segundo livro original que mais me marcou, o que é raro. Nesta saga também o segundo livro foi mais viciante do que o primeiro... vamos ver o que acontecerá com o terceiro. Para já, altamente recomendado.

Luís Pinto

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

OS DILEMAS DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb

Título original: Golden Fool: Book 2 of The Tawny Man




Após ter lido o primeiro livro desta nova saga (O Regresso do Assassino), e de ter sido, na minha opinião, o melhor livro da autora neste mundo de fantasia, havia o problema de as minhas expectativas estarem muito altas.

A verdade é que o livro sofre com a sua divisão ao meio, não em termos de qualidade, mas em relação a momentos marcantes. No global, este livro tem a mesma qualidade que o anterior: personagens coerentes, bons diálogos, boa intriga (bem estruturada e montada nos momentos certos) e os pensamentos de Fitz a moldarem a narrativa e seu ritmo. No entanto, ao estar dividido (não que eu condene a divisão) este livro torna-se exclusivamente no criar de uma nova intriga, e para a desvendar, teremos de ler o próximo.

A história começa onde acaba o anterior e agora Fitz terá de se adaptar a uma nova realidade enquanto sofre as recentes perdas. A partir desta base estaremos perante, tal como o título indica, os dilemas de Fitz sobre vários temas: a forma como educará Zar, o treino com o Príncipe, o seu novo papel na corte, etc... (não vou revelar mais, mas existem mais alguns dilemas que seguramente ajudarão a agarrar o leitor até ao fim da saga).
Com esta carga mais emocional, e com menos ação, o ritmo do livro volta a baixar tal como a autora já tinha feito na saga anterior, em que o segundo livro é a definitiva construção da base na qual o resto da saga se irá apoiar.

Sendo assim, este criar da intriga pode ser menos viciante, mas será, certamente, muito importante para o futuro, e isso será notório quando mais tarde olharmos para certas personagens e também culturas (a noiva do príncipe e a sua cultura deverá ser o exemplo mais marcante). 
Falando ainda sobre culturas, a autora, uma vez mais, expande o seu mundo, dando a cada livro uma visão mais alargada sobre este mundo onde estão os Sete Ducados. Para já, e apesar de pouco ter sido revelado, o pouco que se nota de novo, identifica-se como algo diferente do que foi apresentado até aos livros anteriores, e a sensação de repetição não existe.

Um dos aspetos mais interessantes é o desvendar de algum do passado dos dragões e também da personagem Bobo. Por um lado, temos uma nova visão sobre o aparecimento e o desaparecimento dos dragões, que nos ajuda, não só a tentar adivinhar o que está para vir, mas principalmente a perceber alguns fatores que ficaram por esclarecer na saga anterior, e este detalhe ajuda a juntar ainda mais as sagas. E por outro lado temos o Bobo... sempre reservado e calculista, esta personagem raramente responde diretamente, e como tal, raramente temos uma resposta definitiva. Sendo assim, qualquer informação sobre o passado deste personagem é imediatamente absorvido pelo leitor, desejoso de saber mais sobre este amigo de Fitz, e neste aspeto, este livro é talvez o que mais informações dá, sem dar nenhuma em concreto, e como tal, podemos dizer que este livro cria mais perguntas do que responde e nos mostra que ainda existirão muitas revelações!

Por último, uma pequena referência para o desvendar (finalmente) da personalidade de Breu. É verdade que não temos muito, mas nota-se que a autora quer aproximar o leitor desta personagem, talvez para mais tarde criar um momento de maior carga emocional, mas é claro que a história ganha com o aprofundar de mais uma personagem da qual sabemos muito pouco.

Com Fitz a amadurecer e a autora a manter a qualidade que nos habituou, esta saga prende-me como poucas conseguem. Muitas perguntas ficam no ar e não existe nenhuma revelação conclusiva, existindo sim, várias "dicas" por parte da autora ao nos mostrar que certa noção está errada, ou certo diálogo não nos mostrou tudo o que deveríamos saber. 
Há várias personagens novas (estou bastante curioso em relação a algumas), todas elas de culturas diferentes, e as últimas páginas iniciam acontecimentos que, certamente, me farão ficar colado às próximas páginas.

Para já, há muito que gostaria de dizer sobre este livro mas guardarei para o próximo. O que posso dizer é que Robin Hobb escreveu uma saga que me prende como poucos conseguiram, e é a par de sagas como O Mago e A Guerra dos Tronos, uma das poucas que me faz querer ler imediatamente o próximo. Não se destaca em nenhum dos aspetos mais importantes da fantasia (personagens, mundo, magia, etc...), mas no global, está muito acima da média! 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O REGRESSO DO ASSASSINO

Autor: Robin Hobb

Título original: Fool's Errand: The Tawny Man



Fitz regressa numa nova saga e as expectativas são altas. No meu caso, a vontade de ler estes novos livros era ainda maior, pois adorei o final da saga anterior (um sentimento que nem todos os leitores partilham), graças ao facto de Fitz ser o Sacrifício.

Muitos anos se passaram e as primeiras páginas são o reencontro de Fitz com antigos amigos, enquanto a autora nos vais mostrando o que se passou neste salto temporal entre as duas sagas.
Hobb é, uma vez mais, fantástica a explorar sentimentos e aprendizagens, e este livro fica marcado pela grande mudança de Fitz. Se na saga anterior víamos uma personagem com grande tendência para a imaturidade e muito improviso, agora temos um Fitz muito mais maduro, e esta diferença suporta todo o livro, dando-lhe uma grande coerência e tornando o livro mais maduro e agradável de ler.

Claro que voltar a ler sobre algumas personagens que adoramos, é excelente. Fitz, Bobo, Olhos-de-Noite, Breu... estão todos bem conseguidos e entramos na história facilmente, com as personagens já bem definidas e sem necessidade de introduções, e como tal, esta saga será muito melhor para quem tenha lido a anterior. Hobb parte de imediato para o desenrolar da história e começamos aos poucos a perceber todo um novo "quadro" político e social. Este é um dos grande trunfos deste livro. Hobb não se limitou a criar uma nova história num mundo já existente: ela redefine esse mundo, ajustando-o ao enredo, e algumas das questões que ficaram por esclarecer na saga anterior, são agora respondidas, dando início a novas questões! Esta sensação de que o mundo não ficou estático, mas também evoluiu, é bastante importante nestas situações.

O ritmo do livro é talvez o seu maior ponto negativo, pois na grande maioria das páginas, é lento (apesar de não tanto como no último livro da saga anterior) e por vezes sentimos que o livro é demasiado grande e se arrasta. É verdade que nunca foi maçador, mas nota-se o grande objetivo da autora em baixar o ritmo para nos "mostrar" mais sobre a Manha. Este aspeto dá a noção de toda uma preparação para os livros seguintes, e acredito que esta saga seja baseada nesta preparação que é dada ao leitor. No entanto gostava que o livro fosse mais "rápido" e acredito que alguns leitores fiquem desiludidos com este aspeto.

O enredo é muito bom, apesar de a trama central ser previsível tal como as ações de algumas personagens, mas nada disto retira a qualidade ao livro. Hobb melhora todas as suas personagens, torna-as mais reais e desenvolve bastante a ligação entre Fitz e o seu lobo, sendo esta ligação o grande trunfo do livro. Pelo meio há alguns momentos marcantes e que irão definir o futuro da saga, e admiro a autora pela sua coragem.

Resumindo, no geral este livro apresenta mais qualidade que os anteriores, notando-se até que a autora está cada vez melhor na forma como transmite certas sensações. Este é o meu livro preferido das histórias de Fitz, e se para alguns poderá ser desilusão, para mim este livro é um fantástico início de saga, da qual não poderia já pedir todas as respostas nem toda a ação que terá de ficar para os livros seguintes. Este livro é o início e faz o seu papel na perfeição, mas o leitor terá de encarar esta obra como o início de algo e não como uma continuação!

Podia falar muito mais sobre as personagens, forma de escrita ou sobre as expectativas que tenho, mas vou esperar pelos próximos livros. Para já digo-vos: gostei muito, mesmo muito, e recomendo-o totalmente a quem apreciar este género... e assim que tiver oportunidade, voltarei para continuar! 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A DEMANDA DO VISIONÁRIO


 Autor: Robin Hobb

Título original: Assassin's Quest



E finalmente cheguei ao fim desta saga! E o que dizer? Começando por este livro, são várias as personagens que regressam à narrativa. Bobo, por exemplo, volta a ter o seu espaço e ajuda ao mistério. Veracidade também "regressa" e com ele a qualidade aumenta, quer nos diálogos, quer no desenvolvimento de certos momentos.

Mas o que marca este livro é o seu ritmo e o seu final. Começando pelo ritmo, estamos perante a narrativa mais lenta da saga, muito longe do frenético ritmo que o 3º livro nos proporcionou. Este livro é, essencialmente, um livro de dilemas pessoais, muito bem aprofundados pela autora, e com isto vemos a acção a ser arrastada no momento em que queremos desenvolvimentos. No entanto, esse aprofundar psicológico faz com que a narrativa nunca seja enfadonha, pois estamos sempre a aprender algo mais sobre as personagens e seu mundo. +
Ainda falando do desenrolar de acontecimentos, houve um ou outro momento que me pareceram forçados, dando a ideia que poderiam ter sido evitadas situações de aflição para Fitz e amigos. Mas novamente, nada que marque o livro negativamente.

Ficamos a saber mais sobre a Manha e Talento, com algumas curiosidades muito interessantes, mas é sobre os Antigos que este livro mais deslumbra, com Hobb a mostrar o melhor da sua imaginação. Gostei mesmo muito de todos os pormenores deste antigo povo.

Fitz continua a ser uma personagem de sentimentos extremos. Por vezes senti a sua paixão e sentido de dever, outras vezes não consegui perceber totalmente a sua revolta, mas no geral, foi uma personagem que gostei bastante e que sempre se tornou mais coerente quando eu recordava o que este rapaz já tinha passado. Não deixa ainda de ser curioso que apesar de ser a principal, nunca foi a minha preferida, pois Veracidade foi sempre o que mais me marcou.
Muitos segredos das personagens foram revelados, mas não todos, e confesso que fiquei com algumas perguntas sem resposta (talvez para a nova saga), mas no global, penso que Hobb conseguiu um leque extraordinário de personagens.

Mas o que fica deste livro, mais do que o ritmo lento, é o seu final. E aqui posso dizer que adorei!
Hobb é cruel mas realista e coerente com o mundo que inventou, e para mim o final dado à grande maioria das personagens é coerente, sendo para mim a melhor forma de manter o nível que a história nos ofereceu durante os cinco livros. Posto isto, com um final aberto, com sentimentos explorados ao máximo e uma enorme vontade de continuar a ler, digo que este é dos melhores finais de saga que li nos últimos anos.

Claro que gostava de ter visto a autora a explorar mais o povo dos Navios Vermelhos, explicando melhor as suas motivações, crenças e sacrifícios, mas o facto de não o fazer tem uma explicação óbvia e simples, sendo aliás, a mesma explicação para o final quase repentino na história: estes livros foram sempre as palavras de Fitz, e de mais nenhum outro. Apenas vemos o que ele vê!

Esta saga é recomendada a qualquer pessoa que goste de fantasia e digo com toda a sinceridade que gostaria de a ver adaptada ao cinema (desde que com qualidade). Uma história que ao começar, me deu a ideia que estaria perante uma saga de espionagem, jogos de poder e assassínios nas sombras... nada disso. A meio a história deu uma enorme volta, surpreendeu e ganhou o seu próprio espaço na literatura fantástica, graças a algumas personagem e à excelente relação entre Fitz e o seu fiel lobo. 

Saga totalmente recomendada!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A VINGANÇA DO ASSASSINO

 Autor: Robin Hobb

Título original: Assassin's Quest


Após o inesperado final do livro anterior, muitas questões ficaram no ar sobre como seria agora o futuro da saga.
Este livro começa muito bem, com Fitz a apresentar uma personalidade mista (que tentarei não revelar) e que nos leva a conhecer melhor certos aspectos que até agora a autora ainda não aprofundara na história. Este livro é, sem qualquer dúvida, uma aprendizagem para a personagem principal mas também para o leitor, que terá a oportunidade de aumentar o seu conhecimento sobre o Talento, Manha e culturas exteriores a Torre de Cervo.

 Ao contrário do livro anterior, neste o ritmo apresenta-se baixo, sendo mais um livro de introspecção do que acção. Esta baixa de ritmo era esperada, primeiro porque seria difícil manter o elevado ritmo do anterior, mas também porque após aquele final, a autora teria de "dar uma volta" ao desenrolar da história, pois as bases que tínhamos até agora desaparecem, acabando com a rotina de Fitz e do próprio mundo. Tudo está diferente.

Este é um livro totalmente centrado em Fitz, tornando-se o momento ideal para o conhecermos melhor enquanto a personagem se conhece a ela própria, tornando o livro solitário e emotivo. A escrita da autora mantém-se fiel, raramente monótona (apenas um ou dois momentos me pareceram algo arrastados), e apesar de este se apresentar como o livro menos viciante, continua a agarrar o leitor muito graças à viagem de Fitz.
Esta viagem de Fitz não tem muita lógica, mas também quem a teria após passar o que este rapaz passou? Quantos de nós não nos guiaríamos pelo ilógico e sedente desejo de vingança? No entanto este livro vem confirmar a sensação do anterior: Fitz anda à deriva, com uma mente partida e quase sempre com tendência para a destruição, deixando uma enorme vontade de ler o último livro.

 Um dos aspectos que mais gostei foi a viagem, mostrando outras culturas, novas personagens e sentindo a necessidade de sobrevivência da personagem, acompanhado ou sozinho, sem conhecimento da vida dos que ama, preso à ignorância que o rodeia. É verdade que Hobb não nos presenteia com um mundo rico em culturas, mas o seu mundo é consistente, diversificado e assenta bem, sem sentirmos factos forçados.
Devo ainda mencionar, que apesar de quase não aparecer, Breu tem momentos marcantes, onde revela muito da sua personalidade que esteve escondida nos livros anteriores, e gostei bastante desta surpresa. Infelizmente outras personagens ficaram fora do livro, mas perfeitamente compreensível.

Falar sobre este livro sem revelar nada é difícil, mas é óbvio que estas páginas são o preparar da personagem para o fim da história. Fitz cresce, evolui e desvenda alguns segredos mas deixando ainda mais questões em aberto. Tal como na maioria das sagas, este livro é o mais lento, essencialmente porque prepara um (espero eu) momento final arrebatador. A questão é: entre Navios Vermelhos, Manha, Majestoso, Antigos, Fitz, Bobo e muitas outras questões, conseguirá Hobb responder a tudo no livro final?

Opinião ao último livro para breve!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A CORTE DOS TRAIDORES


Autor: Robin Hobb

Título original: Royal Assassin


A Corte dos Traidores é a segunda metade do livro original (Royal Assassin), e tal como na maioria dos casos em que tal acontece, este livro começa com um ritmo elevado. O que temos de aplaudir é que raramente este ritmo baixa.

Esta sensação de ritmo é fundamental pelo facto de estarmos a ler um livro narrado por uma personagem. Trata-se portanto de uma narrativa que não salta entre locais, restrita aos olhos de um rapaz, e um ritmo baixo daria a sensação de uma história que não evolui. Não é o caso.

Este é, de muito longe, o melhor livro da saga até agora. Viciante como os anteriores, mais até, mas principalmente é um livro que explica muito e surpreende ainda mais. Tudo isto acontece principalmente porque a luta contra os Forjados deixa de ser o centro das atenções e acabamos com um livro mais virado para a intriga e consequentemente ficamos mais conhecedores das personagens (seus planos e motivações). Aprofundamos o nosso conhecimento sobre Magestoso (um excelente jogador na corte), Breu, Castro (segredos revelados), Fitz e Sagaz (personagem muito bem conseguida com momentos marcantes), entre outros, e aos poucos a história torna-se mais sólida, com muitas dúvidas a desaparecerem-me da mente do leitor. Neste aspecto tenho de fazer especial destaque para um esclarecimento da autora sobre Sagaz, pois era o pormenor que eu não conseguia perceber desde o livro anterior e desejava que a autora não deixasse de explicar, porque se o fizesse, destruiria o quanto gosto destes livros. Foi uma agradável surpresa e que esclarece bastante! 

Fitz é uma excelente personagem (se não o fosse o livro estaria arruinado), pecando apenas por em alguns momentos mostrar uma ingenuidade acima da "permitida" para quem sempre viveu na corte. No entanto esta característica ajuda, obviamente, a manter vários segredos e intrigas, com acontecimentos e avisos a passarem à sua frente e nada a ser feito. É ainda esta ingenuidade que nos prepara para um final surpreendente. E é esse o momento marcante do livro: o seu final!
A história é toda ela viciante, e a ligação que estabeleci com algumas personagens (Veracidade, Sagaz ou Breu) fez-me ler o livro rapidamente, ritmo esse também ajudado por não conseguir perceber que final teria pela frente. E a verdade é que me surpreendeu, primeiro pela coragem da autora, depois pelas várias portas que pode abrir para os próximos livros, que terão, obrigatoriamente, de ser muito diferentes dos anteriores.

No entanto a autora terá nos próximos livros de explicar por exemplo o comportamento quase destrutivo de uma personagem, ou pelo menos parece-me que será esse o seu caminho. Espero que o consiga e acredito que será uma mais-valia para a saga!
De realçar ainda a evolução da relação entre Fitz e o seu lobo. Esta relação, que se torna cada vez mais importante, dá-nos os momentos mais alegres e também de grande amizade, fugindo um pouco ao ambiente sombrio do livro. Gostei bastante desta evolução, e da forma como Fitz começa aos poucos a estabelecer certos conceitos e como começa a olhar para a forma como os humanos tratam os animais. Parece uma adição de qualidade e que ainda pode dar mais à saga.

Este livro não é uma obra-prima e não revoluciona a fantasia, mas são poucos que o conseguem. O que este livro consegue é ser viciante, bom e deu-me um enorme prazer lê-lo. Tem poucos, ou nenhum aspecto negativo de relevo e como tal, é completamente recomendado. Vou ler o resto da saga, só espero que se mantenha a este nível e apenas gostava de ver um universo mais vasto, pois estamos confinados ao olhar de um rapaz que raramente sai da corte. Mas acima disso espero que os próximos livros aprofundem qual é o objectivo do mal, porque existe e como se enfrenta... a questão é: como poderemos enfrentar e vencer algo que não compreendemos, que não sabemos como se motiva, como se sustenta?
  
Faltam-me dois livros, mas para já, excelente saga e totalmente recomendado!Críticas mais aprofundadas nos próximos livros! Para já, deixo uma pergunta no ar: todas as pessoas que conheço e que tenham lido este livro, dizem maravilhas... não conheço ninguém que não tenha gostado adorado. Então como é possível esta saga não estar a quebrar recordes de vendas? Vamos tentar mudar esta tendência.




quarta-feira, 2 de maio de 2012

O PUNHAL DO SOBERANO

Autor: Robin Hobb

Título Original: Royal Assassin


Após acabar este segundo livro da Saga do Assassino (a primeira metade da versão original "Royal Assassin"), posso garantir que estou viciado.

Há livros que apresentam qualidade, outros que são viciantes. A junção destas duas características não é obrigatória, e a verdade é que por vezes temos obras-primas que não são viciantes, ou então livros medianos que por algum motivo nos conseguem agarrar, lê-mos compulsivamente e no fim, apesar de sabermos que são livros que em nada se destacam, a verdade é que nos deram prazer, nos obrigaram a ler a cada momento de tempo livre.

O Punhal do Soberano consegue juntar estas duas características, sendo bom e viciante, e muito graças à evolução da escrita da própria autora. Sendo este livro como um diário da personagem principal, o ritmo será sempre lento em termos de acontecimentos, sendo por vezes as repetições banais do dia-a-dia. Levantar, vestir, comer... a evolução da personagem.
Escrever uma saga assim sem ter uma escrita apelativa seria matá-la e tal notou-se de forma muito suave no primeiro livro. Ao fim de meia dúzia de livros começaria a ser monótono. Mas Hobb faz uma transformação muito boa da sua escrita do primeiro livro para este. Mais viva, mais objectiva e com mais significado, Hobb demonstra ainda ter noção que o essencial é levar o leitor a gostar da personagem que escreve a história.

Fitz, o nosso narrador, evolui, e com ele a escrita da autora juntamente com a história. A forma como Hobb escreve é o grande trunfo deste livro na minha opinião. Para além desse ponto, Hobb começa este livro nos acontecimentos imediatamente a seguir ao anterior, levando o leitor a começar a ler sem qualquer necessidade de novas introduções, pois já sabemos onde estamos enquadrados. Tudo isto aumenta o ritmo e a vontade em ler mais!

Em termos de história este livro não consegue bater o primeiro, por um simples motivo: trata-se apenas de metade do livro original, não tendo um fim de cortar a respiração e deixando a sensação que o melhor está para vir (o desvendar da trama). Posto isto, este livro é uma evolução necessária para as personagens e serve como ponte para o próximo. Com a história a nunca passar do "morno", são as personagens que se destacam e em todas elas há evolução e revelações. Especial destaque para Bobo que está melhor, vincando a sua personalidade e motivações, e Lobito consegue dar toda uma nova perspectiva (muito interessante) e que ajuda a não vermos apenas a história pelos olhos de Fitz, tornando-se uma excelente aquisição para o livro. Mas este livro vive de Fitz e Veracidade.

A evolução, quase palpável de Fitz foi o que me agarrou. A busca pelo significado das suas acções, a descoberta da adolescência, da responsabilidade e aqueles momentos de reflexão em que percebeu onde errou. Se nos próximos livros a escrita da autora evoluir em maturidade juntamente com Fitz, então será impossível parar. 
Por outro lado, Veracidade é para mim a personagem mais fascinante, por todas as suas motivações e sacrifícios que não vou aqui revelar. É uma personagem que promete.

Não há, para já, muito a dizer sobre este livro, por ser apenas metade do original, mas tenho de evidenciar o importante: Hobb precisa de manter esta fórmula. Uma escrita viva e uma cadência de acontecimentos que não deixem o leitor pensar para lá do que está a ler. Se o ritmo baixar, o leitor terá a capacidade de questionar certos acontecimentos, aos quais Hobb poderá não dar resposta, porque o leitor está "agarrado" aos olhos de Fitz. A verdade é que ainda se trata de uma história com poucas personagens, muito restrita em termos de espaço e limitada ao que Fitz vê. E se por um lado isso é excelente para nos surpreender, Hobb tem de conseguir que o leitor esteja sempre atento ao detalhe e motivado a ler.

Mas com esta fórmula, Hobb tem tudo, mesmo tudo, para criar uma saga que agarre qualquer leitor e que se torne uma das favoritas para quem a ler. Eu estou "agarrado" e recomendo esta saga a quem goste do género. Se estão interessados, arrisquem!
Uma grande aposta desta editora!

segunda-feira, 26 de março de 2012

APRENDIZ DE ASSASSINO


Autor: Robin Hobb

Título original: The Assassin’s Apprentice
 

O jovem Fitz é filho bastardo do nobre Príncipe Cavalaria e cresce na corte do Rei Sagaz. Marginalizado por todos, o rapaz refugia-se nos estábulos reais, mas cedo o seu sangue revela o Talento mágico e, por ordens do rei, é secretamente iniciado nas temidas artes do assassino. Quando salteadores bárbaros atacam as costas, Fitz enfrenta a sua primeira e perigosa missão que o lançará num ninho de intrigas. E embora alguns o encarem como uma ameaça ao trono, talvez ele seja a chave para a sobrevivência do reino. Com uma narrativa povoada de encantamentos, heroísmo e desonra, paixão e aventura, o Aprendiz de Assassino inicia um das séries mais bem-amadas da fantasia épica.


Quando um livro é narrado pela personagem principal, há muitos aspectos (na generalidade dos casos) que ficam imediatamente definidos: a escrita provavelmente será lenta, teremos sempre uma grande proximidade com o narrador e conhecimento do mesmo. Teremos uma visão firme dos seus pensamentos e medos, e a ligação entre o leitor e a personagem é feita com relativa facilidade. Por outro lado há a dificuldade de ligação com as restantes e demoraremos algum tempo a conhecê-las, tal como a própria personagem. Este aspecto ajuda à intriga, pois apenas sabemos o que o narrador sabe, deixando-nos às escuras.
Hobb não foge a esta tendência, marcando o livro positiva e negativamente.

A parte negativa é que este livro apresenta uma escrita lenta em algumas partes do livro, e tive e sensação que a escritora deveria ter misturado mais acção e descrições, em vez de as escrever separadamente em alguns casos. No entanto estas descrições que podem parecer extensas em alguns casos, são obviamente necessárias num primeiro livro para entrarmos no contexto da saga (locais, tradições, povos, personagens). Este ritmo lento não prejudica a história, mas um leitor menos paciente poderá afastar esta leitura cedo de mais (o que será um erro). No meu caso posso afirmar que a ligação que criei com a personagem Fitz foi tão imediata que ajudou bastante para que nunca fosse um esforço avançar por estas páginas.

Fitz é o grande trunfo deste livro na minha opinião. Um rapaz que vemos crescer, amadurecer e de quem ao fim de algum tempo se torna fácil gostar, primeiro pela excelente ligação que cria com animais, mostrando um lado humano muito interessante, mas também pela própria escrita de Hobb, que nos aproxima da sensação de angústia e injustiça. Sendo este o primeiro livro da saga, devo ainda dizer que a evolução da personagem Fitz é significativa, e fiquei com vontade de o conhecer melhor, juntamente com algumas outras personagens.

Esta é uma obra que ao início se parece com um Harry Potter medieval, porque começamos com uma criança de seis anos a quem falta os pais, mas ao fim de algum tempo esta sensação desaparece, principalmente porque a evolução da história é muito mais rápida temporalmente, com saltos de alguns anos e que empolgam a leitura, na perspectiva de avançar rapidamente até encontrarmos um Fitz mais adulto.
Aproveito ainda para dizer que o facto de ser uma saga centrada num assassino que terá de passar incógnito, com os seus venenos e artimanhas, fugindo àqueles assassinos invenciveis com a espada, deixou-me bastante satisfeito.

Tempo ainda para dizer que existem outras personagens muito interessantes, como Veracidade e Breu, sendo que para mim Veracidade é a mais bem conseguida. A intriga é boa, a história fácil de se perceber e existe sempre uma carga emocional nas palavras de Fitz eu achei interessante, por tornar aos meus olhos a personagem mais credível e real. A magia apresentada é fora do normal, mostrando-se desgastante e viciante para quem a usa, mas também com outros factores que não irei revelar e que gostei.

O único aspecto do livro que não me convenceu foi o mundo onde se desenrola. Apesar de sabermos bastante sobre o passado do Reino, este mundo nunca se apresentou muito rico e diversificado, principalmente porque ao sermos limitados pelo olhar de Fitz, não conseguimos ter uma ideia abrangente do Reino, ficando a sensação que este mundo terá muito mais para oferecer quando Fitz tiver outras aventuras.
Existiram ainda três ou quatro questões que gostava de ter lido a resposta neste livro, mas tal não acontece, ficando a dúvida se estarão nos próximos livros. Espero que sim!

Este primeiro livro é uma estreia muito bem conseguida. Enquanto primeiro livro não me conseguiu marcar tanto como o primeiro Guerra dos Tronos ou O Mago - Aprendiz, a verdade é que poucos o conseguirão, mas confesso que foi um dos mais viciantes inícios de saga que li nos últimos anos.
Um livro com boas personagens, com um último terço de livro electrizante e um final que nos deixa com uma enorme vontade de ler mais. A saga de Fitz já tem um lugar reservado na minha estante e aconselho outros leitores a darem uma vista de olhos a estas páginas, pois quem gostar de Fantasia, não ficará desiludido com este início. 
Quem estiver à procura de uma saga de fantasia para ler, poderá ter aqui a sua resposta! Próximas aventuras para breve!