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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A MORTE DO PAPA


Autor: Nuno Nepomuceno


Sinopse: "Uma freira e dois cardeais encontram o corpo sem vida do Papa sentado na cama, com as mangas da roupa destruídas, os óculos no rosto e um livro nas mãos. O mundo reage com choque, sobretudo, quando Pedro, um delator em parte incerta, regressa à ribalta e contraria a versão oficial. Porém, tudo muda quando imagens de um escritor famoso vêm à tona, colocando-o na cena do crime. Enquanto as dúvidas se instalam, um jornalista dedica-se à investigação do desaparecimento de uma adolescente. Mas eis que um recado é deixado na redação da Radio Vaticana. Com a ajuda de um professor universitário e da sua intrépida esposa, os três lançam-se numa demanda chocante pela verdade. O corpo da jovem está no local para onde aponta o anjo.




Nuno Nepomuceno está de regresso com mais um thriller cheio de religião, ação e suspense. O autor que nos últimos anos tem tido cada vez mais sucesso, apresenta-nos mais um enredo muito focado numa investigação, agora com contornos quase reais, pois o livro é baseado em acontecimentos passados que nos levam para um início em que o Papa morre de forma algo suspeita.

Com esta base inicial o autor prende o leitor com facilidade, pois o mistério está criado. Claro que quem tiver lido os livros anteriores acabará por aproveitar melhor alguns detalhes do livro, pois Afonso e Diana estão de volta, e conhecer os personagens faz a diferença. Contudo, é preciso realçar que o autor monta o livro de forma a dar detalhes que não deixem o leitor perdido, e assim, um leitor que nunca tenha lido os livros anteriores, poderá ler este livro de forma isolada.

Para tal, contribui um aspeto interessante que o autor tem executado nos últimos dois livros e que me surpreendeu pela positiva, que é o facto de as histórias se centrarem menos nestas duas personagens principais, o que dá mais autonomia ao autor, mas também torna os livros mais independentes, o que agradará aos novos leitores da série.

Nepomuceno continua no seu estilo, com os seus capítulos rápidos, empurrando o leitor para os seguintes, mas sempre a avançar um bocado no enredo, explorando algo, desvendando um detalhe, construindo a personagem... e é assim que avançamos num enredo bem montado. Claro que existem alguns momentos mais forçados, criados para manter o suspense, principalmente na forma como alguns diálogos são terminados ou montados, mas nada que retire entusiasmo a leitores que apreciem um thriller policial com uma boa dose de psicologia à mistura.

Outro aspeto interessante do livro está no facto de o autor não se limitar a criar uma única investigação. Nepomuceno junta outras investigações secundárias que ajudam a melhorar o enredo, tornando-o mais coerente, mas também capaz de ajudar a construir algumas personagens, tornando o livro mais sólido e abrangente. Aliás, nota-se que o autor tentou que esta narrativa fosse mais "aberta", explorando vários setores da sociedade atual, como por exemplo as redes sociais e media.

Por fim, falar de dois pontos importantes. Em primeiro lugar, o autor consegue misturar bastante bem o seu enredo com a realidade, e a isso junta-se a forma como nos vai ensinando algo, espalhando factos que nos ajudam a perceber melhor o enredo. Em segundo lugar temos o enredo em si, inteligente, capaz de nos levar a uma investigação que cada um de nós fará para sabermos quem é o culpado. É interessante ver como as respostas estão quase todas lá desde bastante cedo, mas demoramos a perceber tudo. As revelações finais são bem pensadas e melhoram o livro, apesar de nem todas me terem surpreendido. Mas confesso que a revelação mais importante apenas descobri umas três ou quatro páginas antes de ser revelada, o que me agradou bastante.

Nuno Nepomuceno tem aqui mais um bom livro. Na minha opinião não é o seu melhor livro, mas é provavelmente o que arrisca mais. é o mais inovador em alguns aspetos. É claramente uma leitura viciante e que agradará a todos os que procurem algo intenso, bem estruturado e com uma boa investigação. É verdade que tem momentos forçados mas são detalhes que não mancham um livro que demonstra a qualidade deste autor. Se o que procuram é ritmo intenso, suspense, thriller e religião pelo meio, este livro é uma bela forma de começar o ano. Venha o próximo!


Luís Pinto



terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A ÚLTIMA CEIA


Autor: Nuno Nepomuceno




Sinopse: Uma nota enigmática é encontrada junto a lascas de tinta e tela, e à moldura vazia de um quadro famoso. O ladrão deixou um recado. Promete repetir a façanha dentro de um ano. De visita à igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão, uma jovem mulher apaixona-se por um carismático milionário. Mas quando alguns meses depois é abordada por um antigo professor, Sofia é colocada inesperadamente perante um dilema. Deverá denunciar o homem com quem vai casar-se, ou permitir tornar-se cúmplice deste ladrão de arte irresistível?
Enquanto a intimidade entre o casal aumenta, um jogo de morte, do gato e do rato, começa. E aquilo que ao início aparentava ser um conto de fadas, transforma-se rapidamente num pesadelo, enquanto um plano ousado e meticuloso é urdido para roubar a obra-prima de Leonardo da Vinci. Requintado, intimista, inspirado em acontecimentos verídicos, A Última Ceia transporta-nos até ao elitista mundo da arte. Passado entre Londres e Milão, habitado por uma coleção extraordinária de personagens, para as quais a ambição e fama sobrepõem-se a qualquer outro valor, este é um thriller sofisticado de leitura compulsiva. Uma viagem surpreendente ao centro de uma teia de intrigas, romances e traições.


Até hoje li todos os livros deste autor e até tive o prazer e honra de ser orador na apresentação de dois deles. Nepomuceno é um escritor que evoluiu bastante desde o seu primeiro livro e esta sua série de livros com o professor Catalão, como personagem principal ou secundária, conta com três livros bastante interessantes, dentro do mesmo nível de qualidade. É muito interessante ver como cada livro é bastante diferente dos outros. O primeiro livro desta "série Catalão" é um livro de espionagem, enquanto o segundo é um thriller psicológico e este terceiro acaba por ser uma mistura de vários géneros que não vou aqui revelar, com grande foco num thriller policial.

O autor continua com a sua escrita objetiva, apesar de nunca tentar ter aqueles ritmo avassaladores de alguns autores que se limitam a explicar o óbvio e o necessário. Nepomuceno explora as suas personagens, cria densidade e alimenta o suspense com um ritmo alto, mas não demasiado alto. O livro ganha consistência aos poucos e prende o leitor com a sua montagem. Esta montagem, onde o leitor é obrigado a ir dando saltos temporais, é um dos trunfos do livro, até porque o autor mostra momentos importantes do futuro e depois retrocede para mostrar como se chega a esses eventos. Com esta "ginástica" o autor prende o leitor que quer saber como foi possível chegar àquele momento.

Claro que ao ler vários livros do autor, existem alguns momentos em que percebemos que nos tenta enganar, percebemos os seus truques e nem todos os momentos conseguem surpreender se estivermos a questionar e não nos limitarmos a absorver, mas é um problema que aflige a maioria dos autores. Por outro lado, Nepomuceno deve ser aplaudido por algumas surpresas mas, principalmente, pelo muito interessante trabalho de investigação feito e que foi adicionado ao enredo com classe e inteligência. A isso junta-se, uma vez mais, uma boa exploração de algumas personagens. É verdade que este livro, também devido ao seu ritmo elevado, tem poucas personagens com impacto, mas o autor foca-se na construção de três ou quatro que são fundamentais e aproveita a já anterior construção de outras nos livros antecedentes. Como tal, e apesar de este poder ser um livro lido individualmente, recomenda-se que o leitor conheça os livros anteriores, devido ao conhecimento que iremos ter do passado de certas personagens.

Globalmente, este não é o melhor livro de Nepomuceno, mas está perto. A história é inteligente, está bem montada e é sustentada numa boa investigação. Estou muito curioso para ver até onde este autor nos irá levar a seguir. Para já, uma coisa é certa, Nepomuceno oferece um bocadinho de tudo, desde suspense, intriga, traições, medos, traumas, política, etc... com grande destaque para o capítulo final que gostei bastante.

Se apreciam o género, este é um livro a ser lido este ano, e a ver pelos atuais tops nacionais, será um sucesso de vendas.

Luís Pinto

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PECADOS SANTOS


Autor: Nuno Nepomuceno




Sinopse: Nas comunidades judaicas de Londres e Lisboa, ocorre uma série de homicídios, todos eles recriando episódios bíblicos. Atos bárbaros de antissemitismo ou de pura vingança? Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu. O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio. Descendente de portugueses, existem provas irrefutáveis contra si e nada poderá salvá-lo da vida na prisão.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se. Estarão ou não estes acontecimentos relacionados? Poderá o docente vir a ser injustamente condenado? Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados? As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado?



Como alguns de vocês poderão saber, tive o prazer de apresentar este livro juntamente como Nuno Nepomuceno, a Sofia Teixeira e a Vera Brandão, duas das melhores bloggers de literatura do nosso país. Foi uma apresentação divertida e agradável na Fnac do Colombo e espero que tenha ajudado a dar a conehcer um bom livro português. Foi a segunda vez que apresentei um livro de Nuno Nepomuceno e aproveito para lhe agradecer a honra e a confiança que me deu para apresentar algo que certamente será tão importante para ele.

Agora, uso aqui o meu humilde espaço para falar um pouco sobre este livro, que considero o melhor trabalho do autor até hoje. Em primeiro lugar, este é um livro que se pode ler isoladamente, mas aconselho a leitura do livro anterior, A célula adormecida, para uma melhor compreensão das personagens. Aproveitando o desenvolvimento do livro anterior, o autor não necessita de apresentar as personagens principais na sua totalidade, mas quem nunca tenha lido o livro anterior não se sentirá perdido.
 
O que mais apreciei nesta obra foi o facto de ser diferente do que esperava, sendo muito mais um thriller psicológico e menos um livro de espionagem, apesar de presente. O autor foca-se no passado de algumas personagens para dar a densidade necessária ao enredo e à trama, sendo que estão aí, no passado, muitas das revelações mais importantes e que são o motor da narrativa.
 
O autor foca-se, mesmo que indiretamente, no passado das personagens, e em como o que nos aconteceu nos molda, mais ou menos, para sempre. Não podemos, nem devemos, fugir ao nosso passado. E essa é uma das mensagens do livro. Pelo meio, intriga, mortes, surpresas e muita pesquisa histórica. Aliás, é preciso elogiar o trabalho de pesquisa do autor e principalmente a forma como nos dá a informação necessária para percebermos o que envolve o erendo, quer seja em termos políticos, quer sociais ou religiosos, sendo que a religião é o grande tema a ser explorado neste enredo. É um livro com o qual aprendi bastante.
 
Para mim este é o melhor livro do autor porque tem a melhor estrutura e ritmo. O livro está bem pensado e estruturado, surpreendendo no fim e deixando pontas soltas para um próximo. Claro que tem falhas, tem momentos que antevi e outros momentos mais forçados, mas no geral é um livro muito bem conseguido. O que me agrada em Nuno Nepomuceno é a forma como tenta sempre fazer algo diferente, não se fixando numa fórmula igual ao livro anterior. É esta constante inovação que me agrada e que me faz querer ler os próximos. Se gostam de thrillers com um toque de Lisboa pelo meio, então este é um livro a ler. Sem dúvida.
 
Luís Pinto
 
 
 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A CÉLULA ADORMECIDA


Autor: Nuno Nepomuceno





Sinopse: Em plena noite eleitoral, o novo primeiro-ministro português é encontrado morto. Ao mesmo tempo, em Istambul, na Turquia, uma reputada jornalista vive uma experiência transcendente. E em Lisboa, o pânico instala-se quando um autocarro é feito refém no centro da cidade. O autoproclamado Estado Islâmico reivindica o ataque e mostra toda a sua força com uma mensagem arrepiante.
O país desperta para o terror e o medo cresce na sociedade. Um grande evento de dimensão mundial aproxima-se e há claros indícios de que uma célula terrorista se encontra entre nós. Todas as pistas são importantes para o SIS, sobretudo, quando Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é implicado.
De antecedentes obscuros, o professor vê-se subitamente envolvido numa estranha sucessão de acontecimentos. E eis que uma modesta família muçulmana refugiada em Portugal surge em cena.
A luta contra o tempo começa e a Afonso só é dada uma hipótese para se ilibar: confrontar o passado e reviver o amor por uma mulher que já antes o conduziu ao limiar da própria destruição.



Este é o quarto livro que leio deste autor e o primeiro fora da trilogia Freelancer. É também o melhor livro do autor, mas vamos por partes.

É bastante entusiasmante presenciar a evolução de um autor, e aqui foi exatamente o que aconteceu. Com este livro Nepomuceno deu um salto de dois degraus na qualidade de tudo o que é essencial a um livro. As suas personagens estão criadas de forma mais coerente e profunda, a narrativa está melhor montada, o suspense é maior e o enredo é mais coerente. Pelo meio o autor consegue dizer mais com menos palavras, sendo capaz de nos agarrar e ao mesmo tempo de nos ensinar algo.

Em termos de enredo é preciso dizer que o livro nos agarra de imediato. Ao sentirmos uma proximidade com a realidade, o livro capta a atenção do leitor e desde logo começa a explorar alguns temas atuais. Para isso é preciso realçar que o autor fez um bom trabalho de investigação, não só em termos factuais mas também no necessário para conseguir descrições realistas de alguns locais. 

Com capítulos pequenos e uma escrita rápida e direta, o autor nunca baixa o ritmo, e por isso nunca a leitura se torna arrastada. É fácil ler este livro, principalmente porque existem respostas que dão origem a novas perguntas. Assim o livro está em evolução constante. Claro que ao ter este género de escrita, o autor fica preso a um estilo que pode desvendar demasiado caso o leitor esteja atento. No meu caso, uma das revelações finais foi adivinhada a meio do livro, devido a um ligeiro desvio nesse ritmo. Todavia, o que me agradou no livro foi o facto de o autor não ter criado muitos momentos forçados. 

Gostei das personagens e da forma como o autor nos leva a entrar facilmente num contexto que alguns leitores poderão não conhecer totalmente. A guerra na Síria é apenas a base para um livro que começa como um thriller sobre terrorismo e que, aos poucos, se transforma em algo mais psicológico. Pelo meio, política, muita religião, questões morais e um aprofundar inteligente de questões atuais, principalmente ao explorar a forma como nós, europeus, olhamos alguns problemas internacionais ou mesmo como catalogamos as pessoas e acontecimentos que nos rodeiam.

A Célula adormecida foi lançado há uns meses e tem estado nos tops nacionais do seu género. Ao acabar de ler o livro, percebe-se o porquê. O autor executa bastante bem uma fórmula vencedora. Globalmente, não existe comparação entre os anteriores livros e este em termos de qualidade. O crescimento do autor é notável e acredito que o melhor ainda esteja para vir. Estou ansioso pelo próximo e acredito que quem gostar do género irá apreciar bastante esta leitura!

Luís Pinto

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A HORA SOLENE


Autor: Nuno Nepomuceno





Lutai, vós, homens de valor.


Finalmente li o final da trilogia Frelancer e foi, novamente, uma leitura rápida e viciante.

Continuando com os acontecimentos do segundo livro, A Hora solene agarra de imediato o leitor devido ao momento em que o livro anterior acabou. No entanto, o autor percebe que seria um erro manter o ritmo do livro anterior e, felizmente, abranda os acontecimentos para explorar algumas personagens e começar a dar respostas.

De um ponto de vista crítico, este é o melhor livro da saga, sendo o que apresenta maior maturidade, capacidade para interagir com o leitor e dar algumas respostas. Este facto demonstra que o autor esteve atento aos seus fãs, pois adaptou-se, mesmo que ligeiramente, a algumas questões que os leitores foram tendo.

Apesar de algumas personagens não serem, infelizmente, muito exploradas, é agradável ver respostas para outras personagens importantes, e que ajudam a que toda a saga ganhe coerência. Aliás, explorar algumas personagens também poderia ser um risco para o ritmo que já mencionei. Sendo um livro de espionagem mais ao estilo de James Bond do que da espionagem pura de le Carré, torna-se complicado apresentar um enredo totalmente coerente, até porque o próprio ritmo não pode baixar demasiado e tem de ter a capacidade de acelerar nos momentos de ação. O resultado é um ritmo em montanha russa, alguns clichés do género e várias surpresas, principalmente a meio do livro.

O que podemos apontar ao livro talvez seja o seu final, que provoca um misto de emoções. Percebe-se a ideia global e agradou-me a forma como o autor termina a sua trilogia. No entanto, se estivermos atentos à escrita do autor, tal final é previsível. Não é um problema, só não foi uma surpresa.

Sendo a primeira trilogia do autor, nota-se uma boa evolução, tanto na forma como a história é dada, como na construção das personagens. As surpresas são inseridas nos momentos certos e as pontas soltas no fim da história não mancham o enredo, apenas deixam algumas questões em aberto. Como já disse, mesmo tendo alguns momentos mais forçados ou incoerentes, este é o melhor livro da trilogia e se já são fãs da saga, então não devem perder este final. Por outro lado, os olhos ficam agora atentos aos próximos livros de Nuno Nepomuceno, pois a sua evolução foi notória. 

Procuram uma saga de espionagem/ação com grande foco no nosso país? Então esta é a escolha.

Luís Pinto

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A ESPIA DO ORIENTE


Autor: Nuno Nepomuceno





Sinopse: Dúvida. Confiança. Traição. Dubai. Emirados Árabes Unidos. Um investigador norte-americano é raptado do hotel onde se encontrava instalado. Uma nova pista sobre um antigo projeto de manipulação genética é descoberta e a Dark Star, uma organização terrorista internacional, está decidida a utilizar os conhecimentos deste cientista para ganhar vantagem.



Este segundo livro da trilogia Freelancer é, tal como muitos outros casos, a prova óbvia de que o primeiro livro da trilogia é o início da obra de um jovem autor e que no segundo as coisas mudam. São precisas poucas páginas para percebermos que a pessoa que escreveu o livro anterior e quem escreveu este são, na realidade, a mesma pessoa, mas não são o mesmo autor. Nepomuceno apresenta agora uma maturidade que não tinha no primeiro livro, levando a que toda a história esteja montado de forma mais inteligente, sendo mais capaz de manter o ritmo e o suspense. Nota-se na escrita, com melhores descrições e formas de explorar a ação e também nos personagens, tal como nos diálogos, com maior sentido, mais inteligentes.

Tal como no primeiro livro, o autor não caminha pela espionagem pura, mas antes pelo caminho dos filmes de ação, numa realização quase de filme de Hollywood que nos deixam presos à história ao fim de poucos minutos. O resultado é uma leitura compulsiva para quem gostar do género, mas, principalmente, o resultado da evolução do autor está o facto de este ser um enredo muito mais abrangente. As personagens que envolvem André estão mais coerentes, aparecem de forma mais significativa para o enredo e começamos a ver o enredo mais como um todo.

Não é necessário ler o primeiro livro para entrarmos nesta história, e aqui o autor faz um bom trabalho a explicar o passado, mas aconselho que leiam o livro anterior, pois o conhecimento extra fará aqui muito sentido.

Como todos os livros onde o ritmo é bastante alto, muito fica por explicar. O autor é, em alguns casos, vítima do seu próprio ritmo, pois ao descrever algo que parece desnecessário naquele momento, acaba por deixar o leitor em alerta para o significado daquele pequeno desvio. Aqui, acontece, em alguns momentos, conseguirmos ver algo do futuro do enredo se estivermos atentos. No entanto não será fácil, pois o autor ao manter o seu ritmo, não nos dá tempo para questionar, e qualquer leitor acabará este livro em poucos dias, esperando ansiosamente pelo próximo.

Com este ritmo, o autor não explica certos momentos na sua totalidade. Existe, tal como no primeiro livro, um ou outro momento em que o autor não nos dá tudo, não explora os vários ângulos e a história parece que se torna menos coerente. No entanto, tal como neste livro, em que existem respostas para perguntas que fiz no livro anterior, acredito que também no próximo existirão algumas das respostas que procuro. Até lá será difícil esquecer o final, que apesar de ter descoberto antes de acontecer, consegue ser arriscado o suficiente para espantar qualquer leitor e para nos deixar a querer ler o próximo.

Nepomuceno tem aqui um livro em tudo superior ao primeiro. Devido ao seu ritmo e ao seu foco na ação, o livro não tem a coerência da espionagem pura, mas tem o entusiasmo de um bom livro de ação que lemos em poucos dias durante as férias. Se gostam do género e se gostaram do primeiro livro, então preparem-se para uma viagem alucinante por vários locais do mundo, incluindo Lisboa!

Luís Pinto

sexta-feira, 8 de maio de 2015

O ESPIÃO PORTUGUÊS


Autor: Nuno Nepomuceno





Sinopse: E se toda a sua vida, tudo aquilo em que acredita, não passar de uma mentira?
O que faria?
Quando André Marques-Smith, o jovem director do Gabinete de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros português é enviado à capital sueca, está longe de imaginar que aquele será um ponto de viragem na sua vida.
Ao serviço da Cadmo, a agência de espionagem semigovernamental para a qual secretamente trabalha, recupera a primeira parte de um grupo de documentos pertencentes a um cientista russo já falecido. Mas quando regressa a Portugal, tudo muda. Uma nova força obteve a segunda parte do projecto e, de uma forma violenta e aterrorizadora, resolveu mostrar ao mundo que está na corrida pelos estudos do cientista.


Dentro da espionagem os livros encontram-se sempre numa balança de tipo. Por um lado temos os enredos de espionagem clássica e realista, quase sem ação, onde o jogo é feito nos bastidores. No outro lado temos os típicos livros de espionagem de ação, ao estilo James Bond, onde tiros, perseguições, carros desportivos e mulheres sensuais estão presentes e empurram a leitura num ritmo elevado. Neste Espião Português o autor tenta criar o meio termo, proporcionando uma leitura rápida que não está apenas sustentada em ação.

O que facilmente se nota neste livro é a evolução do autor dentro do mesmo. Nuno Nepomuceno evolui a sua narrativa, e se no início achei que o autor não estava, com a sua escrita, a aproveitar o que o enredo podia oferecer, quando cheguei ao fim fiquei com a noção que o autor já tem a base necessária para criar um próximo livro bastante melhor em alguns aspetos. Com uma escrita muito particular, o autor tenta que o ritmo nunca baixe, e a verdade é que retirando alguns momentos mais lentos, o ritmo é sempre elevado, levando a que o leitor continue a ler e, se possível, sem ter tempo para questionar muito. 

E é com esse ritmo que me apercebi que este não é um livro de espionagem puro, mas sim um livro de ação e suspense passado num ambiente de espionagem. Esta diferença é importante porque nota-se que o autor domina mais a ação no enredo do que a espionagem em si. A esta tendência alia-se o contexto familiar, onde o autor consegue criar laços entre o personagem, André, e o leitor. É nestes momentos, calmos e familiares, que nos ligamos ao personagem principal ao ver os seus medos, os seus traumas e os seus sonhos. É fácil gostar de André tal como é fácil perceber que muito não está a ser contado.

Em termos de revelações o livro nunca me surpreendeu, quer nos momentos de revelações pessoais ou profissionais, o autor nunca me surpreendeu e acredito que não fosse seu objetivo que a surpresa fosse o alicerce do livro, pois todas as pistas estão lá, e devido ao ritmo elevado, consegui notar quando o autor escreve algo que no início parece estar a mais, mas não está. É uma pista. O curioso, e que enaltece o livro, é que o facto de nunca me ter surpreendido não retira qualidade ao livro, apenas confirma as suspeitas de um leitor que não quer parar de ler, e com isto ganhamos uma noção mais abrangente do enredo do que o próprio personagem principal.

As personagens, diversificadas e bem criadas são um ponto forte, e o pequeno universo já criado é coeso em muitos aspetos, o que é de enaltecer tendo em conta que se trata do primeiro livro de uma trilogia de ritmo elevado. No entanto, o livro, tal como a maioria dos livros de espionagem, apresenta falhas porque é vítima do seu próprio ritmo. Por vezes o autor não para para explicar os vários contornos de um acontecimento, o que retira coesão ao enredo mas que cria perguntas para os próximos livros, pois ficam várias questões por responder.

Globalmente este é um livro viciante e que tem um toque agradável por ser passado em Portugal, com personagens portugueses. Não é um grande livro de espionagem, nem o tenta ser, mas consegue ser um bom livro de ação onde a vida pessoal do personagem também é explorada de forma agradável e viciante. Um bom ritmo, uma história interessante, muita ação e personagens que facilmente agradam. Por ser apenas o primeiro livro, não responde a tudo, o que me deixa ansiosamente à espera para ver o que o autor fará de seguida. Esperemos que as editoras portuguesas continuem a apostar nos nossos escritores.

Luís Pinto