quinta-feira, 27 de julho de 2017

ESTOU A VER-TE


Autor: Clare Mackintosh

Título original: I see you




Sinopse: Todas as manhãs, Zoe Walker faz o mesmo caminho para a estação de metro, espera no mesmo lugar da plataforma e escolhe o seu assento preferido na carruagem, sem nunca suspeitar que alguém a observa.
Durante uma dessas viagens, certo fim de tarde, enquanto lê o jornal local, Zoe vê a sua cara num dos anúncios: uma foto de má qualidade, um número de telefone e a morada de um website: FindTheOne.com (Encontra-a.com).
Nos dias seguintes, as fotografias de outras mulheres começam a aparecer no mesmo anúncio, e Zoe percebe que foram vítimas de crimes extremamente violentos, incluindo homicídio.
Com a ajuda de uma polícia determinada, Zoe procura saber o que está por trás daquele anúncio perverso, uma descoberta que vai transformar a sua paranóia em pânico total. Alguém anda a seguir todos os seus passos. E Zoe tem a certeza de que alguém próximo de si a escolheu como próximo alvo.



Este é o primeiro livro que li desta autora que conseguiu bastante sucesso no seu primeiro livro e que aqui tenta repetir o feito. Com uma escrita descontraída e por vezes quase estranha, por ser tão simples, a autora tenta agarrar-nos de imediato. A base do enredo é inteligente, apesar de algo "insustentada" se o final não fosse o que a autora fez. O final, previsível mas coerente, oferece qualidade ao livro porque de outra forma todo o enredo poderia cair.

Em termos de personagens o livro está dentro do que se pede de um thriller claustrofóbico. Em alguns momentos nota-se que a autora poderia ter arriscado mais, criando personagens mais originais e sem alguns clichés, mas o ritmo do livro acaba por suavizar alguns desses problemas, acabando por não nos dar muito tempo para percebermos que alguns momentos são um pouco forçados.

Claramente focado para um público feminino, não só pelos temas base, mas também pelas personagens em si, este é um livro para quem procura um thriller rápido e intenso. Em nenhum momento é fantástico, mas consegue ser coerente e prende qualquer leitor até ao fim. No fim a sensação que fica é que li um livro viciante e intenso, mas que poderia ter sido algo mais, porque tinha uma base boa o suficiente para tal. No entanto, se gostam deste género e se a sinopse vos agarrou, então de certeza que será uma viciante leitura de verão.  

Luís Pinto

terça-feira, 25 de julho de 2017

LEONARDO & MIGUEL ÂNGELO


Autor: Stephanie Storey

Título original: Oil and Marble




Sinopse: No início do século XVI, Miguel Ângelo Buonarroti e Leonardo da Vinci viviam e trabalhavam em Florença. Quando se conheceram, Leonardo era um homem bem-parecido de 50 anos que se encontrava no auge da fama, enquanto Miguel Ângelo era um desmazelado escultor de 26 anos, desesperado por deixar o seu nome na História.
A rivalidade entre ambos tem início quando, em 1501, Miguel Ângelo consegue que lhe seja atribuída a si, e não ao grande mestre Leonardo, a encomenda para esculpir aquela que viria a ser a escultura mais famosa de todos os tempos: David.
Após perder tão ansiada obra, a vida de Leonardo começa a desmoronar-se. É então que conhece uma mulher por quem fica encantado e cujo retrato aceita pintar. O seu nome é Lisa, e tornar-se-á a sua musa.
Leonardo despreza a falta de sofisticação de Miguel Ângelo mas, ao mesmo tempo, admira-o. Por seu lado, este rejeita a genialidade de Leonardo tanto quanto a venera. Ambos tentam superar-se criando extraordinárias obras-primas. Ambos desejam a glória, mas qual será considerado o maior artista do seu tempo?



Há uns anos li um livro, escrito por um historiador inglês, sobre a grande rivalidade entre estes dois génios. Agora, ao olhar para um romance que utiliza a mesma base, tive curiosidade de ver como alguém poderia criar um enredo interessante sem ficar abaixo na genialidade exigira quando se utilizam estes dois homens como personagens de uma história.

Este é, na minha opinião, o grande desafio da autora: o de recriar estes dois homens sem ficar abaixo do que eles eram social, mental e intelectualmente. Globalmente a autora consegue-o apesar de com algumas falhas. No entanto, alguns diálogos estão bastante bem conseguidos e as suas decisões são coerentes com as personalidades e passados que a autora vai expondo.

O enredo desenvolve-se a um bom ritmo, sempre focado no que aproxima e afasta estas personagens, na forma como viam o mundo e a arte, e também como queriam ser recordados e o legado que queriam deixar. Pelo meio uma suave intriga política e religiosa, mas que nunca se torna no centro das atenções.

Globalmente, gostei das personagens, diálogos e do caminho que a história teve. Surpreendeu-me a forma como a autora conseguiu desenvolver um enredo que numa fase inicial não parecia ter muito para desenvolver de forma coerente. Não é um livro fantástico nem o tenta ser. É sim uma leitura viciante e interessante, focada para quem gostar do tema, principalmente porque a autora explora bastante bem as obras destes dois personagens, ajudando o leitor a sentir-se em casa mesmo se for um tema do qual pouco conheça. Se ficaram interessados depois de ler a sinopse, então têm aqui uma leitura interessante para este verão.

Luís Pinto

segunda-feira, 24 de julho de 2017

OS DESPOJADOS


Autor: Ursula K. Le Guin

Título original: The Dispossessed




Sinopse: Em Anarres, um planeta conhecido pelas extensas áreas desérticas e habitado por uma comunidade proletária, vive Shevek, um físico brilhante que acaba de fazer uma descoberta científica que vai revolucionar a civilização interplanetária. No entanto, Shevek cedo se apercebe do ódio e desconfiança que isolam o seu povo do resto do universo, em especial, do planeta gémeo, Urras.
Em Urras, um planeta de recursos abundantes, impera um sistema capitalista que atrai Shevek, decidido a encontrar mais liberdade e tolerância. Mas a sua inocência começa a desaparecer perante a realidade amarga de estar a ser usado como peão num jogo político letal.
Que esperança e idealismo restam a Shevek, aprisionado entre dois mundos incapazes de ultrapassar as diferenças? E ao desafiar ambos os regimes políticos, conseguirá ele abrir caminho para os ventos da mudança?



Este é um dos mais famosos livros de Ursula K. Le Guin e um dos que mais prémios ganhou. Assim que acabamos o livro é notório que estamos perante uma obra de qualidade superior. Le Guin cria um mundo fantástico, capaz de nos fascinar e de ser, ao mesmo tempo, bastante real e paralelo ao nosso. Com a já sua habitual escrita rica e direta, a autora explora temas fraturantes da sociedade que ela própria cria, mas que são a imagem do mundo real. 

Com isto, a crítica social é bastante forte neste livro, levando-nos a questionar setores da sociedade e as suas bases. Le Guin começa de forma lenta, aprofundando o seu universo, para depois adicionar as personagens que farão a diferença. Duas personagens em particular serão os catalisadores em alguns momentos da história, mas sem nunca parecer forçado ou pouco coerente.

Apesar da história ser bastante interessante e de querer sempre ler mais para perceber onde a autora me estava a levar e como iria finalizar o enredo, a verdade é que o trunfo do livro está na forma como consegue expor a sociedade criada. As questões que levanta são os alicerces que tornam este livro na obra tantas vezes premiadas e que o torna numa obra que o afasta da base da literatura fantástica para ser um leitura que se adapta a qualquer género. Com isto quero dizer que mesmo um leitor que não aprecie fantasia ou ficção científica, tem aqui um enredo que o poderá prender do início ao fim.

O resultado final é um livro capaz de ser crítico e duro em alguns momentos e de deslumbrar noutros. Le Guin leva-nos a questionar o que nos torna diferentes ou iguais e quais os caminhos religiosos e políticos que queremos ou devemos seguir. A humanidade está em constante mudança, mas raramente é uma mudança fácil se for demasiado radical. Este é um livro sobre isso. Não é um livro que todos os leitores possam gostar, mas é totalmente aconselhado a quer ler a sinopse e ficar curioso.

Luís Pinto

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O MILÉSIMO ANDAR


Autor: Katharine McGee

Título original: The Thousandth Floor





Sinopse: Uma torre de mil andares. A visão brilhante de um futuro onde tudo é possível se assim o desejarmos. Nova Iorque, cidade de sonhos e inovação daqui a cem anos. Todos querem qualquer coisa… e todos têm algo a perder. O exterior impecável de Leda Cole esconde um vício secreto por uma droga que nunca devia ter experimentado e por um rapaz em quem nunca devia ter tocado. A vida bela e descuidada de Eris Dodd-Radson desmorona-se quando uma traição lhe destrói a família. O trabalho de Rylin Myers num dos andares mais altos mergulha-a num mundo e num romance inimaginável… mas essa vida nova custar-lhe-á a que tinha antes? E a viver acima de todos, no milésimo andar, está Avery Fuller, uma rapariga que parece ter tudo, mas que vive atormentada pela única coisa que nunca poderá ter.



A base deste livro é bastante interessante e foi o que me fez lê-lo. O que a autora criar neste livro é um mundo onde quase tudo, em termos materiais, está ao alcance das pessoas. Numa sociedade que continua a apresentar enormes diferenças entre as várias classes financeiras, a autor explora as diferenças, o que cada pessoa pode alcançar com dinheiro ou posição, mas também o que não pode ser adquirido por compra.

Apesar de o enredo romantizado ser algo previsível, a base da sociedade está bem conseguida, chegado ao ponto de sentir que ficou muito por explorar, muito por explicar, porque a ideia que tudo sustenta, tem muito mais para dar. É verdade que existem mais livros, e tal é fundamental para a autora continuar a explorar conceitos que me parecem interessantes e que encaixam bem nas personagens, mas gostava de ter lido mais neste livro. 

Em termos de personagens a autora cria um grupo interessante, por vezes estereotipado ou previsível, mas capaz de nos agarrar ao enredo, principalmente pela forma inteligente como a autora os explora aos poucos. Nota-se, mais ou menos a meio do livro, que a narrativa perde um pouco o caminho, explorando conceitos e personagens que talvez apenas tenham importância nos livros seguintes, mas talvez seja o esforço da autora em aumentar o seu universo para os próximos livros.

De uma forma geral, a autora tem aqui um livro original na sua base e bastante focado na crítica social e no que a nossa sociedade se está a tornar, ao dar importância a muitas coisas que não são realmente importantes. Gostei da forma como a autora explorou a sua ideia e como a prepara para os próximos livros, sem nunca deixar de tentar chocar nos momentos certos. É, claramente, um livro que será mais apreciado pelo sexo feminino e que ainda tem muito para dar, principalmente graças à crítica social aqui presente, mesmo que indiretamente.Não é fantástico, nem tenta ser. Tenta passar uma mensagem e consegue.

Luís Pinto

quinta-feira, 13 de julho de 2017

PASSATEMPO - A História do mundo para pessoas com pressa - Vencedor!



PASSATEMPO

A História do mundo 
para pessoas com pressa

Vencedor!


Chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença, à qual agradeço mais esta oportunidade.

Desta vez oferecemos um exemplar do livro "a História do mundo para pessoas com pressa", e terei a análise ao livro ainda este mês.

Obrigado a todos os que participaram e que tornaram esta passatempo um sucesso. Aos que não venceram, desejo-vos melhor sorte para a próxima.



Sinopse: Um guia conciso mas abrangente que cobre tudo o que é necessário saber sobre os acontecimentos mais importantes da História do mundo, desde as civilizações antigas até ao final da Segunda Guerra Mundial.
Fazendo uma abordagem a todos os factos e detalhes históricos essenciais, este livro proporciona-nos uma extraordinária viagem através dos tempos, desde o império de Alexandre, o Grande, à dinastia Tang, na China, ao Iluminismo, à Guerra Civil americana, e mais além. 
A História do Mundo para Gente com Pressa é um guia precioso e indispensável sobre a história da Humanidade e que nos permite descobrir como se construiu o mundo moderno.
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E o vencedor é: 

Ana Maria Fernandes Marques
Parabéns à vencedora!
Novos passatempos em breve!