sábado, 20 de abril de 2019

A QUEDA DE BERLIM 1945


Autor: Antony Beevor



Sinopse: Antony Beevor, fazendo uso de novos factos retirados de antigos arquivos soviéticos, da antiga República Democrática Alemã e ainda americanos, ingleses, franceses e suecos, reconstruiu as experiências vividas por milhões de indivíduos apanhados no meio do pesadelo do colapso final do Terceiro Reich. A Queda de Berlim - 1945 é um testemunho terrível que fala de orgulho, de estupidez, de fanatismo, de vingança e de brutalidade, mas é também o testemunho sobre a resistência, a abnegação e a sobrevivência.





Regresso uma vez mais ao tema da Segunda Guerra Mundial para ler um grande autor. Antony Beevor, autor de vários livros sobre esta guerra, tem aqui mais um excelente livro, aclamado pela crítica e apresenta um grande trabalho de investigação. 

Sendo um tema já tão explorado em vários livros, não é fácil criar um livro que se destaque de alguma forma, mas Beevor tem aqui um trabalho diferente de maioria, por se focar nas pessoas. Este é um livro sobre as experiências dos civis e também de alguns militares. 

Sendo um livro grande e denso, não será apreciado por aqueles que não tenham um grande interesse no tema. Este é um livro duro, forte e em certos momentos capaz de nos mostrar os momentos terríveis que certas pessoas viveram. Com uma escrita simples e direta, o autor irá marcar-nos pelo realismo das suas descrições, pela forma como explora o medo e o sofrimentos das pessoas. Ao ser muito mais focado nas pessoas do que no conflito, o livro deixa um pouco de lado a parte militar e política, para se forcar nas experiências dos soldados nas várias frentes, de várias nacionalidades. E uma cosa é certa, independentemente da nação, independentemente do porquê de se lutar, a guerra é algo terrível.

A estrutura do livro está perfeita, levando-nos a viajar entre várias frentes, mostrando as diferenças e as semelhanças entre soldados, povo, crenças, medos, sofrimento. É um livro sobre todos os sentimentos que levaram àquele momento. O extremismo a que se chegou, à total falta de consciência cívica, por contraste com os sentimentos de amizade e amor daqueles que sofreram e tentaram fugir de alguma forma ao que esta guerra lhes estava a dar. 

Não vale a pena falar mais sobre este livro. É um livro que deve ser lido, sem dúvida, por todos aqueles que apreciem este tema. Não é um livro para qualquer leitor, pois é denso, forte, duro, mas é também um excelente trabalho de investigação e que vem aumentar o nosso conhecimento sobre o que aconteceu neste conflito. Muito bom!

Luís Pinto


sexta-feira, 19 de abril de 2019

VIDEOJOGOS EM PORTUGAL


Autor: Nelson Zagalo



Sinopse: Quantos videojogos foram produzidos em Portugal nos últimos 30 anos e quais?
Em que ano foi criado o primeiro videojogo português?
Que jogos obtiveram sucesso a nível internacional?
Quais as motivações dos criadores?
Que plataformas e tecnologias foram utilizadas?
Que tipos de financiamento foram feitos? Quais os maiores problemas que a indústria portuguesa de videojogos enfrenta na atualidade? 
Estas são apenas algumas das perguntas cujas respostas poderá encontrar neste livro, destinado ao público em geral com interesse pelos videojogos, sendo igualmente útil em formação e cursos superiores desta área e de outras com relevância neste campo (Informática, Educação, Artes e Psicologia).
Cada projeto é apresentado em função da sua qualidade técnica e inovação criativa, tendo em conta o momento em que foi lançado. Enriquecido com bastantes imagens e testemunhos, o livro foi dividido em vários capítulos, cada um correspondendo a um período em análise com base no que de mais relevante se passou.


Regresso novamente à área dos videojogos para falar sobre um livro que explora a história desta indústria em Portugal. Afinal de contas, o que teve impacto no nosso país? O que foi criado? Que dificuldades tiveram os seus criadores? Portugal é um país ainda bastante atrás do resto da Europa em relação ao desenvolvimento de videojogos, mas temos muita criatividade, o que nos dá esperança no futuro.

A primeira coisa a dizer sobre este livro, é que retrata a realidade mais ou menos até ao ano de 2012, e a verdade é que entretanto muita coisa mudou. No entanto, e apesar de já não ser um livro totalmente atualizado, o passado não muda e vale a pena conhecer estas histórias, estes percursos difíceis que alguns criadores de videojogos tiveram em Portugal.

Para mim, que nasci na década de 80, este livro é nostalgia constante, com várias referências a alguns jogos que me marcaram bastante e a uma realidade que não é a mesma de agora em que qualquer pessoa pode jogar em qualquer lugar no telemóvel. Antigamente as coisas eram diferentes e têm evoluído a uma velocidade louca.

Gostei bastante da forma como o autor explorou alguns temas e como montou o livro criando uma evolução interessante da leitura. Claro que alguns temas não são totalmente explorados, mas quem não conheça bem esta área, terá aqui muita informação para assimilar e muito para aprender. Em nenhum momento o livro se tornou monótono para mim. Claro que é importante gostar do tema, mas a leitura foi sempre simples e rápida.

Para além disso, este é um livro que motiva, porque muito do que lemos aqui são barreiras a serem quebradas. Num país de baixos orçamentos para esta área, é motivador ver como alguns casos se tornaram num grande sucesso e que demonstram que se formos bons, metódicos e criativos, poderemos fazer cada vez melhor. E a verdade é que os últimos anos são a prova disso mesmo.

Luís Pinto


quinta-feira, 18 de abril de 2019

O DESTINO DO ASSASSINO


Autor: Robin Hobb



Sinopse: FitzCavalaria deixou para trás a pele de assassino, mas nem assim encontrou paz. Depois do rapto de Abelha, e acreditando que ela está morta, Fitz e o Bobo partem em busca de vingança. Nenhum Servo estará a salvo. A missão revela-se surpreendente, com o reencontro com velhos amigos e a descoberta de novos aliados Fitz ainda é um homem temido, e o Bobo continua a ter segredos por desvendar. 
O destino dos dois amigos ficará para sempre selado à medida que as respostas aos mistérios antigos são reveladas, num final épico, intenso e empolgante.





Esta é a terceira saga de Fitz, e este último livro parece realmente o último. Mas já lá vamos. Robin Hobb é uma autora que aprecio bastante pela forma como consegue ligar-me com as personagens. Ao fim de tantos livros, a ligação entre um leitor e Fitz terá de ser forte. No meu caso, Fitz é uma daquelas personagens que me leva a sentir algo. Sinto que a conheço, quero que vença no fim, percebo os seus motivos, etc... 

Depois de tantos anos a ler as palavras deste personagens, é emocionante chegar ao fim, olhar para tudo o que aconteceu, que decisões levaram a estes momentos, o que cada personagem sacrificou, e muito mais... No entanto, tal como em todos os outros livros, Hobb não se foca apenas em Fitz, mas sim num leque muito bem construído de personagens cativantes, diversificadas, coerentes e que ainda têm muito para revelar neste livro.

A história é boa, acabando de forma brutal e com a capacidade de ir buscar muitos momentos dos livros anteriores. De um ponto de vista global, este é o livro que torna todos os anteriores em melhores livros, porque liga momentos importantes, dá respostas e torna tudo mais coerente se tivermos bem presente na nossa mente certos momentos e certos diálogos. É o facto de Hobb ter olhado para este livro como o terminar de todos os livros e não apenas desta saga, que eleva este livro a o melhor que a escritora já escreveu. 

Claro que sendo o final, não agradará a todos, o que é normal numa saga com a qual passamos por tantas emoções, mas a qualidade é inegável, a visão está presente a cada instante, e o facto de até aparecem personagens dos primeiros livros mostra o quanto tudo está ligado e o quanto a autora deverá ter pensado em alguns destes acontecimentos já há vários anos.

No final fica uma sensação estranha, porque adorei o final, mas acredito que depois disto, a autora deixará de escrever pela mão de Fitz, porque o final faz mesmo sentido. Uma história de sacrifício, de amor, de amizade, de responsabilidade, e de dever para com os que nos rodeiam. Estas três sagas, estes quinze livros, foram uma das melhores leituras que alguma vez tive e que qualquer leitor de fantasia irá apreciar, principalmente aqueles que apreciam histórias focadas nas personagens. Totalmente recomendado, desde o primeiro livro, até à última página deste...

Luís Pinto


quarta-feira, 17 de abril de 2019

INTRODUÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DE JOGOS EM ANDROID


Autor: Ricardo Queirós & Alberto Simões




Sinopse: Segundo a Google, "três em quatro utilizadores Android jogam jogos". Com mais de mil milhões de utilizadores Android ativos, os jogos assumem hoje em dia um papel fundamental. A Google Play Games, a rede social de jogos Android, recebeu mais de 100 milhões de novos utilizadores no primeiro semestre de 2014, tornando-se na rede de jogos móveis com o mais rápido crescimento de sempre. Estes números impressionam e são o mote para a escrita desta obra dedicada ao desenvolvimento de jogos que tem como principal objetivo ensinar todos aqueles que se estão a iniciar no desenvolvimento de jogos para dispositivos Android.



Aqueles que seguem o meu blog e o meu canal com regularidade provavelmente já sabem que adoro ler e jogar, mas que a minha vida profissional passa pela informática. Com esta mistura, é claro que desenvolver jogos é sempre um prazer. São muitos os leitores que me perguntam sobre como começar a desenvolver jogos, e a minha resposta é quase sempre a mesma: "fazer cursos online e ler bons livros sobre o tema". 

Posto isto, achei que seria interessante falar um pouco sobre este livro, um livro que é uma boa introdução, mas que, por ser abrangente, também ensinará algumas coisas a profissionais do ramo. No entanto, este é um livro focado em alguém que não sabe nada do assunto.

Com esta ideia em foco, devemos primeiro salientar que este livro tem uns anos, poucos, mas que nesta área são importantes, pois tudo se desenvolve muito depressa. No entanto, e tendo em conta que estamos a falar de uma introdução, este livro continua a ser bastante atual e uma das melhores opções em língua portuguesa. Talvez seja mesmo o melhor livro no mercado para quem queira começar a desenvolver jogos para um smartphone.

Com uma escrita simples e acessível, apreciei a forma como os autores vão explicando as coisas numa linguagem menos técnica, para que qualquer coisa sem conhecimentos de informática possa entrar neste mundo. Claro que quem souber programação terá mais facilidade, mas o livro é bastante fácil de acompanhar, principalmente por três motivos: O primeiro é a forma como está montado e como vai evoluindo, o segundo está nos exemplos que são dados, e a terceira está no facto de o livro nos acompanhar enquanto vamos criando o nosso próprio jogo com a ajuda destas páginas. O que temos aqui é um livro que nos vai dizendo que passos tomar para criarmos um jogo 3D com o motor de jogo Unity, atualmente o motor mais usado no mundo por pessoas e empresas com orçamentos mais baixos.

E dá uma enorme satisfação vermos um jogo a ser criado por nós. Graças a isso o livro é bastante viciante, leva-nos a criar novas dúvidas mas também a pensarmos sobre o que estamos a aprender, levando-nos a um bom processo criativo enquanto desenvolvemos o nosso jogo.

Gostei bastante deste livro e recomendo-o a qualquer coisa que queira começar a desenvolver jogos. Fiquem atentos que nos próximos dias irei publicar um vídeo no canal sobre vários livros de programação.

Luís Pinto


terça-feira, 16 de abril de 2019

O VALOR DE TUDO


Autor: Mariana Mazzucato



Sinopse: Quem são de facto os criadores de riqueza no mundo? E como é definido o valor do que fazem? No cerne da crise económica e financeira atual está um problema que tem sido ignorado.
O conceito de valor - o que é e qual a sua importância -, outrora um alicerce do pensamento económico, deixou de ser debatido. Mariana Mazzucato, neste livro perspicaz e veemente, demonstra que se queremos introduzir reformas no capitalismo - que terão de ser radicais para transformarmos um sistema que está cada vez mais doente e não continuarmos a alimentá-lo - precisamos urgentemente de perceber onde é produzida a riqueza. Que atividades a criam, quais delas se limitam a extraí-la e quais a destroem? As respostas a estas perguntas são fundamentais se queremos substituir o atual sistema parasitário por um tipo de capitalismo mais sustentável, mais simbiótico, e que beneficie toda a gente.
O Valor de Tudo reacende um debate muito necessário sobre o tipo de mundo em que realmente queremos viver.


O sistema económico e financeiro é uma área sobre a qual gosto bastante de ler. Aqui neste livro temos uma abordagem diferente do normal, não se focando tanto na forma como o sistema foi criado e tem evoluído, mas sim na forma como o valor das coisas tem sido alterado ao longo do tempo, incluindo a forma como olhamos para esse mesmo valor, pois em última instância são as pessoas que definem o valor de cada coisa.

Com uma escrita simples, que me surpreendeu, nunca me senti perdido. Todo o livro está escrito de forma simples para que qualquer leitor consiga entrar nesta abordagem e perceber o que realmente se está a discutir aqui.

De um ponto de vista global, este livro é quase uma abordagem ao mundo financeiro com toques de filosofia e sociologia, sem esquecer a própria psicologia de um ponto de vista macro. Afinal quais são as regras? Como é que sem nos apercebermos, damos valores diferentes às coisas e tudo isso tem efeitos globalmente? E é assim, sem termos noção, que muito do que fazemos vai dando ou tirando valor a algo. É o resultado de uma economia cada vez mais global, mais dependente de tudo e de todos, ligado por vários fatores que mudam a cada segundo.

Sendo este um sistema que inevitavelmente, devido à forma como está criado, terá sempre momentos de grande saúde e outros de grande doença, este é um livro que nos explica muito do que acontece, quer em termos globais, quer se estivermos a olhar para economias mais pequenas, mais locais. Globalmente este é um livro fácil de ler, mesmo para quem não tenha grandes noções de economia e finanças. É um livro bem montado, bem estruturado e que agradará aos leitores que após lerem esta sinopse fiquem curiosos. Mas o que temos aqui não é um livro apenas para ser lido. Estas páginas foram feitas para nos levar a pensar, a analisar e a questionar como as coisas são e o que podemos mudar. É o início de um debate interessante que devia ser levado a sério, que devia ser levado a todos e não apenas àqueles que têm algum interesse, porque na verdade, este é um tema que tem impacto em todos nós.

Luís Pinto