quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Passatempo: As receitas de Natal do Jamie Oliver - Vencedor!


PASSATEMPO

As receitas de Natal do Jamie Oliver

Vencedor!



Acabou mais um passatempo. Em primeiro lugar, agradeço à Porto Editora por esta oportunidade e em segundo, agradeço a todos os que participaram e deram visibilidade a este passatempo. 

Aos que não ganharam, espero que participem nos próximos passatempos que terei até ao Natal. Boa sorte a todos!

O vencedor é:

Maria Alice Santos

Parabéns à vencedora!

FELIZ NATAL

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A MEMÓRIA DA CHUVA


Autor: Sandra Freitas




Sinopse: Pode o tempo mudar um amor destinado a existir e a perdurar? Pode um amor antigo sobreviver ao presente e à doença?Inês e Jorge viveram, na sua juventude, um namoro idílico, invejado e admirado por muitos, amando-se profundamente. Quando o destino se encarrega de os separar, por circunstâncias indesejadas e mal interpretadas, Jorge parte em busca da realização das suas ambições, tornando-se num respeitado e conceituado cirurgião cardiotorácico. Inês fica onde sempre esteve, revelando-se uma profissional dedicada e mãe extremosa, demasiado ligada a tudo o que não seja ela própria.Doze anos depois, tudo muda. Jorge regressa, precipitando Inês numa espiral de emoções contraditórias, à medida que ambos reavivam sentimentos e revoltas antigas. No entanto, agora existe Sofia, uma menina perfeita e dócil que encanta e confunde Jorge desde o primeiro momento e que Inês resguarda com o velo de uma mãe impetuosa.É neste contexto que Inês descobre que está gravemente doente, com um cancro da mama. E, ao mesmo tempo que luta entre um amor que nasceu para ser eterno e um conjunto de dúvidas e amarguras que a perseguem desde há muito tempo, começa a lutar também pela sua sobrevivência, descobrindo que a vida nos pode trazer muito sofrimento mas também algumas surpresas



Este primeiro livro da autora Sandra Freitas é um misto de sentimentos. Por um lado tem bons momentos que tornam esta obra em algo bom, noutros momentos parece afundar-se um poucos. Mas vamos por partes. O ponto mais negativo do livro é, provavelmente, a existência de alguns erros ortográficos. Já tive como trabalho fazer correções e sei que não é fácil, mas é sempre pena quando aparecem num livro. Pondo de lado esta situação, olhemos para o enredo. O livro parece bastante grande, talvez demais para um romance, mas a história flui com facilidade. O ritmo está bem conseguido e os capítulos estão divididos nos momentos certos para que fique sempre a vontade de continuar a ler.

Sendo um puro romance, a autora consegue criar uma narrativa interessante e que resulta numa boa mistura entre a o romance em si e as vidas profissionais dos personagens, dando um equilíbrio que harmoniza o livro e o torna mais coerente. Infelizmente senti que o livro não sai da sua zona de conforto em termos de espaço, não existindo aqueles detalhes que gostamos de ver num livro passado em Portugal. As referência aos locais onde o enredo se passa não nos ajudam a identificar aqueles locais que conhecemos das nossas cidades. Este aspeto em nada retira qualidade ao livro, mas gostava que tivesse sido melhor explorado.    

Voltando ao romance, estamos perante um livro que tenta ganhar a sua identidade, mas que está preso a certos clichés dos quais é difícil fugir. Aliás, muitos autores famosos nem o tentam fazer. Aqui a autora consegue embalar a narrativa de forma a que tenhamos de imediato ligação com algumas personagens. Claro que algumas reviravoltas foram  previsíveis, mas também é verdade que apesar de óbvias, foram coerentes com o passado e personalidades das personagens. 

O final é arriscado, com um objetivo claro que acredito que a autora consegue atingir. No global este não é um livro que nos marque, mas é uma leitura fácil e interessante para quem gostar do género. É uma narrativa com falhas mas a construção das personagens e o detalhe das suas vidas profissionais leva a que os pontos mais fracos sejam atenuados. Não é um livro fantástico, mas é uma interessante estreia de uma autora que criou aqui um enredo com profundidade e consistência.

Luís Pinto

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

OS ESPIÕES DO PAPA


Autor: Mark Riebling

Título original: Church of spies




Sinopse: A suposta impassividade do Vaticano perante as atrocidades dos nazis na Segunda Guerra Mundial continua a representar uma das maiores controvérsias da atualidade. A história apelidou Pio XII de «O Papa de Hitler» e considerou-o conivente com a política e ideologia nazi. Contudo, mais do que manter-se distanciado ou cúmplice dos acontecimentos ocorridos num dos períodos da história mais negros, o Papa teve um papel fundamental nos eventos que levaram à derrota nazi.
O historiador Mark Riebling, baseado em documentos recentemente abertos pelos arquivos secretos do Vaticano e pelo British Foreing Office, apresenta a versão que ao longo de décadas foi encoberta, abrindo as portas do Vaticano para revelar factos surpreendentes na história do pontificado.
Os Espiões do Papa lê-se como um romance policial baseado na figura do espião alemão Josef Müller, embora seja um relato histórico rigoroso. Mais uma obra magistral na coleção Biblioteca do Século, que vem contribuir para uma nova visão da história.



Aqui está a mistura de dois temas que gosto bastante de ler: espionagem e Segunda Guerra Mundial. Assim que vi este livro nas prateleiras das livrarias decidi que tinha de o ler. Depois de ter lido vários livros sobre a WWII, sempre me questionei sobre o papel delicado que o Vaticano teve durante aqueles anos. Agora posso ler um pouco mais, porque não estamos perante um simples romance, mas sim um forte trabalho de investigação. E é com base nesta investigação que o livro ganha qualidade. 

Claro que este é um romance, um thriller, com muitas personagens fictícias nos papeis principais. No entanto, o enredo, bom e cheio de suspense, não é o ponto forte do livro. Mas já lá vamos. Olhando para o enredo, é fácil começar a ler a grande velocidade. O ritmo é elevado e o mistério adensa-se rapidamente, ao ponto de na fase inicial do livro já estarmos totalmente dentro da trama. Claro que para isso muito ajuda o conhecimento que o leitor pode ter do tema. No entanto, quem não seja grande conhecedor de alguns factos históricos acabará por receber essa informação do próprio livro. Como disse antes, a investigação histórica está muito bem conseguida, com o autor a misturar ficção e realidade com mestria e ensinando constantemente o leitor. 

Gostei de algumas surpresas e reviravoltas, e também apreciei algumas personagens que me surpreenderam com algumas decisões que mais tarde se tornaram coerentes. Todavia, na parte do enredo o trunfo está na mistura de espionagem e política que é este jogo que alguns personagens tentam jogar, mas que nem todos conseguem. Mas, tal como já disse, o trunfo deste livro não é o enredo em si, mas antes a investigação feita pelo autor e que é a base do próprio enredo.

Com uma narrativa inteligente na cadência com que no dá factos históricos e os mistura com as revelações da ficção, este é um livro que se lê de forma compulsiva se gostarem do estilo e do tema. Se olharem para este livro e vos despertar a atenção pela sua base, então acredita que vale mesmo muito a pena ler. Recomendado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AS PRIMEIRAS QUINZE VIDAS DE HARRY AUGUST


Autor: Claire North

Título original: The First Fifteen Lives of Harry August 




Sinopse: Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?
A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.
Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.



Será que posso fazer uma análise a dizer "Recomendado" e nada mais? Neste livro é o que apetece... dizer a alguém para o ler, sem ideias, sem expectativas... mas como devo fazer uma análise ligeiramente mais aprofundada do que com apenas uma palavra, aqui vou eu, tentar explicar-vos o porquê de este ser um dos livros do ano...

Imaginem que podem repetir a vossa vida, sabendo o que vai acontecer. Decidem tomar decisões diferentes? O que mudam? O que muda sem que vocês queiram? Qual é sequer o objetivo de mudar algo durante a vossa vida se depois a vão repetir? o que ganham e o que perdem...?

A primeira metade do livro demonstra a inteligência da autora e serve como fase de adaptação do leitor a um livro que vai dando saltos de forma a que seja possível ver as quinze vidas do personagem principal. Harry August foi um personagem que fui apreciando aos poucos. No início não tive qualquer ligação com ele e muito se deve ao facto de estar perante uma personalidade totalmente moldada pelo peso que suporta. As dúvidas, os medos... a tristeza de ver que uma pessoa que o adorava numa vida, noutra nem o conhece. O peso de sentir os efeitos das suas escolhas, a capacidade de ver o quanto uma pequena escolha pode fazer tão grande diferença. A noção de quando irá morrer, e de quando as pessoas que gosta irão morrer...

Depois chega a segunda metade do livro. A trama está lançada e atinge um novo patamar. As dúvidas de Harry são as nossas dúvidas e a cada página questionamos o que faríamos nós naquele instante. Mas, acima de tudo, quando fechamos o livro, pensamos sobre o que faríamos se tivéssemos tal poder. O que vale a pena ser mudado? Algo apenas nosso? Ou devemos melhorar o mundo? Para quem volta sempre a viver, qual é o risco de morrer? Até que ponto a morte condiciona cada minuto da nossa vida? Ou ainda mais importante...  de que vale a pena fazer algo bom, se depois tudo começa do zero? 

E é com todas essas perguntas que nos imaginamos naquela situação, a melhorar a vida de quem amamos porque sabemos o que temos de fazer. E reviver, decidir e sentir que o poder é demasiado para alguém ter. E é tudo isso que este livro tem. Ao início parece um bom livro com uma base original, no fim é algo que fica connosco e que nos faz questionar algumas decisões, o que teria sido diferente.

Este é um livro único. É algo que sai das páginas e nos agarra, transportando-nos para um outro mundo onde a nossa mente está presa ao que um autor escreveu. Sentimos algo com as palavras de uma autora que não conhecemos. Sabemos que nada daquilo é real, vivemos aqueles momentos como se fossem. É isto que um livro deve ser. Claro que este também é um livro com falhas, com momentos forçados ou menos coerentes, e, no final, não é uma obra prima... mas está perto. E é, claramente, um dos melhores livros que li este ano. Totalmente recomendado.

Luís Pinto

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A CRIANÇA DE FOGO


Autor: S. K. Tremayne

Título original: The fire child




Sinopse: Com a família, ela aprendeu a conviver com as ilusões. Mas até quando conseguirá manter a mentira? Ao casar com David, Rachel sente que a sua vida se aproxima da perfeição. Troca a agitação londrina pelo vale encantador de Carnhallow, na Cornualha, e encontra, finalmente, paz e um amor vibrante, além de se tornar madrasta de uma criança adorável, Jamie. Mas cedo se desvanece o cenário idílico. Jamie demonstra comportamentos estranhos, fazendo previsões alarmantemente reais, e revelando que Nina, a sua falecida mãe e primeira mulher de David, ainda vive entre eles, naquela casa. Assombrada por esta história e pelos seus próprios fantasmas, Rachel começa a remexer no passado pesaroso daquela família… Qual a verdade sobre o acidente mortal de Nina? Será que David mente? E se sim, porquê? Quando o verão termina e se aproxima dezembro, Rachel começa a temer a veracidade das palavras de Jamie: Tu vais morrer no dia de Natal. 



Houve qualquer coisa nesta capa que me chamou a atenção. Não foi o nome, nem a sinopse... foi a imagem. E foi ao olhar para esta criança que avancei na leitura, sem saber bem o que esperar.

Gostei do enredo principal e da escrita do autor. Inteligente e direta quando precisa de ser, o ritmo não arrefece e isso ajudou-me a continuar a ler com vontade. No início a história demorou um pouco a convencer-me, porque havia ali algo que não batia certo. Aos poucos o enredo começa a ganhar uma vertente mais sobrenatural que me agradou e com isso o ambiente torna-se mais pesado, mas também, por estranho que pareça, mais coerente na fase final. Aliás, o grande trunfo deste livro é o seu ambiente, que quase consegue deixar o enredo para segundo plano, porque ao ler estas páginas estava mesmo a sentir o peso dos medos e dúvidas destas personagens.

Com um ambiente bem conseguido o enredo vai atrás, apesar de não ao mesmo nível. Gostei da história, apesar de alguns momentos mais forçados. Percebi para onde o leitor me levava e com isso antecipei o final, que é arriscado e não agradará a todos, mas que para mim fez sentido com vários detalhes que fui detetando durante a leitura. pelo meio várias personagens interessantes, com destaque para uma que não irei revelar, mas que me surpreendeu com uma simples revelação que me fez "olhar para outro lado" e perceber como o autor me estava a tentar enganar.

Este é um livro que não agradará a todos. É preciso gostar-se de livros com ambientes pesados. A narrativa não consegue ter o impacto que a escrita do autor merecia, mas consegue agarrar-nos facilmente, principalmente porque queremos ver até que ponto algumas suspeitas são ou não verdade. Se gostarem deste género, este livro é uma boa escolha que vos deixará acordados a ler. Não é uma obra prima nem está entre os melhores do seu género, mas acredito que qualquer leitor irá ler, sem parar, até ao fim, para saber como tudo acaba... tudo isto num ambiente claustrofóbico que vos fará recordar este livro anos depois de o terem acabado de ler.

Luís Pinto