segunda-feira, 16 de julho de 2018

BREVE HISTÓRIA DA EUROPA

 
Autor: Raquel Varela
 
 
 
 
Sinopse: Breve História da Europa - Da Grande Guerra aos nossos dias é um ensaio histórico sobre os principais acontecimentos que marcaram o continente entre 1917 e 2017, num olhar aguçado sobre as dinâmicas sociais de um século. Do militarismo imperialista à Revolução Russa, da crise de 1929 à Segunda Guerra Mundial, do fim do pacto social à crise da União Europeia, passando pelas descrições empolgantes do Maio de 68 e da Primavera de Praga, Raquel Varela coloca o trabalho e as suas relações políticas e sociais no centro das grandes mudanças que ocorreram nos últimos 100 anos.
Este é um livro que levanta questões provocadoras e nos dá respostas sérias e rigorosas.
Terá sido o apocalipse da Segunda Guerra Mundial - o episódio mais brutal da história da Humanidade, com a perda de 80 milhões de pessoas - a resposta de uma classe suicidária à crise de 1929? E o século XX, que começou (ainda que não oficialmente) em 1917, terá terminado em 1989 com a queda do Muro de Berlim, ou em 2008, com o fim do pacto social europeu?
 
 
 
Sempre fui apreciador de bons livros que conseguem percorrer uma época, explorando acontecimentos e ensinando ao leitor o que realmente é importante dentro de uma certa área. Neste caso, temos aqui um livro que olha para a Europa e, com grande foco nas questões políticas, sociais e económicas, explora os grande acontecimentos dos últimos cem anos.
 
Acima de tudo, gostei da forma como a autora estruturou o livro, levando a que cada página estivesse de alguma forma ligada à seguinte, quer fosse direta ou indiretamente. O livro avança com suavidade apesar de a escrita ser lenta para percebermos os detalhes necessários para a compreensão do livro como um todo. Quando acabamos o livro é fácil perceber como a autora quis desde o início explorar as ligações existentes durante todos estes anos e como acontecimentos de há muito tempo ainda influenciam os acontecimentos de hoje. Claro que tudo isto é bastante óbvio, mas a forma como o livro explora essas ligações faz a diferença.
 
Outro aspeto positivo deste livro, e talvez o mais importante para que qualquer leitor o aprecie, está no facto de a autora conseguir oferecer o conhecimento necessário para que um leitor nunca esteja fora do contexto. Apesar de já ter lido vários livros sobre o tema, tentei constantemente perceber como seria se este fosse o primeiro livro lido dentro do tema, e acho que nunca me sentiria deslocado, sendo este facto muito importante para percebermos tudo. 
 
Globalmente, o que é atrativo neste livro é o facto de abordar vários temas, várias nações, dando uma visão bastante global. Todos nós podemos ler um pouco mais sobre um ou outro tema dentro da História da Europa, mas este livro consegue ser bastante amplo, abordando as várias nações, vários acontecimentos e, claro, os fatores externos à europa e que muita importância tiveram. Pelo meio, muitas perguntas respondidas, outras sem resposta para que o leitor questione e tire as suas conclusões e quem sabe, perceber alguns sinais que poderemos ter no futuro.
 
Luís Pinto
 
 
 
 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

BEREN E LÚTHIEN



Autor: J. R. R. Tolkien



Sinopse: 100 anos depois, uma obra única: a história de amor de Beren e Lúthien escrita por J.R.R. Tolkien, nunca antes publicada de forma independente, chega a Portugal editada pela Editorial Planeta.
O destino dos dois amantes Beren e Lúthien, um homem mortal e uma elfo imortal que, juntos tentam roubar uma Silmaril ao mais poderoso de todos os representantes do mal: Melkor.
Uma obra fundamental para os amantes de Tolkien e de literatura fantástica e que nenhum fã da Terra Média pode perder!
O livro inclui 9 extratextos ilustrados a cores e desenhados especialmente para esta edição por Alan Lee.
Assim como ilustrações a preto e branco ao longo do texto.




Quando vi este livro, acreditei que o seu grande trunfo estaria na qualidade dos materiais, na capa, nos desenhos, porque eu já conhecia o enredo, já o tinha lido, e não esperava algo de novo. E foi aí que me enganei. O que temos aqui é o aprofundar de uma fantástica história, umas das melhores que Tolkien escreveu.
 
Não vale a pena explicar aqui a base do livro, pois basta lerem a sinopse para perceberem um pouco mesmo que não sejam conhecedores profundos do universo de Tolkien. Tendo em conta que "O Silmarillion" é um dos meus livros favoritos, e para mim um dos melhores livros de sempre, sabia que iria gostar deste livro, e foi ainda melhor do que esperava, muito graças às ilustrações que melhoram a leitura. 
 
Começo por aplaudir a edição do livro, com capa dura e ilustrações pelo livro que nos ajudam a navegar pela fantástica imaginação de Tolkien. Depois o que devemos fazer é absorver este livro, estas personagens, esta história. E a partir daqui não há muito mais que possa dizer. As personagens estão muito bem criadas, sendo este casal uma das melhores criações de Tolkien em termos de qualidade de personagens. Pelo meio junta-se Melkor, um vilão com uma aura que melhora o livro a cada instante por tudo aquilo que vamos lendo sobre ele.
 
O enredo é muito interessante e bastante emotivo, levando o leitor a passar por um conjunto de emoções que nos fará questionar as aproximações entre o enredo e a realidade e, principalmente, que sentimento é este a que chamamos amor. Muitas das obras de Tolkien exploram a força do amor, da amizade, da natureza, e este livro explora tudo isso em medidas coerentes e que tornam o livro inteligente e capaz de agarrar qualquer leitor que aprecie o género. Claro que Tolkien tem uma escrita muito peculiar e por isso não agradará a todos, mas a qualidade é inegável.
 
Para tornar o livro ainda melhor, este enredo aproveita muito bem o universo criado por Tolkien, com grande simbolismo, um peso enorme na criação do mundo e na sua História, levando-nos a sentir que tudo faz sentido, tudo é coerente, tudo é real. É este peso que o universo de Tolkien tem, capaz de parecer real, vivo, ali ao nosso lado.
 
Mesmo para quem já tenha lido esta história, ter este livro, navegar nestas páginas, ver estas ilustração, é um luxo. Este é uma das melhores histórias de amor que já li, e recomendo o livro a todos os fãs de Tolkien, mas não só, pois os fãs de fantasia e de romances têm aqui uma obra-prima.
 
Luís Pinto

 

segunda-feira, 9 de julho de 2018

QUANDO A LUZ SE APAGA

 
Autor: Nick Clark Windo
 
Título original: The Feed
 
 
 
 
Sinopse: Bem-vindo ao incrível mundo do Feed!
Com apenas um pequeno chip, implantado no cérebro dos bebés ainda antes de nascerem, todos os problemas da sociedade podem ser resolvidos. Crimes violentos? Fraude? Impossível, tudo o que vemos é registado no Feed. Desaparecimentos? Faltas? Já não existem, o Feed põe-nos a todos em contacto. Esquecimentos? Distrações? Coisa do passado, o Feed não se esquece de nada.
Até ao dia em que o Feed é desligado.
Nesse dia, o Presidente dos Estados Unidos é assassinado, em direto, para todo o mundo. Pouco depois, o Feed cai. Já não há livros. Já ninguém tem computadores. Já ninguém se lembra, sequer, de como consertar as coisas mais simples. Toda a informação estava guardada no Feed. Sem ele, a civilização desaba.
 
 
 
A nossa vida é depende de muita coisa. Coisas que damos como garantidas, que provavelmente nem sabemos como funcionam, nem o que é preciso para a podermos usar. Água, luz, usamos sem pensar, e só lhes damos valor quando nos faltam. A nossa vida a mudar porque durante umas horas a água falta em casa. E se fosse a internet? E fosse o combustível? A sociedade leva-nos a depender de algo, sem questionar... Este livro fala sobre isso, e foi por isso que decidi lê-lo. Porque se certos alicerces da sociedade falharem, como poderemos adaptar-nos?
 
Coerente e inteligente, este livro tem um ritmo muito próprio, que muda entre algo mais rápido para aumentar a intensidade e os momentos mais lentos que ajudam a estruturar a sociedade do enredo. Não é, por vários motivos, um livro para qualquer leitor. É preciso gostar do género, é preciso estar atento, é preciso aceitar a nossa natureza animal que é moldada pela sociedade. É preciso aceitar que tudo pode mudar de repente.
 
Claro que para tornar o livro mais forte e para ter maior impacto no leitor, o autor explora, de forma dura, uma realidade que até poderá não fazer sentido aos nossos olhos, mas que dentro deste mundo, faz, e com coerência. Aceitando esta realidade, vemos como tudo encaixa muito bem, mesmo perante um final que nos deixa a pensar, mas que desde o início nos deu pistas para o que estava para vir.
 
Com personagens interessantes e uma estrutura que é um dos trunfos do livro, o autor conseguiu agarrar-me porque, ao contrário de muitas distopias lançadas no mercado, rapidamente se percebe que este livro foi pensado com pés e cabeça.
 
Devido à sua ideia base e também ao seu final, nem todos os leitores irão apreciar este livro, mas a qualidade está aqui, com uma ideia que vai a um extremo para questionar a nossa atual sociedade, passando uma crítica e uma lição que devemos questionar e aprofundar.
 
Se gostam do género, é claramente um livro a ler. Uma leitura a reler, daqui a uns anos, para perceber se estamos mais próximos ou mais longe da dependência e pânico que este livro conseguiu recriar.
 
Luís Pinto
 
 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

MERIDIANO 28


Autor: Joel Neto



Sinopse: Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da história da humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos.
Do mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.
Os hidroaviões da Pan American faziam desembarcar estrelas do cinema e da música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se ao ténis e ao croquet. Dançava-se o jazz.
Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.
Poderia um agente nazi ter-se escondido nos Açores, consumada a derrota de Hitler?
QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?






Se seguem o meu blog, então devem saber que gosto bastante de livros que abordem a Segunda Guerra Mundial. Já li muito e muitos livros sobre o tema, de ficção ou não, e por isso admito que já não é fácil um livro encher-me as medidas neste tema. No entanto, olhei para esta obra, li a sinopse e houve qualquer coisa que me chamou a atenção. Provavelmente foi a sua originalidade no ponto de vista que estavam naquelas palavras. Decidi que deveria lê-lo.
 
Meridiano 28 é uma história diferente que aborda o famoso conflito de forma suave, apenas como base para um romance que explora outros pontos de vista do conflito, num local que para o conflito tem tanto de importante como de insignificante, um local de que o conflito se pode esquecer, mas onde as pessoas não esquecem o conflito. Apenas o vivem de forma diferente.
 
E é com esta base, bem explorada na sinopse, que o autor vai criando o seu romance, aprofundando personagens credíveis num enredo interessante, bem montado e com um ritmo pausado para explorar, principalmente, a base social. O resultado é um livro que apesar de focado nas personagens, tem na sua base, e como trunfo, uma abordagem e um aprofundar muito interessante à sociedade. Ao olhar para esta sociedade, o autor explorar como as pessoas se adaptaram, o que mudou, como viam o conflito, que jogos de interesse existiam, que peso tinha aquela sociedade no conflito e que peso tinha o conflito nelas. Sendo a Segunda Guerra um choque de ideais (o normal na maioria dos conflitos) é interessante ver este ponto de vista claramente singular, e foi isso que mais gostei no livro.
 
Quando acabei estas páginas, senti que o trunfo está na escrita do autor, na abordagem escolhida e também no enredo simples, mas praticamente sem momentos forçados que nos tentam oferecer um ponto de vista realista. No entanto, aquilo que mais gostei foi a abordagem ao tema, o quanto este influenciou uma sociedade e várias gerações, tanto as que a viveram, como as futuras. Este é um livro simples, mas inteligente na sua essência e capaz de nos levar a pensar e a compreender mais um ponto de vista raramente abordado sobre este conflito.
 
Luís Pinto 

 

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Star Wars: Han Solo

 
Autor: Marjorie Liu
 
 
 
Sinopse: O charmoso e cínico Han Solo, uma das personagens mais queridas pelos fãs de Star Wars, estreia a sua aventura!
Uma aventura situada entre os filmes Uma nova Esperança e O Império contra-ataca, Han Solo é de novo um herói relutante que acede não muito convencido a fazer um favor a Leia procurando descobrir um traidor na Rebelião.
Apertem os cintos para a corrida definitiva! a nossa aposta é para Han e a Falcão Milenário… mas não é em vão, é a nave que ultrapassou o Corredor Kessel em menos doze parsecs!
 
 
 
 
 
A Disney continua a explorar o Universo Star Wars e tal como se esperava, o sucesso tem sido imenso na grande maioria dos casos. No entanto, confesso que o que mais me surpreendeu foi a qualidade nesta série de comics que junta Star Wars e Marvel para a criação de várias pequenas séries que exploram as aventuras dos personagens mais famosos.

Claro que nestes livros as sérias mais famosas são as de Darth Vader e também a principal que segue Luke, Han e Leia. No entanto, pelo meio têm aparecido alguns livros mais focados noutras personagens, como por exemplo este Han Solo. Sendo um livro que se situa após o Episódio IV, temos aqui Han Solo na fase em que ainda tem de ser convencido a ajudar os Rebeldes e gostei da forma como os autores abordaram esta questão a nível psicológico. Pelo meio continuamos a ver algumas personagens conhecidas e a perceber um pouco mais como toda esta guerra evoluiu, como era sustentada e até com alguns toques de espionagem, jogo de intrigas e muitas movimentações de bastidores.

Com a editora Planeta a continuar com o excelente nível de qualidade dos materiais, tanto no papel como na capa dura, as ilustrações estão muito boas, num estilo próprio e que encaixa muito bem na intensidade que Star Wars pede. O enredo está bem conseguido, fundamentalmente pela forma como explora Solo e como este vê a guerra, os Rebeldes e o Império. Se são fãs de Star Wars, tem de estar na vossa estante, até porque com os contínuos lançamentos da Planeta, faz cada vez mais uma estante muito bonita.
 
Luís Pinto