segunda-feira, 22 de maio de 2017

A ILHA DO DOUTOR MOREAU


Autor: H. G. Wells

Título original: The Island of Dr. Moreau







Este é um verdadeiro clássico com mais de 100 anos. Um dos mais famosos livros do genial H. G. Wells, e que claramente merece ser lido.

Como talvez já saibam, este livro é sobre um homem que numa ilha isolada faz as suas experiências em animais, de forma bastante macabra. O personagem principal, um homem que é deixado na ilha e que aos poucos começa a conhecer este cientista, ficando abismado com os motivos que levam a tais experiências.

Falar de um livro tão marcante quanto este nunca é fácil, muito menos tentar analisá-lo. Wells consegue, de forma sublime, explorar a obsessão humana pela perfeição, pela criação de algo perfeito que nos torne iguais a Deus. Aliás, a elevação do humano a algo divino e capaz de criação perfeita é um conceito muita vezes explorado, principalmente por alguns filósofos, crentes ou não, mas poucos escritores conseguiram explorar o problema de forma tão marcante quanto Wells, principalmente porque o caminho percorrido é negro e explora até onde pode ir a mente humana, principalmente na capacidade que tem em criar dor a outro ser vivo.

Posto isto, o autor avançar num ritmo constante, cheio de suspense e deixando o leitor desconfortável, muito graças à personalidade de Moreau e à forma como ele vê os seus objetivos e os seus sucessos, sem questionar como trata os seus inferiores. Em muitos momentos Wells explora como pouco a ideia de que alguém que pratica o mal achar que, de alguma forma, está a praticar o bem, quer seja para ele, ou para todos. Moreau enquadra-se nesse cenário, tornando-se num dos personagens mais marcantes da literatura.

Capaz de nos surpreender, mesmo tendo em conta que o final é algo previsível se estivermos atentos, a verdade é que muito poucos livros conseguiram explorar estes temas de forma tão radical. Se fizesse um top 100 dos livros que considero obrigatórios, certamente este estaria lá, como uma verdadeira análise de até onde pode ir a mente humana nas buscas por mais poder, auto satisfação ou sensação de divino. Por tudo isto, e muito mais, este é considerado um dos melhores livros de sempre, e que ainda hoje, após mais de 100 anos a "envelhecer", continua a ser surpreendente e atual.

Luís Pinto

sexta-feira, 19 de maio de 2017

NOVE PRÍNCIPES DE ÂMBAR


Autor: Roger Zelazny

Título original: Nine Princes in Amber




Sinopse: Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam.
Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar.



Esta é uma das mais famosas sagas de fantasia das últimas décadas e ao fim de ler o primeiro livro, percebe-se porquê.

Roger Zelazny, autor vencedor de vários prestigiantes prémios da literatura fantástica tem aqui uma saga sustentada numa ideia bastante original. Aliás, é esse o grande trunfo do livro: a sua originalidade. Com uma escrita direta e simples, o autor imprime um bom ritmo, nunca sendo uma história demasiado densa ou pesada, levando a que o público alvo seja mais alargado, desde o já experiente leitor de fantasia até aos leitores que estão agora a começar a ler este género e que têm aqui uma boa escolha.

A ligação ao personagem principal é quase imediata, mesmo com todos os seus defeitos, porque existem certos detalhes com os quais qualquer pessoa se pode identificar ou simpatizar. Aos poucos o livro começa a desvendar este original mundo e a consistência está muito bem conseguida, e mesmo existindo alguns momentos mais forçados, principalmente porque algumas questões não são feitas nos momentos certos para criar maior suspense, a verdade é que o livro consegue criar um caminho interessante e bastante viciante.

A ligação com os personagens é outro ponto a favor, muitos graças à diversidade que apresentam. Pelo meio todo um mundo mágico com regras bem sustentadas e que ajudam a criar teorias sobre o que poderá acontecer nos livros seguintes. Sendo o primeiro livro de uma saga com dez livros e que demorou mais de vinte anos a ser publicada (desde o primeiro até ao último passaram-se 21 anos) é fácil perceber que ainda há muito para aprender com este universo. A base criada por Zelazny é de tal forma vasta que as possibilidades de expansão deste universo são enormes.

Não existe muito a dizer nesta fase inicial a não ser que gostei bastante desta leitura. Nota-se que é um livro "com uma certa idade" (o livro foi publicado em 1970), e pode faltar alguma espetacularidade que a atual fantasia por vezes tenta criar (umas vezes bem, outras vezes mal), mas em muitos aspetos continua a ser uma história atual, com pontos que se focam na "humanidade" das personagens, e que estarão sempre atuais. Pelo meio um interessante jogo político e de interesses que o autor certamente irá aprofundar nos livros seguintes.

O que temos aqui é o início de uma das sagas mais famosas do seu género e que, segundo os fãs, conseguiu manter a consistência de qualidade até ao fim. É verdade que são dez livros, mas acredito que vão valer a pena, principalmente para quem queira começar a ler mais fantasia. Estou bastante curioso para ler os próximos livros.

Luís Pinto


segunda-feira, 15 de maio de 2017

O SEGREDO DE VESÁLIO


Autor: Jordi Llobregat

Título original: El secreto de Vesalio





Sinopse: Barcelona de 1888, várias raparigas aparecem mortas… segredos, traições e paixões.
Nada é o que parece e ninguém está a salvo na Barcelona do fim do século XIX.
Um romance magistral e poderoso, escrito pelo autor Jordi Llobregat com o mesmo imaginário gótico e neo-realista dos romances de Carlos Ruiz Zafón.




Houve alguma coisa que me despertou a atenção neste livro. Talvez a capa, talvez o nome. Não sei bem, mas decidi lê-lo e foi uma agradável surpresa.

Com um estilo muito próprio o autor cria um ambiente bastante sombrio, levando o leitor a sentir a cada momento uma sensação quase angustiante de que algo de mal pode acontecer a qualquer momento. É esse o maior trunfo do livro, a forma como agarra o leitor num nevoeiro cheio de suspense e muito mistério. 

Com um ritmo quase sempre elevado, é fácil ler o livro sem parar, muito graças aos detalhes que o autor vai dando nos momentos certos e que ao responderem a algumas perguntas, criam outras, permanecendo sempre a dúvida. Gostei das personagens criadas, principalmente dos motivos que algumas têm para avançar neste enredo, com uma estrutura passada bem criada apesar de não totalmente explorada devido ao ritmo do livro.

Este é um autor que sabe agarrar o leitor com novas pistas nos momentos certos. É verdade que existiram alguns momentos mais forçados e consegui perceber qual seria o final, mas em nenhum momento o livro deixou de me agarrar totalmente, sendo uma das leituras mais viciantes dos últimos tempos. 

Com personagens e diálogos inteligentes, o autor cria um ambiente muito bom e que me fez viajar até Barcelona no meu imaginário. É fácil perceber porque se compara o seu estilo a Zafón, um mestre, e o porquê de este livro ter tido o sucesso internacional que teve no ano passado. Se querem uma leitura cheia de suspense, vale a pena ler este livro.

Luís Pinto

sexta-feira, 12 de maio de 2017

AS GRANDES SOCIEDADES SECRETAS


Autor: David V. Barrett

Título original: A Brief History of Secret Societies





Sinopse: Cátaros, Templários, Maçonaria, KKK, Máfia. Ao longo da História, sempre houve associações restritas que influenciaram o destino da Humanidade. Esta obra revela qual a sua origem, como se formaram e desenvolveram.
Como ganharam tanto poder?
Quem foram as principais figuras?
Como são escolhidos os eleitos?
Eis uma obra abrangente e reveladora, baseada numa pesquisa rigorosa, dos grupos secretos mais poderosos, da Antiguidade aos dias de hoje. O autor remonta às origens da Humanidade, com os egípcios e os gregos, avançando depois até aos dias de hoje.



Sendo um tema que aprecio e que já li bastante, decidi ler este livro de David Barrett, um dos livros mais famosos do género. Conhecido pelo rigor académico e imparcialidade, este livro conseguiu corresponder às minhas expectativas, principalmente pela sua estrutura que me pareceu bastante correta para que qualquer leitor, mesmo sem conhecimentos do assunto, consiga perceber a evolução e como certas influências foram moldando as sociedades secretas ao longo dos tempos.

Apesar de não ser um livro muito grande, o autor consegue colocar aqui o essencial sobre o tema. Tendo já lido alguns livros em inglês sobre o assunto, muita informação já conhecia, mas a verdade é que aprendi bastante, principalmente porque o autor consegue ser imparcial nos momentos mais controversos e não entra em grandes suposições, deixando o leitor retirar algumas conclusões e teorias num tema que pede ao leitor que questione e encontre novas ligações coerentes.

Acima de tudo este livro vale pelo bom trabalho de investigação e estrutura. A informação é dada nos momentos certos, sendo fácil perceber as evoluções e muito dos porquês para os caminhos que as sociedades tomaram ou até o porquê de terem sido criadas. Globalmente este é um dos melhores livros que li sobre o assunto. Não é dos mais exaustivos ou académicos, mas consegue ser um bom ponto de partida para quem queira ler sobre o assunto. Se ficaram curiosos com o tema, é um bom livro a ter na prateleira e que certamente vos irá viciar. Gostei bastante!

Luís Pinto

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O ANO DA DANÇARINA


Autor: Carla M. Soares




Sinopse: No ano de 1918, o jovem médico tenente Nicolau Lopes Moreira regressa da Frente francesa, ferido e traumatizado, para o seio de uma família burguesa de posses e para um país marcado pelo esforço de guerra, pela eleição de Sidónio Pais e pela pobreza e agitação social e política.
No regresso, Nicolau vê-se confrontado com uma antiga relação com Rosalinda, dançarina e amante de senhores endinheirados, e com as peculiaridades de uma família progressista.
Enquanto a Guerra se precipita para o fim e, em Lisboa, se vive a aflição da epidemia e da difícil situação política, a família experimenta o medo e perda, e Nicolau conhece um amor inesperado enquanto trava as suas próprias batalhas contra a doença e os próprios fantasmas.




Este é o segundo livro que leio de Carla M. Soares, e é claramente o melhor. Mas vamos com calma. Em primeiro lugar devo enaltecer o trabalho de investigação da autora, que aqui entrega um pacote de informação muito interessante e que torna a história coerente. É verdade que o ritmo do livro nunca é muito elevado, mas a autora consegue dar as informações certas no momento certo, nunca tornando o livro cansativo por informação a mais ou que pareça forçada.

A autora agarra um tema e uma época sobre a qual já li bastante e que mesmo assim me surpreendeu pela intensidade como descreveu alguns momentos. Sendo uma época negra com o instinto de sobrevivência no máximo a cada instante, as emoções de dor e revolta estão muito bem exploradas pela autora, sendo esse um dos grandes trunfos do livro: a forma como explora as emoções das personagens.

A história pareceu-me muito bem enquadrada na época, principalmente na forma como as mentalidades de algumas personagens estão exploradas. Sendo um livro sobre uma época que já li bastante, não existiu uma sensação de enriquecimento de conhecimento, mas é notório o quando a autora se esforça, e com sucesso, em oferecer o conhecimento necessário para que o leitor perceba alguns quadros sociais e políticos. Dificilmente um leitor se sentirá deslocado ou sem ter as noções necessárias ao que acontece à volta das personagens.

Carla M. Soares tem aqui um livro muito bem conseguido. Naturalmente, por ser numa época mais negra, não será um livro para qualquer leitor, mas aqueles que apreciem o género terão aqui uma boa leitura. É verdade que tem alguns momento óbvios ou que parecem algo forçados, mas num todo, o livro consegue ser bastante coerente e marcante, ajudando o facto de ser muito focado em personagens portuguesas e com as quais criamos rapidamente uma boa ligação. Se apreciam o género, então têm aqui uma boa leitura.

Luís Pinto

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

VENTO DE ESPANHA


Autor: João Pedro Marques




Sinopse: Custódio é um camponês beirão que decide vir para Lisboa estudar. Lurdes, uma lisboeta da Mouraria que sempre conseguiu recompor-se dos duros golpes da vida. Quando o caminho dos dois se cruza, a vida de ambos mudará para sempre. A sua história inicia-se em Portugal e estende-se, depois, a uma Espanha mergulhada na Guerra Civil. É aí que Custódio e Lurdes vão entrelaçar os seus destinos com três outros personagens: o violento Zanelli, o tenente fascista para quem o brado ¡Viva la Muerte! é um lema de vida; a corajosa Maria del Carmen, uma madrilena das classes altas que se guia por princípios de humanidade num tempo em que a moderação desapareceu; e o sagaz Vorobiov, coronel soviético profundamente desiludido com os rumos da revolução bolchevique.



Este é o primeiro livro que leio deste famoso autor e foi com alguma curiosidade que viajei por estas páginas até uma época negra em que o autor explora um momento bastante complicado em Espanha. Com uma base focada na guerra civil de Espanha de um ponto de vista mais social, o autor cria uma interessante história que demora a arrancar mas que consegue cativar com personagens coerentes e que me pareceram bastante realistas. A arte do autor está em criar a estrutura necessária a cada personagens, explorando mentalidades, objetivos e traumas passados que nos ajudam a compreender muitas das decisões que as mesmas irão tomar. 

O ritmo é suave, nunca acelerando demasiado, com a narrativa sempre focada em explorar o que é necessário para que o leitor sinta o peso daqueles momentos. Aos poucos torna-se num livro forte, com grande crítica social e política, e que nem sempre é imparcial, muito graças à visão dos seus personagens. Aliás, esse é um ponto a ter em conta, porque este é um romance histórico e não um livro académico. O autor cria um romance parcial, tendencioso em vários momentos, mas que são a visão dos personagens que seguimos. 

Gostei da forma como o autor avançou na história, com uma narrativa bem montada apesar de as decisões finais de algumas personagens serem algo óbvias. Não é um romance feito para nos surpreender, mas sim para nos marcar com uma visão dura de uma época sangrenta. De um ponto de vista crítico, este é um bom livro, apesar de não conseguir marcar da mesma forma que algumas obras primas que exploraram a guerra espanhola, mas foi sempre uma boa leitura. Se gostam do autor, este será mais um livro que irão gostar e que vale a pena ler se gostarem do género e do tema principal.

Luís Pinto

segunda-feira, 8 de maio de 2017

PODER E VINGANÇA


Autor: Jon Skovron

Título original: Hope and Red




Sinopse: Num império fraturado espalhado por mares selvagens, dois jovens de culturas diferentes encontram um objetivo em comum. Uma rapariga sem nome é a única sobrevivente quando a sua aldeia é massacrada por biomantes, servos místicos do imperador. Após receber o nome da sua aldeia devastada, Esperança Negra é treinada pelo mestre Vinchen como uma guerreira e instrumento de vingança. Nas ruas da cidade de Nova Laven, um rapaz torna-se órfão e é adotado por uma das criminosas mais afamadas do submundo.
Recebe o nome de Ruivo e é treinado como ladrão e vigarista. Quando um acordo é feito entre criminosos e os biomantes para governar as ruelas de Nova Laden, os mundos de Esperança e Ruivo acabam por chocar e eles são forçados a uma aliança inevitável…



Regresso à fantasia para começar uma nova saga. Este é um livro com pontos positivos e negativos, mas, acima de tudo, é um livro que tem muito sumo para os próximos. Mas vamos lá por partes.

Com uma escrita única, o autor mistura uma narrativa rápida com um dialeto muito próprio de um povo, dando peso e coerência a este universo. Claro que por um lado é fácil sentir que estamos deslocados e que tal criação pouco oferece ao enredo, mas também é verdade que a identidade do livro e do universo criado ganha com tal introdução, mesmo tendo em conta que o ritmo de leitura tem de baixar ligeiramente.

Focado em duas personagens, é fácil antever o progresso da história, mas não é isso que fará o leitor abrandar a leitura. No meu caso, foi uma leitura bastante rápida e viciante, mesmo percebendo para onde me levava. O autor consegue explorar bem o seu mundo e algumas personagens e apenas não consegue manipular o leitor como era pedido em alguns momentos para criar maior suspense. Apesar de alguns momentos mais óbvios, a estrutura na narrativa funciona bem, com capítulos a saltarem entre os dois personagens e a serem desvendados segredos nos momentos certos.

A criação dos personagens está bem conseguida, sendo fácil percebermos o que os afasta ou une, levando o leitor a criar algum tipo de ligação com um deles. No entanto, o autor ainda deverá explicar alguns dos motivos para as decisões que algumas personagens tiveram. A ação rápida empurra o leitor e pode sempre ficar algo por questionar, mas no fim o autor surpreende com algumas ideias que poderão tornar bastante melhor os próximos livros.

Acima de tudo esta é uma fantasia num mundo coerente. Está bem criado e pensado e as personagens encaixam bem. Em alguns momentos é óbvio e a sensação é que não traz muito de novo à fantasia, mas também é verdade que nos momentos finais demonstra que o autor sabe para onde vai e ficam boas ideias no ar. Da minha parte, fiquei com bastante vontade de ler os próximos. Não é uma obra prima nem revoluciona, mas a verdade é que poucos o conseguem fazer. Viciante e rápido, para já parece uma boa saga a ler. Fico à espera de ver como serão os próximos.

Luís Pinto

AAMIR - Um pária em Lisboa


Autor: Ricardo Gomes




Sinopse: Aamir veio para Lisboa para tentar sair da pobreza a que parecia irremediavelmente condenado. Os anos passaram entre esquemas e uma indigência banhada a álcool na baixa da cidade. Um acaso mudou-lhe a vida, levando o indiano a acreditar que poderia contrariar os deuses, ousando traçar o seu próprio destino.




Este livro, que não chega a ter cem páginas, é um interessante conto sobre Aamir, um personagem que vive em Lisboa e com o qual será difícil, pelo menos numa fase inicial, simpatizar.

Ricardo Gomes estreia-se neste conto e a sua escrita é inteligente e cuidada, focando-se em pontos essenciais que ajudam a explorar o personagem e também a criar alguma crítica social necessária a criar o ambiente que ajuda a desenvolver a personagem. Posto isto, a história desenvolve-se rapidamente, para o bem e para o mal. O facto de ser um conto tem pontos positivos, principalmente no ritmo, mas falha noutros pontos. É fácil querermos ler mais quando o livro acaba, ficando a sensação que esta personagem poderia ter sido mais explorada.

Gostei do ritmo imposto pelo autor e também de algumas personagens criadas, ficando a sensação que este é um livro que poderia ter dado mais, mas que é o suficiente para percebermos que o autor teve um grande cuidado em alguns pormenores que demonstram investigação. e sentido crítico.

Sendo um livro pequeno, sabe a pouco. É um livro com qualidade mas que demonstra também que o autor tem de evoluir em alguns aspetos, principalmente porque escrever um conto adulto não é fácil. No entanto, fiquei curioso para ler os próximos trabalhos do autor.

Luís Pinto

Passatempo: 1924 O ano que criou Hitler - Vencedor


PASSATEMPO

1924
O ano que criou Hitler

Vencedor!


Chegou ao fim mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença, à qual agradeço mais esta oportunidade.

Desta vez oferecemos um exemplar do livro "1924 - O ano que criou Hitler", e terei a análise ao livro ainda este mês.

Obrigado a todos os que participaram e que tornaram esta passatempo um sucesso. Aos que não venceram, desejo-vos melhor sorte para a próxima.



Sinopse: O ano de 1924 marcou a vida de Adolf Hitler e o destino da Humanidade. Detido na sequência do putsch em Munique, um golpe falhado, e rodeado pelos seus coconspiradores, Hitler passa na prisão por um período intenso de leitura e escrita enquanto aguarda um julgamento por traição.
Nesse ano sedimenta as bases do que viria a ser a ideologia do Terceiro Reich, arquiteta a então aparentemente impossível subida ao poder e escreve Mein Kampf, o seu manifesto infame. Tudo o que a História presenciou depois - a violência, a ditadura, a guerra mais mortífera de sempre - encontrava-se cristalizado nesse ano paradigmático.
Até agora, tal período ficou por analisar com a devida profundidade. O jornalista Peter Ross Range fá-lo magistralmente, descrevendo os episódios do ano mais importante para perceber a mente de Hitler numa obra pioneira e de leitura empolgante: 1924 - O Ano que criou Hitler.
 
 
E o vencedor é: 


Ana Micaela Marcedo
 
Parabéns à vencedora!
 
Novos passatempos em breve! 


sexta-feira, 5 de maio de 2017

ESCRITO NA ÁGUA


Autor: Paula Hawkins

Título original: Into the water




Sinopse: Nel vivia obcecada com as mortes no rio.
O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas. 
Agora, é ela que aparece morta.
Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?
Que segredos escondem aquelas águas?
Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.



Paula Hawkins é a autora do estrondoso sucesso que foi A rapariga no Comboio. Posto isto, a questão é saber se consegue vencer a expectativa. De forma objetiva, A rapariga no comboio não é uma obra prima, é um livro com falhas e onde são cometidos erros normais para um autor que está no "início". Todavia, a forma como escreve, a intensidade que cria e como explora as personagens, levou ao sucesso, também muito graças a uma fórmula vencedora que nos agarra e que foi bem usada.

Agora, com Escrito na Água, a autora desvia-se ligeiramente da fórmula base, mas mantém o seu estilo narrativo, levando, novamente, a que o leitor agarre a história e só pare no fim do livro. Uma vez mais o grande trunfo está nas personagens, na forma como a autora explora mentes algo desequilibradas ou com alguma obsessão ou trauma. É dessa obsessão que a intensidade bebe a sua força em cada página, permitindo ao leitor sentir a angustia em certos momentos.

Com um ritmo forte e várias personagens que tornam a história viciante, Hawkins leva-nos por um enredo que começa com uma base interessante. A autora dá os detalhes certos nos momentos certos no início do livro, mas, tal como no livro anterior, comete alguns erros que me levaram a antever o final. O facto de tal acontecer não retira de imediato qualidade ao livro, mas ainda há certos pontos nos quais a autora poderá melhorar.

No entanto, e mesmo tendo percebido o desfecho, nunca deixei de ler a toda a velocidade. Este é, tal como a mente de algumas personagens, compulsivo. Outro aspeto positivo é a forma como a consegue criar um interessante equilíbrio entre o ritmo elevado e as descrições necessárias para nos deixarem baralhados. A forma como os personagens observam e sentem o mundo é aqui aprofundado com inteligência e o leitor fica preso numa espiral que nos faz ler até ao fim.

Uma vez mais Paula Hawkins faz um livro que irá vender. Os leitores irão ler sem parar e irão recomendar o livro. Poderá, provavelmente, não ter o impacto do livro anterior, mas em vários aspetos tem mais qualidade do que A rapariga no comboio, sendo mais inteligente, mais coerente coeso. Existe uma clara evolução da autora na forma como transmite as suas ideias e como explora a mente humana. O resultado é óbvio: este é o seu melhor livro apesar de alguns momentos óbvios para um leitor mais atento. Uma coisa é certa, se gostaram do A rapariga no comboio, então este é um livro a ter este verão e que se lê à velocidade da luz.

Luís Pinto