sexta-feira, 5 de maio de 2017

ESCRITO NA ÁGUA


Autor: Paula Hawkins

Título original: Into the water




Sinopse: Nel vivia obcecada com as mortes no rio.
O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas. 
Agora, é ela que aparece morta.
Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?
Que segredos escondem aquelas águas?
Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.



Paula Hawkins é a autora do estrondoso sucesso que foi A rapariga no Comboio. Posto isto, a questão é saber se consegue vencer a expectativa. De forma objetiva, A rapariga no comboio não é uma obra prima, é um livro com falhas e onde são cometidos erros normais para um autor que está no "início". Todavia, a forma como escreve, a intensidade que cria e como explora as personagens, levou ao sucesso, também muito graças a uma fórmula vencedora que nos agarra e que foi bem usada.

Agora, com Escrito na Água, a autora desvia-se ligeiramente da fórmula base, mas mantém o seu estilo narrativo, levando, novamente, a que o leitor agarre a história e só pare no fim do livro. Uma vez mais o grande trunfo está nas personagens, na forma como a autora explora mentes algo desequilibradas ou com alguma obsessão ou trauma. É dessa obsessão que a intensidade bebe a sua força em cada página, permitindo ao leitor sentir a angustia em certos momentos.

Com um ritmo forte e várias personagens que tornam a história viciante, Hawkins leva-nos por um enredo que começa com uma base interessante. A autora dá os detalhes certos nos momentos certos no início do livro, mas, tal como no livro anterior, comete alguns erros que me levaram a antever o final. O facto de tal acontecer não retira de imediato qualidade ao livro, mas ainda há certos pontos nos quais a autora poderá melhorar.

No entanto, e mesmo tendo percebido o desfecho, nunca deixei de ler a toda a velocidade. Este é, tal como a mente de algumas personagens, compulsivo. Outro aspeto positivo é a forma como a consegue criar um interessante equilíbrio entre o ritmo elevado e as descrições necessárias para nos deixarem baralhados. A forma como os personagens observam e sentem o mundo é aqui aprofundado com inteligência e o leitor fica preso numa espiral que nos faz ler até ao fim.

Uma vez mais Paula Hawkins faz um livro que irá vender. Os leitores irão ler sem parar e irão recomendar o livro. Poderá, provavelmente, não ter o impacto do livro anterior, mas em vários aspetos tem mais qualidade do que A rapariga no comboio, sendo mais inteligente, mais coerente coeso. Existe uma clara evolução da autora na forma como transmite as suas ideias e como explora a mente humana. O resultado é óbvio: este é o seu melhor livro apesar de alguns momentos óbvios para um leitor mais atento. Uma coisa é certa, se gostaram do A rapariga no comboio, então este é um livro a ter este verão e que se lê à velocidade da luz.

Luís Pinto

2 comentários:

  1. Finalmente! Estava mesmo à espera desta opinião. Ficou com grande vontade de o ler.

    Boas leituras

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  2. Olá Luis. Estava muito curiosa de saber a tua opinião. Devo comprar o livro este fim de semana e fiquei ainda mais entusiasmada com o que escreveste. Beijinhos

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