sexta-feira, 19 de maio de 2017

NOVE PRÍNCIPES DE ÂMBAR


Autor: Roger Zelazny

Título original: Nine Princes in Amber




Sinopse: Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam.
Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar.



Esta é uma das mais famosas sagas de fantasia das últimas décadas e ao fim de ler o primeiro livro, percebe-se porquê.

Roger Zelazny, autor vencedor de vários prestigiantes prémios da literatura fantástica tem aqui uma saga sustentada numa ideia bastante original. Aliás, é esse o grande trunfo do livro: a sua originalidade. Com uma escrita direta e simples, o autor imprime um bom ritmo, nunca sendo uma história demasiado densa ou pesada, levando a que o público alvo seja mais alargado, desde o já experiente leitor de fantasia até aos leitores que estão agora a começar a ler este género e que têm aqui uma boa escolha.

A ligação ao personagem principal é quase imediata, mesmo com todos os seus defeitos, porque existem certos detalhes com os quais qualquer pessoa se pode identificar ou simpatizar. Aos poucos o livro começa a desvendar este original mundo e a consistência está muito bem conseguida, e mesmo existindo alguns momentos mais forçados, principalmente porque algumas questões não são feitas nos momentos certos para criar maior suspense, a verdade é que o livro consegue criar um caminho interessante e bastante viciante.

A ligação com os personagens é outro ponto a favor, muitos graças à diversidade que apresentam. Pelo meio todo um mundo mágico com regras bem sustentadas e que ajudam a criar teorias sobre o que poderá acontecer nos livros seguintes. Sendo o primeiro livro de uma saga com dez livros e que demorou mais de vinte anos a ser publicada (desde o primeiro até ao último passaram-se 21 anos) é fácil perceber que ainda há muito para aprender com este universo. A base criada por Zelazny é de tal forma vasta que as possibilidades de expansão deste universo são enormes.

Não existe muito a dizer nesta fase inicial a não ser que gostei bastante desta leitura. Nota-se que é um livro "com uma certa idade" (o livro foi publicado em 1970), e pode faltar alguma espetacularidade que a atual fantasia por vezes tenta criar (umas vezes bem, outras vezes mal), mas em muitos aspetos continua a ser uma história atual, com pontos que se focam na "humanidade" das personagens, e que estarão sempre atuais. Pelo meio um interessante jogo político e de interesses que o autor certamente irá aprofundar nos livros seguintes.

O que temos aqui é o início de uma das sagas mais famosas do seu género e que, segundo os fãs, conseguiu manter a consistência de qualidade até ao fim. É verdade que são dez livros, mas acredito que vão valer a pena, principalmente para quem queira começar a ler mais fantasia. Estou bastante curioso para ler os próximos livros.

Luís Pinto


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