segunda-feira, 12 de março de 2012

A REGRA DE QUATRO

  
Autor: Ian Caldwell e Dustin Thomason

Título original: The Rule of Four


Este thriller de grande suspense intelectual conta a história de quatro finalistas da Universidade de Princeton que descobrem alguns dos segredos que poderão ajudar a desvendar o Hypnerotomachia Poliphili, um texto do século XV escrito em várias línguas por um padre romano no ano de 1499. Os estudantes vão compreendendo a mensagem codificada em labirintos linguísticos e matemáticos que estão por detrás de dissertações sobre arte, zoologia, erotismo e fé, capazes de descodificar segredos de obras da época Renascentista. No entanto, ao aperceberem-se da magnitude da descoberta que estão prestes a fazer e que poderá tornar-se no maior achado histórico de sempre, descobrem também que há mais quem conheça o valor do tesouro em questão e que esteja disposto a matar pela sua posse.


Este foi um daqueles livros que ganhou notoriedade graças ao enorme sucesso que foi O Código da Vinci de Dan Brown, mas a verdade é que se tratam de livros que apresentam bastantes diferenças.
Se no mega-sucesso de Dan Brown tínhamos um livro virado para a acção e que nos agarra desde a primeira página, tal não acontece com este, pelo menos no início. As primeiras páginas são uma apresentação do meio onde os universitários vivem e ainda da história deste misterioso livro, e tal pareceu-me bem conseguido e necessário.
Para quem gostar de matemática e de enigmas, este livro poderá ser muito aliciante e uma boa leitura se gostarem deste tipo de livros em que o prazer está em descobrir e resolver enigmas, mas este livro para além dos enigmas, olha muito mais para as personagens do que outros livro do género. No entanto isto é para o bem e para o mal.

Os problemas pessoais das personagens dão uma maior qualidade ao livro e estas páginas acabam por não se centrar unicamente na busca pelos mistérios do livro, mas também é verdade que alguma da caracterização das personagens apresenta aspectos completamente fora do contexto, tanto do mundo como das personalidades das mesmas, tornando em alguns momentos as personagens irrealistas.  
Sendo um livro que se foca bastante nas personagens, estes quatro rapazes demonstram aos leitores a força da amizade e do amor, mas também a força da pressão do filho que tenta agradar aos pais, da frustração misturada com a “explosividade” de um juvenil que está prestes a acabar o curso e vê como a vida terá de mudar. Tudo misturado só pode dar em perigo... outros apenas necessitam da concretização pessoal que os irá salvar da vida que levam. Mas uma vez mais o livro não agarra pelas personagens.

Parece-me que este livro não deve ser lido à velocidade da luz, apesar de no último terço do livro ter tido essa vontade. Há detalhes essenciais nas mais banais frases, e ainda conceitos matemáticos que ajudam à compreensão do leitor sobre os enigmas. Trata-se ainda de um livro que mostra como diversificada pode ser a forma como cada leitor lê um livro, onde cada um o interpreta à sua maneira, quer seja por desejar ler algo ou encontrar significados que talvez nem existam, ou que por serem algo oposto ao que desejamos, não conseguimos ver. 

Resumindo, para quem goste deste tipo de livros, de matemática, enigmas e alguma acção, este livro poderá ser uma boa escolha. O grande mérito passa pela forma como nos dá a conhecer esta enigmática obra desconhecida do mundo em geral. Após a leitura pesquisei pela internet e encontrei curiosidades muito interessantes, novas e aliciantes teorias e várias imagens de grande qualidade. No entanto será precisa uma boa pesquisa para encontrarem o que tem realmente interesse.
De forma global, este livro lê-se bem, sem nunca atingir uma qualidade significativa, mas também não é o que se pede neste género de livro (ou pelo menos não estamos habituados a tal). Valeu pelas curiosidades, pelos enigmas e pelo que me deu a conhecer sobre o tema em questão. No entanto parece-me que foi um livro escrito à pressa, que poderia ter sido melhor, que merecia ter sido melhor. Mas como umas linhas antes disse, cada leitor terá a sua interpretação, tal como os personagens deste Regra de Quatro.  Para mim peca pela sua falta de consistência, pois apresenta aspectos positivos, mas também muitos negativos. Um dia voltarei a lê-lo para ver até que ponto mudarei a minha opinião.

12 comentários:

  1. A minha opinião não difere muito da tua. Acho o livro pouco consistente pois, apesar de se ler relativamente bem e ter algumas curiosidades interessantes, não é de todo dos mais marcantes.

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    1. Olá Jojo. POis, senti o mesmo, apesar de o tema me ter interessado bastante.

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  2. Li-o à uns anos. talvez 5.
    Acho que concordo contigo em tudo. Numas partes o livro é muito aliciante, noutras não. Já quase nem me lembro do que li.

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  3. Li-o na altura do Dan Brown. Adorava este tipo de livros e este foi uma boa leitura, mas realmente não marca. Já nem me lembro das personagens.

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  4. Como sempre a tua crítica atinge em cheio no essencial. Não podia concordar mais. Li há uns anos, na altura até gostei, mas agora penso sobre ele e não me diz nada.

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    1. também já foi há uns anos que li este livro e agora para escrever sobre ele tive de dar uma revisão porque houve pormenores que não me marcaram e tive de recordar.

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  5. Gostei do livro, apesar de perceber toda a tua opinião e concordar, também concordo quando dizes que pode ser uma leitura aliciante para algumas pessoas, e eu encaixo nesse grupo.

    uma vez mais estiveste muito bem.

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  6. Sou um fã deste género de livros, porque são muitas as vezes que gosto apenas da sensação de ter de ler e ler até acabar o livro, tal é a vontade de o acabar.
    Este foi um livro que falhou um pouco nessa sensação e muito pelo que dizes. muito concentrado nas personagens e por vezes achei-o mal escrito, não puxando o interesse. Noutros pontos achei-o muito bom e vale a pena ver os enigmas e as curiosidades desse livro que ninguém sabe quem escreveu.

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  7. Já li este livro faz algum tempo. Não desanima ao lê-lo, mas também não se perde grande coisa se não o lermos...

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    1. Sim, acho que é um livro para quem goste do tema e do género

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  8. tenho-o aqui na estante para ler, foi-me oferecido há algum tempo. um dia comecei mas depois comecei a ler outro que tinha comprado e ainda não voltei a tocar-lhe. mas penso ler ainda este ano. Obrigada pela opinião.

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  9. depois de ler o que escreveste fiquei com alguma vontade de ler o livro, mas só se o arranjar bem barato. Sempre gostei deste tipo de livros e este passou-me de certeza ao lado. Mas terá mesmo de ser barato.

    Gaspar

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