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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MAGO - A Senhora do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Mistress of the Empire





Visto que a sinopse deste livro releva algo que não quero desvendar aqui, não a coloco nesta análise. Se gostam da saga e se estão a pensar comprar este livro, não a leiam... leiam antes o livro, que é mesmo, mas mesmo, muito bom!

Este fim da Saga do Império é um livro grande e com um ritmo inconstante, resultado de muitos momentos de ação mas também de muitas conversas políticas que "travam" o livro para que não seja possível ao leitor esquecer todos os contornos e influência da trama central neste mundo Tsurani.

O livro começa com um acontecimento marcante e que revoluciona todo o enredo. Enquanto leitor, sabemos o que está para vir após esse acontecimento, mas não percebemos como tal será alcançado, e está aí o segredo e trunfo do livro. Feist e Wurts conseguem aprofundar a teia política a um nível que eu não esperava e, se por um lado estes momentos mais políticos quebram o ritmo do livro, são também estes momentos que tornam esta obra melhor do que a maioria. 

Claro que os momentos de ação são os que mais gostamos, com as personagens a passarem por perigos, sendo levadas ao limite, mas é nos diálogos e na política que vemos a mestria do livro. Os diálogos são inteligentes, têm significados e rasteiras, e mesmo as personagens menos importantes têm algo a dizer. Neste aspeto, com o adensar da trama política, muitas personagens são introduzidas durante estas várias centenas de páginas e por vezes parece que nada oferecem ao livro, mas é falso. Cada uma tem um modesto peso na equação política final que levará este enredo para um nível superior de consistência e credibilidade. 

Um dos aspetos que mais gostei foi o adensar da liderança imposta a este povo. O livro leva-nos a perceber os poucos aspetos que ainda não tínhamos observado. A forma como o povo é controlado era algo que ainda não tinha sido explorada nesta saga, mas agora temos aqui todas as respostas. Para isso, várias personagens já conhecidas regressam, outras desaparecem, mas no fim a sensação é a de compreensão sobre um povo oprimido e levado pela guerra. As comparações entre povo Tsurani e os muitos povos que conhecemos na História da nossa humanidade são inevitáveis, levando-nos a compreender melhor como um povo se pode resignar porque não conhece melhor, mas esta mistura de culturas está aqui muito bem conseguida, sem parecer forçada.

A religião, a honra e resignação, misturadas com o sacrifício das personagens mais principais, levam-nos a identificar uma mistura de várias culturas que já conhecemos, e que Feist aqui organiza de forma invejável, criando um jogo político que catalisa todo o enredo.

Não me é fácil falar deste livro sem revelar momentos deste ou dos anteriores momentos da saga. Mara é uma personagem muito bem criada e com a qual ganhamos uma ligação durante todas estas páginas. O final da saga, sempre importante para o que fica na nossa memória, é muito melhor do que eu estava à espera. Surpreendeu-me, marcou-me e fez-me pensar, mas, acima de tudo, foi coerente e inteligente. Esta Saga do Império é uma das melhores sagas de fantasia que já li. Pode não ser das mais entusiasmantes mas tem um fantástico mundo onde se desenrola e no global tem uma qualidade inegável, bem demonstrada nas notas muito altas que apresenta no Goodreads. Grandes personagens, grandes momentos, muito coerente e no final temos um dos olhar mais profundos e inteligentes a uma das melhores sociedades que já li. Se, ao ler a saga inicial de O Mago, tinha ficado com a sensação que o mundo Tsurani era fantástico, agora tenho a confirmação. Mesmo muito bom e totalmente recomendado, principalmente se a lerem de seguida!  

Luís Pinto




segunda-feira, 10 de março de 2014

O MAGO - A serva do Império - vol.2


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Servant of the Empire


Sinopse: Os tempos mudaram e as formas de poder são hoje mais subtis e traiçoeiras. Nenhum clã pode sobreviver sem conhecer as intrigas do Jogo do Conselho. E todos o sabem. Mara dos Acoma está mais implacável do que nunca. Com a vida do seu filho em perigo e a continuidade da sua Casa ameaçada, a Senhora dos Acoma usa de todos os meios para controlar a crueldade dos seus inimigos.
Dotada de uma destreza intelectual invulgar, Mara dos Acoma coloca em causa não só as tradições dos Tsurani, como as suas próprias convicções. Neste jogo de sentimentos e poder, poderá não haver um vencedor…



Mais um grande livro de Feist (em conjunto com Wurts) neste universo de O Mago. Depois dois livros nesta saga (saga Filha do Império) que exploraram bastante a intriga política, este consegue fazer melhor, pois expande essa intriga e aprofunda o mundo onde decorre, sem esquecer que são as personagens o núcleo do enredo. Sendo a 2ª metade do livro original, o enredo começa forte logo nas primeiras páginas e de imediato fiquei agarrado por um simples facto: este é o livro que mostra como ficou Kelewan desde o "show" feito por Pug antes de voltar a Midkemia. Há muito tempo que questionava quais teriam sido as mudanças na sociedade após tamanho evento e essa curiosidade aumentou ainda mais com os dois livros anteriores desta saga, onde comecei a perceber a magnitude do jogo político travado neste mundo. Valeu a pena esperar!

No entanto, apesar do enredo começar logo ao rubro, o ritmo da narrativa nunca é alto. Nunca o foi neste universo e o estilo mantém-se, com descrições fortes, inteligentes e essenciais para percebermos cada vez mais esta civilização. E aos poucos, o trabalho nota-se, pois sentimos que conhecemos mais de Kelewan do que, por exemplo, Midkemia. É esta a qualidade e a profundidade que os autores oferecem neste enredo, por forma a percebermos todas as ligações desta teia que é o jogo político. O livro está progressivamente a aprofundar costumes, religião, hábitos e formas de sobreviver usadas por este povo, e é este conhecimento global, e que nunca é o principal no livro, que torna tudo tão coeso, pois sem este conhecimento a complexidade do jogo político nunca seria compreendida pelo leitor.

Mas o principal do livro continua a ser Mara, uma personagem feminina única, muito bem criada, sendo ao mesmo tempo surpreendente e consistente. E é com Mara que o livro evolui, pois tal como Mara se torna mais influente, as suas decisões tornam-se complexas e com maiores responsabilidades, pois influenciam um universo muito maior... e por isso é preciso dizer que com a evolução de Mara o livro também evolui, aprofundando este mundo. E de mãos dadas, enredo e personagem principal, constroem uma base que nos obriga a continuar a ler.

É interessante ver como Mara agarra o leitor. A rapariga, que lemos nas primeiras páginas da trilogia, está agora longe de se reconhecer. Com ela, outras personagens ganham a nossa atenção, quer sejam os "bons" ou os "maus", e Feist sempre conseguiu criar bons vilões, mas também heróis marcantes, e Mara será, certamente, uma das suas maiores criações. Outra personagem interessante é Kevin, e aqui é preciso dizer o seguinte: Kevin é a personagem que faz o contraste entre os dois mundos, duas realidades diferentes, duas sociedades totalmente distintas. É com Kevin que duas mentalidades chocam e é com ele que vemos olhares diferentes sobre escravatura, honra e religião. Existe uma crítica escondida em vários diálogos e que também servem para aprofundar, novamente, este mundo.

Todavia, é impossível não olhar para este livro apenas como uma metade e quando juntamos os dois volumes e vemos o resultado, então estamos mesmo perante um grande livro e que tem uma fantástica base para acabar a saga em grande. Podia aqui mencionar personagens ou momentos marcantes, mas seria estragar o prazer que é ler estes livros. Feist é realmente um grande escritor porque sabe como envolver o leitor enquanto expande o enredo, e nunca ficamos saturados.

Bem estruturado, com diálogos inteligentes, boas personagens e um excelente mundo, com uma cultura vibrante, este é um livro inteligente e complexo. É interessante ver as movimentações das personagens e tentar antever as suas decisões, muitas vezes falhamos e somos surpreendidos, e Feist/Wurts oferecem um livro que se lê rapidamente. Venha o próximo, e rápido, para acabarmos uma das sagas mais aclamadas deste universo que Feist criou!... Afinal, o que é preciso para se mudar a ideia base de toda uma cultura?

Luís Pinto


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O MAGO - A Serva do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Servant of the Empire


Após ter lido o primeiro livro da saga do Império, estava com uma enorme curiosidade sobre a sua continuação. Neste 2º livro Feist e Wurts voltam a estar muito bem e o livro só sofre por ser apenas metade do livro original (que tem perto de 900 páginas!). 

O primeiro fator importante a destacar é o facto de, tal como no livro anterior, este enredo ser muito mais político e com menos fantasia do que as outras sagas presente no mundo de O Mago. Este jogo político é o grande trunfo deste livro e podemos dizer que se trata de uma mistura de várias civilizações da nossa História, como por exemplo a cultura japonesa onde a honra imperava, suaves toques da religião Budista, alguns traços de culturas tribais africanas e ainda as lutas políticas europeias com o poder da religião a comandar. Esta mistura está fantástica e vem confirmar o que disse logo nos primeiros livro que li de O Mago: o mundo de Kelewan é fantástico.

No início o enredo apresenta um ritmo lento, principalmente tendo em conta o livro anterior onde Mara começa de imediato a construir os seus planos. Este livro começa principalmente por construir a base que será necessária nas páginas seguintes, onde iremos ter o fulcral deste livro: o choque de civilizações. É neste choque que o livro assenta, e bem. Mara e Kevin serão os dois personagens responsáveis por mostrar as diferenças entre Kelewan e Midkemia e esta diferença será, certamente, muito importante para os próximos livros.

Estas diferenças servem, essencialmente, para uma crítica social que levará os personagens a pensar e a alterarem a sua forma de pensar e ver o mundo, e com isto novas possibilidades poderão aparecer, pois deixa de existir um conceito estático nas personagens que têm importância neste mundo. Sendo assim, a evolução de Mara é pequena mas muito importante. Os autores tentam ainda oferecer um olhar mais profundo sobre as dúvidas de Mara e como tal a influenciará.

Outro aspeto muito interessante é o facto de termos um olhar muito abrangente sobre os inimigos de Mara, e facilmente percebemos as jogadas de cada um e como as duas frentes se encaixam. Aqui o autor utiliza uma estratégia interessante de nos dar o planeamento de um lado e a reação do outro, e o leitor torna-se no único que percebe todos os fatores e onde estão as falhas de cada plano.

Com um ritmo que aumenta aos pouco, a segunda metade do livro torna-se muito mais interessante e a editora termina o livro num momento muito importante. As batalhas estão bem descritas, foi fácil perceber o que estava a acontecer e apesar de o ritmo baixar ligeiramente, nunca se tornaram em momentos menos entusiasmantes, pelo contrário. Nota ainda para o aprofundar da cultura de Kelewan, também graças ao choque de culturas que antes referi, e o livro ganha imenso com alguns pormenores interessantes sobre como estas personagens encaram a vida e as leias do Império.

Para finalizar, este livro era exatamente o livro que estava à espera desde a primeira saga de O Mago. Não querendo revelar nada, a verdade é que todos nós, quando lemos uma saga paralela a outra que já conhecemos, procuramos "junções" e este livro não só proporciona isso, e de forma brilhante, como abre as portas para algumas explicações no próximo livro, e essas explicações são as que eu procuro há muito tempo, pois estou agora perto de saber o que aconteceu depois de um determinado acontecimento.

Resumindo, este livro só perde por estar dividido, e quando é assim, prefiro deixar um comentário mais profundo para o fim da 2ª parte. É verdade que se assim não fosse, estaríamos perante um livro com mais de 800 páginas e que poderia afastar alguns leitores. Percebo a divisão e percebo em que parte do livro foi feita. Torna-se muito difícil não querer passar já para o próximo. Com a junção do próximo, este livro promete tornar-se num dos melhores do autor, e tendo em conta que estou a falar de Feist, é um grande elogio

Luís Pinto

quarta-feira, 20 de março de 2013

O MAGO - A Filha do Império


Autor: Raymond E. Feist & Janny Wurts

Título original: Daughter of the Empire



Mara era apenas o membro mais novo de uma família nobre. Nunca esperou que a súbita e chocante morte do irmão e do pai pudessem trazer-lhe tamanha responsabilidade. Apesar do seu sofrimento, cabe-lhe a tarefa de vestir os mantos da liderança e enfrentar as dificuldades. Mas embora inexperiente na arte política, Mara terá de recorrer a toda a sua força e coragem, inteligência e astúcia, para sobreviver no Jogo do Conselho, recuperar a honra da Casa dos Acoma e assegurar o futuro da sua família.


A Saga do Império é considerada uma das melhores obras de Raymond Feist e este livro demonstra-o. Com a história a decorrer durante a Guerra do Portal/Brecha (livros Aprendiz e Mestre), Raymond leva-nos ao fantástico mundo de Kelewan e dá-nos a conhecer Mara Acoma, e acreditem que é uma excelente personagem principal!

A base da história é a forma como Mara terá de crescer, sobreviver e vingar a morte dos seus familiares, no entanto o livro ganha uma identidade muito própria, graças a um intenso, e incrivelmente bem feito, jogo político ao nível do que vemos nos livros de George R. R. Martin. A fantasia, que caracterizou muito deste mundo de O Mago, é aqui quase inexistente, tornando esta leitura num cruel e calculado jogo político e militar onde raramente o leitor consegue adivinhar a próxima jogada.

Neste aspeto, a falta de uma maior importância da fantasia neste início de saga, pode deixar alguns fãs renitentes, mas rapidamente essa sensação se perderá, pois o mundo de Kelewan  respira nesta obra, com detalhes excelentes que definem uma civilização, desde aspetos sociais, religiosos mas também geográficos. Sobre esta civilização devo dizer que Feist e Wurts conseguem uma agradável mistura de várias civilizações. Sente-se influências da civilização romana e povos tribais (tal como já se tinha notado em O Mago - Mestre), mas também existe uma forte influência de civilizações orientais e que encaixa muito bem no que já conhecíamos de Kelewan.

Mara é o centro das atenções neste livro e com o seu olhar iremos ver o seu crescimento. Este crescimento não é fácil, principalmente quando Mara percebe que a linha que separa os bons dos maus é muito mais fina do que parece (muito mais fina do que na maioria dos livros de Feist). Mara irá perceber, juntamente com o leitor, que muitos momentos definem a nossa vida, mas poucos terão tanta importância quanto o nosso nascimento, e sobre esse nada podemos fazer... no entanto, o local, a família e o momento em que nascemos continuarão a influenciar as nossas decisões e oportunidades. E assim, durante uma vingança implacável, Mara perceberá que existem sempre efeitos colaterais, como em todas as grandes demandas da nossa vida.

A história está excelente, muito graças a fortes e coerentes personagens. Para início de saga, este livro tem um ritmo lento, pois os autores oferecem uma boa base de conhecimento ao leitor, principalmente em termos culturais, pois de outra forma, muitas das decisões poderiam parecer forçadas. No entanto, para mim a leitura nunca foi difícil visto que as personagens fazem mesmo a diferença. Mara está muito bem construída, e imediatamente me senti agarrado à sua vontade de vingança e as suas lutas interiores: determinação, dúvida, coragem, pânico... De realçar que as personagens secundárias conseguem sustentar toda a história, não só pela diversidade, mas principalmente pela forma como também ensinam o leitor, com as suas falas e decisões.

Resumindo, este primeiro livro é um excelente início de saga e percebe-se facilmente o porquê de ser uma das sagas mais famosas de Feist, que aqui se junta a Wurts para a criação de um excelente trabalho. É principalmente um livro de crescimento pessoal envolto num jogo político do melhor que já li. Se o "jogo de bastidores" for algo que gostem de ler, este livro será uma excelente compra. Várias personagens ficarão na vossa memória (apesar de ser estranho, o livro não perde interesse por não ter as personagens mais famosas, como Pug Jimmy ou Tomas) e ficamos com vontade de ler os próximos e ver quais os efeitos colaterais das ações de Mara. Totalmente recomendado!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

OS FILHOS DE KRONDOR - O Corsário do Rei


Autor: Raymond E. Feist

Título original: The King's Buccanneer



Após quatro livros da saga O Mago, no qual Feist elevou, e muito, a qualidade da literatura fantástica, o quinto livro (e primeiro desta saga) virou-se para os jogos políticos e intriga de bastidores sempre presente na realeza e nas relações entre nações vizinhas. Este livro, 6º do mundo de Midkemia e 2º da saga Filhos de Krondor, deixou um pouco para trás esta tendência e regressa à fantasia/magia que vimos nos primeiros livros.

Na minha opinião, e olhando para a qualidade do livro como um todo, este livro ainda não está ao nível dos primeiros quatro, mas consegue estar acima do anterior, e porquê? Essencialmente porque consegue ser melhor em tudo o que é essencial a este género literário.

Em primeiro lugar temos as personagens, melhor construídas, com uma relação entre principais e secundárias que tornam o livro fácil e divertido de ser ler. Nicholas, personagem principal (terceiro filho de Arutha), conseguiu convencer-me muito mais do que Borric e Erland no anterior livro, principalmente por se mostrar mais humano, com altos e baixos, coragem e medo, sabedoria e ignorância.
O regresso de Pug é muito bem-vindo e o autor consegue manipular bastante bem as suas ações, por forma a limitar a influência no enredo de um personagem tão poderoso e que faria a história acabar muito mais depressa. Mas é Nakor o grande trunfo deste livro. Ganhando importância, responde a algumas questões que deixara no livro anterior e levanta muitas mais, tornando-se num dos catalisadores do desvendar da trama.

O livro começa com um bom ritmo, abrandando a meio, onde começamos a ver as movimentações de algumas peças, para voltar a acelerar no fim. Feist continua com o seu sentido de humor e diálogos convincentes, e não deixando o leitor perceber tudo o que se passa. Todavia, é notório desde o início, que este livro tem uma maior ligação com a saga O Mago do que tinha o livro anterior (O Príncipe Herdeiro), com o autor a criar mais civilizações, expandindo o seu universo cada vez mais, com coerência e sempre com detalhes que as distinguem entre si.

No entanto, este livro também fica marcado pelo revelar de algumas "leis" da magia presente neste mundo. É verdade que fica muito por explicar, mas temos uma noção suficiente para vermos onde este universo nos pode levar e quais as limitações da fantasia criada por Feist.

Num livro com um bom final e uma trama central bem conseguida, Feist mostra-se mais cruel em relação ao destino das suas personagens (apesar de algumas ainda mostrarem a proteção do autor à sua volta) e também em relação à crueldade presente no mundo. Considerado o grande escritor da fantasia depois de Tolkien, e um dos que mais influenciou o género, Feist consegue mais um grande livro, mesmo não estando ao nível da primeira saga. É divertido, é fantástico e é certamente a rampa de lançamento para a próxima saga (pelo menos é o que o nome SerpentWar indica). Ao fim de seis livros, Feist confirma, cada vez mais, que o seu universo tem de ser lido.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

OS FILHOS DE KRONDOR - O Príncipe Herdeiro


Autor: Raymond E. Feist


Título original: Prince of the Blood


A saga O Mago (os 4 volumes da saga Riftwar), que já comentei aqui no blog, foi talvez a saga que mais gostei de ler em todo o género de fantasia, e os meus elogios parecem-me "pequenos" para enaltecer a qualidade do trabalho de Feist. Sendo assim, seria obrigatório voltar a este mundo e voltar a ler sobre o mundo de Midkemia.

A primeira coisa que posso dizer é: adorei este livro! Vendo de forma imparcial, este livro é o mais fraco que li deste autor, porque não consegue estar ao nível de qualquer um dos quatro anteriores, e mesmo assim, continua a ser muito bom! Feist tem, sem dúvida, uma capacidade rara que colar o leitor ao livro, mesmo quando está a apresentar uma nova saga, e não uma continuação. Viciante!

Cronologicamente Feist dá um salto de 20 anos após As Trevas de Sethanon, e rapidamente sentimos uma agradável sensação de vermos o que aconteceu às nossas personagens preferidas. Arutha, Pug, Jimmy, entre outros, regressam para ajudar o leitor a entrar novamente neste mundo. Começando pelas personagens, Boric e Erland, os filhos de Arutha, são as principais e nota-se que Feist leva o leitor a conhecer a evolução dos rapazes, que ao início não demonstram a maturidade necessária ao posto que um dia irão ocupar. Confesso que estes irmãos gémeos não me marcaram muito, talvez porque devido a este processo de crescimento é difícil ganhar um destaque que seja realmente marcante. Por outro lado, Jimmy Mãozinhas é a grande personagem deste livro (apesar de não ser o que aparece mais), é ele a personagem madura e inteligente que irá desenvolver a história, e mais importante, encaminhar muitas das personagens. Quem for fã do Jimmy terá aqui mais um livro que gostará!
Existem ainda novas personagens e sou obrigado a falar de Nakor e Suli. Qualquer uma delas consegue dar um pouco dela própria à história, quer seja pelo humor, coragem ou forma de ver a vida. Gostei mesmo muito destas duas novas "aquisições".

No entanto este livro fica marcado pela enorme diferença que tem em relação a O Mago. Feist "deixa para trás" muita da magia/fantasia que movia a anterior saga e agora entramos em Kesh, onde a história se torna mais política e cheia de intrigas. Esta mudança das lutas épicas/mágicas para as lutas de bastidores, poderá desagradar aos fãs que prefiram a fantasia a que Feist nos habituou, mas este "novo olhar" ajudará ao desenvolvimento de muitas coisas (e sim, Jimmy ganha claramente com este olhar mais político), ao ponto de percebermos que este livro será uma ponte para algo que estará para chegar.

Falando um pouco sobre onde se passa este livro e sem desvendar muito, acho que o Império Kesh é bem conseguido e tal como aconteceu com Kelewan, notam-se algumas influências de civilizações conhecidas, sem que isso retire a identidade do Império que Feist criou, e garanto que Kesh consegue preencher a história com características interessantes e com qualidade. Não conseguiu marcar-me tanto quanto Kelewan, o que também não era nada fácil, mas para primeiro livro, acho que Feist construiu uma boa base e gostava de ver este Império mais desenvolvido e revelado.
Sem a necessidade de apresentações, a história começa com um ritmo elevado e nunca baixa, por isso preparem-se para uma leitura compulsiva, com momentos de humor tal como outros bem cruéis. É verdade que a história não é brilhante (quando comparada à saga anterior), mas novamente se percebe que estamos a ver um novo início que nos está a preparar para algo maior, e continua a ser uma história melhor do que a grande maioria da fantasia que se lê.

Eu sou apenas mais um entre milhões que se tornaram fãs deste autor. A saga O Mago é indiscutivelmente uma das grandes obras-primas da fantasia e este livro viverá à sombra da qualidade dos anteriores. No entanto este livro é muito bom e certamente que alguns leitores gostarão mais deste livro do que dos anteriores. Quem gostou de O Mago, gostará certamente deste livro e tal como eu, ficará à espera do próximo. Ele que venha, e rápido! É impossível falhar esta nova saga e Feist é, indiscutivelmente, um dos melhores autores de fantasia!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O MAGO - As Trevas de Sethanon

 
Autor: Raymond E. Feist

Título original: A Darkness at Sethanon



Feist começou a sua Riftwar Saga com o excelente O Mago - Aprendiz. Personagens que me cativaram desde o início, uma escrita fácil, por vezes surpreendente e a junção de dois mundos que se revelaram desde o início muito interessantes. Quando acabei de ler O Mago – Mestre percebi o porquê de se tratar de uma saga com tantos fãs pelo mundo. Raymond E. Feist criara algo novo, refrescante, mostrando uma nova visão sobre a fantasia, sobre a magia e juntava ali uns conceitos básicos de Ficção Científica que adorei. Os personagens eram fantásticos, com Macros a deixar-me preso ao livro e com Tomas a afirmar-se como uma personagem simplesmente incrível, e tudo isto enquanto olhávamos para a sublime civilização de Kelewan. Com o terceiro livro, Espinho de Prata notei que Feist não mostrara tanta inovação como nos livros anteriores, mas apresentara personagens importantes como Jimmy e notava-se que o livro servia como introdução a algo maior, enquanto desenvolvia as suas personagens, tanto em poder como em maturidade, preparando-as para o livro final.

Este livro é simplesmente fantástico! De longe o meu preferido da saga, um dos melhores livros de fantasia que alguma vez li e sinceramente não sei quando irei ler outro que me agrade tanto quanto este. Um final de saga fantástico e a confirmação que estamos perante uma saga obrigatória!
Sendo um enorme fã dos livros anteriores, agarrei imediatamente este livro e se a espectacular capa me deixou de olhos abertos, ainda mais fiquei ao começar a ler e ver em letras grandes “Macros Redux”. Não era preciso mais nada para começar de imediato!
Neste livro Feist explica o essencial, tanto sobre a origem da magia, do mundo e o passado de muitas personagens, como também das origens do inimigo e as suas motivações. Este é o ponto alto do livro porque enquanto explica, Feist consegue criar fantasia pura, do melhor que alguma vez li, com Macros, Pug e Tomas em grande plano, sem nunca esquecer outras como Jimmy e até uma ou outra que serão verdadeiras surpresas e não irei aqui revelar.
Pelas suas páginas vemos criaturas novas, com histórias e passados que encaixam na perfeição, iremos ver novos mundos com uma qualidade que adorei, com descrições fantásticas, com grande esplendor gráfico e sendo cada uma delas uma lufada de ar fresco dentro do mundo literário da fantasia. 

Outro ponto a favor deste livro é o seu ritmo constante, tornando-o consistente, sempre agradável e cheio de acção e revelações. Os capítulos têm qualidade do início ao fim sem nunca usarem a estrutura de um capítulo que começa lento e acelera até ao ponto que queremos ler e nesse momento passamos para outro capítulo/personagem. Não, Feist não usa esse método. Feist mostra e explica o que nós queremos realmente ver e saber, essencial para um fim de saga.
Em relação às personagens, Tomas torna-se numa das melhores personagens da história da literatura fantástica e se já a considerava a melhor da história, agora estou completamente rendido a este rapaz que viveu duas vezes, com os seus constantes flashbacks que oferecem uma qualidade ímpar à história.
Com batalhas épicas, excelentes revelações, momentos de verdadeira magia literária, que nos levam a entrar no livro e imaginar cenários fantásticos, e ainda uma excelente mistura de fantasia com conceitos básicos de Ficção Científica, Feist arrisca em levar a sua saga por um caminho que poderá não agradar a todos, mas que me convenceu totalmente.

O final é coerente com todas as movimentações, mas pessoalmente queria algo diferente, pois a forma como Feist acaba o livro foi algo previsível do meu ponto de vista, o que destoa com todo o livro que foi um aglomerado de surpresas e surpresas. Existe ainda um outro momento no qual o autor foi previsível (até cheguei a torcer o nariz por ter percebido de imediato que tal iria acontecer), mas mais não falarei para nada revelar. Se olhar bem, no geral trata-se de um problema quase insignificante neste livro.

Resumindo ao máximo este livro e esta saga tenho que dizer o seguinte: A saga é excelente, absolutamente obrigatória e irei reler cada livro com o mesmo entusiasmo dentro de pouco tempo. Feist com a sua visão deste mundo conseguiu deixar-me de boca aberto.

Todos nós, que gostamos de fantástico, temos sempre uma ligeira preferência por diferentes aspectos deste género de livros. Uns preferem uma fantasia mais “Tolkien”, outros preferem uma fantasia mais “George R. R. Martin”, mas a qualidade nunca a negamos, e certamente a maioria nunca irá negar a qualidade deste livro.
Ao nível dos grandes clássicos, este livro é uma obra-prima e eu não o poderia recomendar mais. O ano ainda está longe de chegar ao fim, mas As Trevas de Sethanon estará sem qualquer dúvida, no top dos melhores livros de 2012! Repito: Fantástico!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O MAGO - Espinho de Prata

Autor:   Raymond E. Feist           

Título original: Silverthorn

Na minha opinião aos dois livros anteriores desta saga, usei a palavra “Obrigatório”, não só porque preenchia o essencial para ser obra-prima do género como também era viciante ao ponto de o lermos de seguida e nos dar prazer ao fazê-lo. Com esta continuação levantei algumas dúvidas sobre o caminho que Feist poderia dar à saga mas não fiquei desiludido agora que o acabei, principalmente porque existe uma boa ligação com a história dos primeiros. Esta surpresa deve-se essencialmente ao facto de no fim de “O Mago – Mestre” ficar a sensação de que a história acaba, ficando apenas as personagens para em novos livros apresentarem novas histórias. Contudo a ligação é forte o suficiente para Espinho de Prata ser considerado uma verdadeira continuação. Esta ligação é um dos pontos fortes para quem gostou dos livros anteriores, como eu.
No entanto os desenvolvimentos calmos e pacíficos do início deste livro levam-nos para uma história mais negra, menos épica, sem a guerra generalizada dos livros anteriores mas com mais acção. É esta quantidade de acção que me fez ler o livro numa semana, quase sem parar. O ritmo que Feist dá a este livro é elevadíssimo, sem a necessidade de explicar ou apresentar personagens e mundos, como nos livros anteriores, Feist coloca a sua escrita simples numa história que não tem quebras de ritmo, e o resultado é um conjunto de 400 páginas incrivelmente viciantes onde um pequeno grupo de personagens se faz secretamente ao caminho, na busca de conhecimento e salvação, nos territórios inimigos. O facto de as personagens serem bastante bem conseguidas sem terem a complexidade de outras sagas, também ajuda a esse ritmo sempre elevado.
É bom matar saudades de algumas personagens, os fãs de Arutha ficarão bastante satisfeitos por este se tornar a personagens principal, mas é em Jimmy que está a grande surpresa nas personagens que se desenvolvem, tornando-se até o motor de desenvolvimento da história em certos momentos enquanto noutros se encarrega de nos obrigar a um sorriso com as suas piadas que ajudam a desanuviar. Já Tomas e Pug, personagens principais nos livros anteriores, perdem esse protagonismo para Arutha e Jimmy, mas não deixam de aparecer. Tomas aparece realmente muito pouco, com poucos momentos para recordarmos a sua personalidade, mas o seu “poder” está presente em vários momentos, não nos deixando esquecer das capacidades do poderoso guerreiro. Pug, por seu lado, tem direito a alguns capítulos centrados em si, e adianto já que são os melhores momentos deste livro. Muito dificilmente este livro seria tão viciante se não tivesse Pug a explorar a verdadeira natureza da magia que Feist implementou na sua saga. É na minha opinião o ponto mais alto do livro, com diálogos e acções bem construídas, aumentando o nosso conhecimento sobre o mundo mágico que Feist criou. São aliás, os capítulos de Pug que fazem esta história crescer para uma maturidade bem conseguida.
De realçar ainda que Feist começa e acaba o livro com dois capítulos muito interessantes, e numa história onde dezenas de perguntas se levantam e poucas são respondidas, a escada está lançada para a continuação da saga no último livro que está quase a sair.
Resumindo, este livro não é um livro que marca um género, como os dois anteriores fizeram, mas é uma boa continuação, extremamente viciante e que dá a ideia de servir como rampa de lançamento para o próximo livro que muitos dizem ser um final de saga fantástico. Um livro impossível de perder, principalmente pelos fãs de fantasia e da saga.
Aproveito ainda para elogiar a editora por dois motivos: o primeiro pelo excelente trabalho, na minha opinião, das capas desta saga, simples, coerentes e que chamam a atenção. O segundo agradecimento para a editora por ter arriscado em editar esta saga, quando nenhuma outra o fez. Esperei muitos anos pela edição no nosso país de dois livros, O Mago e Duna, e esta foi a única editora que arriscou em trazer para a nossa língua estes dois livros tão aclamados pelas críticas internacionais.

terça-feira, 19 de julho de 2011

O MAGO - Mestre

Autor: Raymond E. Feist

Título original: Magician: Master

Assim que acabei o primeiro livro, agarrei este de imediato com enorme interesse no destino de algumas personagens. Feist não desiludiu, aliás, superou claramente a qualidade do primeiro. E porque é que tal acontece? 
Primeiro falemos sobre Pug. Os seus capítulos estão muito bem construídos, quer pelo mundo que o rodeia, quer pela sua personalidade que nos mostra uma nova maturidade, e tal reflecte-se em diálogos bem criados. Este é o primeiro ponto vencedor deste livro. Outra personagem que me agradou bastante no primeiro livro foi Tomás, e neste segundo livro a sua personalidade cativou-me ainda mais, essencialmente pela sua própria luta interna que achei realmente interessante. A sua ligação ao passado foi algo que me pareceu uma ideia muito bem conseguida pelo autor e um dos pontos mais altos deste livro.
Feist consegue, com estas duas personagens, ligar dois mundos paralelos e ainda mostrar-nos o passado quando outros Reis governavam. Uma outra personagem que me ajudou a ficar mais “agarrado” ao livro foi Macros. Com aparições discretas, esta personagem, da qual Feist quase nada revela, pareceu-me demasiado importante na história para ter direito a tão poucas linhas e confesso que o desejo de saber mais sobre este mago é o que me faz querer ler o resto da saga. Numa história coerente como esta, Macros terá de ser algo mais do que aquilo que podemos ler neste livro.
Em relação à história, está na minha opinião bem conseguida e uma vez mais preciso afirmar que tanto a evolução de Pug como de Tomás está muito boa. Contudo no fim esperava algo que me marcasse mais, tal não aconteceu mas deixa a ideia que algum do vazio que senti poderia ser preenchido com os próximos livros. Apesar disso, devo ser justo e concordar que sendo o livro tão agradável de ler, talvez tenha elevado as expectativas em relação ao fim.
Realço ainda o mundo de Kelewan, que neste livro se revela não só em cultura e tradições como também no seu próprio passado para nos revelar a evolução da magia que Feist introduz na sua história. Este mundo apresenta-se como uma mistura de várias civilizações nossas conhecidas, como romanos, gregos e ainda culturas africanas. Esta mistura pode parecer algo estranha, mas funciona por não ser excessivamente igual a nenhuma das que referi. É realmente um mundo muito bem conseguido, com personagens sólidas que nos ajudam a perceber este mundo, tradições e preconceitos. Das melhores culturas que já li, infelizmente no fim deseja-se mais páginas de Kelewan mas a história não nos leva nesse sentido.
Resumindo, este é realmente um livro que deve ser lido por um apreciador do género. Não será certamente o melhor livro de fantasia que me passou pelas mãos, depois de ler O Senhor dos Anéis tal tornou-se quase impossível, mas preenche facilmente os requisitos para ser um livro do qual se adore e principalmente que nos vicia muito. Fico à espera dos próximos capítulos na esperança que me possa revelar um pouco mais de personagens com Macros ou Pug. Recomendo-o e certamente quem o ler retirará prazer das suas páginas. Obrigatório!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O MAGO - Aprendiz

Autor: Raymond E. Feist

Título original: Magician: Apprentice

Há muitos anos que ouvia falar deste livro mas apenas o ano passado uma editora portuguesa o trouxe para o mercado nacional. A questão é, terá a fantasia tão pouco mercado no nosso país para ninguém apostar num livro que é dos mais adorados pelo público que lê este género? Agradeço desde já à editora!
Li este livro em poucos dias e confesso que a sua escrita e história tornam-no bastante viciante. Feist oferece-nos um livro com uma escrita fácil e que nos empurra a continuar, sem sentirmos o cansaço pelas exaustivas descrições que por vezes matam os livros de fantasia. E este é o primeiro ponto favorável deste livro. O segundo ponto que devemos analisar é o conjunto de personagens, e aqui Feist não deslumbra na complexidade mas consegue o suficiente para nos agarrar ao livro graças a personagens com que nos identificamos e preocupamos. 
Pug, personagem principal, cativou-me desde o primeiro momento e nunca me desiludiu. O mesmo posso afirmar de outras personagens como Kulgan ou Tomás. Contudo penso que outras menos importantes são mais lineares, quase previsíveis. Achei que tal fosse um ponto negativo no livro mas mais tarde apercebi-me que Feist nunca teve como objectivo criar um mundo excessivamente extenso em relação a personagens, e a realidade era que eu tinha partido do pressuposto que tal aconteceria. Havia uma parte de mim que mal pegara no livro o comparava a O Senhor dos Anéis, e a introdução de Elfos e Anões ajudou a  tais comparações. O terceiro ponto é o mundo em si, e aqui Feist é banal por um lado e genial por outro. Passo a explicar: o mundo de Midkemia não traz nada de novo à fantasia (para quem leia agora o livro e não quando ele foi publicado), mas o mundo de Kelewan foi, na minha opinião, incrivelmente bem conseguido, quer pela sua cultura, povo ou simplesmente pelas dúvidas que pairam no ar a cada capítulo. Contudo este mundo terá muito maior interesse no próximo livro e por isso não me vou alongar para já.
Devo também deixar bem claro que este é um livro que se enquadra entre O Senhor dos Anéis e As Crónicas de Gelo e Fogo em dois aspectos: o primeiro é na linha que separa o bem e o mal. Na obra de Tolkien essa linha é bem visível e raramente uma personagem muda de lado, na saga de George Martin essa linha quase não existe. Este livro está no meio termo. O segundo aspecto é na brutalidade. Tolkien nunca descreveu a violência com grande importância para o desenvolver da história, ao contrário de Martin que nos apresenta um detalhe cruel e real. Uma vez mais Feist está no meio.  
Posto isto, o que faz este livro ser tão adorado? Fácil, é o todo. Sem brilhar em nenhum parâmetro em especial neste primeiro livro, Feist dá-nos boas personagens, de quem gostei de imediato, revela-nos uma forma de magia pouco usada em fantasia e apresenta-nos dois mundos distintos, com culturas ricas. Este livro não é uma fantasia infantil, como nos primeiro livros de Harry Potter, e também não está no extremo da maturidade complexa de George Martin. Talvez por ser um livro tão equilibrado seja tão aclamado desde que foi publicado em 1982.
Falarei do segundo livro desta saga nos próximos dias, onde irei abordar outros aspectos desta história e algumas personagens e suas decisões. Mas para já deixem-me dizer que este livro, pelo que nos oferece é imprescindível a um jovem adepto de fantasia e será especialmente gratificante para quem esteja a iniciar-se neste género literário. Se gostas de fantasia, não o percas.

Sinopse: Na fronteira do Reino das Ilhas, existe uma cidade tranquila chamada Crydee. Nessa cidade, vive um rapaz órfão de nome Pug. Trabalhando nas lides do castelo que o acolheu, ele sonha com o dia em que se tornará um guerreiro valoroso ao serviço do rei. Mas o destino troca-lhe as voltas e o franzino Pug acaba por tornar-se aprendiz do misterioso Mago Kulgan. Nesse dia, o destino de dois mundos altera-se para todo o sempre. Subitamente a paz do reino é esmagada, sem piedade, por misteriosas criaturas que devastam cidade após cidade. Quando o mundo parece desabar a seus pés, Pug percebe que apenas ele poderá mudar o rumo dos acontecimentos, penetrar as barreiras do espaço e do tempo, e dominar os poderes de uma nova e estranha magia... Esta é uma viagem por reinos distantes e ilhas misteriosas, onde irá conhecer povos e culturas exóticas, aprender a amar e descobrir o verdadeiro valor da amizade. Mas, no seu caminho, terá de enfrentar tenebrosos perigos e derrotar os inimigos mais cruéis.