Mostrar mensagens com a etiqueta Lionel Davidson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lionel Davidson. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O ENVIADO DE PRAGA

Autor: Lionel Davidson
Título original: Night of Wenceslas
Sinopse: Fim dos anos 50. A Guerra Fria está no auge. Do lado de cá da Cortina de Ferro, em Londres, Nicholas Whistler aborrece-se de morte. Nunca gostou muito de trabalhar e, se tem um emprego, deve-o apenas ao falecido pai, que antes de morrer lhe garantiu um posto perpétuo numa fábrica de vidros. Nicholas tem outros problemas. Uma gélida namorada irlandesa que não lhe perdoa a falta de ambição. E um amor desmedido por um reluzente MG, cujas faturas no mecânico não param de engrossar. Perante uma proposta para ganhar o dinheiro mais fácil da sua vida, não hesita um segundo. Quase sem dar por isso, Nicholas é obrigado a rumar a Praga, para pagar uma pesada dívida. Tudo o que tem de fazer é levar uma inocente "encomenda" para o outro lado da Cortina de Ferro. Mas, de repente, vê-se enredado numa conspiração internacional e torna-se numa peça chave na luta épica pela supremacia nuclear. 
Sou um grande fã de Lionel Davidson, para mim um dos melhores escritores de espionagem/thrillers dos últimos anos, e não podia deixar de analisar aqui este livro, que foi a sua estreia, e que imediatamente o tornou num nome a ser seguido.
Com um ritmo sempre pausado mas em crescendo no último terço das páginas, Davidson leva-nos por uma história envolta na Guerra Fria, o grande momento da espionagem mundial. O que se nota de imediato é que Davidson consegue criar um ambiente diferente, algo que apenas os mestres da espionagem conseguem. Durante todo o livro sentimos uma espécie de nevoeiro em tudo o que vai acontecendo, levando-nos a questionar cada linha. É essa uma das artes deste livro, a de sabermos que cada personagem é mais do que está realmente a mostrar.
Com um enredo interessante e diálogos que são mais do que parecem à primeira vista, todo o livro está montado de forma inteligente, ajudando-nos a compreender motivações e objetivos das personagens, mas apenas nos momentos certos. Sabendo como agarrar o leitor sem ter de recorrer a um ritmo demasiado alto ou a capítulos mais curtos, Davidson explora a espionagem clássica que le Carré tornou ainda mais famosa.
Com personagens marcantes, atmosfera intensa, algumas reviravoltas inteligentes e um final bem conseguido, é muito difícil não recomendar este livro aos fãs de espionagem ou thrillers. Davidson foi um dos melhores no seu género, sem dúvida, admirado e aplaudido, e os seus livros continuam atuais e marcantes, onde a história é sempre capaz de tomar temas complexos e que ainda hoje são discutidos. Muito bom!
Luís Pinto

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O ESPIÃO DA SIBÉRIA


Autor: Lionel Davidson






Sinopse: MONTES KOLIMÁ, SIBÉRIA. Enterrada nos gelos eternos esconde-se uma estação científica tão secreta que nem sequer existe oficialmente. Quem lá entra, nunca mais sai. Mas Efraim Rogachev tem um plano.
UNIVERSIDADE DE OXFORD. O pacato professor Lazenby recebe uma mensagem encriptada. O autor é um brilhante cientista soviético desaparecido há décadas sem deixar rasto.
LANGLEY, SEDE DA CIA. Os satélites americanos captam uma explosão num bunker siberiano até ali desconhecido; as imagens são aterradoras.
Nos serviços secretos soam os alarmes. É preciso infiltrar um agente nos Montes Kolimá, um inacessível inferno de glaciares onde a temperatura ronda os 50 ºC negativos. Só um homem parece apto para a missão: Johnny Porter, poliglota, antropólogo, professor universitário e da etnia Gitksan. Os gitksan partilham com os nativos siberianos a mesma língua, a mesma cor de pele, a mesma sobre-humana resistência ao frio. E só um nativo conseguirá atravessar quilómetros de gelo, fintar tribos hostis, chegar ao coração do mistério.



Quando se pensa que o ano já não nos surpreende mais em relação a novos livros, leio esta pérola. Que grande livro!

Como talvez saibam, sou um grande fã de espionagem. Já li vários livros e isso aumenta a exigência que tenho em relação ao género. Este livro situa-se mais ou menos a meio entre os dois extremos da espionagem. Num extremo temos a espionagem pura, muito usada nos livros sobre a guerra fria, onde a acção à base de armas é quase nula e o jogo de bastidores é total. No outro extremos temos James Bond. Posto isto, este livro situa-se mais ou menos a meio, mas mais focado nas táticas de espionagem do que na acção pura. A escrita do autor adapta-se totalmente ao género de livro, demonstrando conhecimento na espionagem e também na forma como molda a narrativa, dando os detalhes no momento certo para que o enredo seja mais fácil de se seguir.

Claro que sendo um enredo de espionagem, terá reviravoltas, mas todas elas são coerentes. Algumas são mais óbvias, outras são surpreendentes. A questão está na coerência que o autor vai mantendo desde o início, dando pequenas pistas, moldando a nossa percepção do enredo e de algumas personagens. A isso juntam-se personagens bem construídas e com várias camadas, tal como se pede num livro de espionagem.

No entanto o ponto forte é novamente a coerência das mesmas, quer nas suas personalidades, atitudes ou mesmo nos diálogos, onde existem várias pistas que um leitor mais desatento poderá não perceber. Destaque para a inteligência de alguns diálogos. O ritmo vai acelerando na proporção certa. A narrativa começa mais lenta, apesar de ter acontecimentos na fase inicial que rapidamente nos agarram ao livro, mas na segunda metade a narrativa acelera para acabar de forma surpreendente.

Outro aspeto positivo está no facto de o autor escrever este livro para qualquer leitor, tanto um veterano na leitura de romances de espionagem, como para alguém que nunca leu. O autor enquadra tudo muito bem, explicar muito do que está a acontecer e faz um bom enquadramento histórico, que torna o enredo mais coerente e ajuda a criar o ambiente sufocante que iremos sentir na fase final. E assim, aos poucos, começamos a entrar na pele dos personagens principais e a sentir a pressão. São vários os momentos em que sentimos que o final não vai ser risonho, e é com essa ideia que a leitura avança, enquanto começamos a sentir que estamos a ser enganados.

Quando acabei este livro ficou a sensação que li um excelente thriller. A história está criada e desenvolvida com inteligência e tudo bate certo. Este livro foi uma verdadeira surpresa e entra, claramente, para a lista dos melhores do ano. Se procuram um bom thriller bastante focado em espionagem, esta é a escolha certa para este Natal. Totalmente recomendado!

Luís Pinto