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segunda-feira, 23 de julho de 2018

DO OUTRO LADO


Autor: Michael Connelly



Sinopse: O detetive Harry Bosch acaba de se reformar da LAPD, mas o seu meio-irmão, o advogado de defesa Mickey Haller, precisa da sua ajuda. Uma mulher foi brutalmente assassinada, o corpo encontrado na cama, e todas as provas apontam para o cliente de Haller, antigo membro de um gang de Los Angeles que diz há muito ter abandonado o mundo do crime. Embora a acusação de homicídio pareça perfeita, Mickey tem a certeza de que se trata de uma armadilha.
Bosch não quer atravessar a linha que opõe as forças de segurança à defesa de um criminoso. Sente que tal seria trair uma carreira lendária de trinta anos como detetive na Brigada de Homícidios. Mas Mickey garante não comprometer o seu trabalho: se Harry provar que o seu cliente é culpado, então a prova será entregue à acusação.
Desafiando todos os seus instintos, Bosch aceita o caso. A investigação tem, pura e simplesmente, demasiadas lacunas. Se o cliente de Haller é inocente, quem será o culpado? Todos os caminhos vão dar ao interior do Departamento da Polícia – e o assassino que Harry Bosch procura também o tem estado a procurar a ele. 



Michael Connelly, o mundialmente famoso escritor que tem em Harry Bosch o seu personagem de eleição, tem aqui um novo livro bastante interessante. Em primeiro lugar, este autor é sinónimo de qualidade e gostei bastante de alguns livros seus que li. No entanto o que me convenceu foi a sinopse, que de imediato cria a dúvida no leitor de forma interessante e inteligente.

Com o seu já habitual ritmo em montanha russa, o autor continua a explorar Harry e Mickey, dois dos seus personagens mais famosos e que aqui voltam a juntar-se para levar o leitor numa viagem que será um choque de crenças onde a dúvida está sempre no ar. Em termos de narrativa o autor tem como grande trunfo estar constantemente a criar novas dúvidas, quer para um lado, quer para o outro, levando o leitor e questionar tudo e a balançar entre os vários finais possíveis. O resultado é um livro que nos leva até ao último instante a questionar e a duvidar do que lemos e do que nos parece lógico, incluíndo do que os personagens mostram e dizem.

Em relação às personagens não há muito a acrescentar em relação a livros anteriores. Personagens coerentes, inteligentes e que ajudam a que os diálogos sejam bem conseguidos, sem grandes momentos forçados na investigação. Claro que pelo meio existem alguns momentos em que gostava de ter lido outras perguntas que levassem a investigação numa direção que poderia de alguma forma encurtar o enredo, mas percebo muitas das decisões do autor que assim conseguiu explorar vários temas atuais aproximando-se até de alguma crítica social. 

Globalmente, voltei a gostar deste novo livro de Connelly. Este é um autor que sabe como agarrar o leitor com inteligência mantendo sempre a dúvida até ao último momento, sempre sem certezas de nada. Se apreciam thrillers policiais então Connelly tem de ser uma referência, e este é mais um livro que o comprova.

Luís Pinto


segunda-feira, 15 de julho de 2013

A REVIRAVOLTA


Autor: Michael Connelly

Título original: The reversal


Sinopse: Em 1986, um crime brutal abalou a vida dos habitantes de Hancock Park: Melissa Landy, de doze anos, foi raptada e brutalmente assassinada, e o seu corpo atirado para uma lixeira. Vinte e quatro anos depois, o caso regressa à barra dos tribunais, sob o olhar atento dos meios de comunicação social. Jason Jessup, o suposto infanticida, tem em seu poder uma prova de ADN capaz de o ilibar do crime. Porém, o advogado Mickey Haller, conhecido pelas suas defesas vitoriosas, aceita agora uma nova missão: trabalhar pela primeira vez com o gabinete do procurador do Ministério Público para provar a culpa de Jessup.
Com a ajuda do detetive Bosch e da ex-mulher, a destemida Maggie McPherson, Haller terá então de superar um advogado de defesa hábil na manipulação dos meios de comunicação social, um réu ardiloso e uma testemunha relutante em depor ao fim de tantos anos. E o jogo torna-se cada vez mais perigoso à medida que a família de Haller e Bosch se veem transformadas em peças de xadrez num tabuleiro fatal.


Apesar de não ser o primeiro livro desta personagem (Mickey Haller), o enredo não exige que se tenha lido os anteriores. A sinopse agradou-me bastante mesmo tendo em conta que "thrillers de tribunais" não seja um género que leia muito, e por isso arrisquei, e valeu a pena.

O primeiro ponto a destacar é a mistura entre factos históricos e ficção. Quando a crítica internacional diz que o autor está no topo do seu género, a verdade é que tal nota-se em pequenos detalhes, e a forma como liga factos e ficção é prova disso. O ritmo é bom, nunca deixando que o livro se torne monótono, e nota-se que o autor teve a intenção de nos dar os factos históricos aos poucos, para que haja uma melhor compreensão e não saturação de alguns temas. Outro detalhe interessante é o facto do autor esclarecer alguns modos de funcionamento da polícia na investigação, levando o leitor a sentir-se à vontade com certos temas mais complexos.

Outro ponto interessante trata-se da manipulação que o livro tenta na mente do leitor, levando-nos a apoiar um lado, fiquei atento, a tentar perceber se o enredo me levava com verdades ou mentiras. No entanto, também é preciso destacar que em vários momentos notamos que não existe uma linha que defina bons e maus. Este facto agradou-me bastante porque na realidade essa linha é tão ténue que por vezes não existe, mesmo nestes casos. Todos têm os seus objetivos e motivações, e muitos de moralidade discutível. E neste caso, tal facto torna o livro muito mais realista e oferece-nos a sensação de que o final do livro nunca será o final da história, porque a luta entre bem e mal, justo e injusto, nunca terá fim.

Com a narrativa centrada em Bosch e Haller, o enredo salta em cada capítulo, para a visão de um ou do outro, levando o autor a escrever de forma diferente. Este aspeto é bastante positivo, pois ajuda-nos a distinguir imediatamente as personagens e também a conhecê-las melhor, pois a narrativa está apoiada na personalidade de cada um. As personagens são bem construídas, principalmente porque são coerentes (o que para mim é muito importante num livro onde a argumentação lógica é tão relevante), e existem três ou quatro que se destacam, principalmente Haller que conseguiu aproximar-me da história, que é sempre um dos objetivos de personagens importantes.

O final não esperava desta forma. Acredito que alguns leitores não apreciem, mas eu gostei bastante, e a excelente nota que o livro tem no site GoodReads demonstra que foram muitos os que gostaram deste livro (juntamente com a crítica internacional que aplaudiu este livro). Pode não ser o marco no seu género (não o consigo dizer porque não sou grande conhecedor do mesmo), mas foi um livro de leitura agradável, que gostei bastante e me convenceu a ler mais livros do autor.

Luís Pinto