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quinta-feira, 9 de junho de 2016

A CONSPIRAÇÃO DE PAPEL


Autor: David Liss

Título original: A conspiracy of paper



Sinopse: Benjamin Weaver, judeu português, detective, espadachim e um famoso ex-boxeur, move-se com maestria e confiança na Londres do século XVIII. Trabalhando para clientes aristocratas na cobrança de dívidas difíceis, vive afastado da família devido à má relação com o seu pai, um abastado investidor da bolsa. Mas quando este é brutalmente assassinado, não pode ficar de braços cruzados.
Descendo ao submundo do crime londrino, Weaver ziguezagueia entre bordéis, cervejarias, prisões e casas de jogo, para descobrir uma conspiração que o ameaça não só a si, mas também à própria Inglaterra. Um romance histórico fascinante, A Conspiração de Papel arrebata os leitores, página atrás de página, com um enredo envolvente e personagens apaixonantes de um período único da história.



Este é o segundo livro que leio desta série em que Benjamin Weaver é o personagem principal e voltei a gostar bastante da leitura. Sendo este o primeiro livro da série, a construção da personagem é notória e bem feita, com o autor a revelar vários momentos do passado para termos uma melhor noção dos medos, traumas e objetivos de Weaver. Com várias personagens interessantes, o narrador consegue agarrar o leitor com facilidade, principalmente pela suavidade da escrita e pelos momentos cómicos. Aliás, este é um dos romances históricos mais divertidos que já li, e esse facto também ajuda a construir a personagem do narrador, sem nunca deixar de ser um romance tenso e sério.

A seguir temos a investigação histórica, na qual se nota muito trabalho do autor. Aprendi mesmo muito a ler estas página e sem que a leitura fosse monótona em qualquer momento. A vida em Londres no século XVIII é bastante fácil de assimilar, o que ajuda até a perceber algumas decisões mais políticas que o livro irá ter.

O enredo é bastante bem conseguido apesar de alguns momentos parecerem um pouco forçados. Nota-se que o autor está a tentar construir uma personagem sem revelar momentos nas páginas seguintes. Claro que devido à elevada construção da personagem, por vezes percebe-se que o autor nos está a preparar para alguma decisão mais importante que será suportada com vivências passadas da personagem. No entanto, é algo que a maioria dos leitores não irá perceber se estiver a ler a uma boa velocidade sem olhar com um olhar tão crítico.

Globalmente este é um livro bastante divertido e que me ensinou bastante. A ligação que se cria com o personagem é quase imediata e nunca me apeteceu pousar o livro. É uma leitura rápida e entusiasmante que apesar de não revolucionar o género, consegue ser, ao mesmo tempo, um romance histórico tenso e uma narrativa descontraída. Ainda me falta ler um livro desta série, e tentarei fazê-lo nos próximos tempos. Se apreciam este género, esta é uma fácil recomendação.

Luís Pinto

domingo, 16 de fevereiro de 2014

A COMPANHIA DO DIABO


Autor: David Liss

Título original: The Devil's Company


Sinopse: 1722, Londres. Benjamin Weaver, judeu português, espadachim destemido, antigo pugilista e mestre do disfarce, vê-se aprisionado num jogo mortífero contra uma das figuras mais enigmáticas do seu tempo: Jerome Cobb. Chantageado a roubar documentos com segredos valiosos da poderosa Companhia Britânica das Índia Orientais, cedo Benjamin se apercebe que esse roubo é apenas o primeiro passo numa audaciosa conspiração. Para salvar os seus amigos das garras de Cobb, Benjamin terá de infiltrar a Companhia, manipular vários dos seus mais influentes membros e desvendar uma trama secreta que envolve rivais, espiões estrangeiros e oficiais do governo. Com milhões de libras e a segurança da nação em jogo, Benjamin enfrentará conspirações secretas, inimigos formidáveis e aliados inesperados. Numa pesquisa história escrupulosa de David Liss, A Companhia do Diabo retrata o nascimento das corporações modernas, numa narrativa de grande suspense.


Sendo o 3º livro desta saga, acreditei que sentisse uma falha de conhecimento por não ter lido os dois anteriores, no entanto, sendo todos eles livros independentes, não existe uma necessidade de ler os livros anteriores nem pela ordem cronológica. É claro que se tivesse lido os anteriores o meu conhecimento sobre as personagens seria maior, mas o autor, durante o enredo, revela o que é importante saber-se sobre o passado das personagens, principalmente de Weaver, personagem principal. 

Em primeiro lugar devo salientar o detalhe que o autor oferece com a sua escrita, sendo fácil perceber a investigação histórica feita para a criação deste livro. Existe detalhes a cada instante, quer seja sobre política, religião ou outros temas que o autor consegue encaixar muito bem na época do romance. É fácil visualizar alguns detalhes, quer seja uma simples rua de uma cidade ou a complexa rede política que move este livro.

Outro ponto de grande qualidade nesta obra é a forma como o autor se liga ao leitor. São várias as vezes em que Liss nos escreve como se fosse um amigo nosso a contar-nos a história, criando uma ligação entre o leitor e a personagem principal. Esta ligação é bastante importante neste livro, pois sendo um personagem que passa por momentos de perigo, preocupamo-nos com a mesma, apesar de ser quase óbvio que no fim se irá salvar. Todavia, não é neste suspense que a qualidade do livro se sustenta, mas sim na conspiração, complexa e imprevisível, que este enredo apresenta. Neste aspeto, e uma vez mais, nota-se o conhecimento histórico do autor para criar esta rede de conspirações, interesses e manipulação política, económica e religiosa. Dentro deste tema é preciso salientar a parte económica, com o autor a explorar o conceito de empresas/corporações usadas naquela época com um grande detalhe.   

Este é um dos melhores romances históricos que li nos últimos anos. É divertido, cheio de humor negro, com um enredo complexo, surpreendente, e que é, principalmente, inteligente. Este é um autor para voltar a ler, foi uma das maiores surpresas que tive nos últimos tempos, e aplaudo a forma como me surpreendeu no fim e misturou vários temas, tornando a história sólida e coerente. No fim fica a sensação que este enredo tornar-se-á ainda melhor quando ler os dois livros anteriores, e é o que vou fazer.

Luís Pinto


Podem ler mais sobre o livro no seu espaço no site da editora, aqui.