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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O PALÁCIO DA TRAIÇÃO


Autor: Jason Matthews

Título original: Palace of treason





Sinopse: Paris. Dominika Egorova entra num bar de má fama, de mini-saia e decote pronunciado. Prepara a cilada. Senta-se à mesa do engenheiro responsável pelos planos nucleares do Irão. Ele tem de ser recrutado, custe o que custar. Langley, Virgínia. Na sede da CIA a operação é acompanhada à distância. A tensão é asfixiante – se a espiã tiver sucesso, os Estados Unidos poderão finalmente perceber quão perto estão os iranianos de construir a bomba atómica. Se ela falhar, porém… Moscovo. Na sede dos serviços secretos russos sabe-se agora que há um agente infiltrado no Kremlin. Começa a caçada. Ninguém suspeita que Dominika, a espiã mais admirada por Putin, afinal trabalha secretamente para a CIA. O Palácio da Traição devolve-nos a mais sexy, letal e fascinante personagem dos romances de espionagem contemporâneos. Dominika Egorova regressa num jogo de gato e rato absolutamente arrepiante. Os americanos infiltraram-se no Kremlin, mas os russos também têm uma toupeira em Langley. Um dos dois será descoberto. Um dos dois está condenado à morte. 


Quando li o primeiro livro desta trilogia, chamado Traição, disse que era um dos melhores livros de espionagem que alguma vez lera. Admito que acreditava que o autor não conseguiria fazer melhor, mas fez. 

Tal como no livro anterior, Matthews foca-se num estilo de espionagem mais realista, mais lento, focando-se tanto na parte pessoal de cada personagem como na parte política do enredo, sendo um livro com muito menos tiros e muito mais jogo de bastidores. Em relação às personagens o autor melhora em relação ao livro anterior por aprofundar as principais, apesar de algumas secundárias terem tido pouco tempo e espero que no próximo livro se possam desenvolver.

Em termos de enredo o livro está fantástico, com reviravoltas e várias surpresas, todas elas a fazerem sentido. O livro acaba e sentimos que estivemos numa montanha russa mas que tudo fez sentido, nada foi forçado. Pelo meio o autor coloca algumas personagens reais e muitos factos da História da espionagem, o que demonstra um bom trabalho de casa na estruturação do romance e também grande conhecimento na área. 

Este é, sem dúvida, um livro que leva os personagens ao limite, e com isso o leitor vê-se envolvido num brutal ambiente em que sentimos que tudo pode correr mal a qualquer momento. No livro anterior o autor demonstrou que não tem problemas em arriscar e deixar o leitor de "boca aberta". Aqui volta a repetir demonstrando um conhecimento profundo da espionagem e de como as forças e decisões políticas são tomadas com base em informações.

Com um bom ritmo e uma capacidade invulgar de nos colocar no mundo da verdadeira espionagem enquanto nos ensina muito sobre esta área, Jason Matthews tem aqui um dos melhores livros de espionagem desta década, um dos melhores que já li, e totalmente obrigatório para os fãs do género. Fantástico!  

Luís Pinto

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

TRAIÇÃO


Autor: Jason Matthews

Título original: Red sparrow



Sinopse: Nate Nash acaba de ser descoberto. O jovem agente está em Moscovo, onde trafica informações com o mais valioso espião da CIA no Kremlin. Os russos não sabem quem os anda a trair. Mas perceberam que Nate é a peça-chave para desmascarar o agente duplo. Os russos jogam então o seu trunfo - Dominika Egorova, estrela do ballet clássico caída em desgraça no Teatro Bolshoi. Extremamente atraente, dotada de uma capacidade excecional para "ler" emoções, é forçada a aceitar uma missão: seduzir Nate Nash. Começa o jogo. Da Grécia a Helsínquia, dos corredores de Washington aos aposentos imperiais de Vladimir Putin a trama complica-se. Nate e Dominika percebem que dependem um do outro para sobreviver.


Sempre gostei bastante de ler espionagem. Apesar de não ser dos géneros que mais comento aqui no blog, a verdade é que leio bastante. No entanto, nenhum livro se aproximou do grande "O espião que saiu do frio", a obra prima da espionagem e pelo qual todos os outros se regem. "Traição" é um livro que, tal como todos os outros, não consegue chegar à qualidade do livro de le Carré, mas fica perto. Este primeiro livro de Jason Matthews não é para quem goste de ação e ritmo elevado. Aqui temos a espionagem crua e dura, as políticas, os favores, os diplomatas, as regras e os preços a pagar. "Traição" é um verdadeiro livro de espionagem e que agradará aos grande fãs do género.

Aqui não se espera ação, mas sim a silenciosa batalha de uma guerra fira que nunca acabou, apenas mudou de palco. Pelo meio lemos um enredo forte, lento, cheio de detalhes que apenas quem viveu estas situações nos poderia dar. O conhecimento do autor é palpável a cada linha e com este livro aprendemos imenso, e com isso, este é mais do que um enredo de ficção, este é um livro que ensina e nos deve fazer pensar.

Mais do que nas personagens, esta história assenta na forma de atuar dos serviços de informação e o enredo desenvolve-se com uma facilidade enorme, e com ele o romance e o crescimento das personagens. As personagens estão bem construídas, com especial destaque para Dominika e Gable (o grande personagem deste livro), que apesar de secundário, oferece uma qualidade ao livro que não é fácil de se esquecer.

Por outro lado está o ritmo, baixo, sereno, que nos ajuda a perceber toda a teia de interesses e ações que estão em movimento, e é aqui que está a diferença: o livro, tal como na própria espionagem, demonstra que tudo é importante. Cada detalhe pode fazer a diferença, e este livro não é exceção. Claro que no fim, o que interessa é a história e este enredo é mesmo muito bom. Haverá, certamente, quem não aprecie este livro quando o acabar, mas em grande parte, será mais por culpa do próprio leitor que deseje um enredo mais vibrante e com a ação que costumamos ver no cinema. Isso, aqui, não existe. Aqui as armas são outras...

"Traição" é mesmo muito bom. É, provavelmente, o melhor livro do ano no seu género, mas também é um dos melhores livros de sempre de espionagem. O que o torna tão bom? Tudo, desde a primeira à última linha, onde o final se aplaude após uns segundos de incredulidade. Não sei se haverá um próximo, mas eu vou estar à espera! Mesmo muito bom!

Luís Pinto